Os espíritas se
esforçam para ensinar que a reencarnação é
compatível com a fé cristã. Citam a Bíblia,
embora discordem dela, para ensinar que a doutrina da reencarnação
é ensinada sob o vocábulo de ressurreição.
Esta significa o retorno do espírito ao próprio corpo,
“ Mas, ele, pegando-lhe na mão, clamou, dizendo: Levanta-te,
menina. E o seu espírito voltou, e ela logo se levantou;
e Jesus mandou que lhe dessem de comer.” (Lc 8.54,55).
REENCARNAÇÃO
Afirmam que reencarnação significa a volta do espírito
a este mundo, onde vai assumindo corpos sucessivos a fim de evoluir
e progredir até chegar à perfeição.
Indagando Allan Kardec dos espíritos qual o objetivo da reencarnação,
recebeu por resposta que era a expiação. Textualmente
se lê no Livro dos Espíritos as perguntas formuladas
e as respostas dadas:
“ 167. Qual o objetivo da reencarnação?”
“’Expiação, prova, melhoramento progressivo
da Humanidade. Sem isso, onde estaria a justiça?”
Indagando ainda dos espíritos se o número de existências
corporais era limitado, teve como resposta que não. Que era
ilimitado. Textualmente lemos:
“168. É limitado o número de existências
corporais, ou o Espírito reencarna perpetuamente?
“Em cada nova existência o Espírito dá
um passo no caminho do progresso. Quando se tenha despojado de todas
as imperfeições, não mais necessitará
das provas da vida corporal.”
Por fim, como se torna o espírito que por muitas existências
passou? Allan Kardec responde que se torna espírito puro.
“170. Em que se torna o Espírito depois de sua última
encarnação?”
“‘Em Puro Espírito.’”
(O Livro dos Espíritos, p. 83/84, citado em ALLAN KARDEC
Obras Completas, 2ª edição, edição
especial da OPUS EDITORA, 1985)
CONDIÇÕES PARA ALCANÇAR UM ESPÍRITO
PURO
O que pareceria tão fácil alcançar: um espírito
puro, não se torna assim tão fácil. É
que as condições expostas por Allan Kardec são
três:
“Arrependimento, expiação e reparação,
constituem, portanto, as três condições necessárias
para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências.
O arrependimento suaviza a expiação, abrindo pela
esperança o caminho da reabilitação; só
a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe
a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça,
não uma anulação.”
Allan Kardec enfatiza que só o arrependimento não
é suficiente para se ter, por fim, um espírito puro:
“O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a
regeneração, não basta por si só; são
precisas a expiação e reparação.”(
Ibidem, O Céu e o Inferno, p. 747).
“999. Basta o arrependimento durante a vida para que as faltas
do Espírito se apaguem e ele ache graça diante de
Deus?
“‘O arrependimento concorre para a melhoria do Espírito,
mas ele tem de expiar o seu passado.’”
(Ibidem, O Livro dos Espíritos, p. 244)
ESQUECIMENTO FATAL
Não entendemos como o espírita possa atingir a condição
de um espírito puro, mesmo admitindo-se as dezenas, centenas,
ou milhares de encarnações. É que em cada uma
delas o espírito se esquece das ocorrências da vida
anterior.
Allan Kardec se antecipa a esse impedimento para atingir-se a pureza
de espírito, dizendo:
“608. Após a morte, tem o Espírito do homem
consciência das existências que precederam o período
da humanidade?
“ ‘Não, pois que somente neste último
período é que começa para ele a vida de Espírito.”(ibidem,
O Livro dos Espíritos, p. 167)
Justifica mais ainda essa impossibilidade de progresso em face do
esquecimento de vidas anteriores.
