Pesquisa do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), realizada em 2000,
dá conta de que aumentou o número dos ateus, pessoas
que afirmam abertamente não crer na existência de algum
deus ou de um mundo sobrenatural.
A maioria desse contingente é atéia na prática,
ou seja, não apresenta nenhum tipo de fé religiosa
e não “perde” tempo refletindo sobre a existência
de Deus. São pessoas que, de fato, assumiram um modus vivendi
em que não há espaço para a religião.
Mas, apesar de suas convicções, não apresentam
argumentos sólidos para o seu ateísmo.
Um número mais reduzido desse grupo, tanto no Brasil quanto
no exterior, pode ser classificado como ateus filosóficos,
isto é, pessoas racionalmente preparadas para justificar
sua descrença, pois se ocupam em formular argumentos lógicos
que justifiquem a sua posição. Poderíamos,
ainda, chamar os ateus filosóficos de “incrédulos
conscientes”.
Também, vale destacar um outro tipo de ateu, mais agressivo,
detectado pela pesquisa em pauta: o militante. Esses ateus não
somente não crêem na existência de Deus como
também são contra aos que crêem. Tanto é
que procuram persuadir os outros para a sua “fé sem
deus”. Então, criaram o site Sociedade da Terra Redonda,
cujo objetivo é reunir todos os ateus em sua militância.
O site possui 820 colaboradores e recebe cerca de 75.000 visitas
por mês.
Salientamos que os ateus militantes parecem dirigir toda a sua animosidade
principalmente aos cristãos. Seus sites estão repletos
de refutações à Bíblia e, entre eles,
existem pessoas que se ocupam em desmentir os milagres de cura que
ocorrem nas igrejas evangélicas e também em apontar
as falhas da Igreja Cristã através da História,
entre outras coisas. Além de negarem a existência de
Deus de forma geral (pois ateu significa “sem Deus”),
acabam se tornando, na maioria das vezes, antideus, isto é,
contra Deus, ou, mais precisamente, anticristãos.
O ateísmo hoje
O ateísmo, como vem sendo propagado atualmente, não
se contenta apenas em não crer na existência de Deus.
Prega que a religião não é só inútil,
mas também é má. E, ao lado de sua crítica
à religião, divulga uma crença que dá
possibilidade ao homem de resolver seus próprios problemas
sem necessitar de uma força exterior. Em verdade, é
um humanismo, não um humanismo que valoriza o ser humano,
mas um humanismo que opõe Deus e homem, colocando este último
como senhor e salvador de si mesmo.
O Credo Americano Ateísta corrente declara:
“Um ateísta ama a si mesmo e ao seu próximo
ao invés de amar um deus. Um ateísta aceita que céu
é uma coisa pela qual nós devemos trabalhar agora,
aqui na terra, para que todos os homens possam desfrutar juntos.
Um ateísta admite que ele não pode conseguir ajuda
pela oração, mas que devemos encontrar em nós
mesmos a convicção interior e a força para
achar a vida, para resolver seus problemas, para subjugá-la
e para desfrutá-la. Um ateísta aceita que somente
no conhecimento de si mesmo e de seu próximo os homens podem
encontrar o entendimento que o ajudará em uma vida de plenitude”.
Um aspecto importante que precisa ser mencionado: os ateus não
negam apenas a existência de Deus, mas de qualquer realidade
que não seja material, isto é, que não possa
ser percebida pelos cinco sentidos. Para eles, não existe
uma dimensão espiritual, habitada por anjos ou demônios.
A única coisa que existe é o mundo físico,
tangível, e nada mais além disso.
O impacto do pensamento científico
“A fundação indestrutível do edifício
inteiro do ateísmo é a sua filosofia: o materialismo,
ou naturalismo, como também é conhecido. Essa filosofia
considera o mundo como ele é na verdade, visto na luz dos
dados providos pela ciência progressiva e experiência
social. Materialismo ateísta é o resultado lógico
de conhecimento científico ganho durante os séculos”
(grifo do autor).
