Perguntas e Respostas Apologéticas
Em João 1.2, está escrito: "Ele estava no princípio
com Deus". E em João 3.13: "Ora, ninguém
subiu ao céu, se não o que desceu do céu, o
filho do homem, que está no céu". Já em
João 17.5, a palavra é: "E agora glorifica-me
tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que
tinha contigo antes que o mundo existisse". Jesus Cristo já
estava com Deus no céu antes de vir a terra?
A resposta é sim. Jo 1.1-3 mostra isso: "o verbo estava
com Deus...Ele estava no princípio com Deus". Na verdade,
Jesus está demonstrando o seu conhecimento superior acerca
das coisas celestiais. Ele está dizendo que ninguém
subiu ao céu para trazer de volta a mensagem que ele trouxe.
De forma nenhuma ele está negando que qualquer pessoa não
esteja no céu. (Gn 5.24; 2Rs 2.11). Jesus está dizendo
que ninguém na terra foi ao céu e depois retornou
com uma mensagem como a que ele lhes dava.
Como Jesus pode ser a raiz de Davi se nas genealogias apresentadas
nos evangelhos é José, seu padrasto, quem aparece
como descendente de Davi?
A genealogia documentada em Mateus 1.1-17 é diferente da
apresentada por Lucas 3.23-38. Mateus escreveu seu evangelho para
os judeus e, assim, a genealogia oficial traz em questão
as credenciais messiânicas judaicas de Jesus, pois os judeus
esperavam que o Messias fosse descendente de Abraão e raiz
de Davi. Lucas escreveu seu evangelho para os gregos e, por isso,
apresenta Jesus como perfeito, segundo a concepção
da cultura helênica. O propósito de Mateus é
mostrar Jesus como verdadeiro rei, e o de Lucas é mostrá-lo
como verdadeiro humano. Mateus apresenta a linhagem legal de Davi
e Lucas a linhagem natural. Tanto José quanto Maria eram
descendentes de Jessé. Podemos apontar a genealogia de Lucas
como sendo de descendentes familiares de Maria e a de Mateus, de
José. Esta pode ser uma explicação, pois na
cultura judaica o homem, através de seu comprometimento com
uma mulher, era tido como filho de seu sogro. Assim, embora Maria
não seja citada, ela é, no entanto, representada por
seu marido.
A igreja primitiva batizava apenas em nome de Jesus?
Baseados nas passagens que seguem, algumas seitas se opõem
à fórmula batismal trinitariana: At 2.38: "...seja
batizado em nome de Jesus Criso..."; At 8.16: "... sido
batizados em nome do Senhor Jesus..."; At 10.48: "...batizados
em nome do Senhor..."; At 19.5: "...batizados em nome
do Senhor Jesus". Observamos que não se trata de uma
fórmula batismal porque as expressões não são
uniformes. Muito razoável é afirmar que a narrativa
de At 2.38, indicada com batismo em nome de Jesus Cristo, esteja
se referindo à autoridade de Jesus, como se lê em At
3.16 e 16.18, na qual a autoridade de Jesus é invocada. Não
se trata de fórmulas que acompanham tais acontecimentos,
visto que em At 19.13 a invocação do nome de Jesus
por exorcistas nada significasse porque os que o fizeram não
tinham verdadeiramente a autoridade de Jesus. Em outras palavras,
o batismo foi ordenado e levado a efeito sob a divina autoridade
do Filho, empregando o ensino de Mateus 28.19, que diz: "Ide,
portanto, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo".
Os adventistas do sétimo dia dizem que o descanso
mencionado em Hb 4.9 é a guarda do sábado. Como refutá-los
biblicamente?
É evidente que o repouso falado nesse texto não se
refere ao sétimo dia da semana conforme indicado no quarto
mandamento, mas, sim, o repouso de uma vida de fé em Deus.
A idéia central do texto está em que Deus repousou
depois de haver criado o mundo. Os profetas, de antemão,
falaram de outro dia (Sl 95.7; 118.24), e não do sétimo
dia semanal para comemorar um repouso maior, que se seguiria a uma
obra maior, objetivando não apenas o corpo, mas todo o homem.
Josué nunca conseguiu, devido à sua impossibilidade,
conduzir o povo de Israel a uma paz real com Deus. Jesus, havendo
terminado sua obra de redenção na cruz (Jo 19.30),
trouxe ao homem paz e reconciliação. Na cruz foi abolido
o sábado semanal (Os 2.11; Cl 2.16). Portanto, em comemoração
ao glorioso repouso, que se seguiu a uma obra maior de redenção,
resta guardar um descanso para o povo de Deus. E esse descanso é
a plena confiança na consumação da obra de
Cristo (Is 11.10; Mt 11.28-30). Tal argumento foi necessário
para mostrar aos judeus, que se gloriavam no seu sábado semanal,
que o cristão tem em Cristo paz e descanso com Deus.
O espírito maligno da parte do Senhor está
relacionado ao seu caráter, ou seja, abençoador ou
amaldiçoador, ou o termo foi traduzido de forma incorreta?
Sobre o espírito maligno que atormentava Saul - 1 Sm 16.23,
"o texto hebraico não diz maligno como adjetivo adicionado
à palavra espírito, mas é assim que devemos
entender, sendo este o texto da Septuaginta, Vulgata Latina e das
versões siríaca e árabe.
"O espírito maligno vinha da parte de Deus. A teologia
hebraica era fraca sobre causas secundárias. A maior parte
de casos de possessão demoníaca requer um convite
da pessoa possuída ou influenciada. Esse convite pode consistir
numa vida dissoluta nas drogas, na imoralidade, em certas formas
de degradação etc.
"Saul havia começado bem sua carreira, mas a vida de
selvagem violência sem dúvida corrompeu-lhe a alma.
Além disso, ele violou propositadamente os mandamentos de
Deus. Todas essas condições, juntamente, podem ter
sido a causa do convite ao poder maligno. Os resultados foram desastrosos
para todos os envolvidos!".
Um caso paralelo é apontado por Jesus em Lc 11.24-26, no
qual ele adverte que o vazio deixado pela partida do Espírito
Santo é preenchido por um espírito do mal que, por
sua vez, traz com ele mais sete espíritos, tornando o estado
desse homem uma tragédia. Foi justamente isso que aconteceu
com Saul, culminando com a sua morte (1 Cr 10.13-14).
O que é Iridiologia?
A iridiologia faz parte da medicina alternativa. É a leitura
da íris, ou seja, a observação de doenças
através dos olhos. Os iridiologistas afirmam que os olhos
podem espelhar a condição de saúde do corpo
porque a íris supostamente manifesta em detalhe o estado
de cada sistema orgânico.
Supostamente, a ligação da íris com o sistema
nervoso central permite enviar de volta à íris informações
detalhadas do resto do corpo. Além disso, segundo a teoria
da iridiologia, cada íris revela o que está acontecendo
do seu lado do corpo, uma impossibilidade anatômica (os impulsos
nervoso que chegam de um lado do corpo quase sempre cruzam para
o lado oposto a caminho do cérebro). Apesar da sua falta
de credibilidade, a iridiologia está sendo cada vez mais
aceita, mesmo quando usada como ou em conjunto com o diagnóstico
e curas psíquicos.
Gostaria de saber o que é adocionismo?
Adocionismo é um ensino herético a respeito da natureza
de Cristo. Está relacionado ao conhecimento das supostas
grandes controvérsias sobre a pessoa de Cristo na história
da Igreja Primitiva. Começou com Paulo de Samosata, bispo
de Antioquia, entre os anos 260 e 272 A. D. Tal ensino não
fora propagado abertamente até que, no século VIII,
passou a ser divulgado por Elipandus, o arcebispo de Toledo, na
Espanha, em 785 A D.
O adocionismo ensina que Jesus mantém dupla filiação
para com Deus, o Pai. Cristo é Filho eternamente gerado do
Pai e é divino, Deus Filho por natureza. E Jesus, o filho
humano nascido de Maria, foi adotado por Deus porque Cristo (o Deus
Filho) assumiu sobrenaturalmente o homem Jesus. O Filho de Maria,
então, foi o Filho de Deus somente por ter sido assumido
pelo eterno Filho de Deus e adotado por Deus, o Pai.
O erro repousa na distinção que se faz entre Jesus,
o homem nascido de Maria, e Jesus, o divino Filho de Deus. A posição
ortodoxa é que Cristo é uma só pessoa, mas
com duas naturezas distintas, divina (Deus e homem). Assim, não
há necessidade de atribuir filiação separadamente.
Um só Cristo e uma só pessoa. Para maior compreensão
do assunto quanto às diversas controvérsias sobre
a natureza e pessoa de Jesus, recomendamos a leitura de alguns livros
que tratam de Cristologia entre os pais da Igreja.
De acordo com algumas Bíblias com notas, comentaristas
há que afirmam que a genuidade do texto de Marcos 16.8-16
é discutível. Tal afirmação é
verdadeira?
Os estudiosos diferem entre si quando consideram o fato de que
esses versículos não fazem parte originalmente desse
evangelho. Isso porque alguns importantes manuscritos gregos mais
antigos não trazem esses versículos, enquanto outros
constam apenas dos versículos 9-20 (conhecidos como o "longo
final") e ainda outros apenas um "breve final" (aproximadamente
o comprimento de um versículo). Uns poucos manuscritos trazem
os dois finais, tanto o "breve" quanto o "longo".
Devido a estas diferenças, alguns estudiosos crêem
que os vv. 9-20 foram acrescentados posteriormente ao evangelho
de Marcos, não sendo escritos por ele.
Por outro lado, esses versículos são citados por escritores
do final do século II e encontrados numa esmagadora maioria
de manuscritos gregos do evangelho de Marcos. Para outros estudiosos,
estes fatos estabelecem a autenticidade da passagem (Bíblia
de Estudo de Genebra, p. 1178). O mesmo esclarecimento traz a Bíblia
de Estudo PLENITUDE, p. 1019.
Qual a importância do arcanjo Miguel e por que ele
disputava a respeito do corpo de Moisés, como está
escrito em Judas 9?
Sobre a disputa do corpo de Moisés entre Miguel e Satanás
há evidências de que este incidente é baseado
na "A asssunção de Moisés", uma obra
judaica apócrifa (da qual restaram apenas alguns fragmentos)
que expande a narrativa do sepultamento de Moisés em Deuteronômio
34.5-6 (introdução: dificuldade de interpretação).
O episódio diz respeito ao confronto entre o arcanjo Miguel
e o diabo pela posse do corpo de Moisés. Conforme geralmente
se interpreta, o argumento de Judas é de que a linguagem
áspera dos falsos mestres contrasta com a linguagem temperada
de Miguel (2Pe 2.10). Outros estudiosos entendem que Judas apresenta
o apelo de Miguel à autoridade de Deus em oposição
à reivindicação dos falsos mestres de possuírem
autoridade espiritual própria.
O arcanjo Miguel, conforme Daniel 10.13-21 e 12.1, é um dos
principais anjos e o guardião especial de Israel. Em Apocalipse
12.7, Miguel lidera a hoste de anjos na guerra contra o diabo e
seus anjos. Considerando que os anjos adoram a Jesus e sendo Miguel
um arcanjo ele também presta adoração a Jesus
(Hb 1.6).
Em Gênesis 6.6 está escrito: "Então
arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra...".
Mas Números 23.19 diz: "Deus não é homem,
para que minta, nem filho do homem, para que se arrependa".
Qual a comparação bíblica entre estes dois
versículos?
Os mórmons costumam apontar esse texto em confronto com
Número 23.19, onde se lê que Deus não é
homem (...) para que se arrependa. Querem, com isso, apontar contradições
na Bíblia para justificar o Livro de Mórmon. Esse
versículo aponta para a tristeza de Deus pela má índole
do homem (v.5). Temos aqui, então, uma figura de linguagem
(antropopática) para o entendimento humano, indicando que
Deus se contristou pela desobediência do homem, e não
que tivesse havido erro da parte dele. Em Números 23.19,
vemos que Palavra de Deus, ao contrário da dos homens, se
cumpre. Numa terceira passagem, Jeremias 18.7-10, lemos: "No
momento em que falar contra uma nação, e contra um
reino para arrancar, e para derrubar, e para destruir, se a tal
nação, porém, contra a qual falar se converter
da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava
fazer-lhe".
O texto mostra que se houver mudança de atitude do homem
evitando o mal, Deus não enviará o mal anunciado.
