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Como era realizado o casamento no tempo de Jesus?

Por   /  5 de setembro de 2018  /  Sem comentários

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Não temos muitas informações diretas sobre o casamento no tempo de Jesus. É verdade que o Evangelho de João conta as “Bodas de Caná”, mas sem entrar em detalhes sobre a sua celebração. Por isso é importante consultar fontes paralelas. Uma bibliografia clássica é a obra de De Vaux (As Instituições do Antigo Testamento), que tem um capítulo inteiramente dedicado ao casamento. Ele toma em consideração diversos aspectos da vida do casal: poligamia, tipo de casamento, a escolha da esposa, o noivado, a celebração do casamento, o divórcio, adultério, levirato. De Vaux, contudo, fala exclusivamente do ambiente do Antigo Testamento, embora seja dali que deriva as práticas vividas no tempo de Jesus. Outra obra de referência é a Mishnah. É um livro que reúne os ensinamentos que os mestres repetiam aos discípulos. É a torah oral do povo judeu. Embora fosse uma tradição oral, no Século II depois de Cristo, o Rabino Yehudá Hanassi colocou esses ensinamentos por escrito. O livro é dividido em seis “ordens” (sedarim), divididos por sua vez em tratados (massechtot). A terceira “ordem”, Nashim, contém as regras sobre casamento, divórcio. Os seus tratados são: Yevamot (levirato), Ketubbot (contratos de casamento), Nedarim (votos), Nazir (sobre os nazireus), Sotà (mulher suspeita de adultério), Ghittin (divórcio) e Kiddushin (casamento).

Obviamente o espaço aqui é reduzido para transcrever todas as idéias presentes nessas duas importantes obras. A sua menção tem como intenção fornecer fontes para estudos mais profundos.

Através do Antigo Testamento é evidente que a celebração do casamento é uma realidade exclusivamente civil, ou seja, não é sancionado por nenhum ato religioso. Portanto não existe uma celebração religiosa do casamento, como aquela realizada hoje em nossas igrejas. É verdade que em Malaquias 2,14 o profeta diz que a esposa é a “mulher da aliança”. E sabemos que “aliança” (berit) compreende essencialmente um pacto religioso. Todavia, em relação ao matrimônio, esse pacto é simplesmente o “contrato de casamento”.

A única referência a um contrato de matrimônio encontra-se no apócrifo de Tobias 7,13. Nesse capítulo Ragüel, pai de Sara, dá sua filha a Tobias como esposa. A partir do versículo 12 assim diz o texto: Ragüel chamou sua filha Sara e, quando ela se apresentou, tomou-a pela mão e entregou-a a Tobias, dizendo: “Recebe-a, pois ela te é dada por esposa, segundo a lei e a sentença escrita no livro de Moisés. Toma-a e leva-a feliz para a casa de teu pai. E que o Deus do Céu vos guie em paz pelo bom caminho. Chamou depois a mãe da moça e mandou que trouxesse uma folha de papiro, e redigiu o contrato de casamento, pelo qual dava a Tobias sua filha por esposa, conforme o artigo da Lei de Moisés. Depois disso começaram a comer e a beber.

Segundo a Mishna (veja também Deuteronômio 20,7), o matrimônio comprendia duas etapas: erusin e nissu’in. A primeira etapa é como um noivado, celebrado diante de duas testemunhas, quando o noivo dizia “seja você consagrada a mim…”. Através deste ato a moça era “reservada” ao rapaz, todavia sem relação conjugal. Trata-se já de um compromisso que não se podia dissolver (só com divórcio ou morte), mas não é ainda uma relação matrimonial. Algum tempo depois (12 meses em alguns casos) se concretiza o matrimônio, o nissu’in. Não era um ato automático, pois o consenso de ambas as partes era necessário.

Extraído e adaptado do site abiblia.org/ em 05/09/2018

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