A colocação acima pertence ao artigo “Materialismo
versus idealismo”, de Madalyn Murray O’Hair, fundadora
da organização American atheists (“Ateístas
americanos”), que serve de inspiração para os
ateus brasileiros. Com essa afirmação, a autoria lança
uma das pedras de toque do pensamento ateísta: o conhecimento
científico.
Embora não signifique que todos os envolvidos com o pensamento
científico sejam ateus, o contrário geralmente é
verdade. Os ateus atribuem sua incredulidade quanto às coisas
divinas e espirituais alegando que as mesmas não podem ser
comprovadas cientificamente. Basta lembrar que Yuri Gagarin, o primeiro
russo a andar no espaço, fez questão de dizer “Não
vi nenhum Deus”.
Desde o período do Iluminismo1, o conhecimento científico
foi adquirindo mais e mais prestígio. Os benefícios
trazidos pela tecnologia criaram um sentimento geral de que o homem
poderia, sozinho, resolver seus próprios problemas, bastando,
para isso, ter o conhecimento necessário. De repente, o Universo
não era mais um objeto misterioso movido pelas mãos
do Altíssimo, mas uma máquina perfeita regida por
leis que podiam ser medidas e utilizadas em proveito próprio.
O século XVIII viu surgir a filosofia materialista de Hume2,
na qual não havia lugar para quaisquer coisas que não
fossem tangíveis, palpáveis. A física de Newton
e a química eram ciências suficientes para explicar
todos os fenômenos.
É óbvio que a descoberta das leis da física
e da química não é um fundamento aceitável
para negar a existência de Deus. Toda lei tem seu legislador
e a coisa mais fácil de concluir é um Universo regido
por leis estabelecidas pelo Criador. Mas muitos, no afã de
menosprezar a fé, lançaram mão desse instrumento
para afirmações ateístas.
Há um site americano que divulga uma lista de “celebridades
ateístas” que inclui filósofos (Thomas J. Altizer,
Paul e Patrícia Churchland, Paul Edwards, Antony Flew, Michael
Martin e Kai Nielsen), cientistas (Francis Crick, Richard Leakey
e Stephen J. Gould), políticos (Fidel Castro e Tom Metzger),
famosos (Woody Allen, Ingmar Berman, Bill Blass, Marlon Brando,Warren
Buffett, George Carlin, Dick Cavett, George Clooney, Patrick Duffy,
Katherine Hapburn, Arthur Miller, Jack Nicholson e Penn and Teller)
e homens de negócio (Bill Gates, entre outros também
conhecidos).
Todavia, ser cientista não obriga ninguém a ser ateu.
Se isso fosse verdade, todos os cientistas seriam ateus, o que não
é um fato. Inclusive, um dos maiores pensadores do século
XX, autor do best-seller Uma breve história do tempo, não
vê qualquer dificuldade em crer na existência de Deus.
Muito pelo contrário: “O pai da cosmologia moderna,
o inglês Stephen Hawking, acha fascinante a chamada hipótese
teológica, a idéia de que entender Deus seria o alvo
supremo da física, mas alega que o caminho para chegar lá
é a ciência, e não a metafísica ou o
misticismo. Quando lhe perguntam se Deus teve um papel no Universo
antes do Big Bang, a suposta explosão primordial que teria
criado o cosmo, Hawking admite que sim: acho que só Ele pode
responder porque o universo existe” (grifo do autor).3
Sobre este assunto, uma citação do teólogo
Charles Hodge, que deveria ser observada por aqueles que defendem
o pensamento científico:
“Desde os primórdios da ciência moderna, vêm
emergindo constantemente aparentes discrepâncias entre a natureza
e a revelação, o que, por algum tempo, tem ocasionado
grande escândalo a crentes zelosos; em cada exemplo, porém,
sem a menor exceção, tem sido descoberto que o erro
se encontra ou na generalização apressada da ciência,
devido ao conhecimento imperfeito dos fatos, ou na interpretação
tendenciosa das Escrituras”.4
O efeito Darwin
“Após ter lido A origem das espécies, de Charles
Darwin, Marx escreveu uma carta ao seu amigo Lassalle na qual exulta
porque Deus - ao menos nas ciências naturais - recebeu o golpe
de misericórdia”.5
Não que essa fosse a intenção do naturalista
Charles Darwin, mas suas idéias foram e ainda são
utilizadas pelos ateus do mundo inteiro como argumento para provar
que o simples fato de o mundo existir não demanda a existência
de um Criador. Segundo a teoria da Evolução das Espécies,
o mundo é o resultado de bilhões de anos de evolução,
pela qual as formas de vida mais simples evoluíram para as
formas de vidas mais complexas, até chegarem no homem.
