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A liberdade de consciência

Por   /  4 de fevereiro de 2020  /  Sem comentários

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Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; convém somente que não façais da liberdade um pretexto para viver segundo a carne, mas servi-vos uns aos outros pela caridade do Espírito“, Gl 5.13.

Consciência e a faculdade perceptiva, de conhecimento íntimo, que Deus dotara ao homem, tornando-o capaz de distinguir entre o bem e o mal, e de escolher segundo a sua vontade como agradar ao Senhor. Como está escrito: “mas o mantimento sólido é para os adultos, para aqueles que tem pela prática as suas faculdades exercitadas para discernirem tanto o bem como o mal”, Hb 5.14.

O homem é dotado do livre arbítrio, isto é, com uma consciência livre para escolher o bem e apartar-se do mal (Gn 2.17; 4.7).

Assim, podemos notar que o homem não fora criado um bruto, para receber o ensino debaixo dos açoites, nem tampouco feito como uma máquina, para sujeitar-se aos caprichos carnais, mas um ser espiritual ca­paz, de livre e espontânea vontade de servir, amar e obedecer ao Senhor em espírito e em verdade (Jo 4.23).

Deus não criou escravos, mas seres livres e até os anjos sujeitam-se ao Senhor pelo princípio da liberdade em verdadeira justiça e santidade. Portanto, os anjos que deixaram esse princípio, por livre e espontânea vonta­de, tornaram-se malignos. Saíram do plano de Deus e se sujeitaram a um chefe: Satanás (Leia Judas 6). Eles de livre vontade deixaram seus domi­cílios espirituais.

Desta forma, toda organização religiosa ou social que tenta tirar da criatura humana a liberdade de consciência não está no plano de Deus. Até mesmo as criancinhas devem ser ensinadas de tal modo que suas consciências em estado latente possam se desenvolver, não como um autómato, mas um ser, que cresce e se desenvolve dentro das leis do Criador.

Filhos, obedecei a vossos pais… Pais, não irriteis a vossos filhos… (Cl 3-20-21, compare com Efésios 6.1,4). Notemos que a promessa não vem por uma obrigação imposta a “ferro e fogo”, mas um princípio de obediência dentro da revelação divina; isso não é fácil, necessita de graça e profundo amor de Deus no coração.

“O amor tudo vence”… Infelizmente, muitos pais e até mesmo pasto­res perderam esse amor, digo, o primeiro amor (Ap 2.4).

A salvação em Nosso Senhor Jesus Cristo coloca o homem dentro desse princípio espiritual de liberdade de consciência, para servir e amar a Deus, iluminado pela luz do Santo Espírito de Deus que disse que das trevas brilharia a luz, é quem brilhou em nossos corações para ilumina­ção do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo (2Co 4.6).

O princípio da santificação parte deste ponto de liberdade de consci­ência, porque ninguém pode fazer (canonizar) ou ordenar santos. Os san­tos não são feitos, mas há um princípio que os leva de grau em grau pela fé até alcançarem pela obediência da fé o lugar que Deus mesmo tem preparado para os santos. Portanto, os santos são os que de espontânea vontade aceitam o convite, crêem e obedecem de coração a forma de doutrina revelada (Rm 6.17).

É um dever nosso evangelizar e ajudar alguém a alcançar o plano da obra redentora de Cristo, entretanto não podemos obrigar. A criatura tem de crer e obedecer de livre e espontânea vontade.

Poderá alguém dizer: – Mas está escrito: “forçai entrar no meu ban­quete” (Lc 14.23). Porém, aqui não está tolhido a liberdade de consciên­cia, é mais um esforço da parte dos salvos, que, mesmo contraditados, blasfemados e perseguidos, não deixam de pregar o Evangelho “Em tem­po e fora de tempo” (Compare Romanos 9-1). Vimos como Paulo empre­gou todas as forças para conseguir alguém para o Reino de Deus (Leia ICoríntios 9.21-23).

Desde as primeiras letras de Génesis até as últimas do Apocalipse, notamos como Deus colocou o homem diante do seu divino plano, para de coração obedecer, não obrigado, mas de livre e espontânea vontade, para servi-lo. Jesus foi o exemplo neste sentido, como está escrito: embo­ra fosse filho aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu (Hb 5.8). Ele mesmo disse: “Uma comida tenho que vós não conheceis” (Jo 4.32).

Na verdade podemos segurar e amarrar alguém para não fazer uma certa coisa, porém não podemos tirar essa coisa do coração.

Podemos trazer uma criatura para a igreja, mas não podemos introduzir o Reino dé Deus no coração do tal. Deus dá graça para tal trabalho importante, mas não obriga o pecador. O convite é voluntário. “Vinde a mim…”. “Se alguém abrir a porta…” “se alguém entrar por mim” etc. Em todas essas palavras notamos voluntariedade, livre-arbítrio e liberdade de consciência.

Embora não encontremos biblicamente falando o termo “liberdade de consciência”, todavia encontramos a doutrina clara e explícita.

O apóstolo Paulo nos seus ensinos deixa bem clara essa verdade, liberdade de consciência, quando nos diz “Todas as coisas são lícitas mas nem todas as coisas me convêm”, I Co 6.12.

Os crentes devem ter liberdade, mas não para pecar, porque fomos chamados à liberdade, mas não devemos dar ocasião à carne (Gl 5.13).

