INTRODUÇÃO
“Todas as descrições de obras de arte, arquitetura,
documentos e rituais secretos neste romance correspondem rigorosamente
à realidade.” (grifo do autor)
É assim que somos apresentados à famosa obra de Dan
Brown – O Código Da Vinci .
A solene declaração ocorre antes mesmo do prólogo
deste bem-sucedido romance policial para reivindicar uma espécie
de incontestável autoridade histórica. A partir daí,
o leitor iniciará uma intrigante jornada por um mundo repleto
de conspirações, fanatismo religioso, assassinato;
códigos e sociedades absolutamente secretos, além
de documentos históricos escondidos desde os primórdios
do cristianismo. Com este enredo, o ex-professor de inglês
da Philips Exeter Academy, de New Hampshire – produziu um
best-seller que já vendeu 25 milhões de exemplares
em todo o mundo – quinhentos mil – somente no Brasil.
A imprensa espanhola, divulgou que O Código permaneceu durante,
nada menos que oito meses em primeiro lugar no ranking de vendas
daquele país. Nos Estados Unidos, o The New York Times deu
ao romance mais lido da atualidade, o primeiro lugar da lista –
por cerca de quarenta e cinco semanas, com aproximadamente, seis
milhões de cópias.
Devido ao dinamismo da trama, as personagens de Brown transitam
por vários e conhecidos pontos turísticos –
sobretudo da França; o que, previsivelmente, acabou reacendendo
o interesse por estas localidades que hoje recebem milhares de novos
visitantes, ávidos por vivenciarem a saga de Langdon, Sophie
e Teabing. A jornalista Daniela Fernandes, correspondente da BBC
Brasil em Paris, fala deste fenômeno : “Uma das modas
na cidade é visitar os lugares mencionados no livro do norte-americano
Dan Brown. Algumas agências oferecem passeios no Louvre e
em outros locais descritos em O Código Da Vinci por 110 euros
(cerca de R$ 400,00).”
Entretanto, o sucesso desta envolvente ficção, parece
ter nascido das perniciosas alegações que ela faz
contra a fé cristã, já que :
• A confiabilidade e a historicidade da Bíblia são
questionadas;
• A verdadeira natureza de Jesus Cristo é contestada;
• A origem e desenvolvimento do Cristianismo são repensados;
• Os atos de seus primeiros líderes são desonestamente
reinterpretados.
Diante deste quadro, é necessário que estabeleçamos
– de maneira inequívoca – a diferença
entre a realidade histórica e a realidade virtual.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.............................................
2
INVESTIGANDO OS FATOS..................... 3
SÍMBOLOS ANTIGOS.............................. 3
GNOSTICISMO, EVANGELHOS ANTIGOS E A BÍBLIA...............................................
6
JESUS, MARIA MADALENA E O SANTO GRAAL...............................
7
O TRIUNFO DA VERDADE....................................... 9
CONCLUSÃO....................................... 13
BIBLIOGRAFIA...................................14
INVESTIGANDO OS FATOS
Tão imerso em erros é o Código Da Vinci, que
o leitor culto realmente aplaude as raras ocasiões em que
Brown tropeça (a despeito dele mesmo) na verdade.”
Sandra Miesel, “Dismantling The Da Vinci Code”, Crisis
Magazine, 1º./9/2003
(www.crisismagazine.com/september2003/feature1.htm)
O Romance de Brown – apesar de refletir grande capacidade
criativa, contém diversas imprecisões.
1.Exemplos disso são informações tais como
a da pirâmide localizada fora do Museu do Louvre , que segundo
o autor, “é construída com exatamente 666 placas
de vidro” (p.21). Não obstante, de acordo com o site
oficial do Museu, a pirâmide “é coberta por 673
placas de vidro lapidadas em forma de diamante” (www.louvre.or.jp./louvre/presse/en/activities/archives/anniv.htm).
2.Além disso, o Código afirma que os gregos basearam
suas Olimpíadas em um ciclo de oito anos como um tributo
ao Planeta Vênus, o qual, segundo a obra, representava uma
deusa (p.36), quando, na verdade, o evento se dava a cada quatro
anos, e em honra ao deus grego Zeus.