Essa questão ferveu na Inglaterra do século XIX e,
depois, no mundo inteiro. Conceber o Universo em termos evolutivos
foi o padrão que, desde então, serviu para considerar
a evolução como algo inerente à natureza de
todas as coisas. Assim, não havia a necessidade de um agente
externo, ou seja, Deus. Com sua teoria, Darwin proporcionou aos
incrédulos aquilo que ainda lhes faltava: uma “base
científica” para a negação de Deus.
Isso, no entanto, não significa que Darwin estava negando
a existência de Deus. Em verdade, ele estava atribuindo o
fato biológico ao Criador. Mas aqueles que buscavam ensejo
para anular o argumento da criação como prova da existência
de Deus usaram sua teoria como base. Logo, ser ateu por causa da
evolução era uma opção de crença,
e não uma conseqüência da teoria de Darwin. Até
porque havia muitos teístas (pessoas que admitem a existência
de um Deus pessoal como causa do mundo) entre aqueles que acreditaram
na evolução.
Nosso propósito aqui não é discutir sobre
a teoria da Evolução das Espécies. Mas é
importante saber que, mais de cem anos depois, muitas dúvidas
ainda pairam sobre essa teoria, insuficiente para explicar a origem
do homem. Embora admita a evolução, o historiador
sueco Karl Grimberg, no princípio de sua História
Universal, comenta o seguinte: “se (conjunção
condicional) a estrutura anatômica do homem é o culminar
de uma longa evolução, foi, no entanto, repentino
o nascimento da sua inteligência. Tudo faz supor que o limiar
por onde se ascendeu diretamente o pensamento foi transposto de
uma só vez” (grifo do autor).6
Grimberg fez essa declaração em 1941. Mas é
impressionante a recente observação da revista Veja
sobre o comentário de um dos maiores neodarwinistas da atualidade:
“... o biólogo Ernst Mayr, da Universidade de Harvard,
também concorda que apenas o desenrolar das leis naturais
talvez explique o surgimento da vida na Terra – mas isso certamente
não pode ser invocado para explicar o aparecimento de seres
inteligentes. Lendário pelo ceticismo, Mayr não fala
em milagre. Nem pode. Ele é considerado o maior neodarwinista
vivo. Mas seu cálculo sobre a possibilidade de a natureza
produzir seres inteligentes pelos processos evolutivos conhecidos
é quase uma sugestão de que os seres humanos são
mesmo produtos sobrenaturais” (grifo do autor).7
A espada de Karl Marx
De todos os movimentos que se rebelaram contra a crença em
Deus, o marxismo foi o mais relevante. Toda a ideologia marxista
e as demais que dele se originaram (comunismo, socialismo, leninismo
e maoísmo) apresentavam uma aversão profunda contra
toda e qualquer religião, principalmente o cristianismo.
O ateísmo foi ensinado nas escolas e inculcado nos cidadãos
que viviam sob essa orientação ideológica desde
a mais tenra idade e em todo lugar. Muitos dos argumentos que os
ateus atuais lançam contra Deus eram comumente utilizados
pelos países comunistas/socialistas.
“O ateísmo de Marx certamente era de uma espécie
extremamente militante. Ruge escreveu a um amigo: Bruno Bauer, Karl
Marx, Christiansen e Feuerbach estão formando uma nova ‘Montagne’8
e fazendo do ateísmo o seu lema. Deus, religião e
imortalidade são derrubados de seu trono e o homem proclamado
Deus”. E George Jung, um jovem próspero, advogado de
Colônia e partidário do movimento radical, escreveu
a Ruge: “Se Marx, Bruno Bauer e Feuerbach, juntos, fundarem
uma revista teológico-filosófica, Deus faria bem em
cercar-se de todos os seus anjos e se entregar à autopiedade,
pois estes certamente o tirarão de seu céu [...] Para
Marx, de qualquer forma, a religião cristã é
uma das mais imorais que existe” (grifo do autor).9
Como vemos, nem sempre o ateísmo existiu como uma crença
passiva, como uma indiferença à religião. Dentro
do conceito marxista, o ateísmo deveria substituir a crença
em Deus, nem que para isto fosse necessário usar de violência.
