Céu e Inferno - Lugares
ou Estados?
..........................................................................................................................................................
A FOLHA UNIVERSAL publicou, na sua edição de 29 de
agosto de 1999, um artigo com o título “PAPA DIZ QUE
CÉU E INFERNO SÃO ESTADOS DE ESPÍRITO.”
Continua a notícia, “De acordo com o papa, o céu
não é um lugar, mas ‘um estado de espírito’,
que pode ser alcançado por qualquer homem, desde que, após
a sua morte, este passe um tempo determinado no que a doutrina católica
chama de ‘purgatório’, ou limbo.
“‘ O purgatório não é um lugar,
mas uma condição de vida ”’, afirmou o
papa em seu último pronunciamento.
“O inferno, segundo o papa, também é um ‘estado
de espírito’, ligado à condenação
eterna, e não uma fornalha ardente.”
INFALIBIDADE PAPAL
Não poderemos analisar o pronunciamento sobre o céu
e o inferno feito pelo Papa João Paulo II sem que primeiro
tenhamos conhecimento do que constitui ensino sobre o dogma da Infalibilidade
Papal.
Significa isso que tudo o que o papa ensina e deve ser crido pelos
fiéis, e todos os seus mandamentos devem ser obedecidos.
Só se tornou artigo de fé esse dogma católico
em 1870, pelo Concílio Vaticano.
Embora essa suposta infalibilidade seja sobre assunto tão
importante, é preciso que tenhamos presente a declaração
de Paulo em Gl 1.8, 9, no sentido de que nenhuma autoridade se sobreponha
a autoridade da Bíblia.
“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu
vos anuncie outro evangelho alem do que já vos tenho anunciado
seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora
de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar
outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.”
Com isso, Paulo quis tornar claro que nenhuma autoridade angelical,
considerada superior aos homens (Hb 2.7), como também nenhum
ser humano pode arrogar para si autoridade soberana sobre a Bíblia.
Entretanto, a Igreja Católica não pensa assim e outorgou
ao papa o poder divino da inerrância. Inocêncio III
professa a doutrina de que o papa ocupa na terra não o lugar
de um homem, mas o de um Deus. (Inocent III, Decret, de Concess,
tit. 8) (citado em Roma, Sempre a Mesma, p. 126, de Hippolyto de
Oliveira Ramos).
A Igreja Católica cita três passagens das Escrituras
para apoiar a tese que sustenta a respeito do primado de Pedro e
da sucessão apostólica culminando com o atual papa
João Paulo II: Mt 16.18, 19; Lc 22.31,32 e Jo 21.15.17. Em
nenhuma dessas passagens bíblicas citadas encontramos apoio
para a primazia de Pedro. Jesus afirmou sua posição
de supremacia e governo sobre os apóstolos “Um só
é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e vós todos sois
irmãos.” (Mt 23.8,10) Pela sua morte na cruz e pela
sua ressurreição dentre os mortos ele ocupa posição
de primazia e não Pedro. O próprio Pedro declarou
ser Cristo a pedra e não ele:
“Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os
edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em
nenhum outro há salvação, porque também
debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os
homens, pelo qual devamos ser salvos. (At 4.11,12).
Outras citações confirmam essa interpretação:
“Pôs todas as coisas debaixo de seus pés e o
constituiu chefe de toda a Igreja.” (Ef 1.22)
“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos
profetas, sendo o mesmo Jesus Cristo a principal pedra angular.
”(Ef 2.20)
A Bíblia aponta apenas dois lugares depois da vida presente:
o céu e o inferno, como lugares definitivos e irreversíveis.
Entretanto, os católicos admitem mais dois lugares: o purgatório
e o limbo. O purgatório é um lugar de purificação
e de cumprir pena. Para isso são rezadas missas e são
feitas orações pelos mortos. O limbo é um lugar
de castigo mais ameno para as crianças que morrem sem batismo.
O CÉU
Do hebraico shamaym; do grego ouranus; do latim coelum. Segundo
a Bíblia, é a habitação de Deus, dos
anjos e morada dos justos. Deus é onipresente, pode estar
em qualquer lugar ( Jr 23.23,24; Hb 12,22-23), entretanto os demais
são limitados, finitos, restritos e portanto se acham num
lugar. Assim, o céu é um lugar principalmente, mas
também pode ser um estado de espírito, quando, em
vida, entregamos nossas vidas a Jesus Cristo. Ele nos enche de sua
paz, a paz que excede todo o entendimento e sentimo-nos felizes,
sentimo-nos no céu .”Eu vim para que tenham vida, e
a tenham com abundância.”(Jo 10.10b)
PESSOAS QUE ESTÃO NO CÉU
Jesus falou do céu como um lugar, afirmando:
“Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não
fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar . E, se
eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para
mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.”
(Jo 14.2,3)
Assim, podemos verificar, pela Bíblia, pessoas que já
estão no céu como um lugar:
Deus, o Pai: “Pai nosso, que estás nos céus...
Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como
no céu.”(Mt 6.9,10) Da mesma forma que a terra é
um lugar onde habitamos nós seres humanos, o céu é
também lugar.