Tais equívocos ilustram perfeitamente a imprecisão
dos dados ali apresentados e revelam um lado que a maior parte de
seu público precisa conhecer. Brown aprecia conspirações
- fato corroborado pelo enredo de seus romances anteriores; Fortaleza
Digital (Digital Fortrees 2000) revela uma conspiração
ligada ao código secreto da National Security Agency (Agência
de Segurança Nacional Americana); Anjos e Demônios
(Angels and Demons 2001 ) versa sobre outra conspiração,
envolvendo os vergonhosos Iluminatti. Uma nova conspiração
encontra-se em Deception Point (2002), onde a NASA torna-se o centro
da trama. No próximo livro do autor, o tema se repetirá
– dessa vez, envolvendo a maçonaria.
SÍMBOLOS ANTIGOS
Apesar de definir-se como um “cético” antes
de um obcecado por conspirações, ainda assim, Brown
continua a semear um sem número de falsas informações,
já que – dificilmente – alguém aquilatará
a procedência ou legitimidade dos “fatos” por
ele apresentados. Dessa forma, o escritor abusa da credulidade de
seus leitores valendo-se de artifícios como o da apresentação
de “autoridades”, bem como de expressões que
supostamente as definem: “historiadores religiosos”,
“historiadores de arte” , “acadêmicos”,
etc. Terminologias científicas, tais como “evidências
bem documentadas” e “evidências históricas”
são levianamente empregadas a fim de convencer os incautos.
Graças a estratagemas como estes, Brown, faz afirmações
supostamente históricas e interpretações completamente
espúrias.Tais como algumas que apresentaremos:
3. “Simbolismo pagão. Ele está ‘oculto’
na Catedral de Chartres, em Paris” (CDV p. 7)
A VERDADE : Não há absolutamente nada de “oculto”
nos símbolos adotados pela catedral. Pelo contrário:
A Igreja usou livremente estes símbolos com a intenção
de atrair pagãos, chegando até mesmo a conferir a
estes, significados cristãos para que as pessoas, ao chegarem
no templo, pudessem familiarizar-se com a mensagem cristã.
O labirinto – característica notória daquela
catedral, e que ficava do lado de fora da mesma, foi transferido
para dentro para que o infiel ali se detivesse e ouvisse o evangelho.
O Pentagrama: Este símbolo, uma estrela de cinco pontas
dentro de um círculo, representa, segundo Brown representa
“o lado feminino de todas as coisas - (...), o sagrado feminino
ou a divina deusa... Em sua mais específica interpretação,
o pentagrama simboliza Vênus – a deusa do amor sexual
feminino e da beleza.” (CDV p. 36)
A VERDADE : O Pentagrama (chamado de “pentágono”
quando desenhado no interior de um círculo) não possui
uma interpretação específica. Parece não
haver uma única tradição relativa aos seus
significados e uso. E em muitos contextos parecem ser meramente
decorativos. A única certeza histórica aponta para
astrologia antiga (c.a. de 3000 a 2500 a.C ). O pentagrama já
representou Júpiter, Mercúrio, Marte, Saturno e Vênus
– todos juntos – e não apenas Vênus. A
relação dessa figura com o “amor sexual feminino”
é extremamente tênue, e Vênus era tida como a
deusa do sexo, fertilidade e amor.
O Pentagrama, contudo, pode remontar, inclusive, á época
de Pitágoras – o famoso matemático grego (aprox.
570-95 a.C.). Ele e seus seguidores costumavam equipará-lo
à palavra grega “saúde”. Atualmente, o
pentagrama é usado mais pelos neopagãos para indicar
a prioridade da espiritualidade sobre o materialismo e simboliza,
usualmente, a Terra, e não Vênus. Também os
satanistas o utilizam, mas eles o desenham de cabeça para
baixo.
O Domingo: “O dia da semana sagrado do cristianismo foi roubado
dos pagãos. O Cristianismo honrava o sabá judeu, no
sábado, mas Constantino o transferiu para coincidir com o
dia da veneração ao Sol dos pagãos”.
(CDV p.p. 232-233)
A VERDADE : A adoção do domingo como dia de culto
pelos cristãos deu-se durante o reinado do Imperador Romano
Trajano (98-117), que declarara ilegal a reunião cristã
no sábado – o sabá. Todavia, a observância
do domingo como “o dia do Senhor” começou a vigorar
desde muito cedo entre os cristãos (At. 20:7/ 1 Cor. 16:2).