Não precisamos registrar aqui os milhares de mártires
resultantes da implantação da ideologia comunista.
Como escreveu Richard Wurmbrand, fundador da Missão a Voz
dos Mártires: “Poso entender que os comunistas prendam
padres e pastores como contra-revolucionários. Mas por que
os padres foram forçados a dizer a missa sobre excrementos
e urina, na prisão romena de Piteshti? Por que cristãos
foram torturados para tomarem a comunhão com esses mesmos
elementos? Por que a obscena zombaria da religião?”.10
O ateísmo militante no Ocidente
O atual movimento ateísta pode não ser algo tão
inofensivo quanto se imagina. Marx foi um filósofo, não
um carrasco. Mas não podemos dizer o mesmo de muitos de seus
filhos ideológicos, como, por exemplo, Lênin e Stalin,
na ex-URSS, e Mao Tse Tung, na china. A perseguição
religiosa durante os seus governos, e também depois, mostra
claramente que o ateísmo pode tornar-se tão intolerante
quanto qualquer religião.
O ateísmo morreu com a queda da cortina de ferro para, agora,
renascer no Ocidente, apoiado pela liberdade democrática,
com o risco de tornar-se uma crença intolerante e agressiva.
A postura acadêmica de muitos ateus ocidentais da atualidade
está em agudo contraste com alguns dos mais coloridos ateístas
dos tempos passados. A fundadora da organização American
atheists (“Ateístas americanos”), Madalyn Murray
o’Hair, ficou conhecida mais por sua linguagem grosseira e
ultrajes explosivos contra manifestações públicas
de religião do que por suas proezas intelectuais. Ela veio
a público em 1963, mas foi em 1959 que sua causa judicial,
envolvendo seu filho, chegou à Suprema Corte. No caso Murray
versus Curlett, a Corte declarou ilegal a oração obrigatória
nas escolas públicas e, com isso, incentivou Murray, com
uma carreia de mais de 30 anos, a criar uma América livre
de religião.
Murray, freqüentemente, debatia em público, denunciando,
de forma voraz, o cristianismo e lutando em favor do ateísmo.
Iniciou muitos processos para que a sociedade americana ficasse
livre de qualquer religião. Em um deles, a solicitação
para que as notas e moedas americanas não trouxessem a frase
“Em Deus nós confiamos”.
Chegou a afirmar, algumas vezes, que a American atheists tinha
mais de 75.000 adeptos, porém, o mais exato é que
tivesse apenas cerca de 5.000.
Em 1995, ela e sua família desapareceram com grandes porções
dos fundos de suas várias organizações, exceto
seu filho William Murray (objeto de seu processo judicial inicial),
isolado por ela por ter-se convertido a Cristo. Os desaparecidos
foram considerados assassinados.
Bases históricas dos ateus
Alguns sites, como o www.oateufeliz.com.br, por exemplo, fazem menção
das mortes efetuadas pela Inquisição católica
e pela colonização protestante na América para
combater a crença em Deus. Todavia, querer provar que Deus
não existe por esse motivo é um tanto quanto sem fundamento.
Os ateus não podem esquecer que Stálin, Lênin
e Mao Tse Tung mataram milhões de pessoas inspirados no socialismo
ateu, conforme divulgado por Karl Marx.
Da mesma forma, o Nazismo dizimou a raça judaica e milhares
de outras minorias por conta de suas teorias racistas, baseadas
no darwinismo e no filósofo ateu Friederich Nietzsche.11
Mas não podemos negar a existência de Marx, Darwin
e Nietzsche pelo fato de seus escritos terem sido utilizados de
forma perversa.
