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Abuso Espiritual nas Igrejas

Por   /  28 de setembro de 2021  /  Sem comentários

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Para alguns evangélicos, estar na igreja se transformou numa experiência dolorosa que os tem levado para cada vez mais longe da presença de Deus.

Se o mundo jaz no maligno, a Igreja do Senhor Jesus na terra deveria ser uma porta de esperança para os aflitos. Um hospital para os doentes da alma. Uma fonte de amor para os rejeitados e sofridos. Deveria ser a expressão da vontade de Deus neste mundo. Deveria, mas nem sempre é.

Infelizmente, há casos – e não poucos – em que muitas congregações se perdem no propósito de servir a Deus. Carregadas por líderes tiranos, manipuladores e dominadores, elas se tornam terrenos férteis para todo tipo de abuso espiritual – um termo ainda pouco debatido na teologia, mas muito conhecido e doloroso para quem dele se torna vítima.

I – O QUE É ABUSO ESPIRITUAL

É o uso da posição de liderança ou do poder para seduzir, influenciar e manipular as pessoas a fim de alcançar interesses próprios.

CÉSAR (2009) define o abuso espiritual como “o encontro entre uma pessoa fraca e uma forte, em que a segunda usa o nome de Deus para influenciar a outra, e levá-la a tomar decisões que acabam por diminuí-la física, material ou emocionalmente”.

II – PRATICANTES E VÍTIMAS DO ABUSO ESPIRITUAL

Os praticantes do abuso espiritual são muito hábeis para passar a impressão de que o que querem é do interesse de Deus e da sua obra quando, na realidade, o que buscam é seu próprio interesse.

As vítimas desse sistema podem demorar anos para se libertar, e carregam por um bom tempo as marcas de dor, tristeza e revolta por terem sido abusadas espiritualmente. Há quem forme grupo de autoajuda na internet, outros procuram psicólogos, terapeutas e psicanalistas; há quem se afaste da igreja e de Deus; e há casos extremos em que muitos fiéis entram em depressão, desenvolvem doenças graves e chegam até a cometer suicídio.

III – EXEMPLOS DE ABUSO ESPIRITUAL

  • Um pai que se opôs ao casamento da filha e a levou para ouvir o pastor. O pastor disse para ela não se casar com tal pessoa, que diante de Deus ela não seria feliz. A moça se casou. Então, na primeira pequena crise que ela teve com o marido, do que ela se lembrou? Da palavra do pastor, da ordem que ele tinha dado para ela não se casar. O pastor poderia ter aconselhado, mas não ter dito o que ela deveria ou não fazer.
  • Uma jovem que fazia parte de um pequeno grupo nos lares juntamente com o professor. Segundo o professor, a jovem, recém-convertida, fez uma viagem e ao voltar teria sido acusada de ter esfriado na fé. A discipuladora da moça teria insistido para que ela confessasse, diante da congregação, qual teria sido o seu pecado durante tal viagem.

A jovem recusou expor-se diante de todos e, chamada de rebelde, foi desligada do rol de membros. A discipuladora disse que ela não se rendia à liderança e por isso a estava entregando a Satanás. Passado algum tempo, essa jovem se matou.

  • Adriano era um profissional com futuro promissor. Advogado formado pela prestigiada Universidade de São Paulo, a USP, ele ainda ocupava a função de obreiro na igreja que frequentava. Aspirava ao pastorado – o que, conforme a própria Bíblia é uma excelente opção para o crente. Fiel ao seu líder espiritual, Adriano costumava seguir seus conselhos e determinações à risca, entendendo que desta forma estava agradando a Deus. Chegou a fazer um voto público de lealdade ao dirigente. “Ele fazia uma espécie de mantra em torno do versículo que diz que quem honra o profeta recebe galardão de profeta”, lembra. Gradativamente, o jovem obreiro passou a negligenciar suas responsabilidades fora da igreja, como o trabalho e o cuidado com a família, tudo em prol daquele seu voto. Submetia-se a condições duras, enquanto o pastor não se furtava a luxos como mesas fartas e carros importados. A mulher e os dois filhos de Adriano acabaram abandonando-o, não suportando o controle exercido pelo pastor sobre sua vida. Frustrado, o advogado fraquejou na fé, envolveu-se com outras mulheres e acabou engravidando uma delas.