A admissão do domingo na adoração cristã
foi rápida, haja visto ter sido o dia da ressurreição
do Senhor Jesus, de suas aparições pós-ressurreição
e da descida do Espírito Santo (Mt. 28:1/Jo. 20:26/At. 2:1).
As referências ao domingo como o dia do Senhor – indubitavelmente
– antecedem o Imperador Constantino, retrocedendo à
época de Justino Mártir (entre 100 – 165 a.D.)
e de Melito de Sardis (final dos anos 100 a.D). A distinção
entre o sabá judaico e o domingo cristão foi cuidadosamente
registrada por Inácio – pai da Igreja (morto por volta
de 110 a.D), que esclareceu em sua Epístola aos Magnesianos
que o domingo representava uma “nova esperança”
para os salvos, que deveriam – inclusive – torná-lo
festivo. Um “sabá cristão” não
existiu, senão por volta do século XII; o que significa
que Constantino não poderia simplesmente tê-lo “transferido”
para o domingo. No entanto, ele proclamou em 321 a.D. que deveria
haver descanso no “venerável dia do Sol”. Esse
ato impedia a perturbação e profanação
públicas, de forma que os cristãos pudessem cultuar
normalmente.
Uma divindade masculina e feminina? O que seria o “ritual
da cópula”?
“Uma tradição primitiva judaica envolvia sexo
ritualístico. Dentro do Templo, não menos. Judeus
primitivos acreditavam que o Santo dos Santos do Templo de Salomão
não só abrigava Deus, mas também a Sua poderosa
igual feminina, Shekinah.” (CDV p. 309)
A VERDADE: Blasfema ! Uma afirmação deste tipo e
gravidade só pode receber esta classificação!
A esta altura, Dan Brown revela – além de irreverência,
uma profunda ignorância acerca da cultura e religião
judaicas, pois, simplesmente inexistem registros históricos
– e tampouco bíblicos - que respaldem tamanha agressão
à Santidade do Deus Vivo. A análise de Brown deve
referir-se àqueles esporádicos períodos de
infidelidade israelita, nos quais, em flagrante desobediência
à Lei de Moisés, os judeus erigiam altares pagãos
em diversas localidades de seu território. Tais atos, contudo,
jamais constituíram uma “tradição judaica.”
Na realidade, os referidos altares foram foram reiteradamente destruídos
por vários reis e profetas de Israel (Juízes 6:25,26,28,30).
Ou talvez O Código refira-se aos períodos em que
o templo encontrava-se contaminado pela prostituição
religiosa - como por volta de 900 a.C. e em meados de 600 a.C..
De qualquer maneira, Deus veementemente condenou esta prática
abominável (2 Re.23:7/ Deut. 23:17-18), tão típica
das antigas religiões de fertilidade cananita. Os justos
reis de Judá, como Asa e Josias, esforçaram-se para
erradicar o sexo ritualístico do Templo (1 Re. 15:12).
Com relação a Shekinah – é necessário
esclarecer que não se trata do nome de uma deusa e sim, o
resultado da aglutinação de palavras hebraicas, que
ligadas, significam “habitação”. Uma forma
semelhante, “Shecaniah”, é encontrada em 1 Crônicas
3:21 e refere-se à “presença” ou “habitação
de Javé”. Tratava-se de uma manifestação
Divina, inconfundível e majestosa no interior do Templo e
que, entretanto, não podia ser entendida de forma literal,
pois mesmo os céus não poderiam contê-lo (1
Re.8:27).
GNOSTICISMO, EVANGELHOS ANTIGOS E A BÍBLIA
“ O Código Da Vinci virou completamente de cabeça
para baixo a minha opinião sobre a Bíblia e a Igreja
Católica.”
(Um fã de O Código Da Vinci, <amazon.com>, conforme
citado no The Washington Post)
Em 1945, no Egito, mais precisamente numa localidade desértica
conhecida como Nag Hammadi, um camponês – chamado Muhammed
Ali (não o pugilista) - escavava numa caverna a procura de
fertilizantes , quando deparou-se com um jarro de cerâmica
vermelha. O artefato continha treze rolos de papiro, envoltos em
couro e escritos em copta . Alguns encontravam-se queimados e outros
estragados; no entanto, a maior parte estava intacta apesar do longo
tempo em que estiveram sepultados ali.
