Segundo alguns especialistas a predileção por este
tipo de entretenimento encontra sua razão nas necessidades
psicológicas e emocionais latentes na mente humana de querer
extravasar suas neuroses. Outros, porém, como os neurologistas,
procuram explicações do ponto de vista biológico.
Afirmam que o fenômeno está associado a um conjunto
de estruturas nervosas que ativa o chamado "sistema de recompensa"
responsável pelo prazer após intenso estresse causado
pelo pânico. Isso geraria um tipo de bem estar ao final da
euforia.
Não obstante, é enganoso levar em conta somente fatores
naturais quando se sabe que o protagonista desse contexto é
quase sempre o príncipe das potestades do ar, as forças
espirituais da maldade. Logo não seria nada inconveniente
ver nas palavras dos apóstolos quando dizem que o mundo jaz
no maligno e este lhes cegou o entendimento uma explicação
possível e necessária para o caso. (I Jo. 5.19;II
Co. 4.4)
Mas seja como for, o fato é que desde épocas imemoráveis
a presença do demônio sempre mexeu com o imaginário
popular.
Isto porque as forças do sobrenatural exercem um fascínio
mórbido sobre a curiosidade humana. O medo do que não
se pode ver e do misterioso causa um controle quase hipnótico
em alguns indivíduos.
O EXORCISMO NOS POVOS PRIMITIVOS
Um demônio pode possuir uma pessoa? Ou seria ignorância
acreditar em possessão demoníaca hoje? Contudo a milenária
Bíblia nos dá mostras de exemplos claros deste tipo
de fenômeno como no caso do rei Davi que exorcizava o possesso
rei Saul através de tanger sua harpa (I Sm. 16.23) e mais
claramente no Novo Testamento (Mc. 7.24-30; 9.17-29).
Mas Israel não é um caso isolado; as autoridades dentro
do campo das ciências humanas tais como antropólogos,
sociólogos e historiadores são unânimes em atestar
casos de exorcismos dentro da cultura de diversos povos primitivos
como os Egípicios, babilônicos, assírios e outros
que para afastarem a presença dos espíritos maus,
recorriam à praticas de encantamentos, rezas, esconjuros
e fetiches.
Os adeptos do judaísmo esotérico conhecido por Cabala
acreditavam na existência dos dybbykim, ou demônios,
de quem o príncipe é Samael, a serpente que seduziu
Eva.
Similarmente na tradição islâmica, acreditava-se
que os dijinn, ou demônios criados do fogo, eram capazes de
possuir pessoas e para isso eram exorcizados em rituais violentos.
O livro apócrifo de Tobias 6:19 ; 8:2,3, conta como um anjo
por nome Rafael ensina Tobias a exorcizar o demônio com o
fígado de um peixe.
Na idade Média a prática do exorcismo havia se transformado
em algo corriqueiro sob o comando da Igreja Católica. Não
era raro ver cenas que mais pareciam shows macabros aos gritos de
"exconjuro-te em nome de Cristo" por padres, enquanto
aos gritos e convulsões o possuído era arremessado
violentamente ao chão.
Mas para quem acha que o demônio ficou enclausurado dentro
das masmorras dos tempos medievais, está enganado!
O fascínio pelo maligno tem sido resgatado através
das telinhas dos cinemas. Os ataques do demo foram ficando cada
vez mais impressionantes com a ajuda das modernas técnicas
cinematográficas Hollywodianas. Filmes como os macabros "Estigmata",
"O bebê de Rosemary", "Profecia", "Fim
dos Tempos" e muitos outros figuram entre os sucessos do horror.
Contudo, nenhum se igualou ao "O Exorcista".
UM FILME AMALDIÇOADO
O fato é que "O Exorcista" não ficou famoso
apenas por arrecadar a melhor bilheteria da história da Warner
Bros sendo o único filme de terror indicado ao Oscar de melhor
filme. Os incidentes que o acompanharam permitiram que sua fama
horripilante subisse ainda mais deixando tênue a linha entre
o fictício e a realidade.