Afirma ele
“A tudo isso pode fazer-se uma objeção: que
proveito tiramos das existências anteriores para o nosso aperfeiçoamento,
se não nos lembramos das faltas cometidas? O Espírito
responde, primeiramente, que a memória de existências
infelizes, acrescentadas às misérias da vida presente,
tornaria esta vida ainda mais penosa. Foi, pois, um acúmulo
de sofrimento o que Deus nos quis poupar. Se assim não fosse,
qual não seria, muitas vezes, nossa humilhação
ao pensar no que fomos. Para o nosso aperfeiçoamento aquela
lembrança é inútil. Durante cada encarnação
damos alguns passos à frente: adquirimos algumas qualidades
e despojamo-nos de algumas imperfeições. Cada nova
existência é, assim, um novo ponto de partida em que
somos o que nós próprios fizemos de nós, sem
ter que nos preocupar com o que fôramos antes. Se em alguma
existência anterior fomos antropófagos, que nos importa
agora que já não o somos mais?” (Ibidem, Obras
Póstumas, p. 1144)
Diante da declaração explícita de AK de que
“Para nosso aperfeiçoamento aquela lembrança
é inútil” surge uma pergunta muito pertinente:
Que proveito se colhe das existências anteriores, uma vez
que não se tem consciência das faltas cometidas?
O que resulta se nos falta a lembrança das faltas cometidas
em existências anteriores?
Certo escritor inglês manifestou a impropriedade da doutrina
da reencarnação no Congresso Espírita de 1923,
afirmando: “... por que o espírito teria necessidade
da matéria para evoluir e elevar-se; e, sobretudo, como pode
ser admitido por alguns que, não havendo recordação
do passado, seja possível uma expiação? Esta
última dificuldade sempre chamou a minha atenção.
Se não há recordação, isto é,
se o Eu consciente passado não existe então o eu atual
de fato não tem relação alguma com o passado
e, por conseguinte, não pode pagar pecados.”(Por que
Deus Condena o Espiritismo, 1987, p. 145)
Nada mais, nada menos do que a perdição eterna, muito
embora os espíritas não creiam nela. Para a expiação
– como vimos – são necessárias três
condições indispensáveis: arrependimento, expiação
e reparação, mas como isso pode dar-se se não
há lembrança dos erros de vidas anteriores?
ARREPENDIMENTO
Para alguém ter o perdão de Deus é necessário
o arrependimento. Disse Jesus, “... se vos não arrependerdes,
todos de igual modo perecereis.”(Lc 13.3)
Pedro pregou a mesma necessidade de arrependimento, quando disse:
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados
os vossos pecados...”(At 3.19)
O ladrão na cruz arrependeu-se dos erros de sua vida corporal
(não sabia ele que havia vidas anteriores) e recebeu de Jesus
a mais rica promessa de perdão absoluto e total expiação:
“E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele,
dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós.
Respondendo, porem o outro, repreendia-o, dizendo: tu nem ainda
temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós,
na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos
feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor,
lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus:
Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.”
(Lc 23.39-43) O ladrão arrependido tinha plena consciência
dos erros cometidos da sua vida presente e com consciência
deles, podia reconhecer: “E nós, na verdade, com justiça,
porque recebemos o que os nossos feitos mereciam...”
