Muitos “chavões”
ou “jargões” têm invadido as igrejas evangélicas
no Brasil. Frases como: “Eu te abençôo”,
“Eu profetizo”, “Toma posse da bênção”,
"Eu determino", "Eu declaro", entre outras,
viraram formas arrogantes de os crentes exercitarem sua fé
ou de se dirigirem a Deus, exigindo bênçãos
imediatas. Preocupados com essa nova linguagem e com essa nova postura,
faremos uma rápida análise do contexto evangélico
atual, para que possamos entender o porquê dessas invencionices,
praticadas durante as chamadas "ministrações",
realizadas nos cultos.
1. Os Jargões e as Doutrinas Modernas
Muitos jargões surgiram como resultado de doutrinas heréticas,
como a crença em “maldição hereditária”,
a “confissão positiva”, a “incubação
de bênçãos”, a “teologia da prosperidade”,
entre outros ensinamentos antibíblicos. Essas falsas doutrinas
são usadas pelo inimigo para enganar e tirar dos cristãos
a exclusividade da fé em Cristo, que é suficiente
para libertar, curar e proteger os servos de Deus de toda força
do mal. O desejo do inimigo é, também, sustentar,
na mente dos evangélicos, essas inovações doutrinárias,
contaminando-os com doutrinas de demônios.
1.1 Os jargões evangélicos e a confissão
positiva
A chamada "confissão positiva" coloca o peso das
realizações espirituais "nas palavras pronunciadas
e na atitude mental da pessoa", de quem está ministrando,
desconsiderando a genuína fé em Deus (At 3:16; Hb
12:1-2). Essa atitude louca é apoiada na falsa crença
que diz: “Há poder em suas palavras”, como se
as palavras humanas tivessem poder de criar, de intervir, de mudar
situações. A ênfase é posta no homem,
e, raramente, o ministrante cita o poder da Palavra ou o poder de
Deus (Rm 1:16-17). Há dezenas de livros ensinando os crentes
a agirem assim. A maioria dos fiéis não percebe que
está caminhando para o abismo espiritual, lugar daqueles
que se afastam das verdades bíblicas.
1.2 Os jargões evangélicos e a incubação
de bênçãos
A conhecida "Incubação de bênçãos"
é um desdobramento da crença na "confissão
positiva". Consiste no seguinte: O crente incauto é
ensinado a "gerar uma imagem mental", direcionada para
o alvo que se pretende alcançar; por exemplo: se o crente
deseja um carro, deve engravidá-lo mentalmente, para que
Deus possa conceder-lhe a graça. É ridículo,
mas, infelizmente, centenas de crentes deixam-se enganar. Essa atitude
tem levado muitas pessoas ao comodismo, à inércia
espiritual e a uma atitude preguiçosa, pois já não
se esforçam para conseguir, com trabalho duro e honesto,
aquilo de que precisam. Pelo contrário, ficam à espera
do momento em que a bênção irá “cair
do céu”. Da crença na "incubação
das bênçãos", surgiu a arrogante frase:
"Toma posse da bênção”. Isso simplesmente
não existe na palavra de Deus.
1.3 Os jargões evangélicos e a mania de querer
mandar em Deus
Chavões tais como: “Eu declaro”, “Eu ordeno”,
“Eu profetizo”, "Eu decreto", são pronunciados
sem a menor reflexão ou sentido de responsabilidade. Os crentes
e, infelizmente, muitos líderes, comportam-se como se fossem
Deus; colocam o "EU" na frente e soltam palavras que não
fazem parte das alianças divinas, das promessas divinas,
dos oráculos divinos, dos estatutos divinos, da graça
divina, da misericórdia divina, do amor divino. Falam da
forma como Deus não mandou falar, declaram o que Deus não
mandou declarar. “Eu declaro”, “Eu ordeno”,
“Eu profetizo”, "Eu decreto" são expressões
despidas da espiritualidade ensinada na palavra de Deus; são
frases que revelam a altivez do coração humano, são
palavras que, por não terem respaldo bíblico, não
mudam situação alguma.
Os cristãos precisam entender que não podem dar ordens
a Deus! É Deus quem determina; é Deus quem decreta;
é Deus quem declara; é Deus quem abençoa. É
Deus; não sou eu. Ele é tudo; eu sou nada! Eu sou
servo; Deus é Senhor! Ele é soberano; eu apenas obedeço
à sua Palavra. A Deus, toda a glória! Assim, não
é a minha vontade que deve prevalecer. Jesus não só
nos ensinou a orar: ... seja feita a tua vontade (Mt 6:9 e 10),
como também pôs em prática o que ensinou: ...
todavia, faça-se a tua vontade ... (Mt 26:42). Pronunciar
uma frase por deliberação própria e dar a entender
que está autorizado por Deus, sem, na verdade, estar, é
enganar o rebanho do Senhor. Deus não opera onde há
engano; não compactua com enganadores e não terá
por inocente aquele que tomar seu nome em vão (Êx 20:7).
