É possível alguém adorar o verdadeiro Deus
e cair no pecado de idolatria? Uma pessoa pode devotar-se a outra
ou a alguma coisa e ainda assim achar que está promo¬vendo
a genuína adoração? A resposta a essas duas
perguntas é um sonoro SIM. Como exemplo, podemos extra¬ir
das páginas da Bíblia a história do povo de
Israel.
A SERPENTE DE METAL
Quem não conhece a história bíblica da serpente
de metal? O povo de Israel, no deserto, murmu¬rou contra Deus
e Moisés. Então, o que o Senhor fez? Enviou serpen¬tes
ardentes para morder o povo, que logo reconhece tratar-se de um
castigo divino decorrente da atitu¬de que vinha cometendo. Os
israelitas clamaram a Moisés, e este foi orientado por Deus
a erguer uma serpente de metal no meio do acam¬pamento. Aqueles,
portanto, que fossem mordidos pelas serpentes abrasadoras tinham
apenas de olhar para a serpente de metal para que ficassem livres
dos efeitos de suas ‘mordidas. Com o tempo, porém,
os israelitas passaram a cultuar a serpente de metal como um ídolo,
dando-lhe o nome de Neustã. Tem¬pos depois, em virtude
da atitude insensata dos israelitas, o piedoso rei Josias ordenou
a destruição des¬sa serpente, que se havia tornado
objeto de adoração para a nação de Israel.
E disse o Senhor a Moisés: Faze¬te uma serpente ardente,
e põe-na sobre uma haste, e será que viverá
todo o que, tendo sido picado, olhar para ela. E Moisés fez
uma serpente de metal, e pó-la sobre uma haste; e sucedia
que, picando al¬guma serpente a alguém, quando esse olhava
para a serpente de me¬tal, vivia (Nm 21.8-9).
Ele tirou os altos, quebrou as estátuas, deitou abaixo os
bosques, e fez em pedaços a serpente de me¬tal que Moisés
fizera; porquanto até aquele dia os filhos de Israel lhe
queimavam incenso, e lhe chama¬ram Neustã (2 Rs 18.4).
TEMPLO DO SENHOR
Em outra ocasião, os judeus pas¬saram a confiar na linhagem
davídica e no sacerdócio araônico, para que
pudessem salvar-se dos
invasores. Diziam eles: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo
do Senhor é este (Jr 7.4). Muito embora os judeus tivessem
demons¬trado fé no templo do Senhor, que ficava em Jerusalém
e era uma de suas glórias, não tiveram eles o livramento
esperado. Por isso foram levados cativos por Nabucodonosor para
Babilônia (2 Rs 25.8-9). Isso porque eles olhavam para o templo
apenas como um meio para se li¬vrarem das forças inimigas.
Resul¬tado? Foram culpados de idolatria!
O QUE DIZEM AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
As Testemunhas de Jeová corro¬boram com o nosso ponto
de vista de que é possível alguém prestar cul¬to
a Deus por meio de uma organl¬zação religiosa
e, ao mesmo tempo, tornar-se idólatra. Declaram: Se uma pessoa
rende serviço em obediência a alguém ou a alguma
organização, quer voluntária, quer compulsoria¬mente,
considerando como algo em posição superior de domínio
e com grande autoridade, então se pode dizer biblicamente
que tal pessoa é idólatra (A Sentinela - 1 de março
de 1962. STV. p. 141).
O ESCRAVO FIEL E DISCRETO
Na Tradução do Novo Mundo, uma publicação
da Sociedade Tor¬re de Vigia, a versão de Mateus 24.45
vem da seguinte forma: escravo fiel e discreto. Essa figura é
aplicada pelas Testemunhas de Jeová a seus líderes,
pessoas encarregadas de distribuir-lhes o alimento espi¬ritual
desde 1914. Esses líderes tam¬bém são conhecidos
como Corpo Governante.
Os prosélitos dessa seita afirmam que seus líderes,
com ministério sediado no Brooklin, Nova Iorque, recebem
orientação teocrática e, por isso, não
devem ser questionados em sua autoridade supostamente divina. Ao
contrário, devem ser cegamente obedecidos. Pois, segun¬do
crêem as Testemunhas de Jeová, tais homens são
os únicos intérpre¬tes infalíveis das Escrituras.
Ainda segundo as Testemunhas de Jeová, a Bíblia não
foi escrita para ninguém, a não ser para elas próprias,
somente. Ele [Deus] não alimenta cada um individualmente
nem designa sobre eles [adeptos da Seita] uma só pessoa.
Nenhum es¬tudante individual da Palavra de Deus revela a vontade
de Deus, tampouco interpreta a sua Palavra. Deus interpreta e ensina,
mediante Cri sto, o Servo Principal, que por sua vez usa o escravo
discreto como canal visível, a organização
teocrática visível (A Sentinela -novembro de 1952.
STV. p. 164).
A Bíblia é um livro de organi¬zação
e pertence à congregação cristã como
organização, e não a indivíduos, não
importa quão sinceramente creiam poder interpre¬tar a
Bíblia. Por esta razão, a Bíblia não
pode ser devidamente entendida sem se ter presente a or¬ganização
visível de Jeová (A Sen¬tinela- 1 de junho de
1968. STV. p. 327).
As Testemunhas de Jeová po¬dem até vir a discordar
do ensino do Corpo Governante, mas isso de nada adiantará.
Pois é aquilo que o escravo fiel e discreto escreve nas publicaçôes
da Sociedade Torre de Vigia que deve ser transmitido de porta em
porta quando os adeptos dessa seita saem em seu trabalho de campo:
As verdades que havemos de publicar são aquelas que a organi¬zação
do escravo discreto fornece, e não algumas opiniões
pessoais contrárias ao que o escravo providenciou como sendo
sustento con¬veniente (A Sentinela - novembro de 1952. STV,
p. 164).
E concluem: Os que permanecem leais à or¬ganização
de Jeová assumem o parecer que os apóstolos tinham,
quando muitos dos discípulos de Je¬sus deixaram de segui-lo.
Pedro expressou os sentimentos deles, dizendo: Senhor, para quem
iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. As ovelhas leais vêem
que o cami¬nho da vida é com a organização
fiel de Jeová (A Sentinela - 1 de maio de 1963. STV, p. 279).
O FIM DA LEI É CRISTO
Quem poderia imaginar que as Testemunhas de Jeová, no seu
zelo religioso, se assemelhassem àqueles a quem Paulo afirmou:
Porque lhes dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas não
com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justi¬ça
de Deus, e procurando estabele¬cer a sua própria justiça,
não se sujeitam à justiça de Deus. Porque o
fim da lei é Crista para justiça de todo aquele que
crê (RM 10.2-4).
Se uma pessoa obedece a alguém ou a alguma organização,
voluntá¬ria ou compulsoriamente, como algo de domínio
superior e de grande au¬toridade, então pode-se dizer
bibli¬camente que tal pessoa é idólatra.
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