Conceito
Atual
Quanto à celebração do Natal, o conceito atual
apresentado pelas Testemunhas de Jeová tem sido aparentemente
radical. Uma de suas publicações, a revista A Sentinela,
no artigo intitulado O Natal - Por que é perigoso? apresenta
várias informações distorcidas sobre o Natal.
Vejamos algumas de suas acusações quanto à
influência dos costumes pagãos no Natal cristão:
Os antigos povos do norte da Europa temiam que a longa escuridão
de dezembro prognosticasse a morte do sol, em trevas. Aquele povo
supersticioso decorava suas casas com azevinho, hera, visco, lauréis
e outras sempre-vivas, pois estas sobreviviam ao inverno, sendo,
portanto, elementos apropriados para clamor ao nascimento do deus
sol. Os romanos também tinham sua maneira peculiar para comemorar.
As Saturnais começavam em 17 de dezembro e duravam até
o dia 24. Nessa ocasião, eram distribuídos, junto
com os presentes, alguns versos literários do poeta Marcial.
Com isso, as TJs querem associar tais versos de conteúdo
erótico, distribuídos à plebe romana, aos atuais
cartões que enviados aos nossos convivas, amigos e familiares
nessa época do ano. Isso demonstra a insistência em
detalhes que fazem em detrimento do óbvio. Jesus expôs
a hipocrisia dos escribas e dos fariseus quando estes preocupavam-se
apenas com pequenos detalhes e esquivavam-se dos valores absolutos:
Condutores de cegos! Que coais um mosquito e engolis um camelo (Mt
23.24).
O Natal tem sua origem na não-cristã adoração
do sol. Esta celebração remonta ainda à antiga
Babilônia, onde o povo adorava o deus sol Xamaxe - relata
A Sentinela. E conclui: Pode-se ver assim porque a palavra perigo
deve ser associada ao Natal.
O artigo sugere, ainda, que a celebração do Natal
resulta no perigo da perda do favor de Deus. Eis sua declaração:
Contudo, o perigo mais sério de se celebrar o Natal é
que poderia levar à perda do favor de Deus. Por quê?
Há diversos motivos. Por exemplo, o Natal promove a idolatria,
algo proibido pela Bíblia...
Finalizando, o texto em pauta aponta outro suposto fator perigoso
induzido pelo Natal: Além disso, a celebração
do Natal tem promovido a adoração de Jesus em lugar
do Pai dele, Jeová Deus. Isto constitui outra forma de idolatria,
visto que o glorificado Senhor Jesus Cristo é o princípio
da criação de Deus.
Tais afirmações são sérias, visto que
as Testemunhas de Jeová, durante 58 anos, comemoraram o Natal.
O relato desse fato encontra-se no livro Testemunhas de Jeová
- Proclamadores do Reino de Deus (2). Esse feriado [Natal] era celebrado
anualmente até mesmo por membros da equipe da sede da Torre
de Vigia no Lar de Betel de Brooklyn, Nova Iorque. Por muitos anos,
sabiam que 25 de dezembro não era a data certa, mas arrazoavam
que a data já por muito tempo havia sido associada popularmente
com o nascimento do Salvador e que era apropriado fazer o bem a
outros em qualquer data (3).
Pergunta: será, então que as Testemunhas
de Jeová estiveram fora do favor de Deus durante esses 58
anos?
Resposta: as evidências são claras e demonstram que,
desde o surgimento desse movimento até os dias de hoje, seus
adeptos continuam longe desse favor! Prova disso é extremamente
visível por suas profecias que jamais se cumpriram. Falsas
predições, heresias! É evidente que Jeová
Deus não tem dirigido tal organização sectária.
Antes de prosseguirmos com a nossa análise quanto ao Natal
ser ou não uma celebração pagã, devemos
considerar outra acusação descabida por parte das
Testemunhas de Jeová. Culpam o Natal de promover a adoração
a Jesus Cristo. Esquecem-se, portanto, que é a própria
Bíblia, a Palavra expressa de Deus, quem promove a adoração
ao Senhor Jesus Cristo! Em Filipenses 2.10, lemos o seguinte: Para
que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão
nos céus, e na terra, e debaixo da terra.