Na verdade, as guerras e os massacres ocorrem motivados pelo desejo
de poder e pela ambição por riquezas. A religião
apenas serve de justificativa para tais atos, assim como o ateísmo
serviu de motivo para que milhares de cristãos fossem massacrados
em países comunistas. Assim, se a religião, por motivos
históricos, pode ser classificada como nociva, o ateísmo
também pode. Se, porém, separarmos os frutos bons
dos ruins, veremos que a fé em Deus produziu os melhores.
Se os homens erraram dentro da História do Cristianismo,
isso apenas indica que eles estavam fora dos padrões de Deus,
e não um fundamento que sirva para provar que Deus não
existe. Uma coisa é dizer que Deus não existe. Outra
bem diferente é mostrar que o homem não tem obedecido
a Deus como deveria.
Deus realmente existe
As Escrituras não procuram, em nenhum ponto, provar a existência
de Deus. Ela apenas o admite. Os santos do Antigo e do Novo Testamento
que falaram inspirados por Deus não diziam que acreditavam
em sua existência, mas que o conheciam – o que depreende
bem mais. Com certeza, o conhecimento de Deus, conforme a Bíblia,
é algo diferente do conhecimento científico baseado
nos sentidos.
Mas, então, para que tentar provar a realidade de
Deus?
Em primeiro lugar, porque muitos são sinceros em suas dúvidas.
É verdade que alguns não querem crer e, por isso,
procuram desculpas para sua atitude. Outros querem acreditar sim,
mas, infelizmente, encontraram diversos motivos para não
fazê-lo. É aí que entramos com a evidência.
Em segundo, porque tudo aquilo que fortalece a nossa fé é
útil. É por isso que muitos buscam provas, não
para crerem, mas porque já crêem.
E em terceiro, porque esta é uma maneira de estarmos conhecendo
um pouco mais da natureza de Deus e, com certeza, isso é
algo bom e recomendável.
1. A criação
Alguém que ainda não tenha lido a complicada teoria
de Darwin achará óbvio a existência de um Criador.
Toda criação pressupõe um criador. Esta maravilha
toda não pode ter surgido por acaso. Como já disse
alguém: “Faz tanto sentido concluir que o cosmo é
o mero resultado de uma explosão quanto achar que um livro
pode surgir da explosão de uma gráfica”. Independente
do que digam os ateus ou os cientistas, a criação
é uma prova inegável da existência de Deus.
“Pois os atributos invisíveis de Deus, desde a criação
do mundo, tanto o seu eterno poder quanto a sua divindade, se entendem,
e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas,
para que eles fiquem inescusáveis” (Rm 1.20).
2. Desígnio e ordem
O Universo não apenas existe, mas existe com ordem, com desígnio,
com evidências de uma inteligência criadora. A ordem
no Universo mostra que ele fora criado com inteligência e
com propósito, não surgiu e se tornou o que é
por mero acaso. “Ele fez a terra pelo seu poder; ele estabeleceu
o mundo pela sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu
os céus” (Jr 10.12). Um mero sacerdote do século
VII a.C. percebeu e registrou isto de forma poética e inspirada,
mas os céticos modernos se recusam a aceitar o óbvio.
“Galeno, célebre médico de inclinações
ateísticas, depois de ter feito a anatomia do corpo humano,
examinando cuidadosamente seu arcabouço, visto quão
adequada e útil é cada parte, percebido as diversas
intenções de cada pequenino vaso, músculos
e ossos, e a beleza do todo, viu-se tomado pelo espírito
da devoção e escreveu um hino ao seu Criador”.12
3. Senso comum
“Visto que o que de Deus se pode conhecer, neles (nos homens)
se manifesta, porque Deus lhes manifestou” (Rm 1.19).
Desde o Iluminismo, a “crença” dos incrédulos
era que, à medida que o conhecimento científico fosse
aumentando entre a população, a religião entraria
em decadência. Engano. O contrário sim, é verdade.
E isso é testemunhado pelas próprias estatísticas.
