1. Pela
Internet chega-nos a notícia de que a Igreja Católica
e os candomblecistas estarão reunidos para uma festividade
religiosa em comum conhecida como A Lavagem do Bonfim. Surge então
a pergunta "A Lavagem do Bonfim é um ritual católico
ou do candomblé?!, pergunta a jornalista Cíntia Costa.
Escreve ela, "Na Bahia, na segunda quinta-feira depois do Dia
de Reis, duas religiões que sempre viveram às turras
se unem para um ritual religioso em comum - a lavagem da escada
da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, no bairro Bonfim, em Salvador.
Nesse dia, católicos e adeptos do candomblé percorrem
juntos 8 km de ruas baianas, cantando hinos de adoração
às duas principais divindades de cada crença, Nosso
Senhor Jesus Cristo e Oxalá, configurando um dos maiores
exemplos brasileiros do fenômeno de fusão de religiões
conhecido como sincretismo. Mas o mais curioso da festa é
que o centro do ritual, a escada, tem apenas 10 degraus, em torno
dos quais cerca de 1 milhão de pessoas se reúne anualmente."
Descreve ela então sobre essa união de duas religiões
diferentes, "
A inusitada parceria entre as religiões tem origem na época
da escravatura, quando portugueses e escravos, juntos, preparavam
a capela para a festa de encerramento da novena de devoção
ao Nosso Senhor do Bonfim. A imagem do homenageado é uma
réplica em madeira de 1,06 metro de outra do Cristo que é
venerada em Setúbal (Portugal) e foi trazida ao Brasil em
1745 pelo capitão de Mar e Guerra Teodósio Rodrigues
de Faria, português devoto. Ela foi instalada primeiramente
na Capela de Nossa Senhora da Penha de França, em Itapagipe
(MG), durante a Páscoa, e lá ficou até ganhar
uma igreja em 1754, em Bonfim, em Salvador (Bahia), terra que lhe
rendeu o nome.
"Pr. Natanael: Como o irmão vê esse ato
de duas religiões de ensinos e práticas divergentes
estarem unidas para homenagear uma imagem que a um tempo, para os
católicos representa o Senhor do Bonfim e ao mesmo, para
os candomblecistas representa uma entidade mitológica cultuada
como Oxalá?
Com a Bíblia na mão perguntamos aos nossos amigos
católicos como ser possível a união de dois
cultos de ensinos e práticas diferentes? "Porventura
andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?"
(Am 3.3). Ora, para os católicos o Senhor do Bonfim é
tido como Jesus Cristo. Os evangelhos que contam sua biografia como
Mateus, Marcos, Lucas e João estão repletos de informações
da vida de Jesus e ele próprio em João 5.39, 40 recomendou,
" "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais
ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;
E não quereis vir a mim para terdes vida." Jesus afirmou
de si mesmo, "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém
vem ao Pai, senão por mim." (Jo 14.6).
Por outro lado, o candomblé ensina que Oxalá é
uma das divindades intermediárias entre Olorum, tido como
o deus supremo e os homens". Já a Bíblia aponta
que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens
" Porque há um só Deus, e um só Mediador
entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." (1 Tm 2.5)
2. Qual o significado da palavra sincretismo religioso?
Sincretismo é a união dos opostos, um tipo de mistura
de crenças e idéias divergentes. Os escravos não
abriram mão de seus cultos e suas divindades. Devido a um
doutrinamento imposto pelo catolicismo romano, os africanos começaram
a buscar na igreja, santos correspondentes aos seus orixás.
Muitos dos orixás nos cultos afros encontrará no Catolicismo
um santo "correspondente " - pôr exemplo: Exu -
diabo; Iemanjá - Nossa Senhora; Ogum - São Jorge;
Iansã - Santa Bárbara; Iemanjá - Nossa Senhora
Aparecida, Nossa Senhora da Imaculada Conceição; Oxóssi
- São Sebastião; Oxalá - Jesus Cristo - Senhor
do Bonfim.
3. È possível à luz da Bíblia
essa convivência sincrética entre católicos
e membros de cultos afros?
Não, absolutamente. O Deus a quem servimos faz questão
de que o sirvamos dentro da vontade dele expressa na Bíblia.
Por exemplo, quando ele tirou o povo de Israel do Egito, da terra
da escravidão e os conduzem à terra de Canaã
ele tornou explícita sua vontade na forma como o seu povo
se conduzisse face ao tipo de religião que os cananeus sustentavam.
"Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não
aprenderás a fazer conforme as abominações
daquelas nações. Entre ti não se achará
quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem
adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;
Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador,
nem mágico, nem quem consulte os mortos; Pois todo aquele
que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e
por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança
fora de diante de ti. Perfeito serás, como o SENHOR teu Deus.
Porque estas nações, que hás de possuir, ouvem
os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o SENHOR
teu Deus não permitiu tal coisa." (Dt 18.9-12)
4. E no Novo Testamento encontramos o mesmo zelo de Deus
para não haver sincretismo religioso com qualquer outro culto?
Sim. O apóstolo Paulo declarou que os cristãos da
cidade de Corinto que evitassem todo o tipo de sincretismo religioso.
Ele escreveu, "Mas que digo? Que o ídolo é alguma
coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa?
Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam
aos demônios, e não a Deus. E não quero que
sejais participantes com os demônios. Não podeis beber
o cálice do Senhor e o cálice dos demônios;
não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa
dos demônios." (1 Co 19-21) Escreveu mais o apóstolo
Paulo o seguinte: "Não vos prendais a um jugo desigual
com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça
com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?
E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte
tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com
os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente,
como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei
o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do
meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada
imundo, E eu vos receberei;" (2 Co 6.14-17)
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