Quando o diretor John Boorman negou dirigir o filme por considerar
a história cruel demais, ele não estava exagerando.
O impacto das cenas nas salas de cinema na época foram tão
fortes que muitas pessoas passavam mal e deixavam o cinema antes
mesmo do filme acabar. Finalmente os cinemas de Washington proibiram
a entrada de menores de 17 anos para assistir ao longa-metragem.
Diz o ditado popular que com o demônio não se brinca.
Coincidência ou não, o filme foi interrompido inúmeras
vezes devido a vários acidentes misteriosos.
O primeiro grande incidente envolvendo o primeiro filme foi um incêndio
no set de gravações num fim de semana quando não
havia ninguém por perto. O diretor Friedkin pediu ao padre
Berminghan para exorcizar o set mas o padre se negou.
Durante os 21 meses de filmagens morreram 9 pessoas ligadas diretamente
ao filme e muitas outras que estavam ligadas indiretamente como
parentes dos atores e funcionários da gravadora.
Em uma das cenas em que Ellen Burstyn é arremessada para
longe, por sua filha com possessão demoníaca, Burstyn
bateu violentamente com o coccix contra a cama se ferindo de verdade.
No segundo filme da série o diretor John Boorman contraiu
um raro vírus que obrigou a suspensão das filmagens
por 5 semanas.
Em "O Exorcista - O Início" mais uma morte: a do
diretor John Frankenheimer, que abandonou o projeto um mês
antes de falecer.
O que diríamos sobre tais incidentes: que foi coincidência?
Maldição? Fraude para ganhar publicidade? Creio que
ainda ninguém pode dar uma resposta satisfatória a
todas estas questões, mas de uma coisa temos certeza: as
pessoas que não estão debaixo das potentes mãos
de Deus e cobertas com o sangue de Jesus são presas fáceis
nas mãos dos espíritos das trevas.
Estava errado Tomás de Aquino quando dizia que apenas "a
força de vontade e o intelecto humano eram a proteção
contra a possessão demoníaca".Não. Somente
revestido das armas espirituais poderemos vencer o maligno. (Ef.
6.12)
Para os verdadeiros cristãos a Bíblia deixa a seguinte
promessa:
"...aquele que nasceu de Deus, o Maligno não lhe toca."
(I Jo. 5.18)
A HISTÓRIA POR TRÁS DA HISTÓRIA
O que muitos não sabem é que a história contada
no filme em 1973 é uma adaptação do livro de
William Peter Blatty (diretor de "O Exorcista III") publicado
dois anos antes, que por sua vez foi baseado numa história
real.
Blatty quando ainda universitário, leu um artigo publicado
no Washington Post em 20 de agosto de 1949, relatando um exorcismo
de um garoto de 14 anos ocorrido em Mount Rainier, no estado de
Maryland, subúrbio de Washington.
Segundo suas pesquisas o garoto começou a manifestar sinais
de possessão quando tentou comunicar com sua falecida tia
através da mesa de Ouija.(2)
O garoto a partir daí começou a manifestar uma personalidade
nefasta, agindo violentamente e falando palavrões; também
segundo relatos ocorreram cortes de sangue em seu corpo onde apareciam
as palavras, inferno e ódio. Alguns padres foram chamados
para exorcizar o demônio, mas não obtiveram sucesso
a não ser depois de um mês. Este é o fundo histórico
por trás da ficção no qual podemos ver como
as práticas espíritas abrem as portas para os demônios
se apossarem das pessoas.
Há milênios antes de Cristo Deus já advertia
ao seu povo para não se contaminar com práticas ocultistas
como por exemplo a invocação de mortos:
"nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador,
nem mágico, nem quem consulte os mortos" (Deut. 18.11)
Toda prática espírita mesmo que seja aparentemente
inofensiva como um simples "jogo do copo" é perigosa.
A IGREJA CATÓLICA E O EXORCISMO
O Papa João Paulo VI afirmou em 1972: "Nós sabemos
que espíritos perturbadores existem e que agem com astúcia
traiçoeira."
O exorcismo é sem dúvida uma das práticas mais
conhecidas da igreja católica.