Embora um ateu rejeite isso como prova, a verdade é que a
própria natureza humana é um inegável testemunho
a favor da existência de um ser supremo. Em todos os povos
e em todas as épocas, a idéia de um Ser supremo sempre
esteve presente, independente do grau de desenvolvimento. Mas não
havia ateus materialistas? Sim, mas em um grau tão pequeno
que não passavam de exceções confirmando a
regra. Podemos até afirmar que o ateísmo é
antinatural, é contra o comportamento e a noção
comum do ser humano.
“No início do século XX acreditava-se que quanto
mais o mundo absorvesse ciência e erudição menor
seria o papel da religião. De lá para cá, a
tecnologia moderna se tornou parte essencial do cotidiano da maioria
dos habitantes do planeta e permitiu que até os mais pobres
tivessem um grau de informação inimaginável
100 anos atrás. Apesar de todas essas mudanças, no
início do século XXI o mundo continua inesperadamente
místico. O fenômeno é global...” (grifo
do autor).13
Os ateístas apresentam páginas e páginas de
teorias para negar a existência de Deus. Mas todas elas despedaçam-se
diante dos fatos. A crença do homem em Deus pode até
ser confundida, mas a realidade mostra que jamais pôde ser
apagada. Sobre isso se pronunciou o teólogo Evans:
“O homem, em toda parte, acredita em um Ser supremo ou seres
a quem é moralmente responsável e a quem necessita
oferecer propiciação. Tal crença pode ser crua
ou grotescamente representada e manifestada, mas a realidade do
fato não é mais inválida por tal crença
do que a existência de um pai é invalidada pelas cruas
tentativas de uma criança para desenhar o retrato de seu
pai”.14
Raciocínios fúteis e corações
insensatos
No decorrer da história cristã, os teólogos
desenvolveram enormes argumentos filosóficos e naturais para
provar a existência de Deus. Muitos desses argumentos apresentam
uma profundidade de pensamento impressionante. Só por esse
aspecto é fácil concluir que o conhecimento natural
não é, de forma nenhuma, inimigo do conhecimento de
Deus. O que impede muitos eruditos de admitir esta verdade é
o orgulho e a presunção, pois, em verdade, não
existem barreiras intelectuais reais que os impeçam de admitir-se
a existência de Deus. Sobre isso, deixamos a palavra de Paulo,
o sábio e erudito apóstolo que lançou os fundamentos
da teologia cristã.
“Pois tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como
Deus, nem lhe deram graças, antes seus raciocínios
se tornaram fúteis, e seus corações insensatos
se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos”
(Rm 1.21,22).
Por Eguinaldo Hélio de Souza
Notas:
1 Revolução intelectual que ocorreu na Europa nos
séculos XVII e XVIII. Graças ao iluminismo, a religião
e as ciências separaram-se e isso causou mudança na
maneira de pensar, agir e encarar o mundo. A partir do iluminismo,
os homens tentaram encontrar explicações científicas
para, por exemplo, os fenômenos da natureza, o que causou
avanço científico.
2 David Hume, nascido em 1711, em Edimburgo, na Escócia.
Estudou no colégio de Edimburgo - um dos melhores da Escócia,
posteriormente transformado em Universidade. Sua ideologia filosófica
estava centrada no empirismo, que admite apenas que a origem do
conhecimento provenha unicamente da experiência, seja negando
a existência de princípios puramente racionais, seja
negando que tais princípios, embora existentes, possam, independente
da experiência, levar ao conhecimento da verdade.
3 Revista Veja 19/12/01, p. 133.
4 Teologia Elementar, E. H. Bancroft, IBR, p. 22
5 Marx e Engels, Diltz publ. Berlim 1972, vol 30, p. 578.
6 História universal, Carl Grimberb, p. 8.
7 Revista Veja 19/12/2001, p. 132.
8 Idem
9 Karl Marx, Vida e Pensamento, David McLellan, Vozes, p. 54.
10 Era Karl Marx um satanista?, p. 47.
11 Revista Defesa da Fé, Set/02.
12 Teologia Elementar , E. H. Bancroft, IBR, p. 20.
13 Revista Veja 19/12/03, p. 125.
14 Teologia Elementar , E. H. Bancroft, IBR, p. 20.
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