1. O jornal
A TRIBUNA de 20 de setembro de 2008 publica uma notícia alvissareira
para a Baixada Santista sobre a coleta móvel de sangue. Diz
a notícia que "São Paulo pode ganhar um importante
mecanismo para incentivar a população a doar mais
sangue.
Os estoques dos hemocentros com freqüência apresentam
níveis baixos, principalmente em determinadas épocas
do ano, como no frio e no período de verão, nas regiões
litorâneas....
Conforme a proposta apresentada por um deputado de Santos",
seriam disponibilizadas unidades móveis, como ônibus
e vans, adaptados para atendimento nas ruas, nos locais de trabalho
e até na residência dos doadores. As pessoas também
poderiam agendar a coleta por um telefone gratuito.
"Pr. Natanael, não há dúvida que a doação
de sangue é um ato de solidariedade do qual devem participar
todos os cidadãos esclarecidos. Entretanto, há o obstáculo
por alguns levantados segundo o qual a Bíblia proíbe
a doação de sangue. Como o irmão vê essa
objeção levantada?
Realmente há proibição bíblica contra
a doação de sangue como também a transfusão
de sangue a pessoas que necessitam de sangue para sua sobrevivência?
Não vejo o problema, principalmente para nós evangélicos
considerando que a maior demonstração da bondade de
Deus é ter providenciado uma grande doação
de sangue em favor de toda a humanidade quando Jesus Cristo pagou
com seu sangue a nossa redenção. "Sabendo que
não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro,
que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por
tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso
sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado",
(1 Pe 1.18,19).
Diz mais ainda a Bíblia sobre o assunto: "Conhecemos
o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós
devemos dar a vida pelos irmãos".(1 Jo 3.16)
2. Mas encontramos muita objeção contra a
transfusão de sangue pelo grupo religioso conhecido como
testemunhas de Jeová. Tem base bíblica as objeções
levantadas contra essa providência médica?
Não.
Sabemos que historicamente esse grupo religioso foi fundado lá
pelos idos de 1870 nos Estados Unidos e somente em 1945 é
que foram descobrir que a Bíblia proíbe a transfusão
de sangue.
Houve um homem por nome William Schennell que por 30 anos foi testemunha
de Jeová e depois se retirou desse grupo religioso e que
escreveu um livro com o título, "30 ANOS ESCRAVIZADO
À TORRE DE VIGIA".
Ele conta sua experiência e conta que, na ocasião
em que foi tornada pública a proibição de receber
transfusão de sangue, tal medida foi tomada do exemplo tirado
dos alemães adeptos da doutrina nazista de uma raça
superior. Os aviadores alemães que tinham seus aviões
abatidos no bombardeio de cidades inglesas, notadamente sobre Londres
quando eram socorridos rejeitavam qualquer recurso médico
à base de transfusão de sangue, evitando a possibilidade
de que o sangue recebido fosse de pessoas de cor e de judeus e curados
viesse esse sangue correr em suas veias impedindo de estabelecer
uma raça superior. E a propósito, podemos dizer que
a Segunda Guerra Mundial teve início em 1939 e terminou em
1945.
3. Foi só esse caso sobre o qual as testemunhas
de Jeová se manifestaram contrários no campo da medicina?
Não.
Nos primórdios da história desse grupo religioso
havia muito envolvimento com a medicina e expendiam eles certos
conceitos que hoje seriam considerados absurdos.
Por exemplo, vou ler a edição de uma revista publicada
há tempos atrás que recomendava aos seus leitores
o seguinte: "Fazemos bem em ter presente que entre as drogas,
soros, vacinas, operações cirúrgicas, etc.,
da profissão médica, não existe nada que se
aproveite exceto um procedimento cirúrgico ocasional. . .
.
Os leitores da The Golden Age [A Idade de Ouro] sabem a verdade
desagradável a respeito do clero; também deviam saber
a verdade a respeito da profissão médica, a qual surgiu
dos mesmos xamãs (sacerdotes médicos) adoradores de
demónios que os 'médicos da divindade.' " (Golden
Age [A Idade de Ouro], 5 de Agosto de 1931, pp. 727-728).
4. Mas o texto de Levítico 17.10 não proíbe
comer qualquer tipo de sangue?
Sim. Tenha presente que estou dizendo: comer o animal com o seu
sangue. E a razão está indicada no v. 11, "Porque
a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado
sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas;
porquanto é o sangue que fará expiação
pela alma".O sangue dos animais não deveria ser utilizado
na alimentação.
Seu uso exclusivo era fazer expiação, razão
pela qual a Bíblia apresenta diversas referências proibindo
sua utilização para fins alimentícios.
"A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu
sangue, não comereis".(Gn 9.4). Podia-se comer a carne
do animal, mas a carne com o seu sangue não. Nada tem a ver
com o sangue humano. E por que não, porque o sangue era destinado
para expiação do pecado. Assim, do sangue é
proibido apenas o consumo como alimentação. Não
há objeção quanto às transfusões
de sangue. Como nunca houve qualquer proibição contra
vacinas, doações de órgãos que já
foram objeto de proibições periódicas por esse
grupo religioso.
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