RF –
Quando o senhor começou a trabalhar como apologista?
NR – Comecei a trabalhar intensamente na área de apologia
em 1983, quando o Instituto Cristão de Pesquisas chegou ao
Brasil. O primeiro escritório foi aberto em São Paulo,
e na época participei como secretário. Fui presidente
do ICP por quatro anos. Hoje, estou em Santos. Mas, antes do ICP,
eu já fazia apologética particularmente. Anos antes,
já vivia estudando, debatendo com adventistas, mórmons,
testemunhas de Jeová e espíritas, toda essa gama de
seitas.
RF – Qual a área em que o senhor se considera
mais especializado?
NR - No adventismo. O que me obrigou a estudar esse grupo religioso
foi o fato de, como dirigente de igreja, ficar incomodado com as
visitas de adventistas nas casas dos crentes. Havia até alguns
crentes que, por desconhecimento, convidavam os adventistas para
debaterem com eles e depois me chamavam para participar. Então,
precisei aprofundar-me no estudo do adventismo. Aliás, mesmo
depois de tantos anos, até hoje estudo o adventismo. Depois,
com o tempo, passei a estudar as testemunhas de Jeová, em
seguida o espiritismo e mais tarde os mórmons. Hoje, posso
dizer que tenho conhecimento sobre quase todas as seitas. E continuo
fazendo apologética. Tenho um programa de Rádio diário,
de duas horas e meia na Rádio Life, em Santos. O nome do
programa é Consultando a Bíblia. Nele, esclareço
questões doutrinárias e respondo a perguntas sobre
seitas.
RF – Alguns críticos dizem que, porque o novo
sempre assusta, os apologistas deveriam ser mais precavidos ao analisar
modismos. O senhor concorda com isso?
NR – Não. Para esclarecer isso, é preciso diferenciarmos
os modismos na área de costumes dos da área doutrinária.
Cada igreja tem sua forma de agir. Como afirma o pastor Antonio
Gilberto (consultor doutrinário da CPAD), o modismo ou costume
é local e temporário, não é algo permanente.
Por isso, cada igreja tem sua forma cultural de atuar. Não
prendo-me aos modismos de costumes. Agora, a doutrina é permanente,
geral , universal. Por isso, devemos nos apegar ao estudo das doutrinas
fundamentais da Bíblia e defendê-las. Os modismos teológicos
não têm nada de novo e são práticas superticiosas.
Por exemplo: a busca de bênçãos pelo azeite
do Monte das Oliveiras, a água do Rio Jordão, a Fogueira
Santa de Israel no Monte Sinai, a Trombeta de Jericó, a areia
da praia da Galiléia, a varinha de Jacó, o túnel
do amor, a pulseirinha, a unção de roupas, o tapete
ungido, a corrente da meia noite, o uso de enxofre, a aliança
ungida, a corrente do setenta apóstolos, a corrente dos filhos
de Deus, a corrente da sagrada família, a corrente da libertação,
a corrente das grandezas de Deus, que são tidas como chamativas
de riquezas; a corrente do encontro com Deus etc. Isso tudo aí
já são práticas ocultistas que entram na igreja
disfarçadamente. É uma superstição camuflada.
Esse é um problema muito sério! È uma calamidade,
porque é uma repetição com princípio
das indulgências da Idade Média. “Você
quer alcançar um favor de Deus? Vai ter que pagar por ele!”
Quanto maior o sacrifício, maior a benção.
RF – O que provoca esse fenômeno do modismo
teológico?
NR – Há uma ansiedade por despertamento e avivamento.
Então, à medida que chegam as novidades vindas da
outra América, elas são logo aceitas aqui, sem filtro.
Quando chegam esses pastores dos EUA com seus modismos, fazem aquelas
reuniões com líderes, congregam a maioria dos pastores
locais e aí, para espalhar isso, é como fogo, porque
cada pastor leva a novidade para sua igreja e tudo se espalha. Eu
costumo ler sempre o jornal Mensageiro da Paz. Em uma edição
de 1997, o MP publicou um excelente artigo que tem o título
Ecos contra a Nova Unção, onde diz que “em sua
forma de pregar e dirigir cultos, os movimentos estranhos, as inovações,
o artificialismo e todas essas técnicas importadas da outra
América são erroneamente interpretadas como sinônimo
de avivamento, poder e autoridade de Deus, deixando uma herança
negativa e satânica para os jovens brasileiros, que representam
a continuidade da direção da igreja no Brasil”.
Isso é uma verdade que me choca. Não é questão
apenas de modismo, mas são cultos estranhos que vêm
sendo realizados, pregando quebra de maldição, o poder
do assopro, as danças espirituais. Até igrejas tradicionais
estão se deixando levar por isso! Mormente esse caso do G12.
