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A Alma: Uma resposta aos Mortalistas

Por   /  14 de junho de 2022  /  Sem comentários

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“E não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma”

(Mt 10.28).

ORIGEM E ETIMOLOGIA DA PALAVRA ALMA

A palavra alma tem a sua origem no latim, anima, e significa: “alma, vida”. A palavra hebraica para alma é Nefesh, que por sua vez possui uma variedade de significados. Seu campo semântico é grande e, por essa razão, o seu significado depende do contexto em que ela aparece. Na língua grega a palavra para alma é psiche, é uma palavra polissêmica e o seu significado, assim como no hebraico, só pode ser definido de acordo com o contexto. Alma, como foi dito, possui vários significados, entre eles: “Vida, sangue, pessoa, parte imaterial e imortal etc.”

“A alma do homem, sua natureza espiritual e imortal, com todas as suas capacidades superiores e inferiores, suas faculdades racionais e animais; Mt 10.28” (ROBINSON, EDWUARD, Léxico Grego do Novo Testamento, p. 1001,1002, Ia edição 2012, CPAD – Rio de Janeiro).

“Psyche denota “a respiração, a respiração de vida”, então, “alma”, em seus vários significados. Os usos do Novo Testamento “podem ser analisados mais ou menos assim: “a) a vida natural do corpo Mt 2.20, ‘morte’; Lc 12.22, vida; At 20.10; Ap 8.9; 12.11; cf Lv 17.11; ZSm 14-7; Et 8.11); b) a parte imaterial, invisível do homem (Mt 10.28; At 2.27; cf. IRs 17.21); c) o homem desencarnado – ou ‘despido’, ou desnudo’, 2Co 5.3,4 (Ap 6.9). (DICIONÁRIO VINE, p, 388, 2a edição 2003, CPAD, Rio de Janeiro).

O HOMEM NÃO É UMA ALMA, ELE TEM UMA ALMA

Os aniquilacionistas, também conhecidos como mortalistas, na tentativa inútil de desconstruir a doutrina da imortalidade da alma, afirmado peremptoriamente que o homem não tem uma alma, mas que ele é uma alma. Mas ao estudarmos as Escrituras, principalmente w textos do Novo Testamento e consultarmos alguns léxicos, podemos chegar à conclusão de que o homem não somente tem uma alma, mas, também, que essa alma é a parte imaterial e imortal do homem. Nas palavras do Senhor Jesus, a alma é imaterial e imortal, pois ela sobrevive à morte do corpo. Que a alma é imortal, ou seja, ela sobrevive à morte do corpo, o Senhor Jesus deixou claro no Evangelho segundo Mateus, aio dizer aos seus discípulos:

“E não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma”

(Mt 10.28).

Alguns mortalistas, têm acusado os imortalistas de serem parciais em sua afirmação sobre a imortalidade da alma ao citar apenas a primeira parte do texto, quando a segunda parte diz totalmente o contrário do que eles afirmam. Em resposta a essa acusação, afirmamos que a segunda parte em nada contribui com a visão dos aniquilacionistas. Pois quando a segunda parte de Mateus 10.28 afirma que os discípulos devem temer aquele que pode fazer o corpo e a alma perecerem no geena, a palavra perecer tem apenas o sentido de destruir sem aniquilar. O verbo apóllimi que aparece no texto também é usado em outras passagens para se referir à ovelha perdida, a dracma que se perdeu, ao odre de vinho que se estragou e ao filho pródigo que se perdeu. Agora, o mais interessante de tudo é que nenhum dos objetos ou mesmo a ovelha ou o filho pródigo, apesar de estarem perdidos, deixaram de existir. Pois todos foram encontrados (Lc 15.1-32). Logo, como dissemos, a segunda parte do texto acaba complicando ainda mais a vida dos mortalistas que não acreditam no estado intermediário. Pois supondo que a alma irá perecer no geena, ou seja, será aniquilada, afirmação essa com a qual não concordamos, isso só ocorrerá depois do milênio, ou seja, mil anos depois da volta de Jesus. Sendo assim, com razão perguntamos aos aniquilacionistas que negam a existência de um estado intermediário para os mortos, onde estão as almas dos antediluvianos, dos que pereceram em Sodoma e Gomorra e nas cidades circunvizinhas, uma vez que Jesus afirmou que a alma não morre por ocasião da morte do corpo? A luz dessa explicação, mesmo que os aniquilacionistas continuem persistindo na morte da alma, contrariando as palavras do Senhor Jesus, com uma coisa, obrigatoriamente, terão que concordar, que existe o estado intermediário dos mortos. Pois, de outra sorte, eles terão que responder à pergunta que não quer calar: “Onde estão as almas dos ímpios, desde Caim até os nossos dias, visto que a alma, de acordo com as palavras do Senhor Jesus, não morre por ocasião da morte do corpo”? Não obstante, vale a pena lembrar que a alma é a parte imaterial e imortal do homem, conforme as palavras do Senhor Jesus e dos lexicógrafos aqui, apresentados, e, por essa razão, ela não morre, porque ela é imortal (Mt 10.28; Lc 23.43; 2Pe 2.9).

A ALMA COMO PARTE IMATERIAL E IMORTAL

Que a alma é a parte imaterial e imortal do homem, além do que Jesus disse em Mateus 10.28, podemos ver em várias passagens do Novo Testamento (Mt 10.28; Lc 16.19-31; 23.43; 2Pe 2.9). Após a morte do corpo, a alma segue para o estado intermediário no céu, para os justos ou no lugar de tormento, no inferno, para os ímpios. Nesse estado elas sobrevivem de modo consciente, como é mostrado por Jesus (Lc 16.19-31; 23.43; Mc 9.42-48; 2Pe 2.9; Ap 6.9-11; 7.9-17).

Ora, para que os ímpios possam sofrer a pena do castigo eterno, conforme pontuou o Senhor Jesus em Mateus 25.46, necessariamente a alma precisa ser imortal. De outro modo, como o castigo poderá ser eterno numa alma que morre? Logo, à luz da realidade do próprio castigo eterno ao qual os ímpios serão submetidos, por Jesus, podemos afirmar inequivocamente que o homem tem uma alma e que essa alma é imaterial e imortal. Somente crendo na verdade da Palavra de Deus, que afirma que a alma é imortal, podemos sustentar e defender a eternidade do castigo dos ímpios. Logo, ao negar a doutrina bíblica da imortalidade da alma, negamos o estado intermediário, e o castigo eterno dos ímpios.

A ORIGEM DA ALMA

A alma tem a sua origem em Deus. Quanto à sua origem, existem três teorias: O pré-existencialismo, o criacionismo e o traducianismo ou traducionismo.

  • O pré-existencialismo parte do princípio de que as almas passaram a existir antes da criação do homem. Platão chegou a defender que as almas têm existência própria, dessa forma, coexistindo com Deus.
  • O criacionismo, por sua vez, defende que Deus cria uma alma nova para cada pessoa por ocasião da fecundação.
  • E por último, o traducionismo parte da perspectiva de que Deus outorgou ao homem a capacidade de ele (homem) criar um ser completo, corpo, alma e espírito.

Esta terceira posição parece a mais aceita no cristianismo ortodoxo.

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Fonte:  Dicionário de palavras, expressões, interpretação e curiosidades Bíblicas, Elias Soares de Moraes, 1ª Edição – Outubro de 2020, Editora Beit Shalom.

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