Estima-se os documentos encontrados datem de 150 d.C. ao século
IV ou V. São quarenta e cinco textos e apenas cinco podem
ser chamados de Evangelhos : Verdade, Tomás, Filipe, Pedro
e Maria. Os chamados Evangelhos Gnósticos constituem a principal
base teórica do livro de Dan Brown e oferecem uma descrição
de Cristo, completamente diferente daquela que conhecemos através
da Bíblia.
Os Gnósticos eram um grupo de pensadores profundamente influenciados
por Platão e discordavam entre si acerca de diversos assuntos,
o que torna difícil resumir suas crenças de modo objetivo.
Basta-nos esclarecer que a maioria negava a idéia de um Deus
tornando-se carne, já que a matéria era tida como
algo intrinsecamente mau e, isto posto, Deus jamais poderia transformar-se
num homem. Discutiam exaustivamente a origem do mal e seu relacionamento
com a criação e afirmavam que o maior problema da
humanidade não era o pecado e, sim a necessidade de auto-conhecimento.
O homem encarregava-se de seu destino; tinha que achar seu próprio
caminho para a salvação.
Alguns gnósticos – provavelmente a maioria –
admitiam uma divindade que era tanto masculina quanto feminina.
Quase todos negavam a ressurreição física de
Jesus; alguns ensinavam que Jesus não morrera na cruz, ao
invés disto, argumentavam que outro assumira o seu lugar.
A idéia de mediadores para a salvação também
era rejeitada; alcançar ou relacionar-se com a divindade
era um ato estritamente pessoal e prescindia da necessidade de Cristo
ou a Igreja . O gnosticismo em suas variadas manifestações
geralmente era – e é – hostil ao cristianismo
histórico. Os apóstolos o combatiam (principalmente
João); seus discípulos também o fizeram. Ireneu,
pai da igreja, escreveu no século II o livro Contra Heresias,
no qual desmascarou os ensinos gnósticos e apresentou irrefutáveis
razões para que os cristãos os considerassem hereges.
Diante desta rápida retrospectiva histórica, concluímos
que os ensinamentos trazidos por Dan Brown em sua obra não
possuem nada de “novo” ou “secreto.” Na
verdade, o único fato novo é o fascínio desta
geração pelos textos de Nag Hammadi. O velho inimigo
jamais morrera; suas investidas persistiram ao longo de toda a história;
sua vil filosofia misturou-se a outras para assegurar sua sobrevivência
e agora volta a ameaçar seriamente a fé simples de
milhões de piedosos cristãos no mundo. Estamos diante
de um desafio; o confronto se repete; devemos urgentemente, “batalhar
pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 3). Será
que estamos preparados para lutar até o fim – como
os apóstolos e os pais da igreja o fizeram ?
A Bíblia gnóstica tem cinqüenta livros e a autoria
destes textos tem sido calorosamente debatida. Há, todavia,
um consenso: seus autores, definitivamente, não são
aqueles que constam de seu título. Assim, nem Filipe, nem
Tomé (ou Tomás), ou mesmo Maria de Magdala teriam
escrito tais obras. E o motivo é muito simples: os textos
mais antigos datam de 150 d.C. – isto é, muito tempo
após a morte dos discípulos acima mencionados. Seus
nomes foram utilizados apenas com a finalidade de conquistar credibilidade
entre os crentes do segundo século. Outrossim, as idéias
ali defendidas contrastam e divergem das Escrituras Canônicas,
caracterizando-se por um conteúdo polêmico e pagão.
JESUS, MARIA MADALENA E O SANTO GRAAL
Jesus Cristo foi casado? Quem foi - de fato – Maria Madalena?
Qual foi seu papel? Qual terá sido sua relação
com o Salvador? E quanto ao Santo Graal? Tal relíquia existe
realmente? Qual é a sua relação com a história
de Jesus?
O romance de Dan Brown deve seu título a um dos maiores
gênios que a humanidade já conheceu. Leonardo Da Vinci
era um filho bastardo e nasceu no vilarejo de Vinci, a trinta quilômetros
de Florença – berço do renascimento italiano
– em 15/04/1452. Além de pintor, Leonardo foi filósofo
e cientista. Ainda moço e bastante talentoso foi levado a
Florença, onde se tornou aprendiz de um dos mestres pintores.
