Julgava ele
ser a reencarnação de um poeta druida, segundo comunicação
que recebera do "Espírito de Verdade", em 25 de
março de 1855. Hoje é mais conhecido pelo seu pseudônimo
do que por seu próprio nome. A palavra reencarnação,
composta do prefixo "re" (repetição) e do
verbo "encarnar" (tornar a tomar corpo) é entendida
pelos espíritas como meio de purificaçào do
espírito. Explicando a necessidade da reencarnaçào
para se tornar um espírito puro, Allan Kardec (AK daqui para
frente) declara que, quando o espíruo não atinge a
perfeição durante a vida corpórea, é
submetido a nova existência, que se repete quantas vezes quantas
forem necessárias para, por fim, tornar?se um espírito
puro.
0 uso da Biblia para apoio
Querendo justificar a teoria da reencarnação como
meio de purificação, AK alega que essa doutrina encontra
apoio bíblico. Afirma entào: "O princípio
da reencarnação ressalta, aliás, de muitas
passagens das Escrituras, encontrando-se especialmente formulado,
de maneira explícita, nos evangelhos".
Sabendo?se que a palavra reencarnação nào
se encontra na Bíblia, como também não se acha
nas Escrituras Sagradas tal ensino, de primeira grandeza para os
espíritas, AK declara que a reencarnação foi
ensinada entre os judeus com o nome de ressurreição.
Diz ele: "A reencarnação fazia parte dos dogmas
judaicos sob o nome de ressurreição". Kardec
não se acanha ao afirmar: "O ponto essencial é
que o ensìnanento dos espíritos é eminentemente
cristão."
0utras passagens bíblicas
Não se pode dialogar com um espírita o qual julgue
entender de Bíblia, sem que mencione ser João Batista
a reencarnação de Elias (Mt 11.14) e o encontro de
Jesus com Nicodemos (Jo 3:5), entendendo que o novo nascimento mencionado
por Cristo refere?se a reencarnação. Textualmente
lemos de AK: " Pois que João Batista fora Elias, houve
reencarnaçào do espírito ou da alma de Elias
no corpo de João Batista". Estas palavras: "Se
o homem não renasce da água e do Espírito,
ou em água e em Espírito' signifìcam, pois:
`Se o homem não renascer com seu corpo e sua alma'".
Fica assim resumida a doutrina espírita sobre a
reencarnação:
- Que a pluralidade de existência se faz necessária
para a purificação;
- Que esse ensino acha?se formulado de modo explícito no
Evangelho de Jesus Cristo;
- Que embora a palavra reencarnação não se
encontre nos evangelhos, a doutrina é encontrada sob o nome
cle ressurreiçào; e
- Que Jesus referiu?se à reencarnação nas passagens
de Mateus 11:14 e João 3:5.
0 ensino cristão sobre os mortos
Através de toda a Bíblia encontra?se uma advertência
solene sobre a necessidade de o homem preparar?se para a eternidade:
Considerando que ele passa por esta vida uma só vez, seguindo-se
depois o juízo. Declara a Bíblia: "E, como aos
homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disto
o juízo" (Hb 9.27);
Considerando que passamos por esta vida uma só vez, é
fácil concluir que só morremos uma vez, como diz o
texto bíblico. Se o homem tivesse uma pluralidade de existências,
isso implicaria diversidade de mortes, o que realmente não
ocorre: uma só vez está destinado ao ser humano morrer.
É que ele nasce uma só vez; daí os convites
reiterados de Deus a fim de que o homem prepare?se para a eternidade:
"Prepara-te (...) para te encontrares com o teu Deus"
(Am 4.12). "Buscai no Senhor enquanto se pode achar, invocai?o
enquanto está perto" Is 55. 6, 7). Por que essa urgência
de buscar a Deus enquanto podemos achá?lo? Pois morrendo
em pecado o homem não pode ir aonde Jesus foi (Jo 8.21).
A situação depois da morte é irreversível.
