| Nogueira
O que o levou a ser apologista?
Rinaldi Depois de minha conversão, na adolescência,
resolvi cooperar na obra de Deus, mesmo sem ser obreiro qualificado.
Espontaneamente ocupei-me em fazer visitas aos novos convertidos
e participar dos cultos nos lares e ao ar livre. Como resultado
disto, havia decisões de várias pessoas por Cristo.
Encarregava-me de visitá-las periodicamente. Certa ocasião
notei que, ao sair de uma determinada casa, logo em seguida dois
homens entraram na mesma residência. Posteriormente soube
que se tratava de adventistas do sétimo dia que semeavam
suas doutrinas justamente nos lares onde eu evangelizava.
Entrei em pânico quando fui desafiado a participar de um debate
na casa de um de nossos irmãos. Fui procurado pelos membros
desta seita para debater sobre o tema: O sábado deveria ou
não ser guardado pelos cristãos? Estava completamente
despreparado. Fui obrigado a estudar o livro "Sabatismo à
luz da Palavra de Deus". Não houve mais trégua.
Era puxado para debates nas igrejas adventistas (movimento de Reforma).
Viajava para dar assistência aos irmãos que eram pressionados
por eles. Mudei-me para São Paulo e aí começou
a luta com as testemunhas-de-Jeová. Elas são pessoas
belicosas no debate religioso. Ufanam-se de possuírem a religião
verdadeira, aliás, a única sobre a face da Terra.
Vieram depois os mórmons e nunca mais parei de estudar sobre
seitas, religiões e movimentos evangélicos controvertidos.
É o meu ministério.
Nogueira O senhor acha que a apologia é também
necessária nos dias de hoje?
Rinaldi Necessária hoje? Sempre foi necessária. O
que ocorre realmente é que a liderança evangélica
não se preocupa com este assunto. Falamos muito em evangelização
e missões. Porventura uma pessoa que sai a evangelizar não
encontra com os adeptos das seitas? Estão os crentes preparados
para fazer defesa da fé?(Tt 1.9) Infelizmente reconhecemos
como verdade o que declara o escritor do livro O Caos das Seitas:
"Nunca houve na história da Igreja uma época
de cristãos tão analfabetos biblicamente falando como
a nossa". Desconhecemos não só o que cremos como
o que é ensinado pelos sectários. Como podemos ganhá-los?
As testemunhas-de-Jeová não batem à nossa porta
semanalmente aos domingos de manhã? Enfrentamo-las com a
Bíblia na mão,
ou batemos a porta em sua cara? Nunca foi tão necessária
a apologia como nos dias de hoje, mormente quando se cumpre a "apostasia"
de que fala Paulo em 1 Timóteo 4.1.
Nogueira Se não tivermos cuidado, que mal as seitas
e heresias farão à Igreja Cristã na atualidade?
Rinaldi Simplesmente trabalharemos para as seitas. Evangelizamos?
Sim. Ensinamos? Não. Os chamados neófitos na fé,
que não sabem distinguir o erro da verdade (Ef 4.14), são
levados cativos por todo o tipo de heresias, desde as chamadas pseudo-cristãs
que se utilizam da Bíblia para enganar (Mt 7:15,16) como
as seitas mais extravagantes, entre elas os Meninos de Deus (A Família),
que pregam a "pesca-cokete": ganhar pessoas para Cristo,
através da prostituição sagrada.
Nogueira Na sua opinião, o que falta em nosso meio
evangélico para combatermos eficientemente as seitas e heresias?
Rinaldi Falta a conscientização sobre o avanço
das seitas. Muitos adotam a atitude de Gamaliel (At 5:38,39): "Não
fale sobre o crescimento das seitas, pois se for de Deus não
devemos ser encontrados lutando contra o próprio Deus; e
se for dos homens, extinguir-se-ão". Com isso vemos
o avanço do Espiritismo em todas as suas modalidades no Brasil:
Kardecismo, Legião da Boa Vontade, Cultura Racional, Umbanda,
Quimbanda, etc. Vemos o crescimento das Testemunhas de Jeová,
que ocupam o terceiro lugar no mundo com o pretexto de serem os
legítimos representantes de Deus na Terra. Vemos o avanço
dos mórmons, os quais criam entidades missionárias
e enviam jovens brasileiros para o Exterior.
É necessário que nossos seminários, nossas
escolas e faculdades de teologia tenham professores eficientes no
conhecimento dos erros doutrinários das seitas, a fim de
que os alunos refutem, à luz da Palavra de Deus (2 Tm 2.15),
estes erros.
Nogueira Como e para que surgiu o ICP no Brasil?
Rinaldi Ele surgiu em nosso país com a vinda do diretor
do ICP dos Estados Unidos - Dr. Walter Martin - (já falecido)
ao Brasil. Foi realizado em São Paulo um seminário
sobre seitas com a presença de vários líderes
ex-integrantes de diversos movimentos heréticos. Foi um sucesso.
Quase todas as escolas teológicas da capital participou do
evento. Com a presença destes ilustres visitantes americanos
ficou decidida a abertura de um escritório no Brasil. Ele
funcionou inicialmente na Rua 23 de Maio, 116, no centro de São
Paulo. Depois veio para o nosso país o missionário
Paul Garden que assumiu a presidência da filial do ICP. Fomos
muito abençoados com a vinda desta entidade para a nossa
pátria.A literatura sobre seitas e heresias em língua
inglesa é muita rica. Ganhamos uma biblioteca só para
apologética. Um tesouro que nós brasileiros desconhecemos.
