Recebemos uma notícia
via internet datada de 14 de dezembro de 2006 que diz,”A Polícia
Civil de Florianópolis instaurou inquérito para investigar
a morte de uma jovem de 19 anos, Testemunha de Jeová, que
não aceitou se submeter a transfusão de sangue. Ela
morreu no início da semana, em decorrência de uma leucemia,
num hospital da capital catarinense. O caso está gerando
polêmica sobre a ética dos médicos que respeitaram
a autonomia da paciente e a fé. A jovem, que tem a identidade
preservada pelos médicos e polícia, viveu um mês
após descobrir que tinha leucemia. Ao ser informada de que
necessitava realizar uma transfusão de sangue, ela recusou
o procedimento, assinando um termo de responsabilidade.
Na igreja, descobriu que uma médica hematologista em Florianópolis,
Zelita da Silva Souza, também Testemunha de Jeová,
realizava tratamentos alternativos sem a necessidade de transfusão.
Ela sobreviveu 20 dias no tratamento. O caso gerou controvérsia
entre a família da mãe, católica, e do pai,
Testemunha de Jeová. O Conselho Regional de Medicina de Santa
Catarina (Cremesc) tentou intervir, mas não conseguiu que
a jovem se submetesse ao tratamento adequado, informou o presidente
da entidade, Wilmar Athayde. Ele explicou que foi aberta uma sindicância
para apurar o caso e que outra comissão, formada por cinco
médicos do Hospital Celso Ramos - onde morreu a paciente
-, analisará o procedimento adotado com a jovem.
O diretor do hospital, Ranulfo Goldschmidt, negou que a paciente
tenha recebido medicação alternativa na instituição.
"Ela recebeu medicamentos usados na quimioterapia e em outros
pacientes". Ele admitiu, entretanto, que a opção
dos médicos em respeitar a paciente agravou seu quadro clínico.
O inquérito deverá ser concluído em 30 dias.
De acordo com o delegado Marlus Malinverni, coordenador da Central
de Polícia da Capital, as providências para apurar
o fato estão sendo tomadas e as partes serão ouvidas.
Através de nota, o Ministério Público informou
que vai aguardar o resultado do inquérito para se pronunciar.
1. Pr. Natanael: ultimamente temos tomado conhecimento
através da mídia de acontecimentos tristes ocorridos
entre evangélicos e o irmão não tece nenhum
comentário sobre eles, por que trouxe essa notícia
para comentários?
Quero dizer que escândalos ocorrem em qualquer grupo religioso.
Quando se trata de um erro cometido por um adepto ou membro de igrejas
ou outras entidades religiosas julgo não podermos julgar
o grupo todo por um elemento do grupo. Sabemos que alguns discípulos
fracassaram. Poderíamos todos os seguidores de Jesus abandoná-lo
pelo mau exemplo de dois deles? Quando Jesus foi preso Pedro negou
que o conhecia. Judas o traiu, enquanto os outros fugiram. Poderíamos
julgar todos pela negação de Pedro e pela traição
de Judas? Claro que não.
2. E no caso que ora estamos comentando da jovem que preferiu
à morte a aceitar transfusão de sangue, o que de diferente
há que mereça um comentário?
Aí já se trata de um alerta que se torna necessário
dar ao público que nos ouve porque os associados com essa
seita estão visitando as casas quase que diriamente e os
que recebem essas visitas domiciliares pensam que elas são
crentes evangélicos, quando não são e amanhã
estarão se envolvendo com uma religião que exige sacrifício
humano como se estivessem cultuando a Deus. Assim estamos fazendo
um alerta para que vejam bem quem recebem em suas portas para amanhã
não caírem num caminho de omissão de socorro
de parentes pela recusa de um procedimento médico numa transfusão
de sangue alegando proibição bíblica.
3. Qual a base bíblica que aponta para justificar
que a Bíblia proíbe a transfusão de sangue?
Elas indicam o texto de Atos 15.20,29. Vou ler: “Mas escrever-lhes
que se abstenham das contaminações dos ídolos,
da prostituição, do que é sufocado e do sangue.
Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e
do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição,
das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá.”.
4. Sempre elas se valeram dessa interpretação
para proibir transfusão de sangue?
Não. As TJs interpretaram, por algum tempo, que o texto
se referia à VACINAÇÃO. A vacinação
era considerada violação do pacto eterno que Deus
fez com Noé, baseando sua interpretação em
Gênesis 9.1-17(The Golden Age 4-2-1931, p. 293, hoje DESPERTAI!).
Essa interpretação foi abandonada, conforme publicação
de A Sentinela de janeiro de 1954, p.15. Mais tarde, passaram a
proibir o TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS, com a explicação
de que um transplante de órgãos equivalia a uma transfusão
de sangue. E, como justifica, afirmavam: “Deus permitiu que
os humanos comessem carne animal (...) Será que isso incluía
comer carne humana? Não! Isso seria canibalismo, costume
repugnante a todas as pessoas civilizadas.” (A Sentinela,
de 1 de junho de 1968, p. 349). Posteriormente, tal proibição
foi revogada, com a seguinte alegação. “Embora
a Bíblia proíba especificamente a ingestão
de sangue, não há nenhuma ordem bíblica que
proíba especificamente receber outros tecidos humanos.”
(A Sentinela 1 de setembro de 1980, p. 31). Permanece a proibição
de transfusão de sangue, cuja proibição teve
início 1945. Nesse mesmo ano, a revista Consolação,
hoje DESPERTE! Publicou o seguinte. “Deus nunca justificou
determinações que proíbam o uso de medicina,
injeções e transfusões de sangue”. É
uma invenção de homens que agem como os fariseus,
deixando de fora a misericórdia e amor de Jeová. Servir
a Jeová não exclui nosso raciocínio, especialmente
quando se trata de uma vida humana que está a serviço
dele. (Consolação, setembro de 1945, p. 29, edição
em holandês).
5. Mas o que proíbe Atos 15.20,29 quando menciona
sangue entre as outras coisas que os cristãos deviam se abster?
Recomenda que se coma a carne do animal, mas que não se
coma o sangue do animal como exposto em (Levitico 17.3,10). “Qualquer
homem da casa de Israel que degolar boi, ou cordeiro, ou cabra,
no arraial, ou quem os degolar fora do arraial, E qualquer homem
da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles,
que comer algum sangue, contra aquela alma porei a minha face, e
a extirparei do seu povo.”
Afinal, o ensino dado por Charles Taze Russell, considerado o “escravo
fiel e discreto” de então, já estabelecia o
que também entendemos como correto:
“Estas proibições (At 15.20,29) nunca foram
para os gentios porque eles nunca estiveram sob o pacto da lei.”
(A Sentinela de 15 de abril de 1909, p. 116,117).
Não é estar brincando com a vida preciosa das pessoas
essa descabida proibição de transfusão de sangue?
(1 Jo 3.16)
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