Por que os evangélicos
precisam estar atentos aos últimos acontecimentos e intervenções
judiciais nas igrejas?
No fim de Abril, a liderança envangélica brasileira
foi surpreendida por uma decisão judicial polêmica:
uma liminar garantiu a realização de um casamento
na Primeira Igreja Batista de Goiânia. O pastor-presidente
Guilherme de Amorim Àvilla Gimenez teria se recusado a fazer
a cerimônia pelo fato de a noiva estar grávida de três
meses.
A história sempre mostrou com desconfiança e desafeto
a intervenção da Igreja no Estado. Mas, no século
21, parece ser diferente. A impressão que se tem é
que, agora, o Estado é quem quer interferir na igreja. Contra-ataque?
Perseguição? Não dá para saber. Mas
que é preciso estar alerta, não resta dúvida.
O caso de Goiânia veio à tona por meio da imprensa
e provocou reações de todos os lados – umas
favoráveis, outras contrárias ao ocorrido. Políticos,
pastores, juristas, teólogos e professores concordaram e
divergiram em muitos aspectos. A discussão que permanece,
no entanto, é até que ponto o Estado pode, se é
que pode, interferir numa estrutura religiosa ou eclesiástica.
“O Brasil é um país laico, que não tem
religião oficial, então, jamais pode haver interferência
do Estado na igreja. Não tem lógica, não tem
sentido”, afirma o Pastor Jabes de Alencar, presidente do
Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do
Brasil e pastor da Igreja Assembléia de Deus do Bom Retiro,
em São Paulo.
No caso, as portas do templo foram arrombadas.”Não
havia ninguém, nem na casa do zelador”, justifica a
oficial de justiça Célia Fallone, que conduziu o ato.
A cerimônia se realizou sob vigilância judicial. Tudo
porque os noivos, Úrsula Lince de Almeida Alfonso, 22 anos,
e Paulo Henrique de Oliveira Andrade, 21 – ela, até
então, membro da igreja, não teriam encontrado solução
para o impasse com o pastor, e o pai da noiva. O empresário
Marco Antônio Alfonso Silva, “sem alternativa”,
buscou auxilio na justiça. “Nasci nessa igreja. Minha
mãe, hoje com 72 anos, foi zeladora daqui. Minha filha foi
batizada nessa igreja. São três gerações”,
diz ele. “Não esperava passar por essa discriminação.
O pastor nem quis fornecer um certificado que atestasse que Úrsula
é membro da igreja para que ela pudesse se casar em outra.”
Mas, segundo o pastor Guilherme Ávilla, a história
não começa e nem acaba aí.
“O casamento não estava agendado e por isso não
havia sido aprovado pelo conselho da igreja, como é de regra.
Os noivos nem tinham feito o curso obrigatório para que realizemos
o casamento”, explica ele. Além disso, o pastor afirma
que a família da noiva estava nos Estados Unidos há
cerca de quatro anos e ele nem ao menos os conhecia. “Eu os
conheci em março, mas eles já não eram membros
ativos da igreja, e nem era eu que faria o casamento. Achei estranho
a forma como tudo ocorreu”, completa, lembrando que a ordem
de arrombamento do templo foi expedida ppor um juiz plantonista
e que, em nenhum momento, os juízes envolvidos no caso sequer
procuraram saber se a noiva era mesmo membro da igreja. “Foi
abuso e, com certeza, uma intervenção que não
poderia ter ocorrido.” Ainda de acordo com o pastor, o abuso
continuou na hora da cerimônia, que foi celebrada por um ministro
de outra cidade, amigo da família. “Havia seguranças
na porta do templo para impedir a entrada de quem não tivesse
sido convidado”. Acrescenta. E a oficial de Justiça
estava lá, com ordem de prisão em flagrante para quem
tentasse “atrapalhar” a cerimônia.
SOLIDARIEDADE
Questionados sobre o caso, pastores de todo o país mostraram-se
solidários à liderança da Primeira Igreja Batista
de Goiânia. Mesmo quem não concorda ou não quer
discutir o fato de uma igreja evangélica permitir ou não
o casamento de mulheres grávidas, considerou inadequada a
intervenção judicial. São poucos os que vêem
essa ação como legítima.
Leia algumas opiniões:
“Vejo isso com preocupação porque nós,
no Brasil, praticamos o princípio de separação
entre Igreja e Estado, princípio que, se for quebrado, poderá
nos trazer sérios problemas” – Paulo Pancote,
Pastor batista, escritor e professor de Teologia.
“ O que aconteceu na igreja foi uma violência. E o
protesto não é não é só por nós
,evangélicos, mas pelo direito à liberdade de expressão
e consciência.” – Pastor Ariovaldo Ramos, missionário
do Serviço de Evangelização para a América
Latina (Sepal) e presidente da Visão Mundial.
“ A atuação judicial foi arbitrária,
ilegal e uma violência contra a Constituição
Brasileira e o Código Civil”
“ Qual a autoridade que mandaria um padre realizar um casamento
de divorciado? Pelas normas da Igreja Católica um padre não
pode realizar tal casamenbto e não existe juiz nesta terra
que possa obrigá-lo, como da mesma forma, nenhuma autoridade
pode intrometer-se nos assuntos de uma igreja evangélica”
“Sou favorável a que a igreja entre na justiça
contra o juiz para que ele responda na Corregedoria da Justiça
por esse ato tão violento.” - Pastor Silas Malafaia,
Assembléia de Deus da Penha do Rio de Janeiro.
LEIA A OPINIÃO DO PASTOR NATANAEL RINALDI –
Vice-Presidente da Igreja Evangélica da Paz, Santos/SP.
Confesso que é raro ler uma notícia como a presente.
Não de casamento onde já se consumou o pecado de antecipar
o sexo entre os noivos antes do casamento civil e religioso. A maioria
dos nossos líderes preferiria se omitir e deixar o caso para
lá e realizar o casamento sem mais problemas. Mas, me refiro
a atitude viril do pastor da Igreja onde o ato religioso se realizaria.
Não aceitar que tal cerimônia se realizasse mesmo com
o recurso a medidas judiciais tomadas pelo pai da noiva.
Comparo a atitude do pastor a de Pedro e João que se recusaram
obedecer às autoridades dos seus dias que queriam impedir
que se propagasse o nome de Jesus Cristo na cidade de Jerusalém.
Chamados para justificar sua atitude de desobediência, não
titubearam em responder com convicção que há
uma autoridade maior do que aqueles que lhes queriam impor sua vontade
na defesa do judaísmo. (AT 4:18) "E, chamando-os, disseram-lhes
que absolutamente não falassem, nem ensinassem, no nome de
Jesus." (AT 4:19) "Respondendo, porém, Pedro e
João, lhes disseram: Julgai vós se é justo,
diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus;"
(AT 4:20) "Porque não podemos deixar de falar do que
temos visto e ouvido." (AT 4:21) "Mas eles ainda os ameaçaram
mais e, não achando motivo para os castigar, deixaram-nos
ir, por causa do povo; porque todos glorificavam a Deus pelo que
acontecera;"
Parabéns a liderança da Igreja Batista e principalmente
ao seu digno pastor pela atitude intransigente na defesa do bom
nome da Igreja.
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