1.4 Os jargões evangélicos e o egocentrismo
O que nos chama à atenção nessas manias, nessas
invencionices, é o seguinte: quanto mais elas se alastram,
mais o nome de Deus desaparece e o "EU" entra em cena.
É trágico: os cristãos vão se tornando
embrutecidos, achando que podem assumir o lugar do Altíssimo
Deus. E não é este o incansável desejo de satanás?
Veja, leitor: Cada vez mais os cristãos expressam o desejo
de assumir o lugar de Cristo: “Eu ordeno”, “Eu
profetizo”, Eu te abençôo”. É o
"EU" como centro da fé; é o egocentrismo
religioso em marcha; é o endeusamento do egoísmo;
é a divinização do homem.
Os cristãos precisam entender que Jesus não permitiu
que o seu "EU" aparecesse. Quando alguém o chamou
de “bom Mestre”, ele desviou de si a atenção
e disse: ... bom só há um, que é Deus ... (Mt
19:17). É preciso ter muito cuidado com o egocentrismo religioso:
o "EU" atrai para o homem a glória que a Deus pertence,
sendo o resultado de tal atitude a morte eterna.
2. Reflexões Bíblicas Sobre Alguns Jargões
É necessário muita graça e sabedoria divina
para discernirmos o ensino que é de Deus e o ensino que é
do diabo. A ausência de estudos da palavra de Deus, ministrados
de forma sistemática, tem dado oportunidade para a entrada
de heresias, acompanhadas dos chavões religiosos, nas igrejas.
Por isso, somos convidados a refletirmos sobre seguinte questão:
A utilização dessas estranhas expressões tem
o apoio da Bíblia? Avaliemos algumas delas:
2.1 "Eu te abençôo”
À luz da Bíblia, não é correto usar
essa frase, visto que o poder que promove a benção
não é do homem, mas de Deus. O homem é apenas
um canal, um instrumento que está autorizado somente a ser
bênção, não a abençoar. Os servos
de Deus, em nome do Senhor Jesus, são bênção
para as pessoas. A Bíblia diz: ... estes sinais seguirão
aos que crerem: em meu nome ... (Mc 16:17). Todas as bênçãos
divinas são derramadas através dos servos, em nome
de Jesus.
Em lugar de "Eu te abençôo", o cristão
deve dizer: “O Senhor te abençoe”, conforme o
ensino bíblico: Fala a Arão, e a seus filhos, dizendo:
Assim abençoareis os filhos de Israel; dir-lhes-eis: O Senhor
te abençoe e te guarde. (Nm 6:23 e 24). O nome do Senhor
precisa ser invocado e não o "EU". O "EU"
é carne; o "EU" é pecador; o "EU"
é corrompido; o "EU" não é divino;
é humano.
Vejamos o complemento da palavra de Deus: Assim porão o
meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei. (Nm
6:27). Vejamos também quem pode ordenar a bênção:
... porque ali o Senhor ordena a bênção e a
vida para sempre (Sl 133:3); ... então eu mandarei a minha
bênção sobre vós ... (Lv 25:21); ...
o Senhor mandará que a bênção esteja
contigo ... (Dt 28:8); ... Eu o abençoarei (...) abençoarei
os que o abençoarem ... (Gn 12:2-3). Será que Deus
mudou? Não encontramos, nem no Antigo nem no Novo Testamento,
alguém fazendo uso do “EU te abençôo”.
Se esse ensino esquisito não vem da Bíblia, de onde
vem?
2.2 “Eu profetizo”
O ministério profético cessou. Todos os profetas de
Deus foram rejeitados e mortos (Mt 23:37). Segundo a palavra de
Deus, o que existe hoje, na igreja do Senhor, é o "Dom
da Profecia". Profecia, então, é um "Dom
espiritual" (I Co 12:10), útil para que Deus fale de
maneira sobrenatural às pessoas, assim como, pela "variedade
de línguas", se fala sobrenaturalmente a Deus. O "Dom
espiritual" é uma capacidade sobrenatural que atua nos
filhos de Deus, quando Deus quer, e para o que ele achar proveitoso
(I Co 12:11). Por isso, o uso da frase “Eu profetizo”
é totalmente incorreto.
A Bíblia ensina que a profecia não depende do "EU"
querer: ... porque a profecia nunca foi produzida por vontade de
homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirado pelo
Espírito Santo. (II Pe 1:21). É bom observarmos que
os homens santos de Deus também não usaram essa frase;
ao contrário, quando profetizaram, disseram: Assim veio a
mim a palavra do Senhor ... (Jr 1:4); Assim diz o Senhor ... (Jr
2:5; Is 56:1; 66:1); Ouví a palavra do Senhor ... (Jr 2:4);
E veio a mim a palavra do Senhor (...) disse o Espírito Santo
... (At 13:2); ... Isto diz o Espírito Santo ... (At 21:11);
Mas o Espírito expressamente diz ... (I Tm 4:1). Em todos
os casos, não aparece o "EU", aparece a pessoa
divina.