Seguiu depois para Milão – sob os auspícios
do duque Ludovico – de quem recebera a incumbência de
pintar, em 1495, A Última Ceia – O quadro decoraria
o refeitório do mosteiro dominicano de Santa Maria da Graça.
O romance menciona que, entre os anos de 1510 e 1519 – ano
de sua morte - Leonardo presidira uma misteriosa sociedade secreta,
conhecida como Priorado de Sião, associada à famosa
Ordem dos Cavaleiros Templários. Segundo Brown, o Priorado
e Da Vinci “sabiam” que Jesus não era Deus e
sim, mero homem; casado com Maria Madalena e desejoso de estabelecê-la
como líder da Igreja - o que não teria sido possível,
devido à resistência de Pedro.
Estas informações teriam sido codificadas na propalada
tela do pintor, que retrata Jesus e seus doze discípulos
à mesa, durante a última páscoa do Salvador
– no exato momento em que celebrava a Santa Ceia. Posicionado
no centro do quadro, o Cristo tem à sua direita, uma figura
tradicionalmente identificada como o apóstolo João
e que, no entanto, carrega traços aparentemente femininos
e mantém sua mão estranhamente próxima a do
messias, como a tocá-la. As roupas utilizadas por ambos possuem
a mesma cor e padrão; a distância entre eles parece
sugerir um “V” e, ao mesmo tempo um “M.”
Segundo Dan Brown, João era na verdade, Maria Madalena e,
por isso estariam “de mãos dadas.” As roupas
os identificariam como um casal, e as “letras” sugeridas
pelas posições assumidas, apontariam para uma espécie
de “sagrado feminino”, representado pelo “V”,
e “matrimônio” ou “Madalena”, sinalizado
pelo “M” imaginário. O graal (cálice da
Ceia) é interpretado pelos personagens do livro como a própria
Maria Madalena., já que esta, segundo o autor, traria em
seu ventre, uma filha do próprio Jesus, a qual, após
a crucificação teria imigrado para Gália na
companhia de sua mãe, onde teriam fundado a dinastia dos
merovíngios. Sophie Neveu, a criptógrafa francesa
seria uma integrante desta linhagem sagrada. Ela e Robert Langdon
são os protagonistas do romance.
A procura pelo Graal (os ossos de Maria Madalena), desperta a fúria
da Opus Dei - uma prelatura da Igreja Católica, extremamente
conservadora e fiel aos propósitos do Vaticano. No livro,
a organização é uma feroz antagonista do Priorado,
disposta a impedir a divulgação da “farsa cristã”
a qualquer custo. Sophie e Langdon são inquisitorialmente
perseguidos enquanto investigam a “História do Cristianismo.”
Eles são apresentados a um especialista no assunto, Sir Leigh
Teabing, um personagem arguto e detentor de um amplo conhecimento
dos Evangelhos Gnósticos, os quais cita com propriedade e
freqüência.
O TRIUNFO DA VERDADE
“Disse-lhe pois Pilatos: Logo tu és rei ? Jesus respondeu
: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao
mundo, afim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é
da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?
E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus, e disse-lhes: Não
acho nele crime algum.”
(Jo. 18:37,38 – ARC)
Diante das perigosas e envolventes alegações de O
Código Da Vinci, muitas pessoas sinceras já disseram
(ou pensaram): Será verdade ? Estamos num país católico,
o maior país católico do mundo. A maioria de nós
conheceu a história de Jesus Cristo ainda na infância.
A Teoria da Obra de Brown não é dele. No princípio
da década de oitenta, o mercado editorial viu o surgimento
de uma obra bastante polêmica. O Santo Graal e a Linhagem
Sagrada, lançado pela Editora Fronteira, não obteve
o sucesso de O Código, mas gerou inúmeras controvérsias.
A teoria é a mesma; a diferença reside no estilo em
que ela foi – e vem sendo – divulgada. Dan Brown criou
uma novela, com um enredo dinâmico e entretenedor e, através
dela, ressuscitou o gnosticismo. No passado, os apóstolos
e os pais da Igreja combateram-no incansavelmente, e agora, é
a vez da Igreja Contemporânea levantar-se e rechaçar
suas doutrinas espúrias.