Não se trata de um arrependimento igual ao que os seres humanos
sentem ao cometer erros. Deus não erra, logo, seu arrependimento
não é igual ao nosso. Devemos reconhecer que o Deus
soberano e imutável sabe lidar apropriadamente com as mudanças
do comportamento humano. Quando os homens pecam ou se arrependem
do pecado, Deus muda seu pensamento, abençoando ou punindo
de acordo com a nova situação (Êx 32.12, 14;
1Sm 15.11; 2Sm 24.16, Jr 18.11;
Am 7.3-6).
O que é, quando surgiu e quais as doutrinas ensinadas
pela Perfect Liberty?
O fundador desse movimento é Tokuharu Miki, monge budista
da seita zen. Tokuharu é mais conhecido como Kyosso. Em 1946,
o patriarca Tokochica Miki legalizou esse movimento religioso conhecido
como Perfect Liberty, ou Perfeita Liberdade. Sua sede central fica
em Osaka, Japão. Adotam o panteísmo, para o qual tudo
é um e tudo é Deus. Deus é um com a natureza.
O fundador é o intermediário entre Deus e os homens,
sendo também a única pessoa no mundo capaz de conhecer
o Espírito Santo, ou espírito divino, e transmitir
ensinamentos aos homens.
A PL tem normas codificadas para a educação de seus
seguidores, como, por exemplo, o "Guia da vida cotidiana"
e os 21 preceitos. A principal forma de oração desse
movimento é o oyashikiri, uma entoada vagarosa como um mantra.
Possui vários templos e seus ensinos naturalmente contrariam
a Bíblia, pois colocam Deus como um ser pessoal distinto
da criação, embora não esteja distante dela
(At 17.24-27) Quanto a Jesus, o apresenta como único mediador
entre Deus e os homens (Jo 14.6; 1Tm 2.5) e declara que fora de
Jesus não há salvação (At 4.12). Só
Jesus dá a vida eterna (1 Jo 5.11-13). Só Jesus mandaria
o Espírito Santo (Jo 14.16,26; 15.26). O fundador que se
arroga às atribuições de Jesus não passa
de um falso cristo (Mt 24.5, 23-25).
No Salmo 37.25, lemos: "Fui moço, e agora sou
velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência
a mendigar o pão". Mas em Romanos 3.10 está escrito:
"Não há um justo, nem um sequer". Como explicar
essa aparente contradição ?
O Salmo 37.25 aborda a questão da graça providencial
de Deus para aqueles que andam em retidão diante do Senhor
(23,24). Davi fala de sua longa experiência de vida referindo-se
ao fato de que Deus não abandona aqueles que andam de maneira
ordeira. Até mesmo seus filhos são assistidos pela
terna providência divina, de modo que não terão
de viver na mendicância (Mt 6.25,26). O famoso erudito Adam
Clarke parafraseou as palavras desse belo salmo da seguinte maneira:
"Agora tenho cabelos encanecidos. Tenho viajado por muitos
países e tido muitas oportunidades de observar e de conversar
com pessoas religiosas de todas as idades, e, para meu conhecimento,
ainda não encontrei uma única instância contrária.
Ainda não vi um único homem justo abandonado, nem
os seus filhos a pedir pão. Deus honra dessa maneira a todos
quantos o temem, e assim cuida deles e de sua prosperidade".
Devemos atentar para o fato de que Davi não diz que o justo
nunca passa fome. Às vezes, vemos cristãos enfrentando
problemas financeiros, ou debaixo de intensa perseguição
(principalmente os missionários), passando necessidades,
mas Deus os assiste. Em Romanos 3, Paulo está discorrendo
sobre a natureza depravada do homem. Na oportunidade, o apóstolo
fala sobre a universalidade do pecado, a alienação
humana diante de Deus e, por fim, aponta magistralmente para o meio
necessário à justificação que é
a fé pessoal em Jesus Cristo como Salvador crucificado que
ressuscitou (Rm 3.20-29; 4.23-25; 10.8-13). A palavra "justo"
é empregada nas Escrituras com vários significados.
Em Mateus 5.48, Jesus nos diz para sermos perfeitos como
o nosso Deus. É possível chegarmos a tal nível;
ou seja, não cometermos nenhum pecado?
Muitas são as interpretações sobre esse texto.
Alguns cristãos crêem que se trata de uma perfeição
moral, alcançada ainda nesta vida. Essa idéia é
chamada de "perfeccionismo" e, segundo seus propagandistas,
"é uma obra especial do Espírito Santo que lhes
dá vitória sobre todo o pecado ou sobre todo pecado
intencional, o que os torna moralmente perfeitos neste mundo".
Tal teoria, no entanto, foi fortemente combatida. E um dos fatos
incontestáveis contra esse ensino é que os grandes
santos da história bíblica e eclesiástica confessaram
que, até sua morte, travaram ferrenha luta contra o pecado
persistente em suas vidas. Convém mencionar que a palavra
"perfeito" tem vários sentidos. Nessa citação
ela pode indicar "sejam completos", como está escrito
em 2 Timóteo 3.17. "Sejam completos" é algo
diferente de uma perfeição sem pecado. Nosso Pai celestial
é perfeitamente completo e o seu amor também é
completo: o Senhor Deus ama a todos, sem acepção de
pessoas (Mt 5.45,46, Rm 5.10 e Jo 3.16). E a nossa vocação
na terra é sermos um reflexo do caráter de Deus. O
amor incondicional e sublime de Deus deve fluir de nossas vidas
para todo e qualquer ser - até mesmo para com os nossos perseguidores
e do evangelho.
O que é a logosofia?
Trata-se de uma seita metafísica. A logosofia (sabedoria
da razão, em grego) foi fundada por Gonzáles Pecotche,
em 1930, na Argentina. A Fundação Logosófica
do Brasil passou a existir em 1935, em Belo Horizonte, MG, de onde
se propagou para os demais países da América Latina.
Essa seita propõe um método de "reativação
consciente do indivíduo", tentando fazer que este se
torne o senhor de seus pensamentos e sentimentos e viva em calma
a sua plena auto-realização. É uma doutrina
contrária à fé, mas não deixa de afirmar
a existência de Deus.
Em suma, é um sistema de técnicas psicológicas
que visa a morigeração da pessoa por seus próprios
esforços. O relacionamento com Deus é vago. Embora
Ele seja reconhecido como "Criador" e "Fonte de sabedoria",
não há referência à oração
nem à religiosidade nos escritos logosóficos, que
se silenciam a respeito da vida além-túmulo. A logosofia,
como se vê nos escritos de Pecotche, é auto-soteriológica
(salvação pelas obras), contrariando os ensinos das
Sagradas Escrituras (Ef 2.5,7; 2Tm 1.9; Rm 3.24,27, 4.1-5, 11.6
1Co 15.10; Tt 3.5).
Se o sol e os demais luminares foram criados no quarto
dia, que luz é aquela que aparece no segundo dia da criação?
Antes de respondermos a essa pergunta, é necessário
reiterar que a Palavra de Deus é a verdade. Ela foi dada
por inspiração divina. Portanto, é infalível
e inequívoca e o árbitro final em todas as discussões.
Sua autoridade é derivada do seu Autor, e não das
opiniões dos homens (Rm 15.4; 2Tm 3.15-16; 2Pe 1.21). Outra
verdade que precisamos ter em mente é que toda a criação
foi repentina e feita do nada (o que os estudiosos chamam de Creatio
Êx Nihilo). Houve um tempo em que a luz não existia,
mas, repentinamente, ela apareceu. O mesmo aconteceu com tudo que
veio a existir (Sl 33.6-9;148.1-6; Hb 11.3). Dar uma resposta definitiva
quanto ao que era essa luz é muito difícil, até
mesmo para os estudiosos do assunto. Entretanto, podemos inferir
algumas conclusões. É muito relevante que Deus tenha
criado a luz antes do sol. É interessante notar também
que o nome "sol" foi dado a essa estrela apenas em Gênesis
15.12. Isso significa, para muitos estudiosos, uma resposta antecipada
de Deus contra a adoração desse ser inanimado. Muitos
povos pagãos da antigüidade, principalmente os egípcios,
adoravam o sol como uma divindade, mas, antes de sua existência,
Deus já existia em toda sua glória (Sl 90.2; 102.25-27;
Is 40.28; Jo 5.26; 1Tm 1.17; 6.16).
Assim, depreende-se que a luz a que se refere Gênesis 1.4
trata-se da manifestação da glória de Deus
em forma de luz (1Jo 1.5) antes mesmo da criação dos
seres animados e inanimados. Dessa forma, Deus mostra para o homem
que Ele é superior a tudo que existe e se move sobre a terra
(Rm 13.1; Hb 6.13). Isso também serve para mostrar que as
coisas criadas não são divindades, portanto não
são Deus (doutrina conhecida como "panteísmo"),
embora a criação seja prova suficiente da existência
de Deus (Sl 19.1-6; Rm 1.20).
O que levou a terça parte dos anjos seguir a Lúcifer?
As Escrituras parecem indicar que, em algum momento entre Gênesis
1.31 e Gênesis 3.1, houve uma rebelião no mundo angélico,
no qual muitos anjos bons se voltaram contra Deus e se tornaram
maus. O teólogo italiano Tomás de Aquino (1225-1274)
ensinou que uma vez que os anjos não têm natureza carnal
pecaminosa o pecado deles foi espiritual. Eles foram seduzidos pelo
diabo, que os envolveu com o orgulho e a inveja contra Deus. Os
anjos pecaram voluntariamente (Tomás de Aquino, "Suma
Contra os Gentios", 63:1-9). Alguns fazem alusão ao
texto de Judas 6 para apoiar esse ponto de vista quanto à
queda dos anjos. As táticas de Satanás e dos demônios
são a mentira, o engano, o homicídio e toda sorte
de malignidade. Fazem isso para afastar as pessoas de Deus e levá-las
à destruição (Jo 8.44; Ap 12.9; Sl 106.37).
Mas, assim como Satanás e suas hostes foram expulsos do céu,
também seu domínio e ação serão
extirpados totalmente da face da terra (1Jo 3.8; Lc 9.1, 10.19;
At 16.18; Rm 16.20; Ap 20.10).
Lemos em Mateus 24.40-41 a respeito do arrebatamento da
Igreja e em 2 Coríntios 5.10 que todos hão de comparecer
ante o tribunal de Cristo para que sejam julgados segundo as suas
obras. Já que a Igreja será arrebatada, como ela será
julgada?
A chave para o entendimento correto dessa questão é
a palavra "tribunal" (Bema, em grego), que aparece em
2 Coríntios 5.10. O termo bema significa "degrau",
"plataforma elevada", "tribuna", "palanque",
usados pelos oradores e pelos árbitros de competições
esportivas, entre outros. Os crentes já têm seus pecados
perdoados em Jesus Cristo e estes pecados nunca mais serão
lembrados (Hb 7.24,25; 10.17; Jo 3.36; Gl 1.4). Todos os crentes
comparecerão diante de Cristo para receber vários
graus de recompensa pelo que fizeram nesta vida (Mt 6.20; Lc 19.11-27;
1Co 3.12-15). O julgamento das obras do crente, e não os
pecados, é que está sendo discutido nesse episódio.
Haverá graus de galardões no céu.
"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque
deles é o reino de céus" (Mt 5.3). Será
que o tópico "pobres de espírito" teria
base no texto grego do primeiro século e na tradução
latina (a Vulgata) ?
Sim, pois os manuscritos mais antigos o contém. Alguns têm
pensado que a palavra "espírito" sofrera um acréscimo
devido ao que Lucas 6.20 omite a respeito da frase "de Espírito",
o que transmite a idéia que Jesus falava, de forma literal,
sobre pobreza física. Ainda que Jesus tenha proferido essa
palavra a pessoas realmente pobres, que freqüentemente tinham
seus bens pilhados pelas autoridades romanas, tais pessoas tinham
muito orgulho de sua aparente religiosidade.
O relato de Lucas quanto a essa questão é diferente
do de Mateus (o daquele é mais resumido), pois cada evangelista
teve uma visão selecionada das coisas que Jesus falou, mas
todas essas visões são abrangentes. O verdadeiro sentido
da "pobreza espiritual" pode ser melhor entendida à
luz da célebre "Confissão de Westminster"
sobre arrependimento: "Movidos pelo reconhecimento e sentimento
não só do perigo, mas também da impureza e
odiosidade de seus pecados, como contrários à santa
natureza e justa lei de Deus, e conscientizando-se da misericórdia
divina manifestada em Cristo aos que são penitentes, o pecador,
pelo arrependimento, de tal maneira sente seus pecados que, deixando-os,
se volta para Deus, tencionando e procurando andar com Ele em todos
os caminhos de seus mandamentos" (XV.2).