EXPIAÇÃO
Para alguém se tornar um espírito puro é preciso
expiação. “Expiação – segundo
os espíritas é a “Pena que sofrem os Espíritos
como punição das faltas cometidas durante a vida corporal.”(Ibidem,
Vocabulário Espírita, p. 1252) Isso implica em humilhação
do pecador e o pedido de perdão a quem ofendeu. Mas como
fazê-lo se não há consciência de faltas
cometidas? Por que pretender fazer sua própria expiação,
quando Jesus já efetuou uma expiação absoluta
e total:
“Mas, este, havendo oferecido um único sacrifício
pelos pecados, está assentado para sempre à dextra
de Deus.”(Hb 10.12)
“Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio
sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma
eterna redenção.”(Hb 9.13)
REPARAÇÃO
Para alguém se tornar um espírito puro é preciso
reparação, mas o espírita esqueceu tudo o que
se passou em existências anteriores. Não sabe o quê
nem a quem há de fazer essa reparação. E sem
a reparação não pode alguém tornar-se
um espírito puro. Fulano ofendeu gravemente Beltrano. Morre
sem reparar os males. Como pode evoluir e tornar-se espírito
puro? Mas para dar provas do seu sincero arrependimento, além
de reparar a ofensa a Deus, há de também reparar os
males que fez a Beltrano. Mas, Fulano ao encarnar-se esqueceu tudo
da vida anterior. Não se lembra nem de Beltrano e nem de
coisa que fez. Como pode evoluir? Logo, o espírita que morre
sem arrependimento dos pecados da sua vida atual, já, na
futura, não pode tornar-se espírito puro. Perdido
eternamente. E por que? Só por rejeitar, soberbamente, o
remédio eficaz providenciado por Deus:
“Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não
pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o
Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação
pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também
pelos de todo o mundo.”(1 Jo 2.1,2)
Por que querer pagar um débito que já foi pago, e
muito bem pago por Jesus na cruz? “Em quem temos a redenção
pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas
da sua graça.” ( Ef 1.7)
PUREZA DE ESPÍRITO DEPOIS DA MORTE - INCENTIVO AO
PECADO
Entre os muitos e gravíssimos erros ensinados pelo Espiritismo
está o de que existe perdão depois da morte. Por mais
horrendos que sejam os crimes cometidos durante a existência
atual, e embora o criminoso morra impenitente, o Espiritismo afiança
que haverá perdão nas sucessivas encarnações.
Allan Kardec ensina o seguinte:
“9. Toda falta cometida, todo mal realizado, é uma
dívida contraída que deverá ser paga; se não
o for em uma existência se-lo-á na seguinte ou seguintes,
porque todas as existências são solidárias entre
si. Aquele que resgata seu débito numa existência não
terá necessidade de pagar segunda vez.”(Ibidem, O Céu
e o Inferno, p. 747)
CONCLUSÃO
Essa afirmação, além de ser um enorme engano,
não é um incentivo eficaz para os mais hediondos pecados?
Deus perdoa todo e qualquer pecado: “Vinde então,
e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam
como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda
que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca
lã.” (Is 1.18) Não nos salva no pecado, mas
nos salva dos pecados, ou seja, depois de serem abandonados:
“Não sabeis que os injustos não hão
de herdar o reino de Deus? Não erreis; nem os devassos, nem
os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados,
nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem bêbados,
nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de
Deus. E é o que alguns teem sido, mas haveis sido lavados,
mais haveis sido santificados, nem haveis sido santificados, mas
haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito
do nosso Deus.”(1 Co 6.9-11)
ADVERTÊNCIAS BÍBLICAS
Dois assuntos muito importantes são expostos na Bíblia
no que concerne à vida além túmulo: Primeiro,
que o destino de cada pessoa é traçado nesta vida
e segundo, que não há salvação depois
da morte.
1. apresenta o perigo da perdição eterna para os
impenitentes, que não se arrependem em vida. Os passos inevitáveis
para o que não se reconcilia com Deus são: morte,
juízo e condenação.
“Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque,
se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.”(Jo
8.24)
“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez
vindo depois disso o juízo.”(Hb 9.27)
2. salienta a urgência da salvação. Existe
o perigo de adiar, de procrastinar a salvação.
“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto
está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem
maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor ao Senhor,
que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus porque grandioso
é em perdoar.”(Is 55.6,7)
“(Porque diz: Ouvi-te em tempo aceitável e socorri-te
no dia da salvação: eis aqui agora o tempo aceitável,
eis aqui agora o dia da salvação.)”(2 Co 6.2)
“Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje
a sua voz, não endureçais os vossos corações,
como na provocação, no dia da tentação
no deserto.”(Hb 3.7,8)
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