Esse texto é uma citação de Isaías
45.23, onde o profeta atribui a Jeová Deus uma adoração
universal, e Paulo, agora, a aplica a Jesus Cristo. O livro de Atos
dos Apóstolos 4.12 diz: E em nenhum outro há salvação,
porque também debaixo do céu nenhum outro nome há,
dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos. Até mesmo
as hostes celestes devem adorar a Jesus: E outra vez, quando introduz
no mundo o primogênito, diz: e todos os anjos de Deus o adorem
(Hb 1.6). Não devemos nos esquecer de que a Tradução
do Novo Mundo, Bíblia usada pelas TJs, corrompeu esse versículo
ao trocar a expressão adorem por prestem homenagem.
Raízes de paganismo
As Testemunhas de Jeová caem em contradição
ao usarem duas medidas (Pv 11.1) em seus critérios. Afirmam
que vários ornamentos e símbolos utilizados nas cerimônias
de casamento são de origem pagã, contudo, não
proíbem sua realização. Que princípios,
afinal, utilizam para aprovar ou proibir? O fator básico
para suas considerações é a cristologia. Sua
organização vive em função de um nome,
Jeová, desprezando e rebaixando Jesus, atribuindo-lhe o nome
de Miguel, arcanjo. Por não compreenderem a Trindade, atribuem
a Jesus a condição de anjo. Precisam, conseqüentemente,
rejeitar qualquer ensino que ostente o nome de Jesus. Isto é
tão fundamental que chegam a afirmar que Jesus não
morreu numa cruz, mas numa estaca.
A Sentinela de 15 de julho de 1969 destaca outro critério
para julgar a cerimônia matrimonial: Visto que há tantos
costumes tradicionais, deve o cristão procurar evitar todos
os costumes nupciais na sua região? Não necessariamente...
Mas, não importa qual o fundo histórico deste...Os
cristãos não atribuem nenhum significado à
aliança... Portanto, pode ser criterioso com respeito aos
costumes de casamento, perguntando-se: Qual é atualmente
o significado do costume nesta localidade? Embora admitam no mesmo
artigo que o uso de alianças tenha origem no paganismo, não
lança mão do mesmo princípio para julgar o
seu uso. Os cristãos não atribuem nenhum significado
simbólico à aliança, embora cultivem qualidades
no matrimônio e embora muitos no mundo sejam hipócritas
ao manifestar as mesmas - afirmam, para legitimar o uso de alianças.
Mas é exatamente esse o motivo pelo qual celebramos o Natal!
Não atribuímos a essa data nenhum significado que
envolva a origem de seus elementos, como também não
atribuímos ao uso da aliança seu significado original.
Em meio a tantas controvérsias, são leais as Testemunhas
de Jeová aos seus próprios conceitos? Sua publicação
acrescenta: as Testemunhas de Jeová abandonaram toda e qualquer
participação nas celebrações de Natal4.
Não é isso que vemos na prática. Embora não
comemorem o Natal, muitos de seus adeptos realizam a ceia no dia
seguinte, convidando pessoas de destaque da congregação.
Semelhantemente, embora não comemorem aniversários
no dia, participam no dia posterior. Tais táticas demonstram
o caráter da organização. Estamos sendo rígidos
na análise? Não! O apóstolo Pedro alertou sobre
aqueles que se ufanam de uma posição superior, mas
fora de Cristo: Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos
da corrupção. Porque de quem alguém é
vencido, do tal faz-se também servo (2 Pe 2.19).
Outro argumento das TJs refere-se à comemoração
natalícia de Jesus: Há outro ponto importante. Se
Jesus quisesse que seus seguidores celebrassem seu nascimento, por
que não os instruiu a fazê-lo? Contudo, podemos perguntar:
foi o nascimento de Jesus realmente importante? Encontramos nas
Escrituras alguma celebração do seu nascimento? Sim!