Qual a diferença entre o milênio das Testemunhas
de Jeová e o milênio cristão?
Para esclarecer essa doutrina é preciso entender que, para
as Testemunhas de Jeová, quando uma pessoa morre ela está
absolvida do pecado, não existindo mais castigo adicional
("Raciocínios à base das Escrituras", STV.
1985, pp. 193-196). Esse ensino é tirado de uma interpretação
equivocada de Romanos 6.23, que diz: "Porque o salário
do pecado é a morte...". Primeiramente, o texto em voga
não se refere à condição dos mortos,
mas à condição diante de Deus, que é
separação dele. As Escrituras mostram que logo após
a morte vem o juízo: morte eterna ou vida eterna (João
3.36; Hebreus 9.27; Romanos 2.6-11). As Testemunhas de Jeová
crêem que uma pessoa como Adolf Hitler terá uma segunda
chance; ou seja, será ressuscitada e aprenderá os
ensinos dessa seita (veja o livro "Conhecimento que conduz
à vida eterna", STV. 1985, pp. 186-191). A isso denominamos
purgatório-milenial. Em harmonia com esse ensino, a Tradução
do Novo Mundo (Bíblia das Testemunhas de Jeová) traduz
incorretamente o termo grego krisis (juízo), em Hebreus 9.27,
por julgamento, querendo dizer com isso que a pessoa terá
mil anos de preparo para a prova final com a libertação
de Satanás. As pessoas portadoras de deficiências físicas,
a cada dia no milênio, experimentarão a cura gradual
de seu problema até alcançarem a completa perfeição.
Dessa forma, os bilhões de ressuscitados vão gradativamente
transformando a terra num paraíso. É notório
que esta interpretação viola vários aspectos
da doutrina cristã. Para nos, os cristãos, o milênio
é a idade de ouro da terra. A criação será
libertada (Romanos 8.18-23). A maldição será
afastada (Isaías 11.6-9; 35:5-6). A terra será frutífera
(Amós 9.13). As guerras cessarão (Salmo 46.9). Os
ressuscitados ressurgirão com corpos redimidos perfeitos
(1 Coríntios 15.52). Para conhecer cada detalhe da visão
cristã em relação ao milênio, recomendamos
o livro: "Todas as profecias da Bíblia", de John
F. Walvoord, Ed. Vida, 2000.
As "Leis de expiação de pecado e de
culpa" serviam também aos adúlteros como Davi?
Se ele não as usou, por receber perdão direto, essa
atitude comprometeu o povo e as próprias leis?
As Leis de ofertas pelo pecado e pela culpa estão delineadas
nos capítulos 4.1- 6.7 do livro de Levítico. Em Levítico
4.22-26, há instruções para aquele governante
que tenha cometido pecado "por ignorância", ou seja,
pecado culposo. O delito de Davi (adultério seguido de homicídio)
não se enquadrava nessa descrição por ser um
pecado "doloso", e os sacrifícios não serviam
de base para a expiação desses pecados. (Números
35.31,32; 15.22-31; 1 Samuel 3.14; Êxodo 21.14; Deuteronômio
1.43; 17.12-13;18.20-22; Salmo 19.13; 2 Pedro 2.10). Durante boa
parte da história de Israel, sempre teve um dia para as cerimônias
de expiação. Esse dia especial afirmava um profundo
senso de pecado e a compreensão de que apenas Deus podia
resolvê-lo (Levítico 16.1-34, Números 29.7-11,
Ezequiel 45.18-21). Nesse dia, o sumo sacerdote era o único
que tinha permissão para entrar no lugar santíssimo
(santo dos santos) e oferecer sacrifícios por seus próprios
pecados e pelo pecado do povo. O meio de perdão definitivo,
entretanto, só veio com o Novo Pacto estabelecido pelo sangue
de Cristo e pelo poder da sua ressurreição.
Mas, voltemos a Davi. Ele sabia da sentença divina para quem
cometia o tipo de pecado que cometeu (2 Samuel 12.5). Todavia, ao
ser confrontado pelo profeta Natã (2 Samuel 12), Davi, contrito,
se arrependeu profundamente. E foi justamente nessa ocasião
que escreveu os Salmos 32 e 51, uma expressão de profunda
convicção de pecado. Ele recebeu o perdão de
Deus (2 Samuel 12:13; Oséias 14.4), mas as conseqüências
de seu erro perduraram, e foram vistas por todo o povo: instabilidade,
incesto e mortes na família de Davi. A vida é uma
semeadura: se semearmos a desobediência a Deus, ceifaremos
infelicidade e toda sorte de males (Gálatas 6.7).
Lendo Mateus 27.37, Marcos 15.26, Lucas 23.38 e João
19.19, pude observar que cada um desses evangelhos relata o título
escrito por Pilatos sobre a cruz de Jesus de diferente maneira.
Por quê? Será que existe alguma contradição?
Ao estudarmos os evangelhos sempre nos deparamos com vários
relatos que parecem contraditórios entre si (Exemplos: os
anjos que aparecem às mulheres na ressurreição,
a cura do cego de Jericó, a morte de Judas etc). Mas, ao
compararmos tais narrativas que se diferem entre si, mas não
se contradizem, constatamos que elas são complementares.
Cada evangelho apresenta a parte essencial da inscrição
feita na cruz: "O rei dos judeus".
O erudito cristão Normam Geisler (Manual popular de dúvidas,
enigmas e "contradições" da Bíblia
- Ed. Mundo Cristão, 1999), elucida o porquê das diferenças.
Vejamos: "...João 19:20 diz: 'Muitos judeus leram este
título, porque o lugar em que Jesus fora crucificado era
perto da cidade; e estava escrito em hebraico, latim e grego. Daí
se vê que aquelas palavras acima da cabeça de Cristo
foram escritas em pelo menos três línguas diferentes,
e algumas diferenças podem ter-se originado pela tradução
dessas línguas diferentes".
O que significa o purgatório, conforme ensino da
Igreja Católica Romana?
Segundo o "Catecismo da Igreja Católica (1993), §
1030", o purgatório é uma condição
na qual se encontram aquelas pessoas que "morrem na graça
e na amizade de Deus, mas não estão completamente
purificadas, embora tenham garantida a sua salvação
eterna". Assim, essas pessoas precisam passar por uma purificação
"a fim de obterem a santidade necessária para que entrem
na alegria do céu". Essa purificação,
no entanto, não deve ser confundida com o castigo dos condenados
ao inferno. Foi, sobretudo, nos Concílios de Florença
(1442) e de Trento (1546) que a Igreja Católica formulou
a doutrina do "fogo purificador", baseando-se em textos
como Mateus 12.31, onde Jesus declara que a blasfêmia contra
o Espírito Santo é um pecado que não será
perdoado nem neste mundo nem no vindouro. Dessa afirmação,
a Igreja Romana deduz que "certas faltas podem ser perdoadas
no século presente, ao passo que outras, no século
futuro"(idem, § 1031). Outra passagem citada é
1 Coríntios 3.15, que diz: "Se a obra de alguém
se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será
salvo, todavia como que pelo fogo".
Os católicos dizem que essa passagem alude à purificação
temporal. O livro de II Macabeus 12.46 também é citado
em apoio à doutrina do purgatório, uma vez que esta
passagem sustenta a prática da oração em favor
dos mortos. Para garantir a visão beatífica aos exilados
no purgatório, a Igreja Católica recomenda as esmolas,
as indulgências, as obras de penitência e as missas
oferecidas em favor das almas.
Afirmamos, porém, que não é o "fogo"
do purgatório que nos purifica no além, mas como disse
o apóstolo João, é "o sangue de Jesus
Cristo que nos purifica de todo pecado" (1 Jo 1.7). O melhor
de tudo é que não precisamos esperar o além
para sermos purificados. João ainda diz: "Se confessarmos
os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os
pecados e nos purificar de toda injustiça" (1.9).
A suficiência de Cristo descarta todo e qualquer outro meio
de nos purificar e nos conduzir ao céu. Declarou o apóstolo
Paulo: "Ele se deu a si mesmo por nós para nos remir
de toda iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso
de boas obras" (Tito 1.14).
Aos Efésios, Paulo diz que por meio de Cristo temos "a
redenção pelo seu sangue, a remissão dos nossos
delitos, segundo as riquezas de sua graça" (1.7). Como,
então, explicar as passagens citadas pelo catolicismo?
Em Mateus 12.31, Jesus simplesmente enfatiza a gravidade do pecado
contra o Espírito Santo, dizendo que o perdão é
impossível, não importando o tempo e o espaço.
O assunto de 1 Coríntios 3.15 gira em torno dos cristãos
que hão de comparecer ao Tribunal de Cristo (Bema - palavra
grega que significa pódio). Não para sermos julgados,
mas, sim, galardoados. Nesse Tribunal, as pessoas receberão
suas recompensas de acordo com as obras que realizaram (Ver 2 Co
5.10).
Quanto ao texto de II Macabeus, nós, os evangélicos,
não o aceitamos como escritura inspirada por Deus, não
servindo, portanto, como prova escriturística. Ele serve
apenas para revelar o costume pagão de alguns judeus. E não
deve, evidentemente, ser tomado como norma para o povo de Deus.
Caso não tenhamos dirimido cabalmente esta dúvida,
aconselhamos as pessoas a adquirir (se ainda não o fizeram)
a "Série Apologética", e também a
"Bíblia Apologética" (publicadas pelo ICP),
que analisam, com desvelo, as mais variadas seitas e heresias, tanto
as antigas como as contemporâneas, e ainda oferecem respostas
cristãs irrefutáveis!
Ao trair Jesus, Judas fez isso por dinheiro ou para que
o Filho de Deus se rebelasse contra Pôncio Pilatos e Herodes?
A figura de Judas tem fascinado muitos pensadores, os quais dão
várias explicações para seu comportamento.
À luz das Escrituras, vemos que a idéia de que Jesus
tinha aspirações revolucionárias, intenções
reveladas às autoridades mediante a traição
de Judas, é inconcebível. Muito antes da semana final
Jesus havia-se revelado como o Messias (Lucas 19.28-40; Mateus 26.52-54).
A ambição sempre foi um sentimento visível
na vida de Judas, vemos isso em João 12.4-6. Essa é
a explicação mais plausível! A figura de Judas
serve como um lembrete de que o pecado é algo terrível,
mas somente a morte de Cristo é o poder de Deus para efetuar
a salvação de seu povo.
De acordo com Mateus 19.16-22, temos realmente de vender
tudo para que possamos seguir a Cristo?
Esse texto, junto com Atos 2.42-44 e 4.34-35, tem sido usado por
muitas seitas (como, por exemplo, a Igreja de Cristo Internacional,
a Igreja da Unificação e os Meninos de Deus, entre
outras) para fazer que a pessoa doe tudo o que possui à sua
organização (à do grupo religioso) e passe
a viver como pedinte pelas ruas dos grandes centros urbanos atrás
de donativos, não para ela, mas para o próprio movimento.
Em Mateus aprendemos que aquele jovem era um homem de "posição"
e, logo de início, vemos um problema fundamental. Enquanto
Jesus usa o verbo "receber"
(Lc 17.17), o homem usa o verbo "fazer". O jovem tinha
a impressão errada de que podia ganhar a salvação
por meio do esforço pessoal. Afinal, ele estava acostumado
a ter tudo o que queria por ser rico. E ainda jactanciava-se de
cumprir a Lei. Mas Jesus coloca o dedo no problema dele. No fundo,
aquele jovem era um transgressor da Lei. Um idólatra! Pois
tinha feito do dinheiro o seu deus, tentando adorar a Deus e a "Mamom".
Não é errado possuir riquezas, desde que a pessoa
não se deixe dominar por ela (1Tm 6.10). O texto, porém,
não deve ser interpretado como sendo uma instrução
normativa para os crentes venderem tudo e viver na pobreza, dependendo
do governo e dos outros para sua subsistência. Ao agir dessa
forma, estará incorrendo em grande pecado. Atos 2.44-45 não
diz que eles vendiam suas residências. O que está implícito
nesses versículos é a venda de terras e de outras
propriedades excedentes. As medidas tomadas por aqueles crentes
eram voluntárias. Estavam vivendo uma situação
temporária para o progresso do evangelho e da Igreja primitiva.