Ora, se houvesse reencarnaçào ? como pretendem os
espíritas ? o homem poderia encontrar Deus em qualquer tempo,
mas depois da morte vem o juízo (como diz o texto já
citado de Hebreus 9.27).
A declaração de que a reencarnação
fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome de ressurreição
não encontra apoio no Antigo Testamento, pois tem em mente
que os judeus criam no ressurgimento do corpo. Define?se ressurreição
como o retorno do espírito ao próprio corpo: "Mas
ele, pegando?lhe na mão, chamou dizendo: Levanta?te, menina.
E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou; e Jesus
mandou que lhe dessem de comer" (Lc 8.54,55).
A reencarnação, ao contrário, é definida
pelo espiritismo como "a volta do espírito à
vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para
ele, e que nada tem de comum com o antigo".
Ao morrer, o espírito do cristão parte ao encontro
de Cristo no Céu. Estêvão, ao padecer apedrejado,
pediu a Jesus que o recebesse: "E apedrejaram a Estêvão,
que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu
espírito" (At 7:59).
Por ocasião da vinda de Jesus, Ele trará consigo
os espíritos dos justos que partiram e estão no Céu
(Hb 12.22,23), a fim de se juntarem a seus corpos na sepultura,
e estes se levantarão glorificados. Diz a Bíblia:
"Porque, se cremos que Jesus morreu a ressuscitou, assim também
aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele"
(1 Ts 4.14). Nessa ocasiào dar?se?á a ressurreição
dos salvos em corpos glorificados: "Porque o mesmo Senhor descerá
do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta
de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro"
(1 Ts 4.16). "Mas a nossa cidade está nos céus,
donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.
Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme
o seu corpo glorioso" (Fp 3.20,21). Por sua vez, os descrentes
que hoje morrem descem ao Hades (o mundo invisível dos mottos),
também conhecido como o Inferno da alma sem o corpo, que
se encontra na sepultura. Do Hades sairá a alma no Juízo
Final para se juntar ao corpo e ser lançado ao lago de fogo
ou Geena (Mt 10.28; Lc 16.22?26; Ap 20.11?15).
Os judeus, por sua vez, estavam familiarizados com diversas
ressurreições, como apontam várias passagens
do Antigo Testamento:
a) Elias ressuscitou o filho da viúva de Serepta: "E
o Senhor ouviu a voz de Elias, e a alma do menino tornou a entrar
nele e reviveu. E Elias tomou o menino, e o trouxe do quarto à
casa, e o deu a sua mãe; e disse Elias: Vês ai, teu
filho vive" (1 Rs 17.22,23);
b) Eliseu ressuscitou o filho da sunamita: "E chegando Eliseu
àquela casa, eis que o menino jazia morto sobre sua cama.
Então entrou ele, e fechou a porta sobre eles ambos, e orou
ao Senhor (...) e o menino abriu os olhos. Então chamou a
Geazi, e disse: Chama essa sunamita. E chamou?a, e veio a ele. E
disse ele: Toma o teu filho" (2 Rs 4.32?36);
c) A crença geral dos judeus era que haveria ressurreição
do corpo: "Os teus mortos viverão, os teus mortos ressuscitarão;
despertai e exultai os que habitais no pó, porque o teu orvalho
será como o orvalho das ervas e a terra lançará
de si os mortos" (Is 26.19);
d) Também no Novo Testamento encontramos crerem os judeus
na ressurreição do corpo, como afirmou a irmã
de Lázaro a Jesus: "Disse?lhe Jesus:
Teu irmão há de ressuscitar. Disse?lhe Marta: Eu
sei que há de resssuscitar na ressurreição
do último dia" (Jo 11.23,24).
Por fim, como assegurar que a palavra reencarnação
acha?se explícita nos evangelhos, se o ensino de Jesus é
totalmente diferente? Falou Ele da ressurreição do
corpo de todos os mortos, dizendo: "Não vos maravilheis
disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros
ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para
a ressurreiçâo de vida; a os que fizeram o mal para
a ressurreição da condenação" (Jo
5.28,29).