O Código Da Vinci é uma ficção com
pretensões históricas. Seus personagens, sobretudo,
Sir Teabing, parecem paladinos da verdade. Vamos, doravante examinar
as fontes desta “verdade”, estudando e refutando algumas
das mais sérias afirmações do romance:
1. Jesus nunca se declarou Divino. Sua divindade foi “criada”
pelo Imperador Constantino, no século IV, durante o Concílio
de Nicéia.
O Imperador Constantino converteu-se em 312 d.C. Um renomado escritor
cristão da antigüidade, Eusébio de Cesaréia,
foi historiador e confidente de Constantino. Ele declara que o Imperador
orava a um deus pagão durante um cerco que suas tropas impunham
a Roma, durante o reinado de Maxêncio., quando foi surpreendido
com a visão de uma cruz, iluminada e situada acima do Sol.
Sobre ela havia uma inscrição em Constantino lera
: “Com este sinal vencerás!” Mais tarde, em sonho,
o rei declarou ter visto o Cristo de Deus e que este lhe ordenara
o uso daquele símbolo. No dia seguinte, em obediência
à visão, Constantino adotou o emblema, atravessou
a ponte Mílvio – onde suas tropas encontravam-se estacionadas
até aquele dia – invadiu Roma e depôs Maxêncio.
Posteriormente, promulgou o Edito de Milão, decretando que
os cristãos não mais poderiam sofrer perseguição.Após
isso, como Imperador, assumiu a liderança nas disputas doutrinárias
que ameaçavam a unidade do Império.
O Concílio de Nicéia - atual Iznik, na Turquia, a
cerca de 200 km de Istambul – ocorreu no ano de 325 d.C..
Mais de 300 bispos compareceram, às expensas do Império,
para discutir, justamente a divindade de Cristo, posta em dúvida
por um certo Ário – bispo de Alexandria. Ário
e suas controvérsias arrebanharam muitos seguidores e perturbaram
o Império, já que a discussão Cristológica
extrapolou os círculos eclesiásticos e ganhou as ruas,
isto é, todo o povo, a todo o momento parecia enleado por
esse debate. A questão não suportava maior protelação
e os ministros reuniram-se sob o comando de Constantino que, apesar
de teologicamente leigo, era a maior autoridade política
e, naqueles tempos, Igreja e Estado associaram-se.
Embora Ário fosse um grande orador e houvesse conquistado
o apreço e o respeito de muitos, sua defesa foi insatisfatória
e a Assembléia declarou-o herege. Os delegados entenderam
que, se Cristo não era Deus, não podia redimir a humanidade.
Além do que o Novo Testamento, cujo conteúdo já
era bastante conhecido pelos cristãos, afirmava peremptoriamente
a Divindade de Jesus. O Senhor Jesus não era uma mera criatura;
era ( e é ) Criador:
“Pois nele foram criadas todas as coisas nos Céus
e na Terra, as visíveis e invisíveis, sejam tronos
ou soberanias, poderes ou autoridades ; todas as coisas foram feitas
por ele e para ele.” (Col. 1:16 - ARA)
Muitas outras passagens, anteriores ao século quarto foram
citadas, tais como Jo.1.1; Rm 9:5 ; Hb. 1:8, etc. João, Paulo
e o escritor da epístola aos Hebreus, bem como todo o restante
do Novo Testamento, pertencem ao século primeiro. O último
a escrever foi João, em cerca de 90 d.C. ; e, mesmo os Evangelhos
canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João), que defendem
a divindade de Jesus já haviam sido concluídos, circulavam
e gozavam de prestígio nas diferentes comunidades cristãs
bíblicas daqueles tempos.
Muito poderia ser dito aqui; existem diversas evidências
históricas que aprofundariam nosso conhecimento sobre a História
da Igreja. Porém, devemos prosseguir, asseverando que, embora
Constantino se achasse presente, ele não era clérigo,
estudioso ou mesmo teólogo. Sua presença tinha grande
importância política e nada além disto. Apenas
os bispos debateram a questão, confrontaram e venceram Ário
e ratificaram uma verdade reconhecida e pregada, já naqueles
dias, havia mais de dois séculos. Portanto, dizer que Constantino
promoveu Jesus à divindade, com propósitos políticos
reflete total desprezo à história e revela desonestidade
na aquilatação de suas evidências. A divindade
de Cristo era notória e inegável. Como resultado,
o Concílio promulgou seu famoso credo.