Novamente trata-se de uma passagem descritiva de profunda significância
para nós, mas não uma norma a ser seguida. O pastor
F.B. Meyer, homem que em toda a sua vida cristã viu que a
piedade era a verdadeira riqueza, dá um conselho que se encaixa
na aplicação do aludido texto, e que deve servir de
alerta para cada cristão que está pouco a pouco se
deixando dominar pelo espírito consumista de nossos dias.
Eis o que ele disse: "Não é o dinheiro, mas o
amor ao dinheiro que abre as eclusas e comportas da alma, através
das quais correm encachoeiradas as destrutivas ondas da ambição
que afoga os homens na destruição e na perdição.
Lembremo-nos de que nada podemos levar deste mundo, com exceção
do nosso caráter".
Se a astrologia é condenada, como os magos se deixaram
dirigir por uma estrela?
As Escrituras condenam o estudo e uso de mapas das estrelas? Não!
Se o estudo for matemático e cientificamente útil,
não existe nenhuma restrição bíblica
a ele. O estudo da astrologia, enquanto observação
não mística dos céus (astronomia) é
útil. Podemos ver isso em Gênesis 1.14: E disse Deus:
Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação
entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados
e para dias e anos.
Vemos, na Bíblia, que o estudo do sol, da lua e das estrelas,
para sinalizar tempos e marcar épocas, é legítimo.
A partir da observação das estações
climáticas e das estrelas, temos como planejar pescarias,
viagens pelo mar etc.
A astrologia só é condenada se o seu estudo envolver
superstições, for místico e estiver relacionado
com adivinhações ou forças ocultas. Também
é preciso entendermos que no mundo antigo não havia
essa divisão moderna entre astrologia e astronomia, ou seja,
misturava-se quem estudava os astros com fins não místicos
com aqueles que atribuíam poderes aos astros. Os adeptos
da Nova Era afirmam que a estrela vista pelos magos significa o
início da era de Peixes, que, por sua vez, cede lugar, neste
milênio, à era de Aquário. Não encontramos
indício nas Escrituras de uma era não-cristã,
quando algum sistema viesse sufocar e destruir a Igreja. Antes,
a Igreja prevalecerá sobre as portas do inferno (Mt 16.18),
embora a Bíblia tenha previsto a apostasia parcial (2 Ts
2.3).
A estrela vista pelos magos guiou o grupo até o lugar onde
estava o menino (Mt 2.9), o que não deixou de ser uma evidência
sobrenatural que demonstrava a condição ímpar
do nascimento de Jesus. Aos sábios e poderosos foi anunciado
as boas novas; ou seja, o evangelho. Contudo, não foram os
sábios segundo o mundo que abraçaram a grande salvação
(Mt 11.25; 1Co 1.19,26-27).
A estrela não evidenciou o destino da pessoa de Jesus, mas
o local onde estava o menino. O tempo e o caráter do futuro
Rei já estavam exarados nas Escrituras (Dn 9.25-27; Is 53).
Até mesmo a região em que Ele nasceria era do conhecimento
dos sacerdotes (Mt 2.6; 2 Sm 5.1-2; 1 Sm 17.12).
Algumas lições que podemos extrair desse episódio:
As pessoas estrangeiras e os estudiosos davam mais atenção
às profecias do que muitos que viviam em Jerusalém.
As profecias eram um maneira de Deus censurar a falta de zelo dos
príncipes de Israel.
Os magos demonstram respeito pelas profecias e adoraram o Rei, ofertando-lhe
ouro, incenso e mirra (Mt 2.11).
A atitude dos magos foi agradável a Deus, que os orientou
para que tomassem outro caminho (Mt 5.12).
O rosto de Deus pode ser visto ou não?
Encontramos alguns textos bíblicos que nos dizem que Moisés
falou face a face com Deus. Contudo, Deus declarou a Moisés
que homem nenhum verá a minha face, e viverá (Êx
33.20). Como conciliar essas duas passagens? O texto tem sido interpretado
também para afirmar que Deus tem corpo físico. É
necessário saber o que realmente o texto está desejando
transmitir. Falar face a face indica que os dois, Deus e o homem,
são físicos ou teria outras implicações?
A frase face a face denota intimidade, falar a um amigo, diretamente,
sem intermediários. É esta a intenção
do texto: demonstrar a familiaridade que Moisés tinha com
Deus. Tal familiaridade era fundamental para sua liderança
ante o povo israelita. Em outras ocasiões, demonstrava a
certeza das promessas divinas, como a referência a Jacó,
em Gn 32.30 (1) , onde Deus teria falado face a face com Jacó,
o que resultou em sua salvação. Contudo, a essência
ou plenitude de Deus jamais pode ser vista pelo homem mortal (1
Tm 6.16). Dizer que ninguém viu a Deus expressa a incapacidade
de a criatura humana de conhecer a Deus em sua plena natureza divina.
O Senhor Deus é um ser espiritual e infinito. Por outro lado,
Deus somente pode ser conhecido por intermédio de seu Filho,
Jesus Cristo (Jo 1.18).
1 Consulte a Bíblia Apologética (Gn 32.30)
A passagem de Êxodo 21.22,23 significa que um ser
que ainda não nasceu tem menos valor do que um ser já
adulto?
O texto bíblico em referência diz o seguinte: Se alguns
homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa
de que aborte, porém não havendo outro dano, certamente
será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher,
e julgarem os juizes. Mas se houver morte, então darás
vida por vida.
Não encontramos base nessa passagem para a execução
de um aborto, e muito menos para uma comparação depreciativa
entre um ser que ainda não nasceu e um ser já formado,
adulto. A palavra-chave do texto é yatsa, que significa literalmente
sair ou dar à luz – jamais tem o sentido de um aborto
voluntário.(1)
Outro aspecto a ser considerado é a frase: não havendo
outro dano (v. 22). Se além do nascimento prematuro não
houver outro dano, isto é, morte, o culpado pagará
um multa, apenas. Ao contrário, ocorrerá o que é
evidenciado no versículo 23, que diz: mas se houver morte,
então darás vida por vida. Quanto a essa questão,
o que o texto está realmente dizendo? Poderíamos parafrasear
assim: se dois homens discutirem, e isso causar uma briga violenta
e eventualmente uma mulher grávida for atingida de maneira
que venha a dar à luz prematuramente, contudo, não
havendo outro dano, tal agressor será multado. Mas se houver
morte, será vida por vida.
Qual o motivo da multa? Uma gravidez prematura certamente deixará
a mulher num estado precário, exigindo maior cuidado. E a
multa servirá de auxílio durante sua recuperação.
Não encontramos base nas Escrituras para o aborto voluntário.
Quanto mais pesquisamos as Escrituras mais encontramos leis justas
que amparam e protegem o feto: Os teus olhos viram o meu corpo ainda
informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais
em continuação foram formadas, quando nem ainda uma
delas havia (Sl 139.16).
1 Consulte a Bíblia Apologética (Êx 21.22-23)
Havia namoro, noivado e casamento nos tempos bíblicos?
Não como em nossos dias. Acontecia da seguinte forma: depois
ter sido a noiva escolhida, ou pelos pais do pretendente (Gn 24.1-4),
ou pelo pretendente (Gn 29.18), ocorria o noivado, período
que precedia o casamento. Esse período era muito importante,
especialmente nos casos em que os noivos mal se conheciam ou jamais
tinham se visto antes. O noivado dos jovens solteiros durava geralmente
um ano. Já o noivado de uma viúva, apenas um mês.
Enquanto que em nossas leis somente o casamento tem aspecto legal
e absoluto de contrato e o rompimento do noivado raramente é
considerado um ato passível de ação judicial,
a não ser que tenham ocorrido prejuízos reais, na
lei israelita não era assim. O noivado e o casamento eram
duas condições bem definidas e distintas, cada uma
delas, no entanto, tinha sua própria etapa (Dt 20.7).
O casamento propriamente dito era, na verdade, a união de
dois seres por toda a vida. Vejamos o que disse o anjo a José:
não temas receber Maria, tua mulher (Mt 1.20). Embora essas
duas condições fossem teoricamente distintas, elas,
na verdade, se envolviam. A lei que reconhecia os direitos e as
obrigações durante o noivado era a mesma para o casamento.
A noiva suspeita de infidelidade ficava sujeita ao apedrejamento,
exatamente como acontecia no casamento. Por outro lado, ela tinha
a vantagem de alguns direitos legais: não podia ser rejeitada,
exceto mediante carta de divórcio; se o jovem morresse, era
considerada viúva.
O que significa a expressão dois pesos e duas medidas?
Essa expressão é encontrada cerca de seis vezes nas
Escrituras. Veja Provérbios 20.10, que diz: Dois pesos diferentes
e duas espécies de medida são abominação
ao Senhor, tanto um como outro. Trata-se, portanto, de uma expressão
idiomática; ou seja, pertencente aos povos primitivos, e
significava usar de critério diferente para o beneficio próprio.
O texto deve ser entendido literalmente, pois as pessoas costumavam
usar, para vantagens ilícitas, uma medida para compra e outra
para venda, adulterando o seu peso.
A exatidão nos pesos não se tornou importante apenas
para as transações com trigo e outras mercadorias,
mas também para fortificar a moeda. E foi dentro desse contexto
e com honestidade que Abraão pesou a Efrom, 400 siclos de
prata (cada siclo equivale a 11,424 g), para comprar o campo e a
caverna onde sua esposa Sara foi sepultada. Pouco a pouco, a prática
de pesar dinheiro foi sendo substituída pela moeda cunhada
com símbolo ou imagem. Até que as moedas se fortificassem
entre o povo, as pessoas continuaram pagando suas dívidas
com o peso, forjado com metal precioso.
A prática de pesar o dinheiro em vez de contá-lo era
muito comum na Palestina dos dias de Jesus, e também em toda
a região do Mediterrâneo. E isso paralelamente ao uso
do dinheiro cunhado. As balanças serviam, ainda, para comprovar
se as moedas eram verdadeiras; ou seja, se não tinham sido
cortadas ou limadas. Tal comprovação cabia aos banqueiros
e aos cambistas, o que deveria ser uma tarefa difícil, devido
à variedade de moedas em uso naquela época, na Palestina.
Assim como em nossos dias é comum um vendedor obter certa
margem de lucro na transação de compra e venda de
moeda (dinheiro), o mesmo acontecia naqueles dias. Algumas pessoas
dos tempos bíblico usavam uma medida de peso maior para compra
e outra menor para a venda. Com isso, os pobres e necessitados eram
os mais prejudicados quando vendiam suas mercadorias.
Além do lucro costumeiro, os cambista injustos tinham vantagem
na compra e venda desleais. Tal situação fez com que
Jesus agisse severamente contra o comércio ilícito
no templo e os comerciantes desonestos. O evangelista Mateus, que
era cobrador de impostos (Mt 10.3), registrou claramente esse importante
detalhe: E disse-lhes (Jesus): Está escrito: A minha casa
será chamada casa de oração; mas vós
a tendes convertido em covil de ladrões (Mt 21.13). O comércio
no templo era ilícito (Lv 5.15; 12.8; 27.25), mas as fraudes
nas medidas eram condenadas! A Míshiná fala de uma
época em que o preço de dois pombos chegou a ser de
uma medida de ouro equivalente a dois dias de trabalho.
Hebreus 12.14 diz: "sem santidade ninguém verá
a Deus". Mas, ao mesmo tempo, a Bíblia afirma que "todo
o olho o verá". E agora?
Em Hebreus 10.10 somos informados de que, por meio do sacrifício
de Cristo, os crentes são santificados de uma vez por todas
(Ver também Hebreus 13.21). Devemos confiar em Deus e seguir
a santificação para a qual fomos chamados. Hebreus
12.14 fala do apogeu da comunhão cristã na glorificação,
enquanto, aqui na terra, contemplamos a "face de Deus",
por meio de Cristo (2 Coríntios 4.6). Mas chegará
o dia em que se cumprirá Apocalipse 22.4. O texto de Apocalipse
1.7 fala sobre a vinda de Jesus Cristo em juízo, na Palestina,
quando as nações ímpias tiverem conquistado
a região, ameaçando aniquilar o povo judeu. Nessa
ocasião, haverá a intervenção divina,
como aconteceu no Mar Vermelho. E todos hão de ver a Jesus,
inclusive aqueles que desdenharam o verdadeiro Cristo e propagaram
e defenderam o falso Cristo. Esses ver-se-ão diante da augusta
epifanéia (manifestação) do Reis dos reis e
tentarão se esconder do juízo divino e de sua glória.