A vida do rapaz virou do avesso. Hoje, Adriano aguarda o nascimento do bebê inesperado e preocupa-se com o baixo orçamento e a impossibilidade de rever constantemente os filhos, que vivem com sua ex-mulher. ‘É uma loucura o dano que meus filhos sofreram por causa disso tudo’ – diz ele.

  • O pastor diz, por exemplo, que o discípulo deve casar-se com determinada pessoa, porque teve uma “visão” de que esta era a vontade de Deus para a sua vida. Não importa que não haja, a princípio, nada em comum que possa unir aquele casal. E o fiel obedece.
  • O pastor fala para uma mulher que apanha sistematicamente de seu marido que ela deve fidelidade a ele, porque isso é bíblico. Ou então fala para uma pessoa com uma doença grave que ela ainda não foi curada porque está fraquejando na fé.

IV- PERFIL DOS AMBIENTES EM QUE O ABUSO ESPIRITUAL É MAIS PROPÍCIO DE OCORRER.

As igrejas onde o estilo de liderança é hierarquizado, onde o líder tem que dar conta da vida dos liderados, onde existe o ensino de que ‘eu só posso viajar se meu líder deixar’, ‘só posso comprar se meu líder autorizar’, são ambientes mais vulneráveis à manipulação. “Cheguei a atender um casal em que o líder dizia até quantas vezes eles tinham que ter relação sexual na semana, para manter a santidade. Isso é perigoso. Quando o líder dita as regras, se torna um prato cheio para a manipulação”. Além de gerar dependência emocional, imaturidade e problemas familiares, esse tipo de comportamento também pode se transformar numa revolta contra Deus. Exemplo: Igrejas que adotam a chamada “visão Celular” (G12, M12 e MDA).

O Pr. Paulo Romeiro escreveu no livro “Decepcionados com a Graça”:

“Em termos de governo, o neopentecostalismo verticalizou a igreja. O líder forte no topo da pirâmide, que não presta contas a ninguém, que toma decisões sozinho em questões financeiras e doutrinárias, acaba tirando das pessoas a oportunidade de funcionarem como um corpo, como deve ser a igreja. Em tais circunstâncias, os abusos se multiplicam. Alguns líderes religiosos têm dificuldade de administrar o poder. Por ter uma organização mais democrática, com estabelecimento de conselhos e assembleias, as igrejas protestantes históricas são um pouco menos tentadas nessas áreas, embora não estejam imunes”.

V- ORIGEM DO ABUSO ESPIRITUAL

Todo tipo de abuso espiritual é oriundo de três fontes:

  • A necessidade de poder;
  • A necessidade de fama;
  • A necessidade de dinheiro.

Não é em nome de Deus que isso acontece, mas em nome desses três deuses (poder, fama e dinheiro). Tais líderes procuram apresentar a instrução num formato baseado no terrorismo. Começam as imposições, que nada têm a ver com a Bíblia. Então, a pessoa que não possui fundamento doutrinário fica prisioneira ao que ouviu impositivamente.

A busca por fama, dinheiro e poder não é exclusiva das lideranças de hoje. A Bíblia está repleta de exemplos de autoridades religiosas, até porta-vozes de Deus, que sucumbiram a esse desejo. Um episódio se passa no Evangelho de Mateus (20.20-21), quando a mãe dos discípulos Tiago e João pede a Jesus que, com a chegada do Reino, seus dois filhos pudessem “se assentar” um à esquerda e outro à direita, numa tentativa de ter autoridade sobre os outros.

No entanto, Jesus foi rápido para ensinar que o modelo, no Reino de Deus, não era esse: “Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”, afirmou Jesus (Mateus 20.24-28).

O apóstolo Pedro também deu uma orientação semelhante, em sua primeira epístola: “Apelo aos presbíteros que há entre vocês (…). Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhe foram confiados, mas como exemplo para o rebanho” (1 Pe 5.1-3).

VI – COMO ESCAPAR DA TENTAÇÃO DA DOMINAÇÃO

Quando a pessoa é chamada para o ministério, não está vacinada contra todas essas tentações da dominação. Tem que pautar a vida na total dependência do Espírito Santo e ter uma profunda vida devocional com Deus.

O grande desafio do líder espiritual é fazer com que as pessoas aprendam a se relacionar com Deus, a depender de Deus e não entregar suas decisões pessoais exclusivamente à liderança. Hoje, infelizmente, vivemos na geração fast-food, que quer tudo rápido, fácil e pronto. Ninguém quer ter esforço, e relação com Deus demanda esforço. É mais fácil ir atrás de um guru e se sujeitar à manipulação e às opiniões de líderes despreparados teologicamente e espiritualmente.