A EXPIAÇÃO POR CRISTO
O espiritismo ensina a expiação por esforços
próprios, afirmando: "Arrependimento, expiação
e reparaçào, constituem, portanto, as três condições
necessárias para apagar os traços de uma falta e suas
conseqüências".
Jesus, em oposição a AK, ensinou a redençào
por meio de sua morte na cruz. Afirmou que veio a este mundo buscar
a salvar o perdido (Lc 19.10), e para nossa redenção
falou de sua morte vicária e expiatória: "Desde
então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos
que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitos dos anciãos,
e dos principais dos sacerdotes, e escribas, e ser morto, e ressuscitar
ao terceiro dia" (Mt 16.21).
Quando Pedro quis livrá?lo desse infortúnio, Jesus
entendeu que por trás das palavras daquele amigo agia o Diabo,
e assim se pronunciou: "Para trás de mim, Satanás,
que me serves de escândalo; porque não compreendes
as coisas que são de Deus, mas só as que são
dos homens" (Mt 16.25).
Era João Batista a reencarnação de
Elias?
AK ensinou que João Batista era a reencarnação
de Elias. Ora, o próprio AK ensinou que para alguém
reencarnar é preciso primeiro morrer. Tal não aconteceu
com Elias, que não faleceu. Se não morreu, nao podia
o espírito de Elias reencarnar, dado que ele partiu para
o Céu. Relata a Bíblia: "E sucedeu que, indo
eles andando ae falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de
fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho"
(2 Rs 2.11). Subiu ao Céu a não voltou para viver
em outro corpo ? o de João Batista. Enquanto isso, o próprio
precursor de Cristo, interrogado se ele era Elias, respondeu: "...Não
sou" (Jo 1.21). Mas, em que sentido disse Jesus que João
Batista era Elias? No sentido de que seu precursor exerceu um ministério
profético idêntico ao de Elias. Identidade profética
não deve ser confundida com a suposição de
serem ambos a mesma pessoa.
"Nascer de novo"
"Nascer de novo" ou nascer de cima nada tem a ver com
a reencarnação, mas com a regeneração,
a qual implica em mudança das disposições íntimas
da alma dentro do mesmo corpo nesta vida. Reencarnação
é nova existência em outro corpo, mas nunca no mesmo.
Nascer de novo significa a mudança do coração
do homem de pedra para o de carne (Êx 36.26), e isso se dá
por ouvirmos a Palavra de Deus (a água) e pelo convencimento
do Espírito (Jo 16.7). Assegurou?nos o apóstolo Pedro:
"Sendo de novo gerados, não de semente corruptível,
mas da incorruptível pela palavra de Deus, viva, e que permanece
para sempre" (1 Pe 1.23). Declarou Tiago: "Segundo a sua
vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos
como primícias das suas criaturas" (Tg 1.18). Disse
o apóstolo Paulo: "Assim que, se alguém está
em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram;
eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17).
CONCLUSÃO
AK estabeleceu que, para uma doutrina tornar?se reconhecidamente
espírita, é preciso que seja ela ensinada com o consenso
de todos os espíritos: "O caráter essencial desta
doutrina, a condição de sua existência, está
na generalidade e concordância do ensino". Ora, justamente
na doutrina mais difundida entre os espíritas não
existe tal generalidade e concordância. Isso é declarado
pelo próprio AK, que disse: De todas as contradições
que se observam nas comunicações dos espíritos,
uma das mais chocantes é aquela relativa à reencarnação,
como se explica que nem todos os espíritos a ensinam?"
Perguntamos: De quem é o ensino sobre a reencarnação?
De AK ou dos espíritos? Considerando que não há
unanimidade em tal ensino, ele só pode ser de AK, e não
dos espíritos. Logo, deve ser rejeitado o ensino de AK sobre
a reencarnaçào. Melhor dizendo, dos demônios
(1Tm 4.1;1Jo 4.1).
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