No Salmo 51.7 Davi pede: "Purifica-me com hissope, e ficarei
puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve". A aspersão
com água naquela época é a mesma usada pelos
católicos hoje, com água benta? Por que a igreja não
faz uso desse cerimonial?
Davi faz alusão à cerimônia de purificação
de um leproso (Levítico 14.4-6,49,57). Sua convicção
de pecado foi tamanha que podemos dizer que ele se sentia como um
"leproso". O célebre pastor Martyn Lloyd Jones
intitulou esse capítulo de forma muito interessante, em uma
de suas marcantes pregações que foi transformada em
livro: "O Clamor de um desviado". O hissopo era uma planta
usada, junto com outros elementos, como o "pau de cedro, estofo
carmesim", no ritual de purificação. Tais elementos
simbolizavam o estado de pecaminosidade e de humilhação
sob o juízo de Deus. O cedro era emblema da grandiosidade
de Deus e de seu perdão; o hissopo, da pequenez do homem
diante da graça perdoadora de Deus. Esse ritual de purificação
nada tinha a ver com o da água benta (água adicionada
de sal) ou coisa parecida. O sangue e a água eram usados
na purificação dos leprosos. Davi anseia uma purificação
espiritual. A água tipifica o Espírito Santo, como
sendo Ele o "Espírito da vida" (Romanos 8:2). O
sangue apontava para o sangue vicário de nosso Senhor Jesus
Cristo (Ap 7.14; Is 1.18; Ef 5.25-27)
Afinal, os mortos estão no céu conscientes
ou não, conforme Ec 9.5-10? O livro de Eclesiastes é
realmente arcaico e imperfeito? Gostaria de obter uma explicação
sobre esse assunto?
O livro de Eclesiastes é valiosíssimo para nós.
Ele está entre um dos mais criticados e mal interpretados
das Escrituras Sagradas. Talvez seja por seu estilo literário.
Nos primeiros capítulos fala da vida sob a perspectiva materialista-pessimista,
para, então, posteriormente, refutar tal cosmovisão.
E conclui com a célebre declaração: "De
tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda
os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem.
Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até
as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más"
(12.13,14).
Se entendermos, no sentido absoluto, que os "mortos não
sabem coisa nenhuma", devemos também entender que eles
não "têm recompensa". Desde que os grupos
aniquilacionistas (Testemunhas de Jeová, Adventistas, entre
outros) resolveram interpretar esse texto no seu sentido absoluto,
eles foram forçados a admitir que não há recompensa
para os mortos e, com isso, a negar a possibilidade da ressurreição,
o que contraria seu sistema de crença a respeito. Eclesiastes
9.6 afirma que os mortos não sabem coisa nenhuma que é
feita "debaixo do sol", o que significa que eles não
sabem o que está se passando na terra, mas, certamente, conhecem
o que acontece no céu (Ap 6.9-11).
Por que o povo de Israel não podia comer pão
com fermento durante a Páscoa?
A festa dos Pães Asmos (matstsóhth) começava
na noite da Páscoa (14 de nisã, período que
compreende os meses de março e abril). Ver Êxodo 12.6,18.
O fermento tinha de ser retirado das casas, pois era símbolo
do pecado, da corrupção e da maldade. Havia uma "santa
convocação" (Êx 12.16). Nenhum culto a
Deus tem valor se for acompanhado de pecado. O apóstolo Paulo,
em 1 Coríntios 5.6-8, faz um paralelismo entre a festa dos
pães asmos e o tipo de pureza de vida que os crentes devem
ter. Em Mateus 16.6, o fermento ilustra a falsa doutrina. Certo
escritor cristão do século XVI disse uma frase que
convém atentarmos: "Um milímetro de desvio da
sã doutrina nos leva a quilômetros de distância
de Deus".
O fermento muda o caráter do pão, e o pecado, na vida
do salvo, tira-lhe o brilho da redenção.
Interpretar a Bíblia pela ciência é
uma atitude perigosa?
Existem estrelas na galáxia há milhões de
anos-luz distantes do planeta Terra. Conseqüentemente, a luz
dessas estrelas foi emitida há milhões de anos e somente
hoje chega até nós. Seguindo esse raciocínio,
podemos dizer que entre os vv. 1 e 2 de Gênesis 1 há
um intervalo de milhões de anos? Se é assim, a afirmação
de que o mundo tem apenas seis mil anos é incorreta?
A teoria do "Intervalo", que se supõe um grande
espaço cronológico entre os versículos 1 e
2 de Gênesis 1, tem sido amplamente defendida em nossos dias.
Essa teoria começou a ser difundida tenazmente em muitos
seminários teológicos e aceita em várias instituições
cristãs por volta dos anos 1950-70. Surgiram muitas descobertas
"científicas" que pareciam derrubar vários
postulados cristãos com respeito à criação.
As medições por radiocarbono e pelo argônio
de potássio dos fósseis estimaram a terra em bilhões
de anos, enquanto os cristãos ortodoxos davam seis mil anos,
e não mais. Muitos crentes sinceros, buscando consertar esse
disparate, criaram teorias harmonizadoras dando interpretação
figurada a Gênesis 1-2, o que resultou em maior confusão.
Usar a ciência para interpretar a Bíblia é de
fato muito perigoso. Pois a ciência, muitas vezes, se contradiz.
Sua abordagem geralmente é experimental e especulativa, diferindo
dos paradigmas cristãos. O consulente cita as estrelas que
estariam há milhões de anos luz da terra cuja luz
está chegando até nós somente agora, supondo,
com isso, que a terra teria milhões de anos. Todavia, esse
mesmo argumento tem sido usado pelos cientistas para afirmar que
o planeta terra possui cerca de seis mil anos. Gostaria dizer, no
entanto, que criação de Deus foi instantânea,
e não gradual (Sl 148.5; Gn 1.3,11,14,20,24).
Jesus curou um ou dois endemoninhados em Gadara?
O fato em questão encontra-se em Mateus 8.28-34 (comparar
Marcos 5.1-20 e Lucas 8.26-39). A distinção dos relatos
dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas é que Mateus fala
de dois endemoninhados, enquanto Lucas e Marcos apenas de um. Mas,
afinal, eram dois ou um? A explicação, neste caso,
é que Mateus foi mais detalhista em seu escrito, como aconteceu
também no relato que ele fez a respeito da cura de dois cegos
(Ver Mt 20.30). Quanto a Marcos e Lucas, eles se ocuparam apenas
em focalizar o endemoninhado proeminente. O que devemos levar em
consideração no relato desses evangelistas é
o propósito de suas narrativas. Ou seja, seu ponto principal:
houve ou não o milagre da libertação? Os autores
têm a mesma posição quanto ao poder de Cristo?
São unânimes ao demonstrar evidências de que
Jesus era de fato o Messias ou vacilam nas credenciais messiânicas?
Podemos perceber, no Novo Testamento, que todos os evangelistas
procuram apresentar evidências conclusivas sobre a vida, ministério,
sacrifício, morte e ressurreição de Jesus.
E não apenas os evangelistas, mas os inimigos de Cristo (as
classes religiosas de sua época e os historiadores céticos)
também registram essas evidências. Quanto aos pormenores,
cada um escreveu segundo sua própria perspectiva. E faziam
isso de acordo como os detalhes lhes saltavam aos olhos: "O
que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com
os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos
tocaram da Palavra da vida (Porque a vida foi manifestada, e nós
a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que
estava com o Pai, e nos foi manifestada); o que vimos e ouvimos,
isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão
conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu
Filho Jesus Cristo. Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso
gozo se cumpra" (1 Jo 1.1-4).
Existe algum indício de matança de crianças
na Judéia? Por que José temeu Arquelau?
A Bíblia e os historiadores não informam quantas
crianças foram vítimas da atrocidade cometida por
Herodes. Mas o relato dessa atrocidade é fidedigno e os indícios
dela podem ser visto no caráter de Herodes, em cuja biografia
de sua vida há muitas crueldades. Werner Keller, autor do
E a Bíblia Tinha Razão, tece o seguinte comentário
sobre o reinado de Herodes: Em trinta e seis anos (do seu reinado)
quase não se passou um dia sem execução. Herodes
não poupou até mesmo sua família. Em sua lista
de assassinatos contam-se dois cunhados, uma esposa e dois filhos.
Herodes mandou matar também diversas famílias nobres
e alguns sábios e líderes. No leito de morte, mandou
assassinar um terceiro filho. Quando Arquelau assumiu a realeza,
houve outras dezenas de rebeliões, o que motivou José,
padrasto de Jesus, a não voltar para a Judéia, mas
ir para as partes da Galiléia, mais especificamente Nazaré.
Quanto ao evento registrado nas Escrituras sobre a matança
de crianças, até aqui não temos informações
sobre o número ou outros registros que indicam o fato. Provavelmente,
a precária condição social de Belém
e seus arredores influenciou para que tais atrocidades não
fossem registradas pelos historiadores. Se este foi realmente o
motivo para omitir a ocorrência, então, uma vez mais,
as Escrituras são aclamadas como imparciais, focalizando
as perdas e o sofrimento dos socialmente marginalizados, quer sejam
pessoas ou cidades. Contudo, estudos arqueológicos e antropológicos
têm sido feitos, chegando à peculiar conclusão:
a Bíblia tem razão.
Como o sol e a lua pararam se é a terra que gira
em torno do sol?
A passagem a respeito não apresenta nenhuma contradição.
Temos de considerar que, muitas vezes, na linguagem falada usamos
certas expressões que, embora imprecisas, são prontamente
compreendidas pelos ouvintes. Por exemplo, em português é
correto utilizarmos as expressões "nascer do sol"
e "pôr-do-sol" sem entrarmos no mérito se
é a terra ou o sol que está em movimento. Devemos,
ainda, considerar o fato de que Deus mede os céus aos palmos
(Is 40.12). Se o Senhor teve poder e sabedoria para criar os céus
e a terra (Gn 1.1), não lhe seria impossível deter
apenas o sol ou a terra, mas também todo o universo.
Deus se arrepende ou não?
Gênesis 6.5 fala da tristeza de Deus quanto à má
índole do homem. É uma figura de linguagem chamada
antropopática para facilitar o entendimento humano. O que
o texto está indicando é que Deus se contristou pela
desobediência do homem, e não que Ele, o Senhor, tivesse
se arrependido de sua criação, ou, então, que
houvesse cometido algum erro. Em Números 23.19, vemos que
a palavra de Deus é fiel e, ao contrário da dos homens,
se cumpre. Numa terceira passagem, Jeremias 18.7-10, lemos: "se
a tal nação... se converter da sua maldade, também
eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe". Não
se trata, obviamente, do caso de Deus se arrepender de algum erro
que tenha cometido, mas da supressão do castigo anunciado
por Ele. Deus não erra, logo, seu "arrependimento"
não é como o nosso. O soberano e imutável Deus
sabe lidar apropriadamente com as mudanças no comportamento
humano. Quando os homens pecam e se arrependem de seus pecados,
Deus "muda seu pensamento". O Senhor abençoa ou
puni o homem, ou, se for o caso, uma nação inteira,
de acordo com a nova situação (Êx 32.12,14;
1Sm 15.11; 2 Sm 24.16; Jr 18.11; Am 7.3-6).
Por que Jesus, sendo Deus, se fez homem?
A humanidade do Verbo é fundamental para a execução
do plano de Deus. O homem pecou e esse pecado contaminou toda a
humanidade. Lemos em Romanos 5.12, 15: "Portanto, como por
um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim
também a morte passou a todos os homens, por isso que todos
pecaram. ... se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a
graça de Deus, e o dom pela graça, que é de
um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos". Somente
uma vida perfeita poderia ser doada em lugar de um pecador, e não
apenas um, mas a todos quantos crêem no seu nome (Jo 1.12).
O que levou o Verbo à encarnação? Deixemos
que o próprio Jesus responda: "Porque Deus amou o mundo
de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo
aquele que nele crê não pereça, mas tenha a
vida eterna" (Jo 3.16).
A problemática da pecaminosidade do homem é profunda.
Muitos questionam como um homem pode salvar a todos os pecadores.
Outros chegam a dizer que se o pecado realmente existisse, nem mesmo
muitos budas ou Cristo poderia extingui-lo. Ainda outros afirmam
que é necessário que o homem reencarne inúmeras
vezes para que seja purificado. Tais conceitos refletem a ignorância
do homem para com sua própria realidade. O homem sem Deus
está caído moralmente. Dessa forma, procura apenas
vantagens pessoais, desprezando seu semelhante. O pecado passa por
cima de duas leis. Ou seja, o pecador não tem consideração
por Deus e pelo próximo. Ao ser concebido em pecado, o homem
herda a natureza caída (Sl 51.5). O amor de Deus é
o principal motivo que fez que o Verbo se tornasse carne. A esse
motivo, seguem-se outros também importantes, dentre eles
a revelação de Deus (Jo 1.18) e seus mistérios
(1 Co 4.1).