O Testemunho dos Pais da Igreja
• Inácio, bispo de Antioquia, em 110 d.C. –
duzentos anos antes do Concílio – chamava Jesus de
“Deus Encarnado ” Foi martirizado em 110 d.C.
• Policarpo, discípulo do apóstolo João,
escreveu a Filipos entre os anos de 112 e 118. Sua carta pressupõe
a divindade de Cristo. Foi martirizado em 160 d.C.
• Justino Mártir, nasceu na Palestina, em cerca de
100 d.C. e também partilhava a fé na divindade de
Cristo. Foi martirizado em 165 d.C.
• Ireneu, Bispo de Lião – combateu o gnosticismo
durante toda a sua vida. Também cria na divindade de Jesus.
Cerca de 177 d.C.
• Tertuliano (150-212) : Grande expoente da Igreja antiga,
também defendia a fé na divindade de Cristo.
Como podemos concluir, a doutrina da divindade de Cristo antecedeu
– e muito – o Concílio de Nicéia. Qualquer
cristão da antiguidade sabia desse fato. E, além disto
é necessário atentar para a lista de mártires
acima. São apenas alguns, dos incontáveis e destemidos
irmãos que ofereceram sua vida por uma causa. Se soubessem
que Jesus era mero homem... teriam coragem de morrer por isso ??
2. Teria Jesus se casado com Maria Madalena ?
Em O Código Da Vinci, a Opus Dei tenta encobrir o fato de
que Jesus tinha uma família e filhos para proteger sua santidade.
O romance sustenta a teoria do casamento sobre duas bases:
1) Não se casar seria anti-judeu
2) De acordo com os escritos gnósticos, Jesus beijou Maria
na boca e os apóstolos tinham ciúme de sua relação
com ela.
O primeiro argumento possui uma natureza cultural. Mas será
que esse raciocínio é válido?
Embora reconheçamos que o casamento era uma regra para os
judeus, também admitimos que, mesmo nesta regra, havia exceção.
Em Guerra Judaica 2.8.2.121-22 , um texto de autoria de Flavio Josefo
– grande historiador judeu, vemos :
“Os essênios rejeitavam os prazeres como um mal, mas
apreciavam a continência e a vitória sobre os desejos
como uma virtude. Recusavam a prisão do casamento, mas escolhiam
filhos de outros, enquanto ainda flexíveis e próprios
para os estudos, e os amavam como se fossem seus, e os instruíam
de acordo com os seus costumes. Não condenavam totalmente
o casamento e a sucessão da humanidade continuada por ele.
Mas guardavam-se do comportamento lascivo das mulheres e acreditavam
que nenhuma mulher pudesse ser fiel a um só homem.”
O texto que mencionamos refere-se aos essênios – grupo
religioso judaico e de orientação asceta que habitava
em comunidades fechadas como a de Qumran, no Mar Morto e dedicadas,
exclusivamente à práticas religiosas - e demonstra
que, mesmo na época de Jesus e, entre os judeus, praticava-se
o celibato. Não obstante, vejamos um outro exemplo :
“Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da
mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens;
e há eunucos que se castraram a si mesmos por causa do reino
dos céus. Quem pode receber isto, receba-o”
(Jesus, Mat. 19:12 – ARC)
Dessa vez é o próprio Jesus quem reconhece o celibato
e o analisa como exceção: “...Quem pode receber
isto, receba-o.” – Diz Ele. Não são todos;
não se trata de uma obrigatoriedade.
“Digo, porém, aos solteiros e às viúvas,
que lhes é bom se ficarem como eu. Mas se não podem
conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se.”
(Paulo, 1 Cor. 7:8,9)
Este outro texto corrobora nossa posição. O casamento
era desejável, mas não se tratava de uma única
e inviolável alternativa para a vida social. O próprio
apóstolo Paulo o encoraja e reconhece; sem, contudo, torná-lo
obrigatório. Diante destas e outras (numerosas) evidências,
concluímos que havia solteiros no tempo de Jesus e essa condição
nem sempre era encarada de maneira desonrosa. Jesus desfrutava livremente
desta condição sem que ela o incomodasse ou trouxesse
qualquer prejuízo à sua vida social ou ao seu ministério.
Não casar-se então, ao poderia – e jamais fora
– antijudeu.