Pense bem: Como é que eu e você vamos profetizar bênçãos,
sem que Deus tenha nos autorizado, em sua palavra, a Bíblia
Sagrada? Como é que eu e você vamos profetizar, se,
em nós mesmos, não há bênçãos
para oferecermos, visto que a Palavra afirma que, em nossa natureza,
não habita bem algum? Como é que eu e você vamos
profetizar bênçãos em nosso nome, se a Bíblia
afirma que toda boa dádiva, todo dom perfeito vem do alto,
do Pai das luzes, em quem não há mudança e
nem sombra de variação?
Essa arrogância do "Eu te abençôo"
deriva da falsa crença na "confissão positiva",
que leva as pessoas a crerem em que há poder nas suas próprias
palavras. Daí acharem que podem profetizar bênçãos
a qualquer momento e a qualquer pessoa. A Bíblia condena
essa falsa crença, pois somente Deus tem poder para abençoar.
Além de tudo isso, é estranho o fato de que as pessoas
que vivem dizendo: "Eu profetizo" só "profetizem"
bênçãos e mais bênçãos,
sendo que, nas profecias bíblicas, o Espírito Santo
inspirava os profetas a anunciarem bênçãos,
castigos, catástrofes, juízos aos desobedientes à
palavra de Deus, repreensão, etc. Não é estranho,
hoje, as pessoas "profetizarem" somente bênçãos?
Se Deus não muda, de onde está vindo a inspiração
para essa gente "profetizar"?
Outro fator a pensar é este: As pessoas que profetizam bênçãos
não esclarecem que tipos de bênçãos.
As profecias bíblicas sempre especificaram que tipo de bênção
ou de juízo sobreviria ao povo. Mas, hoje, é só
isto: "Eu te abençôo". É um procedimento
totalmente fora da palavra de Deus.
2.3 “Tomar posse da bênção”
Não encontramos o uso dessa expressão no Antigo e
nem no Novo Testamento. É um jargão de uso freqüente
nas igrejas cujas reuniões têm como tema e propósito
principal pregar e receber a prosperidade material, que eles reduzem
a bênçãos. Os seus líderes não
se preocupam com nutrir o rebanho com as verdades da palavra de
Deus, que conduzem à salvação em Cristo Jesus
(II Tm 3:14 e 15)
Essa frase surgiu para fortalecer a doutrina da "incubação
de bênçãos". Como já vimos, neste
texto, primeiramente a pessoa tem a “visualização
positiva” da bênção desejada, isto é,
concebe, em sua mente, o que ela quer receber, e, em seguida, é
motivada a “tomar posse bênção”.
A "incubação de bênçãos",
a "visualização positiva" e o uso do termo
“tomar posse da bênção” são
atitudes que substituem a fé operante e a atuação
divina, levando as pessoas a crerem em que tudo depende da força
da mente e das palavras de poder pronunciadas por elas. Comparando
isso com o procedimento de Jesus e dos apóstolos, afirmamos
que é errado usar o termo "Toma posse da bênção"
como meio de termos as bênçãos divinas concretizadas
em nossa vida. Os discípulos de Jesus nunca cometeram esse
tipo de equívoco, pois, em lugar de dizerem: "Toma posse
da bênção”, eles disseram: ... se tu podes
crer; tudo é possível ao que crê (Mc 9:23);
... Tende fé em Deus ... (Mc 11:22), ... grande é
a tua fé! ... (Mt 9:28) ... Seja-vos feito segundo a vossa
fé (Mt 9:23); Em nome de Cristo, o nazareno, levanta-te e
anda ... (At 3:6). Assim, em vez de as bênçãos
serem direcionadas para o homem, a palavra de Deus ensina as pessoas
a direcionarem suas esperanças para Deus, através
da fé.
Conclusão
Doutrinas heréticas têm ocupado a mente e o tempo de
muitos crentes. Elas não conduzem as pessoas a confiarem
no sacrifício do Calvário, na cruz do Senhor, no sangue
de Jesus, que nos purifica de todo o pecado, mas levam as pessoas
a se envolverem com várias práticas estranhas à
Palavra inspirada pelo Espírito Santo. Essas heresias são
caracterizadas, na Bíblia, como o “outro evangelho”
(Gl 1:8), chamado, pelo apóstolo Paulo, de anátema
ou maldito.
Conhecendo a origem de algumas doutrinas, como, por que e para que
surgiram, e somando isso aos esclarecimentos feitos à luz
da palavra de Deus, você deve pedir a Deus graça e
sabedoria, para ensinar à igreja o caminho da luz e para
conduzir os filhos de Deus dentro dos propósitos do evangelho
da graça divina, para que não se percam, mas tenham
a vida eterna.
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