Precisamos combater a idolatria cega a líderes, pastores, “apóstolos” e afins. Pastores são seres humanos como nós, falíveis, fracos, e precisam ser tratados como tal.

VII – CARACTERÍSTICAS QUE IDENTIFICAM ABUSO ESPIRITUAL

Distorção da Escritura

Para defender os abusos, usam doutrinas do tipo “cobertura espiritual”, distorcem o sentido bíblico da autoridade e submissão etc. Encontram justificativas para qualquer coisa. Estes grupos geralmente são radicais e superficiais em seu conhecimento bíblico. O que o líder ensina é aceito sem muito questionamento, nem é verificado nas Escrituras se as coisas são mesmo assim, ao contrário do bom exemplo dos bereanos que examinavam tudo o que Paulo lhes dizia.

Alguns líderes colocam medo em seus membros, usando frases do tipo: “Se você não der o dízimo, Deus mandará o devorador, o gafanhoto para destruir o que é seu”; “a rebeldia é como pecado de feitiçaria” e outras coisas do gênero. O uso de versículos fora do contexto, neste caso são utilizados constantemente para validar as estranhas doutrinas da liderança.

Em muitas igrejas o pastor, o ungido do Senhor, é tratado como mediador entre Deus e os membros, porém esse conceito está incorreto à luz da Bíblia, uma vez que só existe um mediador que é Jesus Cristo e por meio de Jesus todos possuem livre acesso a Deus, não havendo necessidade de nenhum outro.

Liderança autoritária

Discordar do líder é discordar de Deus. É pregado que devemos obedecer ao discipulador, mesmo que este esteja errado. Um dos “homens de Deus” de uma igreja diz que se jogaria na frente de um trem caso o “Líder” ordenasse, pois Deus faria um milagre para salvá-lo ou a hora dele tinha chegado. A hierarquia é em forma de pirâmide (às vezes citam o salmo 133 como base), e geralmente bastante rígida.

Em muitos casos não é permitido chamar alguém com cargo importante pelo nome (seria uma desonra), mas sim pelo cargo que ocupa, como por exemplo “discipulador Fulano”, “pastor Fulano”, “bispo X”, “apostolo Y”, etc.

Os líderes abusadores são autoritários e levam os fiéis a acreditarem que serão honrados pelo Senhor ao serem submissos a seus líderes, ainda que os mesmos possam até estar errados.

Esse autoritarismo acontece mais comumente em igrejas neopentecostais e pentecostais, devido, na maioria das vezes, o líder ter mais autonomia, além de poder apelar para supostas profecias ou revelações para legitimar seu domínio sobre a vida dos fiéis.

O Pr. Paulo Romeiro adverte que a obediência ao líder não pode ser cega, pois todo ensino deve ser confrontado com as verdades bíblicas, para evitar desvios de rota. Muitos sofrimentos poderiam ser evitados dentro das igrejas, se os fiéis estivessem mais preparados para reconhecer os líderes abusadores ou o ambiente propício para formá-los.

O regime autocrático, centrado na figura carismática do pastor, predomina nas igrejas mais novas, em especial nas pentecostais e neopentecostais surgidas nos últimos trinta anos. Estas igrejas são constituídas num sistema hierárquico que consiste num verdadeiro convite ao abuso religioso. Não se deve generalizar, pois nesse meio tempo também surgiram igrejas sérias, fundadas por homens de Deus, com único objetivo de pregar o verdadeiro evangelho e ganhar almas para o Reino de Deus.

Esses líderes abusadores ainda contam com uma imagem positiva que eles mesmos criam, com o objetivo de levarem as ovelhas a pensarem que eles agem corretamente.

Jesus, enquanto esteve entre os homens, serviu de exemplo para todos à sua volta. Jesus sabia como ninguém distinguir autoridade de autoritarismo, sendo manso e humilde de coração. Jesus explanava sobre o modo que os homens deveriam ser semelhantes a ele: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11.29).

Alguns pastores, levados pelo “poder”, esquecem do exemplo de Cristo e se tornam verdadeiros ditadores de conduta, donos da verdade e que não admitem serem contestados. “Pastores são ensináveis; lobos são donos da verdade” (LUDOVICO, 2014, p. 1).

“Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mateus 7.15). A partir desse texto bíblico nota-se que as pessoas têm sido alertadas quanto aos falsos profetas, que se fingem de pastores, mas não passam de lobos cruéis que não tem amor nem cuidado pelas ovelhas. “Pastores choram pelas suas ovelhas; lobos fazem suas ovelhas chorar” (LUDOVICO, 2014, p. 1).