Encontramos no Velho Testamento os princípios da liberdade de consciência quando defrontamos certas doutrinas. Por exemplo: Os escravos, depois do ano de remissão, poderiam ficar com seus senhores, sujeitos pela lei da livre e espontânea vontade. Vimos assim, a liberdade de consciência para escolher, segundo o seu desejo (Dt 15.12,15).

Vimos também, sobre o princípio da santificação, que é bem clara a liberdade de consciência. Deus não obriga ninguém a ser santo (Compa­re Apocalipse 22.11). O Senhor, falando ao povo de Israel, mandou que se santificasse, isto é, que se submetesse de coração a um ritual de limpe­za moral, corporal e espiritual, esse cerimonial era voluntário.

Deus não o obrigava a fazer, mas pedia que se fizesse (Êx 19.15). Deus é quem santifica (Lv 21.23), entretanto o homem tem de se apresen­tar voluntariamente para esse fim (Êx 19.10), pois essa é a vontade de Deus – a nossa santificação (lTs 4.3).

Assim sendo, Deus dá ao homem, liberdade de consciência para escolher o seu próprio caminho. Judas, diz-nos a Palavra de Deus, que se transviou para ir ao seu próprio lugar (At 1.25).

Deus, supremo e poderoso, deixou Israel escolher o seu próprio ca­minho: bênção ou maldição, vida ou morte, dizendo: “Escolhe a vida para que vivas tu e a tua semente, amando ao Senhor teu Deus, obede­cendo à sua voz e apegando-te a Ele”, Dt 30.19-20.

Na religião cristã o ponto de maior relevância é a liberdade de consciên­cia, e até mesmo no tempo da teocracia. Quando Samuel, agastado porque o povo desejava mudar de sistema de governo, orou a Deus, e a resposta foi da parte do Senhor: “Ouve a voz do povo em tudo o que ele te diz”, ISm 8.7. Toda doutrina deve ser ensinada nessa fase, a fim de ter apoio bíblico e a divina aprovação. Assim vimos que as ordens mais sagradas, em forma de mandamento, exposto por Jesus Cristo, não vêm como imposição obriga­tória a “ferro e fogo”.

Por exemplo: não somos obrigados a amar nossos inimigos, mas essa ordem é suprema, deve ser acatada e obedecida por amor de Jesus Cristo (Jo 13-34-35 e Lc 6.32). Quantos crentes não estão desobedecendo a essa ordem? (Compare 1João 3-10-15).

A Ceia do Senhor é outra ordem sagrada. Devem os crentes se reunir nesse dia em sua congregação para, pela obediência da fé, com um coração aberto, obedecer a esse mandamento (Lc 22.19-20 e ICo 11.23,31). Todos os crentes, no dia de Ceia, isto é, no partir do pão, deveriam estar unidos e presentes ao ato. Havendo embaraços, devem ser consertados em tempo, e caso esteja doente, deve pedir ao pastor que lhe administre no leito esse divino ato da Santa Ceia do Senhor. Infelizmente, quantos crentes desejam estar de coração na Ceia do Senhor? Até muitos se excluem a si mesmos desse ato importante, “inventando viagens”, ou mesmo ocupando-se em serviços caseiros no dia da celebração da Ceia do Senhor. Que poderá suceder a tais criaturas no Dia de Cristo?

O batismo também é mandamento do Senhor, uma das duas institui­ções mais sagradas da Igreja (Mt 28.19 e Mc 16.15-16). Entretanto, quantos não estão à margem desse mandamento dentro da Igreja. Pessoas há que permanecem com suas vidas desmanteladas, isto é, não se consertam pe­rante a lei preferindo viver maritalmente a obedecer à Palavra de Deus.

E quantos não são simplesmente batizados para gozar dos privilégios e regalias da Igreja?

Temos liberdade de consciência, ninguém é constrangido a fazer isso ou aquilo e até mesmo a cometer grosseiros pecados, pois o Espírito Santo ilumina e fala graciosamente, mas não obriga (Compare Efésios 4.30 e Hebreus 3.8,15).

O apóstolo Paulo poderia ter agido com toda autoridade apostolar sobre Filemon no caso de Onésimo, mas não o fez. Ao contrário, respei­tou a consciência daquele e rogou em favor deste (Fm 14-21).

O mesmo conselho deu Pedro aos obreiros da região da Ásia Menor (lPd 5.2): Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, não por força (tolhindo a liberdade de consciência) mas voluntariamente.

O mesmo é ensinado sobre contribuição. O cristão não é constrangi­do a dar ou contribuir. Essa é a vontade de Deus, que num espírito liberal pela obediência de amor ao Senhor, segundo a fé se contribua, não ge­mendo, mas com alegria (2Co 8.1,5; 9-7,13)- Qualquer ordem religiosa ou política que exceder esse princípio fere a dignidade espiritual, está fora da Palavra de Deus e da direção do Espírito Santo, que inspirou os escri­tores sagrados diferentemente.

A liberdade de consciência é genuinamente bíblica, todavia não devemos usar dessa liberdade para dar ocasião à carne. Que o Senhor nos ajude a viver livremente, segundo a sua Santa vontade. Amém.

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Fonte: João de Oliveira – Junho/1962 (Artigos históricos – Mensageiro da Paz – CPAD – Vol.2).

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