Ao ressurgir, Jesus era um espírito vivificante ou
seu corpo físico de fato ressuscitou?
Jesus teve o seu corpo físico ressuscitado. Primeiramente,
devemos considerar o conceito bíblico sobre ressurreição.
A ressurreição é a restauração
integral do homem. Em todas as ocorrências de ressurreição
nas Escrituras está explícita a restauração
integral do corpo. Não encontramos ressurreição
de um espírito. Paulo tece as relações entre
o corpo atual e o corpo ressuscitado em glória, contudo sempre
está em foco o corpo. O primeiro corpo de Cristo, isto é,
na encarnação, foi terrestre, mortal e natural (Fp
2.7).
Segue-se que o corpo de Cristo não viu corrupção
(Sl 16.10; At 2.27,31; 13.37). Sua ressurreição foi
corporal (Lc 24.39). As Testemunhas de Jeová afirmam que
o corpo de Jesus foi desintegrado em gases: Jeová Deus deu
fim ao corpo carnal de Jesus do seu próprio modo (possivelmente
desintegrando-o nos átomos dos quais fora constituído).
1 Concluem em outro tópico do mesmo livro: Este corpo, porém,
não foi preservado para ser usado pelo ressuscitado Jesus.2
.
Tais afirmações são contrárias aos ensinos
bíblicos. O Senhor Jesus foi claro: Vede as minhas mãos
e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois
um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que
eu tenho. E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés
(Lc 24.39-40). Em Cristo Jesus coexistem a natureza humana e a natureza
divina. A expressão espírito vivificante não
indica a natureza do corpo, mas o poder da ressurreição.
O corpo ressuscitado é chamado espiritual e espírito
vivificante, porque pertence ao céu. Além disso, Jesus
é vivificante no sentido de trazer vida àqueles que
nele exercem fé.
1 Estudo Perspicaz das Escrituras - p. 450 - vol I. - Sociedade
Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. 2 Estudo Perspicaz
das Escrituras - p. 392 - vol II - Sociedade Torre de Vigia de Bíblias
e Tratados.
Se não era tempo de figos, por que Jesus amaldiçoou
uma figueira que não tinha frutos?
Não houve intolerância ou crueldade da parte de Jesus.
É necessário conhecer as -circunstâncias que
o levaram a tomar essa atitude. O exemplo destacado nas Escrituras
foi a fé. Em Mateus 11.20-26, o Senhor usou o ocorrido como
exemplo do poder da fé. Mas temos outra lição
importante a aprender nessa passagem. A figueira daquela região
abre seus primeiros botões nos ramos que cresceram na estação
-anterior, e isso ocorre quando a árvore ainda tem pouquíssimas
folhas. Quando a árvore se enche de folhas, ela já
está pronta para produzir frutos maduros. Uma vez que a figueira
vista por Jesus tinha folhas extraordinariamente cedo (em inícios
de abril), Ele esperava encontrar frutos temporãos, prontos
para serem colhidos e comidos. Portanto, a falta de frutos na figueira
indicava que sua aparência era enganosa. Isso ilustra como
o Senhor praticava o que pregava. Notamos, no decorrer dos evangelhos,
como o -Senhor Jesus denunciava a hipocrisia. Visto que a figueira
estava mentindo em sua aparência, torna-se claro o motivo
da declaração de maldição de Jesus contra
ela, que se cumpriu imediatamente.
O grão de mostarda é, realmente, a menor
de todas as sementes?
Entre as sementes utilizadas na palestina, havia a mostarda-negra,
conhecida como Brassica nigra ou Sinapis nigra, sendo essa, provavelmente,
a semente apresentada por Jesus. A mostarda-negra tem o diâmetro
de 1 a 1,6 milímetros. Contudo, a ciência indica outras
sementes menores que a semente de mostarda. O professor R. D. Gibbs,
no seu compêndio Botânica (publicado em inglês),
escreveu: Um simples ovário da orquídea Cynoches contém
3.770.000 sementes e. . . mais de 300.000 pesam apenas 1 grama!.
No entanto, Jesus não estava falando a um público
que cultivava -orquídeas. Todavia, os judeus da Galiléia,
para quem Jesus falava, sabiam que, dentre os diversos tipos de
sementes colhidas e plantadas pelos lavradores locais, a de mostarda
era a menor. De fato, no talmude judaico a semente de mostarda é
usada como figura de retórica para a menor medida.
Podemos explicar esse fato com a expressão comum: o sol está
se pondo. Na verdade, sabemos que não é o sol, mas,
sim, a terra que gira, formando a noite e o dia. Mas dificilmente
encontraríamos alguém dizendo que a terra está
girando e ocasionando a sombra que chamamos de noite. Assim, quando
usamos a expressão o sol se pôs, não significa
que a pessoa esteja afirmando que a terra, e não o sol, é
que se move. Da mesma forma, a expressão a menor de todas
as sementes não quer ser exaustiva, mas considerar que de
todas as sementes conhecidas e utilizadas pelos ouvintes, a menor
é a de mostarda.
Não seria a lei de talião excessivamente
dura?
A Lei de Deus dada a Moisés não cometia excessos.
Em princípio, se não analisarmos de perto as questões
envolvidas, parece que o mandamento é cruel. Lemos em Êxodo
21.23-25: Mas se houver morte, então darás vida por
vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão,
pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida,
golpe por golpe. Essa lei é conhecida também como
pena de talião, ou retaliação, expressão
procedente do latim lex talionis. Quando alguém feria seu
próximo de forma grave, a retaliação deveria
ser equivalente: olho por olho, dente por dente. Contudo, perguntamos:
Era a lei mecânica, automática? A lei incentivava a
violência, a vingança crua? Não!
Em Deuteronômio 19.16-21 encontramos informações
que exigem eqüidade nos casos: Quando se levantar testemunha
falsa contra alguém, para testificar contra ele acerca de
transgressão, então aqueles dois homens, que tiverem
a demanda, se apresentarão perante o Senhor, diante dos sacerdotes
e dos juízes que houver naqueles dias. E os juízes
inquirirão bem; e eis que, sendo a testemunha falsa, que
testificou falsamente contra seu irmão, far-lhe-eis como
cuidou fazer a seu irmão; e assim tirarás o mal do
meio de ti. Nesta passagem, veremos que os sacerdotes e os juízes
deveriam inquirir as testemunhas sobre os muitos detalhes da acusação
para que chegassem a um veredicto.
A lei fazia distinção entre delito culposo e doloso.
Ou seja, se o delito cometido acarretasse em morte e o culpado não
tivesse a intenção de matar e/ou simplesmente não
pôde evitar o acontecimento, a pessoa era poupada (Êx
35.11-25). Até mesmo o homicida intencional tinha o direito
de ser ouvido, com testemunhas (Nm 35.30).
Por outro lado, devemos perguntar: que critério alguém
deveria usar para vingar os maus-tratos de um adversário?
Se um olho fosse arrancado, contentaria o vingador em arrancar apenas
um olho da outra pessoa ou excederia, talvez, causando a morte do
adversário? Quantas vezes lemos nos jornais que, por motivos
banais, alguém se vinga matando seu ofensor? O que aprendemos
então sobre a Lei? Que a Lei de Deus limitava a vingança
ao dano causado. A Lei não permitia que um dano fosse retaliado
por outro maior. Realmente, a Lei corrigia e limitava o ódio
no coração humano, servia como um moderador dos excessos.
A Lei não exigia que o dano fosse retaliado na mesma proporção
(pois o perdão era o alvo), mas até o limite da proporção.
A Lei também demonstrava a gravidade de se praticar o mal
contra o próximo. Esta mesma Lei apontava para Cristo, o
único que pagou integralmente todos os pecados daqueles que
nele exercem fé. Seu sacrifício perfeito nos reconciliou
com Deus (Rm 5.8-12). A Lei trouxe à luz o pecado (Rm 5.20),
mas a justiça de Deus se manifestou através de Cristo
Jesus (Rm 3.21-22).
Quanto tempo durou o Dilúvio?
Quando dizemos que o dilúvio durou 40 dias estamos apontando
para o período de tempo que durou a chuva sobre a terra.
Esse conceito é visto em Gênesis 7.4,12,17. E houve
chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites (v.12).
Quando dizemos que o dilúvio durou 150 dias estamos nos referindo
ao tempo em que as águas predominaram sobre a terra (Gn 7.24).
Somente após o quinto mês depois do início da
chuva que a arca repousou sobre o monte Ararate (Gn 8.4). E somente
onze meses depois do início das chuvas as águas secaram
(Gn 7.11; 8.13). Noé e sua família saíram da
arca e pisaram em terra seca exatamente um ano e dez dias depois
do início do dilúvio. Portanto, esses números
referem-se a coisas diferentes. As Escrituras são fidedignas
em seus registros.
Olhar para a serpente de bronze não seria uma forma
de idolatria?
A serpente de bronze não era um ídolo ou um objeto
para culto. O objetivo para a sua confecção era ensinar
submissão ao povo de Israel. Precisamos compreender o pano
de fundo da ocasião. Embora os israelitas tivessem saído
do Egito, se mostravam rebeldes para com Moisés e o Senhor
Deus.
Diante dessa atitude, Deus envia serpentes venenosas para afligir
o povo de Israel. Essas serpentes eram ardentes. O Senhor, portanto,
ordena fazer uma serpente semelhante de cobre, que deveria ser pendurada
numa haste. Todo aquele que fosse picado pela serpente ardente e
olhasse para a serpente de cobre seria imediatamente curado (Nm
21.4-9). Os israelitas precisavam entender que a obediência
a Deus significava vida, e que o mesmo Senhor que sustentava a vida
poderia puni-los conforme a gravidade de seu erro. Em nenhum momento
encontramos que os israelitas deveriam cultuar ou exercer fé
naquele objeto para que pudessem alcançar a cura. Era evidente
a intenção de Deus: a praga e o remédio eram
semelhantes em sua origem, ambos foram ordenados por Deus por causa
da desobediência do povo. A serpente de bronze não
deveria ser usada como um amuleto, mas, sim, ter a sua origem reconhecida.
Além disso, nem todas as figuras são ídolos.
Encontramos inúmeras figuras no Tabernáculo e no Templo
que jamais foram usadas como amuletos ou ídolos.
Posteriormente, o povo israelita passou a idolatrar a serpente de
bronze, mas isso não ficou impune. Lemos em 2 Rs 18.4 ele
(Ezequias) tirou os altos, quebrou as estátuas, deitou abaixo
os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés
fizera; porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe
queimavam incenso, e lhe chamaram Neustã. A palavra Neustã
significa pedaço de bronze. Não encontramos nas Escrituras
Sagradas nenhum apoio a quaisquer meios supersticiosos ou idólatras.
Romanos 8.3 indica que Jesus era apenas semelhante aos
homens?
Jesus não veio apenas em semelhança de carne humana,
como se fosse em aparições fluídicas. Ele veio
com um corpo de carne realmente. Foi gerado no ventre de Maria,
concebido pelo Espírito Santo (Mt 1.18). Cresceu em sabedoria,
e em estatura, e em graça para com Deus e os homens (Lc 2.52).
Ele sentia fome (Mt 4.2), cansaço (Jo 4.6) e dormiu (Mt 8.24)
Teve um ministério que repercutiu no império romano
e na história humana. Sofreu nas mãos dos judeus e
romanos. Padeceu morte de cruz e ressuscitou. Toda doutrina cristã
está diretamente relacionada com a pessoa, vida e ressurreição
de Jesus. Hoje encontramos diversas seitas que refletem em suas
doutrinas as idéias gnósticas do primeiro século.
Tais afirmações dizem que o corpo de Jesus era apenas
aparente ou fluídico. O apóstolo João escreveu
contra tais heresias: Nisto conhecereis o Espírito de Deus:
Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne
é de Deus; e todo o espírito que não confessa
que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas
este é o espírito do anticristo, do qual já
ouvistes que há de vir, e eis que já está no
mundo (1 Jo 4.2-3). Romanos 8.3 nos diz: Porquanto o que era impossível
à lei, visto como estava enferma pela lei, Deus, enviando
o seu Filho em semelhança de carne do pecado, pelo pecado
condenou o pecado na carne. Jesus não tinha forma humana
até sua encarnação. (Jo 1.1-3,14 e Gl 4.4)
Ao serem exterminados, os ímpios serão aniquilados?