O problema é que alguns pastores colocam um fardo muito grande sobre suas ovelhas e elas, ao invés de encontrarem descanso, acabam por muitas das vezes sendo feridas em suas almas. Por esse motivo este trabalho tem como objetivo denunciar esse autoritarismo, mostrar a forma que esse autoritarismo ocorre a fim de ajudar na prevenção para que muitas vidas sejam “salvas” desses abusadores.

Isolacionismo

O grupo possui um sentimento de superioridade. Acredita que possui a melhor revelação de Deus, a melhor visão, a melhor estratégia. A relação com outros ministérios se dá com o objetivo de divulgar a marca (nome da denominação – o método de crescimento adotado), para levar avivamento para os outros ou para arranjar público para eventos. O relacionamento com outros ministérios é desencorajado, quando não proibido. Em alguns grupos no louvor são tocadas apenas músicas do próprio ministério ou da comunidade.

Elitismo espiritual

É passada a ideia de que quanto maior o nível que uma pessoa se encontra na hierarquia da denominação, mais esta pessoa é espiritual, tem maior intimidade com Deus, conhece mais a Bíblia, e até que possui mais poder espiritual (unção). Isso leva à busca por cargos. Quem está em maior nível pode mandar nos que estão abaixo. Em algumas igrejas, o número de discípulos ou de células é indicativo de espiritualidade. Em algumas igrejas existem camisetas para diferenciar aqueles que são discípulos do pastor. Quanto maior o serviço demonstrado à denominação, ou quanto maior a bajulação, mais rápida é a subida na hierarquia.

Controle da vida

Quando os líderes, especialmente em grupos com discipulado, se metem em áreas particulares da vida das pessoas. Controlam com quem podem namorar, se podem ou não ir para a praia, se devem ou não se mudar, que roupas podem vestir etc. É controlada inclusive a presença nos cultos. Faltar em algum evento, por motivos profissionais ou familiares, é um pecado grave. Exemplo: Um pastor, discípulo direto do líder de uma denominação, chegou a oferecer atestados médicos falsos para que as pessoas pudessem participar de um evento, e um membro chegou a perder o emprego por causa dessa imoralidade.

Rejeição de discordâncias

Não existe espaço para o debate teológico. A interpretação seguida é a dos líderes. É praticamente a doutrina da infalibilidade papal. Qualquer crítica é sinônimo de rebeldia, insubmissão etc., e o rebelde deve ser severamente punido. Este é considerado um dos pecados mais graves. Outros pecados morais não recebem tal tratamento. Membros são ofendidos com xingamentos por discordar de posicionamentos políticos da denominação que congregam. Quem pensa diferente é convidado a se retirar. As denominações publicam as posições oficiais, que são consideradas, obviamente, as melhores para os fiéis seguirem.

Saída traumática

Quem se desliga de um grupo destes geralmente sofre com acusações de rebeldia, falta de visão, egoísmo, preguiça, comodismo etc. Os que permanecem no grupo são instruídos a evitar influências dos rebeldes, que são desmoralizados.

Os desligamentos são tratados como uma limpeza que Deus fez, para provar quem é fiel ao sistema. Não compreendem como alguém pode decidir se desligar de algo que consideram ser visão de Deus. Assim, desligar-se de um grupo destes é equivalente a se rebelar contra o chamado de Deus. Muitas vezes, relacionamentos são cortados e até famílias são prejudicadas, apenas pelo fato de alguém não querer mais fazer parte do mesmo grupo ditatorial. Quem saiu da denominação perdeu a da cobertura espiritual do líder e fica sem defesas contra o inimigo, Deus sequer ouve suas orações.

VIII – TIPOS DE PASTORES ABUSADORES

Há uma diversidade de tipos de pastores que podem cometer abuso espiritual. Aqui serão abordados apenas dois tipos, que constam no livro “Outra espiritualidade”.

PASTOR – LOBO:

Esse é um tipo muito perigoso, pois são lobos vestidos de pastores. São corrompidos, uns de forma consciente outros de forma enganada. Corrompidos na alma, mente, coração, no entendimento da verdade. São pastores que só pensam neles mesmos, só querem ver seus interesses, buscam alcançar seus próprios objetivos, implantar sua visão particular e desenvolver seu projeto pessoal de poder.