O G12 é escabroso! O que tem provocado de divisões
na igreja é alarmante, tanto em igrejas tradicionais no pentecostalismo
como nas igrejas históricas. Há igrejas se quebrando
ao meio!
RF – Dentre os modismos citados, quais o senhor destacaria,
além do G12, como os que provocaram mais mal à igreja
brasileira nos últimos anos?
NR – A Teologia da Prosperidade. Há dois erros básicos
nela. Primeiro, a idéia de que uma das características
do crente de bem com Deus deve ser riqueza material. Segundo, o
crente de bem com Deus não pode ter enfermidade. Quer dizer:
qualquer tipo de doença que um crente tenha é maldição,
e ser pobre ou é falta de fé ou é maldição.
O pior de tudo é que os pregadores desse tipo de doutrina
a propagam pela televisão e o rádio, e muitos crentes
acabam sendo envolvidos. Até a cristologia é comprometida
por essa doutrina.
Ora, como é que você pode, à luz da bíblia
sagrada, dizer que Jesus era rico, que andava em uma espécie
de cadilac da época usava roupas finas etc? E essa história
de dizer que Jesus pagou o preço da nossa redenção
no inferno a Satanás, e não na cruz? Colossenses 2.14
diz o contrário. Outros ainda dizem que Jesus tinha uma natureza
pecaminosa e teria morrido espiritualmente. Com essa teologia, não
o glorificam como Deus verdadeiro e paralelamente pregam a deidade
do homem como um deus. São doutrinas fundamentais da bíblia
sagrada que estão sendo atacadas! É uma heresia de
perdição pregar que a nossa redenção
foi paga a Satanás, quando efésios 5.2 diz que Ele
a pagou a Deus, o pai!
RF – Até quando é bíblica a
cura interior?
NR – Em uma edição da antiga revista Seara (CPAD),
de Janeiro de 1999, li um artigo do pastor da Assembléia
de Deus em Curitiba, José Pimentel de Carvalho, que tem como
título Vestígios da Alma sobre a cura interior.
Ele diz nesse texto algo que concordo plenamente: “O que está
sendo ensinado hoje como cura interior é uma forma cristianizada
da alquimia mental, que é o próprio centro do xamanismo,
isto é, feitiçaria pura”.
Ele cita Filipenses 3.13-14, quando o apóstolo Paulo diz
“esquecendo-me das coisas que atrás ficam”. Ora,
quando a pessoa aceita Cristo, é uma nova criatura, as coisas
velhas se passaram (2Co 5.17). Mas o que vemos hoje é a maldição
hereditária. Quem defende isso cita Êxodo 20.5, quando
Deus diz “visito a maldade dos pais e dos filhos até
a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”.
Nem nesse particular os aspectos dessa cura interior atentam!
Eles não observam que o texto diz “daqueles que me
aborrecem”. Ora, nós aborrecíamos a Deus com
as nossas práticas, mas agora somos novas criaturas, somos
filhos adotivos de Deus e, portanto, não temos mais essa
condição de aborrecermos a Deus como nossas práticas.
Abandonamos a feitiçaria e a idolatria, então como
é que se pode admitir que ainda hoje um crente que nasceu
de novo, abandonou todas as práticas do passado, tenha a
necessidade de quebrar maldições? E ainda mais fazer
regressão hipnótica para apagar um erro do passado?
O manual de instrução desses encontros do G12, por
exemplo, que aderem a isso, declara que precisamos perdoar até
Deus! Isso é um absurdo! De criatura passamos a criador!
Jesus ensinou o contrário na Oração do Pai
Nosso: “... perdoa as nossas dívidas”. Mas estão
invertendo: estão perdoando a Deus!
RF – Que conselho o senhor deixaria para os apologistas
de hoje?
NR – Há uma frase que costumo repetir: “Estamos
fazendo pela verdade o que as seitas fazem pela mentira”.
Infelizmente, muitos estão adotando a teoria de Gamaliel.
Dizem: “Deixa crescer, não se importe com eles, nossa
missão é pregar o evangelho”. O conselho de
Gamaliel, em atos 5, deve ter outro sentido para nós hoje.
Se você tem uma Bíblia, e a Bíblia é
a Palavra de Deus, e encontra uma pessoa que nega a deidade absoluta
de Deus e fala que Jesus é o arcanjo Miguel, você vai
ficar passivo, deixar ensinar isso porque Deus depois vai acabar
com isso? Ora, você tem uma base bíblica para poder
ficar simplesmente passivo e deixar o negócio como está!
Tem que agir e amar a verdade como eles se apegam à mentira.
Precisamos estar preparados.
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