Ser exterminado não significa ser aniquilado, como insistem
em explicar aqueles que ensinam o aniquilamento como um estado final
para os ímpios. Em Daniel 9.26, lemos o relato profético
a respeito da morte do Messias. Se a palavra usada para indicar
a sua morte é a mesma no Salmo 37.9,34, então teríamos
de entender que o Messias fora aniquilado quando morreu. Sabemos,
portanto, que Cristo não foi aniquilado, pois Ele ressuscitou
no terceiro dia e vive para todo o sempre. O extermínio é
apenas temporal; isto é, aqueles que são exterminados
ainda terão de prestar contas diante do tribunal de Cristo.
Os aniquilacionistas afirmam que todos os ímpios serão
aniquilados; ou seja, eles deixarão de existir, e isso para
sempre. Não encontramos esse ensino do aniquilacionismo nas
Escrituras. Todos serão ressuscitados e prestarão
contas diante de Deus: E, como aos homens está ordenado morrerem
uma vez, vindo depois disso o juízo (Hb 9.27). E valeria
ainda citar Apocalipse 20.11-15.
Qual é o momento em que Jesus cura o cego de Jericó?
Temos algumas opções para que possamos esclarecer
o texto. Alguns eruditos cristãos comentaram acerca de quatro
possibilidades: 1) Alguns afirmam que a cura se deu quando saía
de Jericó. Provavelmente o primeiro encontro com o cego ocorreu
quando Jesus entrava na cidade e o homem o acompanhou, clamando
por toda a cidade. Finalmente, na saída de Jericó,
ele foi curado (Lc 18.35). 2) Outra explicação seria
o fato de existirem duas cidades com o mesmo nome Jericó:
a velha e a nova. Então, o Senhor teria saído de uma
delas e entrado na outra. 3) Ainda alguns afirmam que se trata de
dois eventos distintos. Enquanto Mateus e Marcos falam da ocasião
em que Jesus cura um cego ao sair da cidade (Mt 20.29 e Mc 10.46),
Lucas relata um outro milagre, ocorrido quando o Senhor entrava
na cidade, e isto em outra ocasião. 4) Temos, ainda, esta
última possibilidade. Provavelmente, esses dois eventos ocorreram
distinta e simultaneamente. Jesus curou um cego ao entrar na cidade
e, após caminhar por ela, ao sair, curou mais dois cegos.
Embora não conheçamos exatamente como a história
cronológica se desenvolveu, sabemos, portanto, que a Palavra
de Deus é verdadeira. E o Senhor poderia ter curado um, dois
ou mais enfermos que porventura cruzassem seu caminho, ou mesmo
se estivessem distante de sua presença (Mt 8.5-10).
Os profetas predisseram que Jesus seria chamado nazareno,
mas tal profecia não é encontrada no Antigo Testamento.
Teria Mateus cometido um erro?
De fato, não encontramos nenhuma citação direta,
no Antigo Testamento, à referência Ele será
chamado nazareno. Para alguns, a palavra Nazaré, da raiz
hebraica netzer (renovo), seria o cumprimento de uma expressão
profética, indicando que o Messias seria o renovo da casa
de Davi (veja-se Is 11.1; Jr 23.5, 33.15; Zc 3.8, 6.12). Provavelmente,
esta passagem estava na mente de Mateus, para quem Jesus é
o descendente real, o broto, o renovo da casa de Davi. Outros comentaristas
relacionam o termo nazareno, em sua referência a Cristo, aos
indivíduos conhecidos por nazireus (Nm 6.2,13,18-20). Os
nazireus eram pessoas consagradas ao Senhor (Nm 6.2) e é
por esse motivo que alguns afirmam que Jesus conseguira cumprir
todos os requisitos da Lei do Antigo Testamento. Todavia, o vocábulo
nazireu, tanto no grego quanto no hebraico, quer dizer diferente.
E Jesus, ao que consta, nunca fez esse voto em particular. Ainda
outros comentaristas lembram que a cidade de Nazaré, onde
Jesus viveu, era um lugar desprezado, e relacionam este fato com
as profecias bíblicas de que o Messias seria desprezado e
o mais rejeitado dentre os homens (Is 53.3; Sl 22.6; Dn 9.26; Zc
12.10).
Vale lembrar que Mateus declara simplesmente: para que se cumprisse
o que fora dito pelos profetas (no plural). Esses profetas viveram
no Antigo Testamento e predisseram que o Messias seria chamado Nazareno.
Neste caso, não encontraremos um versículo falando
especificamente a respeito. Trata-se de uma verdade geral difundida
pelos diversos profetas sobre as características do Nazareno
Jesus.
A ascensão de Jesus ocorreu em Betânia ou
no Monte das Oliveiras, próximo de Jerusalém?
Betânia ficava numa encosta do lado Leste do Monte das Oliveiras
que, por sua vez, está a Leste de Jerusalém.O problema
aparente está nos registros de Lc 24.50 e At 1.1, mas as
duas passagens foram escritas por Lucas. Evidentemente, Lucas não
viu nenhum problema em denominar aquele lugar como Monte das Oliveiras
ou Betânia. Não havia, portanto, nenhuma contradição
quando se referiu a esses dois nomes como o local das ascensão
de Jesus.
Quando Pedro negou a Cristo quantas vezes o galo cantou?
Mateus e João disseram que antes que o galo cantasse, Pedro
negaria o Senhor três vezes. Marcos, porém, afirma
que Pedro negaria Jesus por três vezes antes de o galo cantar
duas vezes. São contraditórios os evangelhos? Não!
Mateus e João não especificaram quantas vezes o galo
cantaria, eles apenas mencionaram o fato. Marcos, portanto, foi
mais específico, citando com exatidão o número
de vezes.
Em João 10.30, Jesus disse: Eu e o Pai somos um.
Já em João 14.28, ele afirma: ...meu Pai é
maior do que eu. Como podem ser um, sendo que um é maior
do que o outro?
Ao analisarmos as citações acima, veremos que não
há nenhum tipo de contradição no que dizem.
Vejamos. No texto de João 10.30, quando Jesus faz a afirmação
de que Ele e o Pai são um, e no texto de João 14.28,
quando Ele diz que O Pai é maior do que eu, não podemos
deixar de observar que o Filho de Deus tem duas naturezas: é
verdadeiro Deus (1Jo 5.20) e verdadeiro homem (1Tm 2.5). Jesus e
o Pai são um na essência, no caráter e na natureza
divina. É justamente isso que o mesmo evangelista fala em
outras referências do mesmo evangelho (Jo 1.1; 8.58; 10.30).
Quanto à questão de Jesus ser menor que o Pai, devemos
lembrar que, como homem, Ele possuía certas limitações
em relação ao tempo e ao espaço (Fp 2.8), sendo,
inclusive, menor que os anjos (Hb 2.9). Portanto, como homem, Ele
é menor que o Pai (Jo 14.28), mas, como Deus, Ele é
igual ao Pai (Jo 10.30; 1 Jo 5.20); ou seja, como pessoa, Jesus
tem duas naturezas: e o verbo (Deus) se fez carne (homem) e habitou
entre nós... (Jo 1.14). (Ver comentário da Bíblia
Apologética sobre Jo 14.28 – pp. 1211-1212).
Em Isaías 9.6, Jesus é chamado de Príncipe
da Paz. Por que, então, em Mateus 10.34, ele diz que não
veio trazer paz à terra?
De início, poderíamos achar que existe contradição
entre essas duas passagens, contudo precisamos fazer algumas distinções
entre o propósito da vinda de Cristo à terra e as
decorrências de sua vinda. O propósito de sua vinda
foi trazer paz para os incrédulos que passassem a crer nele
(Rm 5.1) e, finalmente, a paz de Deus aos crentes (Fp 4.7). Entretanto,
a conseqüência imediata da vinda de Cristo foi separar
os que eram a seu favor daqueles que eram contra ele. Ou seja, separar
os filhos de Deus dos filhos deste mundo. Mas, assim como o objetivo
de uma amputação é exterminar com a dor causando
ainda, como efeito imediato à cirurgia, mais dor ao paciente,
a missão final de Cristo também provoca intensas aflições
no mundo e na vida das pessoas que se entregam a ele. Por que isso?
Porque, embora Cristo tenha vindo com o propósito de trazer
paz ao coração do homem e ao mundo (terra), sua mensagem
causa fortes turbulências quando separa aqueles que agora
estão no reino de Deus daqueles que pertencem ao reino de
Satanás. Essa incisão é dolorida, mas inevitável.
Pois Deus quer o melhor para os seus filhos. Ele ama o pecador,
mas aborrece o pecado.
Quando e como Satanás se rebelou, uma vez que o
céu é um lugar maravilhoso?
O início da revolta de Satanás se deu no lugar em
que ele se encontrava: no céu e na presença dos anjos,
seres dotados de grande poder, inteligência e livre arbítrio.
Jesus disse: Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer
os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio,
e não se firmou na verdade, porque não há verdade
nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio,
porque é mentiroso, e pai da mentira (Jo 8.44; 1 Jo 3.8-10).
Isto mostra que o diabo estava na verdade, mas a abandonou. Em Ez
28.12-19, há um paralelo entre ele e o rei de Tiro.
A rebelião de Satanás, ao que tudo indica, pode ter
ocorrido muito tempo antes da criação do homem. Contudo,
algumas pessoas afirmam que a rebelião satânica aconteceu
ou foi demonstrada no Paraíso. Tiago é categórico
ao nos informar, em sua epístola, como se desenvolve um coração
perverso: Mas cada um é tentado, quando atraído e
engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo
a concupiscência concebido, dá à luz o pecado;
e o pecado, sendo consumado, gera a morte (1.14.15).
A contagem de meses e anos em Gênesis é semelhante
ao nosso calendário? Viveu Adão realmente 930 anos?
A contagem dos tempos e sua divisão em épocas é
essencialmente a mesma nos calendários bíblico, secular
primitivo e atual. Uma análise mais minuciosa do texto bíblico
demonstra como essa era realizada.
Contudo, alguns intérpretes liberais procuram afirmar que
a longevidade dos homens, registrada no livro de Gênesis,
deve-se à maneira de computar os dias. Segundo afirmam, as
semanas e os anos eram contados como meses.
Dos calendários existentes, os mais destacados são
de origem caldeu, babilônico, assírio, romano, egípcio,
grego, judaico (bíblico), islâmico, juliano e gregoriano.
Destes, o islâmico e o gregoriano são os mais recentes.
O conceito básico do calendário, independente de sua
origem, é a composição das quatro estações
do ano. O ano solar ou lunar é dividido em meses de trinta
dias e semanas de sete dias, geralmente tendo a posição
da lua como identificador. Os dias são divididos em vigílias
ou horas, verificando a posição do sol. As estrelas
também desempenham papel importante na fixação
de datas.
Encontramos os mesmos parâmetros no texto bíblico?
Sim. Vejamos o que a própria Bíblia diz em Gênesis
1.14-18: E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus,
para haver separação entre o dia e a noite; e sejam
eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos.
E sejam para luminares na expansão dos céus, para
iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares:
o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar
a noite; e fez as estrelas. E depois os pôs na expansão
dos céus para iluminar a terra, e para governar o dia e a
noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas;
e viu Deus que era bom (Gn 1.14-18).
Os elementos básicos necessários para a elaboração
completa de um calendário estão presentes no texto
em pauta: sol, lua, estrelas; dias, tempos determinados (isto é,
estações), anos (compostos de meses). Alguns afirmam
que a citação de Gn 5.5 e foram os dias que Adão
viveu novecentos e trinta anos, refere-se aos meses, e não
aos anos, pois naquele tempo contava-se um mês como sendo
um ano. Segundo essa afirmação, Sete, filho de Adão,
teria morrido com cerca de 76 anos; ou seja, 912 anos que, divididos
por 12 meses, somariam 76 anos. Mas as implicações
são inevitáveis, pois o versículo 6 do mesmo
capítulo nos informa que Sete teve um filho chamado Enos
aos 105 anos, isso indicaria cerca de 8 anos de vida nos cálculos
dos críticos – impossível.
As evidências demonstram que a contagem das idades apresentadas
nas Escrituras são fidedignas, e estão de acordo com
o sistema geral de calendários. Além disso, a longevidade
com obediência ao Senhor seria uma grande bênção.
