Existe um grande questionamento
que assombra a humanidade desde seus primórdios; porque existe
a pobreza? Porque essa distribuição desigual de renda,
de oportunidade? O que permite a pessoa enriquecer ou empobrecer?
Muitos filósofos e pensadores de renome tentaram explanar
de um modo sociológico esse fenômeno, outros culparam
regimes governamentais, outros a política econômica,
como o capitalismo. Existem inúmeras respostas, inúmeros
porquês e nenhuma solução.
Nas igrejas o assunto é ainda mais profundo; porque Deus
permite a pobreza? Porque existem cristãos fiéis pobres
e ricos, se eles são fiéis na mesma proporção?
Pior; porque existem tantas pessoas perversas com tanto dinheiro
enquanto cristãos fiéis passam por tantos problemas
financeiros? Porque o Senhor, o qual afirmamos justo, permite tamanha
discrepância?
E a Teologia da Prosperidade?
Os colonizadores dos EUA desenvolveram uma visão teológica
deturpada baseada no Calvinismo. Eles tinham a visão de que
as pessoas escolhidas por Deus para a salvação eram
marcadas por serem bem-afortunadas e prósperas, enquanto
as pessoas não escolhidas por Deus tinham como marca a pobreza
e a miséria.
As igrejas neo-pentecostais remontam essa antiga visão deturpada
e tratam a pobreza como um castigo divino ou uma ação
do demônio. Essas denominações anunciam em rádios
ou TVs que, caso a pessoa ingresse a tal igreja, ela será
abençoada e seus problemas financeiros terão fim,
se utilizando da já famosa Teologia da Prosperidade.
Essa falsa teologia tem por fim indicar que todo o servo fiel do
Senhor deve ser próspero financeiramente e, caso não
seja, indica que há algo de errado em sua vida. Essa é
uma visão anti-bíblica visto que, se observarmos Jesus
Cristo como homem, ele era apenas um carpinteiro de uma humilde
região; ele não era próspero financeiramente,
morava em uma casa, segundo pesquisas recentes registram, com no
máximo dois cômodos, não tinha a menor vergonha
disso e muito menos se sentia menos abençoado por, sendo
Deus, nascer pobre. Mas porque a pobreza?
Agora, reflitamos mais sobre a pobreza; ser pobre não significa
viver em miséria. Você pode não ter dinheiro
para comprar o que você deseja ou o que seu filho deseja ou
até passar por dificuldade com as contas do mês; isso
é reflexo da economia do seu país, das oportunidades
que você teve e até mesmo das suas decisões,
tomadas ao longo da sua vida. Devemos parar de sermos egoístas
e pensar que só por sermos cristãos a prosperidade
deveria ser mais fácil para nós.
Todos, cristãos ou não, são passíveis
da riqueza ou da pobreza; não é algo espiritual. Jesus
não nos engana quanto às dificuldades do mundo: "Estas
coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais
por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci
o mundo." (Jo 16.33) Mas o Senhor não diz que o justo
prosperará?
Devemos ter em mente que as bençãos do Senhor não
são simplesmente em bens materiais; podem ser em saúde,
na família, em sabedoria e outras virtudes que não
apenas o dinheiro. "Mas os mansos herdarão a terra e
se deleitarão na abundância de paz." (Sl 37.11)
Quando a Bíblia fala em "herdar a terra" não
significa posses; está relacionado a abençoar a sua
descendência, assim como foi feita a promessa a Abraão.
Abraão não possuiu a terra de Israel mas a sua descendência
tomou posse dela e a povoou por causa da retidão de Abraão.
Você sendo reto talvez não tenha posses, mas terá
uma família abençoada e abundante em paz, graças
a sua retidão. Então um justo pode passar fome? Não
devemos aceitar é a miséria; devemos trabalhar e lutar
incessantemente para que não falte o pão em nossas
casas! Isso é nosso dever.
Uma pessoa justa, com capacidade de trabalhar, não ficará
parada esperando Deus abençoar; irá trabalhar sem
preguiça para que pelo menos o pão não falte
na mesa de seus filhos. Esperar sentado Deus abençoar não
é uma atitude honesta de quem tem condições
de trabalhar.
É certo que vivemos tempos em que é muito difícil
arranjar emprego, mas não devemos desanimar de procurar,
nem sentar esperando por um. "Fui moço e já,
agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem
a sua descendência a mendigar o pão." (Sl 37.25)
E quanto aos injustos que enriquecem?
Como já dissemos, todos são passíveis de pobreza
e riqueza. Não devemos de maneira nenhuma achar que uma pessoa
mais rica é mais abençoada que você; ela é
rica também por um conjunto de situação econômica
do país, oportunidades (como heranças e possibilidade
de melhor estudo) e escolhas que ela fez ao longo da vida.
Não podemos invejar, pois se a pessoa for injusta, ela terá
a sua recompensa em seu determinado tempo. "Descansa no SENHOR
e espera nele, não te irrites por causa do homem que prospera
em seu caminho, por causa do que leva a cabo os seus maus desígnios."
(Sl 37.7)
Conclusão:
Assim como não devemos achar que a riqueza é sinal
de benção, também não podemos achar
que a pobreza é um sinal de santidade. Você pode muito
bem almejar uma situação financeira melhor e trabalhar
muito para tal.
O que você não deve é deixar que isso seja
o mais importante para você, nem medir as pessoas por sua
posição social. Outra coisa que devemos observar também
é que existem pessoas com mais facilidade em ganhar dinheiro
que outras. O autor de Eclesiastes nos diz que isso é um
dom de Deus.
Devemos nos importar em tentar viver bem com o nosso salário,
seja ele grande ou pequeno, mas que seja justo e honesto e recebido
com alegria. "Eis o que eu vi: boa e bela coisa é comer
e beber e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, com que se
afadigou debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus
lhe deu; porque esta é a sua porção. Quanto
ao homem a quem Deus conferiu riquezas e bens e lhe deu poder para
deles comer, e receber a sua porção, e gozar do seu
trabalho, isto é dom de Deus." (Ec 5.18,19)
Que procuremos trabalhar, suar a camisa pelo sustento de nossa
família e adorar a Deus através de nossa alegria em
receber nosso salário, fruto do nosso esforço.
Se existem diferenças sociais, elas se acabam quando existe
um coração que se alegra pelo fruto de suas mãos.
Paremos de querer colher mais do que plantamos. Paremos de indagar
pela história dos outros e sejamos responsáveis pela
nossa própria história.
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