Eles atuam no ramo da religião, no segmento evangélico, mas estão absolutamente distantes do Evangelho de Jesus. Distantes de sua mensagem, de seu espírito, de seu caráter, de seus propósitos, de seus valores e de seus conteúdos mais profundos. São os maiores geradores de feridas, uma vez que abusam da fé de suas ovelhas, são os maiores abusadores do rebanho.

PASTOR – OVELHA:

Estes são ovelhas vestidas de pastores. Apesar de serem cristãos sinceros, jamais deveriam ter sido investidos da autoridade pastoral, por não possuírem chamado para o pastoreio. Ainda que tenham boa intenção e desejem seguir e servir a Deus com integridade e sinceridade, não foram chamados pelo Espírito Santo, ou seja, o Espírito Santo jamais os constituiu pastores, foram colocados por decisões humanas.

Nesses líderes falta autoridade divina, coração, alma de pastor e entranhas de pastor, receberam o título, mas não o mais importante, a unção de Deus para o cargo. E essa não pode ser forjada, inventada ou manipulada. Seriam ótimos crentes, ótimos pregadores do evangelho, mas são péssimos pastores. Estes geralmente são inseguros, e querendo mostrar sua autoridade, exageram e passam a dirigir a igreja ditatorialmente.

 

IX – COMO PREVENIR O ABUSO ESPIRITUAL

  • Cuidado com frases do tipo: “você ainda não recebeu nossa visão”, “isso é uma verdade espiritual que você ainda não tem condições de entender”, “abençoe-me e você será abençoado” e “não toque no Ungido do Senhor”.
  • Além disso, é preciso ter um relacionamento íntimo com Deus. Conhecer a Deus e pedir direção ao Espírito Santo, que conduz os filhos de Deus em seus caminhos e não os deixam ser enganados. Pessoas tem-se deixado escravizar por ditadores, que não deveriam ser pastores, por conta de não conhecerem a Deus. O Deus que elas conhecem não é o Deus Vivo, porque se essas pessoas conhecessem a Deus de forma completa, e da forma como Ele próprio se revela, através de sua Palavra (Bíblia), certamente muitas feridas seriam evitadas por conta do autoritarismo e abuso espiritual. Conclui-se que enquanto não se chegar a maturidade espiritual, esse problema irá permanecer. “Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Oseias 6.3).
  • Não aceitar as verdades do pastor como verdades absolutas. Só existe uma verdade absoluta: Jesus.
  • Não idolatrar pastores. Muitos fiéis veneram e idolatram seus pastores, o que é errado, pois eles são humanos e erram. Questionar o que o pastor diz não é rebeldia.

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui-se que tem ocorrido um distanciamento do evangelho puro e simples ensinado por Jesus. Pastores tem se valido de seu chamado vocacional para programar uma ditadura ministerial, edificada com base nos seus próprios interesses em detrimento da vontade de Cristo.

Este estudou evidenciou as consequências negativas de um pastoreio desvirtuado. Norteados segundos os princípios deste mundo, o ministério pastoral pode gerar prejuízos na vida das pessoas, em aspectos sociais, espirituais e psicológicos.

É necessário que o povo de Deus, cristãos que entregaram sua vida a Jesus, busquem intimidade com o Senhor, para assim conhecer a vontade de Deus para suas vidas, e se libertarem das amarras deste mundo, até mesmo da igreja corrompida. E possam, assim, segundo a direção de Deus, encontrar uma igreja que objetiva alcançar os desígnios do Senhor, com um pastor que siga o exemplo do Mestre Jesus, o qual afirmou: “O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10.11).

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Nota: Estudo compilado e adaptado pelo Pr. Edison Miranda da Silva, junho de 2017.

Fontes:

Abuso Espiritual, Ken Blue, Abu Editora, 1ª edição, 2000.

http://oportaldosaber.blogspot.com.br/2014/08/as-sete-regras-do-abuso-espiritual.html

http://comunhao.com.br/abuso-espiritual-quando-o-perigo-esta-no-pulpito-da-igreja

https://noticias.gospelprime.com.br/existe-abuso-espiritual-pastor-diz-que-sim-e-mostra-sete-formas-usadas-por-lideres-cristaos/

http://www.cristoamado.com/ESTUDOS_BIBLICOS/abuso_espiritual_parte_1.html

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  • Publicado: 3 semanas atrás em 28 de setembro de 2021
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  • Última modificação: setembro 28, 2021 @ 10:51 am
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