A palavra "exorcismo" vem do grego "exousia",
que significa "rejeitar".
É o ato pelo qual se expele o demônio da pessoa ou
lugares através de fórmulas, água benta, sal,
esconjuros, crucifixos etc...
Com o passar do tempo o exorcismo foi se institucionalizando a ponto
de ser criado um conjunto de regras para praticá-lo. O Rituale
romanum reuniu diversos ritos de exorcismos para situações
variadas. (3)
Há até clérigos especializados neste ritual
como é o caso do padre Gabrielle Amorth que diz ter praticado
50.000 exorcismos.
Apesar da igreja atualmente enxergar com reservas esta prática,
recorrendo às ciências humanas como a psiquiatria para
explicar o fenômeno, o papa João Paulo II alega ter
exorcizado uma jovem garota em 1982.
O OUTRO LADO DA MESMA MOEDA
Apesar desta tradição ainda fazer parte da doutrina
católica atual, hoje porém, um número cada
vez mais crescente de padres estão se envolvendo com a chamada
parapsicologia, buscando explicações psicológicas
ou parapsicológicas para as manifestações demoníacas.
Um desses nomes é o Jesuíta padre Oscar G. Quevedo
que já escreveu dezenas de livros sobre o assunto e é
fundador do Centro Latino-Americano de Parapsicologia.
Em um de seus livros "Antes que os Demônios Voltem",
ele não só entra em choque com as declarações
do Ritual Romano da sua igreja, mas vai além, dizendo que
as próprias possessões encontradas na Bíblia
não passavam de fenômenos parapsicológicos.
Em outro livro comentando o caso do possesso de Gadara (Marcos 5.1-17)
ele chega às raias do absurdo ao declarar que "torna-se
difícil dar ao caso uma explicação demoniológica,
ao passo que, numa explicação parapsicológica,
o fato se torna bem claro".
A verdade é que tais declarações são
perigosas. Elas não só sugerem que as narrativas bíblicas
são falsas, como de quebra coloca em dúvida o próprio
caráter de Cristo, pois se Jesus sabia (pressupondo sua onisciência)
que aquilo não passava de uma histeria psicológica,
fruto da mente doentia daquele homem, ele enganou o povo e seus
próprios discípulos ao doar o mesmo poder para fazer
algo que não funcionava (Marcos 16.17). Assim Jesus fica
na mesma categoria dos charlatões e fraudulentos de hoje
em dia. Por outro lado se Jesus desconhecia o fenômeno e o
ensinou como possessão demoníaca ele não só
foi vítima de sua própria ignorância como levou
muitos ao erro. Desta maneira a Bíblia não é
mais digna de crédito, pois ensina fábulas em lugar
de verdade. Coisas que na verdade não funcionam, pois não
há demônio algum para se expulsar!
O EXORCISMO FUNCIONA?
Quando lidamos com as forças do mal temos de ter em mente
o seguinte pressuposto: o diabo é o pai da mentira! (Jo.
8.44)
Sendo assim, ele pode enganar sutilmente aqueles que não
possuem discernimento bíblico para lidar com a questão.
Jesus deixou claro que o único veículo utilizado para
expulsar demônios era o seu nome (Marcos 16.17). Ritos para
expulsar demônios se tornam ineficazes quando não há
verdadeira conversão (Atos 19.13-17). Nenhuma recomendação
há em todo o NT sobre preces, sortilégios e conjurações;
apenas somos incentivados a fiarmos em seu poder usando seu nome
(Lucas 10.17).
Embora muitos alegam ter expelido o demônio através
de tais práticas é bom lembrar que isto não
é garantia de que a pessoa é de fato de Deus (Mateus
7.22-23).
EXPULSÃO DE DEMONIOS NÃO É SHOW
Não devemos dar lugar ao diabo (Ef. 4.27). Nem mesmo na hora
de combatê-lo. Devemos ter em mente que estamos lidando com
seres inteligentes que maquinam o mal (Ef. 6.11).
É digno de nota também que não devemos fazer
da expulsão alarido, chamando a atenção para
a pessoa possuída. O espírito mal deseja justamente
isso, humilhar o ser humano.