Judas morreu enforcando-se ou por ter caído nas
rochas?
Mateus relata que Judas se enforcou, enquanto que Lucas menciona,
no livro de Atos, que ele lançou-se num abismo. Analisando
detidamente a narrativa, verificamos que esses registros são
complementares. Judas, de fato, enforcou-se, conforme Mateus afirma,
e Lucas acrescenta que Judas caiu, pois obviamente ele havia escolhido
algum lugar relativamente alto. Isso seria óbvio se alguém
escolhesse uma árvore sobre um penhasco de rochas pontudas.
A escolha de um galho impróprio poderia suscitar um rompimento.
E ao enforcar-se numa árvore à beira de um penhasco,
logicamente fora precipitado ao abismo.
Por que os discípulos foram à Galiléia
se Jesus lhes tinha ordenado que permanecessem
em Jerusalém?
Tudo indica que a ordem para que permanecessem em Jerusalém
foi dada depois de os discípulos terem ido à Galiléia.
Jerusalém era o lugar em que eles deveriam estar para que
pudessem receber o Espírito Santo (Lc 24.49). De lá,
começariam a obra de evangelização.
Jesus foi crucificado na terceira hora ou na hora sexta?
Marcos, em seu evangelho, menciona que Jesus fora crucificado na
hora terceira (9 horas?) (Mc 15.25). Contudo, João nos informa
que isso aconteceu na hora sexta (12 horas?). Aqui não há
nenhuma contradição, pois devemos ter em mente a possibilidade
de haver dois tipos de medição do tempo. E certamente
os dois escritores fizeram uso diferenciado dos mesmos.
O tempo romano era calculado de meia-noite à meia-noite,
do mesmo modo como contamos atualmente. O período judaico,
portanto, começava às 6 horas da tarde e estendia-se
às 6 horas da manhã, quando reiniciava outro período.
Assim, quando Marcos afirma que Cristo fora crucificado na terceira
hora, esse horário corresponde às 9 horas da manhã
do nosso tempo (período judaico). E quando João relata
que o julgamento de Cristo foi por volta da hora sexta (período
romano), esse horário equivale às 6 da manhã.
Não há nenhuma contradição entre os
evangelistas. A diversidade de métodos e de estilo apenas
acentua a liberdade que os escritores sagrados tinham em relatar
a verdade que viram.
O que significa a expressão: Deus veio de Temã?
Temã é um outro nome para Edom. Deus vinha de vários
lugares para socorrer o seu povo. Em outros casos, a palavra vinda
poderia significar juízo. Não temos aqui uma idéia
que sirva para restringir Deus a uma área de ação
ou limitar sua atuação. Antes, a citação
está indicando que o Senhor proverá, e tal providência
poderia originar-se diretamente do céu, por meio de uma interferência
miraculosa na natureza. Ou, então, Ele poderia usar alguma
nação como instrumento para abençoar Israel.
O rei de Salém existiu ou não existiu?
Sim, Melquisedeque era uma pessoa real. Viveu em Jerusalém.
Naquela época a cidade tinha um outro nome, Salém,
que significa paz. Melquisedeque é apresentado como um rei
que tinha funções e direitos sacerdotais (Gn 14.18).
O próprio Abraão lhe prestou homenagem. Isso indica
a sua historicidade.
O que nos chama mais a atenção é alguns comentários
feitos a respeito de sua história. Lemos em Hb 7.3: Sem pai,
sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio
de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de
Deus, permanece sacerdote para sempre. Trata-se evidentemente de
uma ilustração a respeito do Filho de Deus. Não
significa que Melquisedeque não tivesse pai ou mãe
ou não tenha nascido ou morrido, mas sim que a ausência
dessas informações visam tipificar a grandiosidade
de Jesus Cristo. Pois o Filho de Deus não teve princípio,
nem terá fim, não recebeu o sacerdócio por
herança humana, pois não descendeu de Levi, mas de
Judá. Contudo, por decreto de Deus, é Rei e Sacerdote.
Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas
para aviso nosso, para quem já são chegados os fins
dos séculos (1 Co 10.11).
Na transfiguração, Elias e Moisés
falaram realmente com Jesus?
Sim! Elias e Moisés realmente apareceram e falaram com Jesus.
E (Jesus) transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu
como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. E eis
que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele (Mt 17.2-3).
Foi uma experiência de origem divina, uma revelação
dada aos apóstolos sobre a glória do reino futuro
que terá Jesus como seu Rei. Provavelmente, Moisés
representava a autoridade da Lei, e Elias, os profetas.
A transfiguração não tem semelhança
alguma com as sessões espíritas. Uma sessão
espírita é caracterizada pelos seguintes fatores:
1. três pessoas estão envolvidas: o consultante, o
médium e o suposto espírito do morto; 2. o médium
é intermediário entre os vivos e os mortos; 3. alguma
mensagem é transmitida aos vivos.
A transfiguração teve um processo completamente diferente:
1. não houve consulta, da parte dos apóstolos, aos
mortos; 2. Jesus foi transfigurado e estava em glória, isso
implica sua manifestação divina. Como Deus, ele pode
falar com seus servos, uma vez que para ele não estão
mortos, mas vivem (Lc 20.38); 3. Jesus não foi nenhum médium
entre os vivos e os mortos, pois não houve nenhuma mensagem
entregue aos apóstolos por parte de Moisés ou Elias;
4. Moisés e Elias conversaram com Jesus, mas não é
informação sobre o que foi dito; contudo, assim como
Moisés está para a Lei, Elias está para os
profetas.
Por que Mateus registra uma profecia de Zacarias como sendo
de Jeremias?
Em Mt 27.9 lemos: Então se realizou o que vaticinara o profeta
Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que
foi avaliado, que certos filhos de Israel avaliaram. Não
encontramos essa citação em Jeremias, mas no livro
de Zacarias (11.12-13). Alguns têm criticado a exatidão
das Escrituras, citando esse lapso por parte de Mateus. Mas a referência
feita por Mateus a Jeremias se deve ao fato de que esse profeta
aparecia em primeiro lugar entre os livros proféticos. Ele
fez a citação sob o nome daquele que figurava em primeiro
lugar entre esses livros, ao invés de identificar exatamente
o autor dessas palavras.
O profeta Elias foi transladado ao céu ou lançado
em outro país?
Elias foi transladado ao céu, como nos diz o texto bíblico
em 2 Rs 2.11.
As Testemunhas de Jeová dizem que Elias não foi para
o céu, mas foi lançado em alguma cidade ou outro país.
Citam 2 Cr 21.12 afirmando que Jeorão recebeu uma carta de
Elias cerca de cinco anos depois (Despertai 22.9.76; p. 28-29).
Essa afirmação não tem fundamento pois verificamos
em 2 Rs 1.17 que Jeorão, o destinatário da carta de
Elias, já estava em seu segundo ano de reinado. Isso seria
suficiente para demonstrar o caráter de governo de Jeorão.
Outro fator a ser considerado é que sua enfermidade durou
mais de dois anos. Se a carta tivesse sido escrita cinco anos depois
do arrebatamento de Elias, isso indicaria o sétimo ou oitavo
ano do seu reinado. A carta, então, estaria chegando no meio
do cumprimento da profecia (2 Cr 2.19).
Por outro lado, Elias poderia ter redigido a carta, deixando-a com
Eliseu, que a enviaria ao seu destinatário assim que tivesse
tempo. Isso seria natural e não precisaria estar registrado
nas Escrituras. Do mesmo modo que não temos os nomes de muitos
carteiros que entregam as cartas do apóstolo Paulo.
Em que sentido o Espírito Santo de Deus habita em
nós, visto ser ele uma Pessoa?
O Espírito Santo é um Ser, dotado de personalidade
própria. Não é meramente uma força ativa,
ou influência espiritual, ou ainda simples emanação
de Deus. No Antigo Testamento ele é visto como uma Pessoa
Divina, possuidor de atributos divinos (Gn 1). Ele tem participação
na criação (Gn 1.2; Jó 26.13; Sl 104.30). Existem
diversos símbolos do Espírito Santo nas Escrituras:
azeite (Jo 3.34; Hb 1.9); água (Jo 7.38-39); vento (At 2.2;
Jo 3.8); alguns confundem os símbolos do Espírito
Santo com a sua natureza. Se os confundem com a Pessoa do Espírito
Santo, porque não fazem o mesmo com os símbolos referentes
a Jesus Cristo? Jesus é chamado de Cordeiro que foi morto
(Ap 5.6); pedra (1 Pe 2.6); pão da vida (Jo 6.48). Se não
atribuímos significação literal aos símbolos
referentes a Jesus, porque querem alguns fazê-lo em relação
ao Espírito Santo?
Em relação à Igreja, o Espírito Santo
é visto como o único que pode regenerar uma alma,
mediante seu toque operante e transformador (Jo 3.3-5). A presença
do Espírito Santo, entre os crentes, deve ser contínua
e perpétua (Jo 14.6). Essa presença produz frutos
no crente. Vemos a ação de Deus desde a fundação
do mundo. ...Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho
(Jo 3.16). O Filho deu sua própria vida (Jo 15.13). E o Espírito
Santo intercede por nós com gemidos inexprimíveis
(Rm 8.26). Alguns querem que anjos sejam seus mentores no caminho
espiritual. As Escrituras, porém, ensinam que somente Deus
pode conduzir o homem à vida eterna. Sua habitação
portanto é pessoal, real, transformadora.
Como podemos entender a expressão O Anjo do Senhor
no AT?
Nem sempre quando encontramos a expressão o anjo do Senhor,
está claro que se refere à Pessoa do Senhor Jesus,
pois há ocasiões que um mero anjo é identificado
com Deus. Nesses contextos, o propósito é mostrar
que o anjo está agindo e falando como representante de Deus.
Mas, algumas vezes, o anjo indica a presença imediata de
Deus (Êx 23.20-23; 32.34; 33.14,15; Is 63.9). Nesses textos
Deus está prometendo andar e orientar o povo de Israel. O
anjo mencionado em Êx 32.24 é chamado em Êx 33.14-15
de a minha presença, essa expressão poderia ser traduzida
literalmente por a minha face. Em Is 63.9, o anjo da sua presença,
no hebraico, significa não somente o anjo que se conserva
na presença de Deus, mas também naquele em quem Deus
é visto.
Theophania, é uma palavra composta pelos vocábulos
gregos Theós (Deus), e phainein, (aparecer), significando
uma manifestação visível de Deus. Tais teofanias
são atribuídas a Segunda Pessoa da Trindade, Jesus
Cristo. Elas não têm o objetivo de demonstrar a forma
do Senhor, mas visa apenas dar uma mensagem, ao passo que a forma
visível atrai meramente e fixa a atenção. O
livro de Apocalipse dá uma notável visão de
Jesus Cristo ressurrecto e glorificado (1.12-20).
Onde Jesus esteve entre os doze e trinta anos?
Embora as Escrituras não mencionem detalhadamente as atividades
de Jesus entre seus doze e trinta anos, é razoável
que Ele tenha permanecido em Nazaré. José segue para
Belém, a fim de se registrar como ordenara o Imperador Romano
César Augusto. Jesus nasce em Belém e, pouco depois,
José, é divinamente orientado a fugir para o Egito.
Algum tempo depois, voltou para Israel e novamente, por divina revelação,
é orientado a morar na região da Galiléia,
mais especificamente em Nazaré.
Para que fosse chamado de Nazareno, obviamente é porque viveu
muito tempo naquela cidade. O próprio nome nazareno significa
natural de Nazaré (Mt 2.23). As Escrituras não relatam
nenhuma outra ocasião em que Jesus tivesse que fugir de Israel
devido à ira dos governantes. Outra característica
da vida de Jesus foi sua profissão. Ele era carpinteiro.
Herdou de José essa arte (Mt 13.55). Se houvesse algum outro
evento relevante na vida de Jesus, certamente estaria registrado
nas Escrituras. Ouvimos muitos comentários exóticos
sobre os anos obscuros da vida de Jesus. Alguns dizem que ele esteve
na Índia e aprendeu artes mágicas e esotéricas;
outros afirmam que esteve em contato com os essênios. Tais
comentários pretendem apenas dissimular a real fonte do poder
e autoridade moral e espiritual de Cristo. Não foi a sabedoria
desse mundo que trouxe a Luz verdadeira, Mas Jesus Cristo, o filho
de Deus (Lc 2.40).
(www.cacp.org.br / Fonte: Defesa da Fé.)
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