O segundo argumento utilizado pelo romance, encontra-se fundamentado
nos chamados Evangelhos gnósticos. O que nos dizem estes
textos? Podemos confiar neles?
“E a companheira de [...] Maria Madalena. [...amou] a ela
mais que a [todos] os discípulos e [costumava] beijá-la
[sempre] na [...].”
(Evangelho de Filipe, 63:33-36)
Este é o texto comumente usado para comprovar a “intimidade”
de que Jesus e Maria Madalena alegadamente desfrutavam. Os colchetes
indicam lacunas no texto, pontos em que a leitura não é
possível devido a estragos no manuscrito. Este “Evangelho”
foi composto na segunda metade do século III, cerca de 200
anos após a época de Jesus. Ao contrário desse
e de outros pseudo-evangelhos, os Evangelhos Canônicos são
muito mais antigos, possuem autoria comprovada e autorizada, além
de terem sido reconhecidos desde a aurora do Cristianismo.
CONCLUSÃO
Este opúsculo não possui a pretensão de esgotar
tão vasto assunto. Sua função é prover
um “primeiro passo” àqueles que ainda não
se conscientizaram da grave ameaça que O Código Da
Vinci representa para a Igreja de Jesus Cristo. Este romance obteve
um sucesso espetacular e meteórico; o altíssimo número
de 25 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo traduzem
sua influência e leva-nos a avaliar sua periculosidade.
Em quase todo o mundo - sobretudo em países cristãos
– seus leitores refletem sobre a possibilidade de uma conspiração
deste vulto. O enredo foi engendrado de maneira envolvente e fascinante
e contribui para a falência da fé e da esperança
humana em Deus. Já temos uma nova edição ilustrada
do Código para o deleite de seus fãs e, no ano vindouro
(2006), teremos um filme sobre o assunto, estrelado por ninguém
menos que Tom Hanks
Diante deste preocupante quadro, é necessário que
nos mobilizemos e combatamos estas heresias, tal como os apóstolos
e pais da Igreja o fizeram até sua morte. O gnosticismo vive!
O antigo e mais furioso inimigo do Cristianismo sobreviveu aos séculos
e agora pleiteia preeminência sobre a verdadeira fé;
disputa corações e almeja destruir-lhes toda a sensibilidade.
Dan Brown aprofunda-se no decadente charco de mentiras e dissimulações
e manipula as mentes incautas, sorvendo-lhes o bom senso e minando-lhes
o espírito crítico, ao levá-las à confusão
e perplexidade.
Levantemo-nos e enfrentemos mais este desafio, pois é necessário,
“.... batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.”
(Jd. 3 – ARC)
BIBLIOGRAFIA
Bíblia Sagrada, tradução de João Ferreira
de Almeida, Edição Revista e Corrigida, Rio de Janeiro,
Imprensa Bíblica Brasileira, 1988.
Bock, Darrell L.. Quebrando o Código Da Vinci: respostas
às perguntas que todos estão fazendo. Tradução
de Eduardo Rado, Osasco /SP, Novo Século Editora, 2004
Abanes, Richard. A Verdade Por Trás de O Código Da
Vinci: uma resposta desafiadora à ficção mais
vendida. Tradução de Thais Miremis Sanfelippo da Silva
Amadio, São Paulo, Editora Celebris, 2005
Lutzer, Erwin W. A fraude do código Da Vinci: toda a verdade
sobre a ficção do momento. Tradução
de James Monteiro dos Reis, São Paulo, Editora Vida, 2004
Brown, Dan. O Código Da Vinci. Tradução de
Celina Cavalcante Falk-Cook, Rio de Janeiro, Editora Sextante, 2004
Matias, Alexandre e Cunha, Vladimir. “O Segredo de Leonardo”.
Superinteressante, Outubro 2004, p. 60-67, Abril Editora.
Arruda, José Jobson de Andrade. Silva, Francisco Alves e
Turin, Eva. Coleção Objetivo – Sistema de Métodos
de Aprendizagem, História Moderna e Contemporânea.
Livro 36,
p.4-5, São Paulo, Sol Editora.
O Código Da Vinci – Uma amostragem do Almanaque Pridie
Kalendas. p.1-4. www.almanaque.cnt.br/codigodavinci/codigodavinci.htm
Santo Cálice Home Page. http://paginas.terra.com.br/arte/graal/graal12/graal12.htm
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