Por isso não é correto conversar com demônios,
ou fazer com que as pessoas se arrastem de um lado para o outro
demonstrando autoridade sob o espírito maligno. Isto na verdade
está servindo aos propósitos dele, pois ao invés
de estes atos demonstrarem autoridade sob o demônio eles acabam
causando dores e escoriações no corpo do possesso.
Devemos tomar cuidado para ao invés de combate-lo não
acabar cooperando com ele.
CONCLUSÃO
Sabemos que o diabo e seus anjos existem e as possessões
são reais. Não exatamente como aparecem no filme,
mas acontecem. No entanto, há aqueles que vêem demônios
em tudo e por outro lado existem aqueles que negam qualquer ação
demoníaca sobre os homens. Devemos então traçar
uma linha de equilíbrio sobre a questão, o extremismo
é prejudicial para ambos os lados.
Também devemos reconhecer que muitos casos aceitos como possessão
não passam de distúrbios mentais, doenças psíquicas,
por isso precisamos ter discernimento espiritual para agirmos de
modo correto, distinguindo um do outro.
Vamos fazer uso das armas que Deus nos deu para combatermos as potestades
do mal e resisti-las no dia mal. Uma dessas armas é o nome
de Jesus. Somente uma pessoa verdadeiramente convertida poderá
obter sucesso nessa luta, pois fiel é quem prometeu: em meu
nome expulsaram demônios! (Marcos 16.17)
Obras consultadas
Revista Defesa da Fé edição especial 2000,
pág. 74
Revista Galileu nº 147 outubro 2003 págs. 18-25.
McDowell, Josh & Stewart, Don, "Entendendo o Oculto"
editora Candeia - São Paulo - 1996.
Quevedo, G. Oscar, "O que é Parapsicologia" ed.
Loyola - São Paulo - 1982 pág. 75.
Sites consultados
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/
rc_con_cfaith_doc_19850924_exorcism_po.html
http://www.fenomeno.trix.net/fenomeno_fenomenos_1_exorcista.htm
http://www.exorcista.hpg.ig.com.br/
Notas de referências
1 - Este é o quarto de uma série de filmes que foi
estrelado em 2004 com um orçamento de US$ 40 milhões
contando a história do primeiro contato que o padre Merrin
teve com o demônio.
2 - Esta mesa é uma variante do que é chamado aqui
no Brasil de 'jogo do copo" onde se tenta fazer comunicação
com os mortos através de perguntas e respostas utilizando-se
uma mesa e um copo.
3 - No site do Vaticano existe uma nota sobre exorcismo dada pelo
Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação
para a Doutrina da Fé a qual afirma que o cânon 1172
do Código de Direito Canônico declara que a ninguém
é lícito proferir exorcismo sobre pessoas possessas,
a não ser que o Ordinário do lugar tenha concedido
peculiar e explícita licença para tanto[...] Destas
prescrições, segue-se que não é lícito
aos fiéis cristãos utilizar a fórmula de exorcismo
contra Satanás e os anjos apóstatas, contida no Rito
que foi publicado por ordem do Sumo Pontífice Leão
XIII; muito menos lhes é lícito aplicar o texto inteiro
deste exorcismo.
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*Paulo Cristiano, é presbítero da Igreja Evangélica
Assembléia de Deus e há mais de dez anos pesquisador
de seitas;palestrante co-fundador e vice-presidente do CACP (Centro
Apologético Cristão de Pesquisas). É membro
da comissão revisora do curso teológico do Instituto
Bíblico das Assembléias de Deus em São José
do Rio Preto(IBADERP). Já desenvolveu pesquisas e escreveu
artigos sobre temas relacionados à fé cristã
em diversos periódicos evangélicos e seculares. Dentre
os muitos publicados na revista Defesa da Fé. Leciona Heresiologia
e Novo Testamento na Faculdade de Teologia da Assembléia
de Deus do Calvário (FATAC). É autor do livro “Desmascarando
a Idolatria”, ainda sem data prevista para lançamento.
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