Jesus: “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando
os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que
estava à direita de Deus.”(At 7.55)
Anjos: “Vede, não desprezeis algum destes pequeninos,
porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêem
a face de meu Pai que está nos céus.”(Mt 18.10)
Os justos do Antigo Testamento: “Mas eu vos digo que muitos
virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à
mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus.”(Mt
8.11)
Os cristãos já mortos: “Mas chegastes ao monte
de Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém
celestial, e aos muitos milhares de anjos; À universal assembléia
e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos
céus, e a Deus, o juiz de Todos, e aos espíritos dos
justos aperfeiçoados.” (Hb 12.22,23)
“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo
se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não
feita por mãos, eterna, nos céus”.
“Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que,
enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor. (Porque andamos
por fé, e não por vista.) Mas temos confiança
e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor.”(
2 Co 5.1, 6-8)
O INFERNO
Do hebraico Sheol ou Seol; do grego Hades , Geena e Tártaro;
e do latim infernus. Os vocábulos hebraico e gregos indicam
os seguintes lugares:
Sheol (hb.) Hades (gr.) indicam o lugar das almas perdidas até
a segunda ressurreição.
A palavra Seol aparece 65 vezes no Velho Testamento: Gn 37.35;
42.38; 44.29,31; Nm 16.30,33; Dt 32.22; 1 Sm 2.6; 2 Sm 22.6; 1 Rs
2.6,9; Jó 7.9; 11.8; 14.13; 17.13,16; 21.23; 24.19; 26.6;
Sl 6.5; 9.17; 16.19; 18.5; 30.3;31.17; 49.14; 55.15; 86.13; 88.3;
89.48; 116.3; 139.8; 141.7, etc.
A palavra Hades aparece 10 vezes no Novo Testamento: Mt 11.23; 16.18;
Lc 10.15; 16.23; At 2.27, 31; Ap 1.18; 6.8; 20.13,14. Significa
o mundo invisível das almas dos mortos.
Geena: lugar dos corpos e almas dos perdidos depois do Juízo
Final, também chamado o lago de fogo e segunda morte (Ap
20.11-15) A palavra correspondente no V. T. é ‘vale
do filho de Hinon’. A forma grega do hebraico é geh
hin-nóm. Js 15.8; 18.16; 2 Cr 28.3; 33.6; Jr 7.31, 32; 32.35
Aparece a palavra Geena 12 vezes no Novo Testamento: Mt 5.22,29,30;
10.28; 18.9; 23.15, 33; Mc 9.43,45,47; Lc 12.5; Tg 3.6.
Tártaro: lugar dos anjos caídos. A palavra só
se encontra uma vez : 2 Pe 2.4.
“Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram,
mas havendo-os lançado no inferno, os entregou às
cadeias da escuridão, ficando reservados para o juizo.”
PARA QUEM FOI FEITO O INFERNO
Jesus afirmou que o inferno é um lugar destinado ao diabo
e seus anjos. Se qualquer pessoa for para lá, será
contra a vontade de Deus. O homem no inferno é um intruso
(Mt 25.41,46). (Doutrinas, por W. C. Taylor, JUERP, 1952, p. 226)
GRAUS DE PUNIÇÃO
Haverá graus de punição no inferno e varia
segundo a luz, oportunidade, resistência à Palavra
de Deus (Rm 2.5-12: Mt 11.23-25; Hb 10.26-31. O juízo de
Deus de bons e maus é segundo as suas obras. A salvação
ou a perdição é segundo a fé em Cristo
ou sua ausência. (idem p. 232,)
Enquanto o homem tem vida física, pode se encontrar num estado
de espírito em que esbraveja sentir-se num inferno, mas deixando
esta vida pela morte, poderá se encontrar para sempre num
lugar de tormento eterno e consciente que se denomina inferno.
“Se qualquer coisa menos que a punição eterna
for devida em vista do pecado, que necessidade havia de um sacrifício
infinito para livrar do castigo? Jesus derramaria seu precioso sangue
para livrar-nos das conseqüências de nossa culpa, se
tais conseqüências fossem apenas temporárias?
Conceda-se-nos a verdade de um sacrifício infinito, e disso
tiraremos a conclusão de que o castigo eterno é uma
verdade.” (Dicionário de Escatologia Bíblica,
de Claudionor Corrêa de Andrade, p. 40, CPAD)
CONCLUSÃO
Omitir a pregação do inferno é deslealdade
a Jesus e aos homens. Para quem zomba do inferno, procurando subterfúgios
para negar a realidade desse lugar, basta reconhecer a autoridade
de Jesus para falar do lugar, ao concluir: “E irão
estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.”
(Mt 25.46) Dois lugares distintos e irreversíveis: ‘tormento
eterno’ ou ‘vida eterna’. Da forma como há
vida declarada eterna (do grego zoen aionios), também há
‘tormento ou castigo eterno’ (kólasin aionios).
Não deixamos de reconhecer que “ O homem natural não
compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem
loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem
espiritualmente .Mas o que é espiritual discerne bem tudo,
e ele de ninguém é discernido.”(1 Co 2.14,15)
|