Muitas igrejas solicitaram seminários em fins de semana e
os obreiros do ICP viajaram por todo o Brasil, a fim de ministrar
palestras sobre seitas e heresias. Os institutos bíblicos
de São Paulo valiam-se dos obreiros do Instituto Cristão
de Pesquisas. As agências de missões faziam questão,
antes de enviar seus missionários ao Exterior, que eles tivessem
pelo menos uma semana de estudo intensivo no ICP. Acredito que foi
uma bênção para nós brasileiros a vinda
deste Instituto.
Nogueira O senhor acha que o ICP tem cumprido o seu propósito
ou ainda falta alguma coisa para que coroe de êxito a sua
missão?
Rinaldi O ICP cumpre a sua parte, pois oferece muitas informações
religiosas a todo o Brasil. O que lamentamos é a falta de
receptividade dos pastores brasileiros. Uma indiferença chocante.
Por isso perdem vários membros de suas igrejas para as seitas,
pois oferecem seus púlpitos aos sectários; compram
literatura apóstata e não percebem o mal que causam
a si mesmos. Se o ICP tivesse mais condições, ofereceria
o melhor aos nossos irmãos obreiros. Porém faltam-lhe
recursos, os quais poderiam chegar das igrejas. O êxito do
ICP tem sido parcial, quando deveria ser total, pois o problema
do avanço das seitas permanece.
Nogueira O que as igrejas evangélicas podem fazer
para melhorar a atuação do ICP entre os cristãos
brasileiros?
Rinaldi Acabar com este "slogan" de que não interessa
a placa da igreja. Admitem muitos líderes que tudo é
igual. Basta evangelizar. Fazer defesa da fé (Jd 3) nem pensar.
Quando um pastor proíbe alguém conhecedor do efeito
daninho das seitas falar sobre o assunto em sua igreja, como vamos
melhorar o ICP para ajudar as denominações evangélicas?
Repito: falta conscientização da maioria dos nossos
pastores líderes. Não falam no assunto e não
permitem que se fale. É uma lástima, uma vergonha!
Nogueira O que o senhor acha da revista Defesa da Fé?
Rinaldi Lançamento oportuno para orientação
dos cristãos brasileiros. É com avidez que os assinantes
aguardam a sua chegada a cada trimestre. Já publicamos três
números com assuntos importantíssimos de orientação
para os evangélicos em geral.
Nogueira O que devemos fazer para melhorá-la?
Rinaldi Como se encontra, está boa, além das expectativas.
Precisamos melhorar a sua divulgação. Que cada pastor,
líder ou membro de igreja seja um leitor assíduo da
revista. Cada um de nós deve divulgá-la, a fim de
que aumente a sua tiragem, com alcance nacional.
Nogueira Na verdade, encontramo-nos na pré-tribulação
ou ainda aguardamos o princípio de dores?
Rinaldi Nós, que lutamos contra os ensinos errôneos
das seitas chamadas apocalípticas, não podemos cair
no erro de marcar datas para acontecimentos proféticos. Sabemos
que vivemos em tempos de apostasia (1 Tm 4.1); e a vinda de Jesus
avizinha-se (Mt 24.36,37; 2 Tm 3.1-4); mais longe de nós
afirmar se estamos ou não em tempos que procedem a grande
tribulação,mesmo porque aguardamos o Arrebatamento
da Igreja (1Ts 4.16,17).
Nogueira O senhor acredita que, apesar da disseminação
das seitas, n atualidade, a Igreja Cristã sobreviverá
a tudo isso através de um despertamento espiritual?
Rinaldi Por experiência própria a luta contra as seitas
tem-me feito
permanecer atento, em um despertamento contínuo. Cada dia
em que acordo com o propósito de falar de Cristo aos perdidos,
não sei se estes são adeptos de uma seita. Por isso
preciso estar preparado, tinindo, com a Bíblia memorizada
na cabeça e no coração. Vigiando sempre porque
o sectário espia-me, olha a minha vida para ver se há
algum deslize pelo qual possa me acusar. Há despertamento
maior do que este de orar, vigiar, estudar a Bíblia?
Não creio no que se realiza dentro de quatro paredes. No
que não se volve para os perdidos. Acredito naquele que se
refere à conscientização da vida cristã
dentro e fora da igreja. Vinte e quatro horas por dia.
Nogueira O senhor acha que a ênfase dada pelos veículos
de comunicação aos OVNIs é um prenúncio
da vinda do Senhor Jesus?
Rinaldi Se existem, são manifestações diabólicas
como as previstas em Efésios 2.2 e 2 Tessalonicenses 2.8-10.
É a chegada do Movimento Nova Era com a sua ideologia de
um novo Cristo a começar do ano 2.000. É o ocultismo
que impera. É o satanismo aberto e declarado com seus seguidores
que admitem ser extraterrestes. Naturalmente tudo isso é
um prenúncio da vinda de Jesus (Mt 24.29).
Nogueira Que palavra o senhor daria aos leitores de "Defesa
da Fé" a este respeito?
Rinaldi O melhor conselho que posso dar é que se tornem
estudiosos da Palavra de Deus (At 17.11), como os cristãos
bereanos. Paralelamente ao estudo da Bíblia, a leitura de
livros específicos sobre o combate às seitas e fazer
isto pela verdade, o que os adeptos das seitas realizam pela mentira.
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