(Ver Lc 2.8-16). Principalmente os versículos 13 e 14, que
demonstram a alegria dos anjos, o louvor a Deus e os pastores compartilhando
com a família de Jesus. Os magos vieram do Oriente e trouxeram
presentes (Mt 2.1-12). Se tais magos fossem instrumentos de Satanás,
como afirmam os prosélitos dessa seita, por que a família
de Jesus aceitou aquela grande oferta? Seria injurioso que, logo
no inicio da vida do Messias, ele pudesse ser contaminado pelas
ofertas provindas de Satanás, como querem fazer crer as Testemunhas
de Jeová. Por outro lado, as Escrituras ensinam que tais
magos foram divinamente orientados! (Mt 2.12).
Jesus nos ensinou e deixou duas ordenanças: o batismo e
a celebração da ceia. Tais ordenanças estão
relacionadas à fé cristã e à comunhão.
Lamentavelmente, as Testemunhas de Jeová não conseguem
diferenciar ordenanças de celebrações secundárias.
Toda a comunidade evangélica compreende que as ordenanças
contêm implicações espirituais, e que as comemorações
natalícias, bem como os festejos de casamento, são
secundários.
Figuras contextuailzadas do Novo Testamento
Os escritores do Novo Testamento tiveram a liberdade de contextualizar
alguns elementos do mundo para que pudessem apresentar melhor a
Jesus Cristo. O apóstolo João utilizou o termo Logos
para identificar a Cristo. A partir do conceito de Logos no mundo
greco-romano, o apóstolo João desenvolveu as características
de Jesus Cristo. O apóstolo retificou o conceito errado que
seus contemporâneos tinham sobre o Logos. Deus não
estaria tão distante que seria impossível a comunhão.
Logos não seria apenas uma extensão da manifestação
de Deus, pois não somente estava com Deus, mas o Verbo (Logos)
era Deus... e o Verbo (Logos) se fez carne (Jo 1.1,14).
João não repugnou a origem pagã da palavra
Logos, antes conheceu o seu objetivo filosófico e, com as
devidas correções, aplicou-a a Cristo. Hoje, ao lermos
o Novo Testamento não nos deparamos com os conceitos filosóficos
daqueles do tempo de João, pois o seu evangelho nos ensina
muito sobre a pessoa de Jesus. E somos beneficiados pelas implicações
de sua referência ao elemento greco-romano. Distantes se encontram
as Testemunhas de Jeová de conhecer o Logos, pois deram outra
conotação à pessoa de Jesus. Afirmam que Jesus
é apenas um porta-voz. E, assim como o porta-voz do presidente
da República tem autoridade limitada ao que diz, sendo apenas
portador da mensagem e não a essência da palavra, o
mesmo se dá com Jesus. Estaríamos de acordo com tal
afirmação? Não, certamente! Errais, não
conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus (Mt 22.29).
Usariam as Testemunhas de Jeová o mesmo critério
e repreenderiam o apóstolo Paulo pelo uso de um referencial
pagão?
Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei
também um altar em que estava escrito: ao Deus desconhecido.
Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é
o que eu vos anuncio (At 17.23). Embora o apóstolo tenha-se
revoltado ante tamanha idolatria (At 17.16), não deixou de
aproveitar um referencial pagão e conduzi-lo a Cristo.
O mesmo evangelho
O evangelho é o mesmo. Mas as figuras que retratam a abrangência
do poder de Cristo se contextualizam. Os tempos mudam, os costumes
também, mas a Palavra de Deus não. Os referenciais
de costumes e éticas têm variado através dos
séculos. Mas, quanto ao evangelho, a salvação
continua tendo a mesma base: Cristo Jesus. O louvor harmonioso dos
anjos continua ecoando em nossos dias: Não temais, porque
eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para
todo opovo. Pois na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador,
que é Cristo, o Senhor. Glória a Deus nas alturas,
Paz na terra, boa vontade para com os homens (Lc 2.10-11,14).
Devemos participar dessa celebração, até que
ele (Jesus Cristo) venha!
Notas:
1. A Sentinela, 15 de dezembro de 1984, p 3-7. Editora: Sociedade
Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
2. Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus.
Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Edição:
1992, p. 199.
3. Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus.
Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Edição:
1992, p. 199.
4 .Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus.
Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Edição:
1992, p. 199.
5. A Sentinela, 15 de dezembro de 1984, p. 6.
Autor: Por Marcio Souza
Fonte: Defesa da Fé
|