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Darwin na Universidade de Medicina

Por   /  27 de julho de 2020  /  Sem comentários

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Depois de ajudar o pai nas visitas médicas aos pacientes, o pai decidiu enviá-lo para a universidade de Medicina. Seu irmãos mais velho, Erasmus, achava que ele deveria ir para Cambridge. Robert decidiu enviar Carles Darwin para a Universidade de Edimburgo, a “Atenas do Norte”, para Charles. Edimburgo tinha mais relação com a tradição liberal da família. Charles seria a terceira geração dos Darwin a estudar medicina lá, seguindo seu pai e seu avô. O professor de filosofia natural, John Leslie, havia sido professor particular dos filhos da família Wedgwood uma vez em Maer. Como resultado, Charles saiu de casa com cartas que o colocariam nas melhores mesas de jantar de intelectuais. Apesar de ser considerada melhor que as universidades inglesas e formar uma quantidade maior e melhor de médicos, Edimburgo havia muito era um refúgio para os Dissidentes ricos, barrados em Oxford e Cambridge por recusarem confessar os 39 artigos da Igreja Anglicana. Em Edimburgo eles estudariam uma série ampla de assuntos médicos e científicos, incluindo Botânica, Química, e História Natural. Edimburgo mantinha os alunos informados sobre as melhores, mais heterodoxas e as mais inovadoras ciências recém-criadas, como Charles acabaria descobrindo (DESMOND & MOORE, 2001, p. 41, 42) e como veremos mais adiante, de fato, o que moldou a mente de Darwin para que ele tomasse emprestada a Teoria da Evolução. De fato, em Edimburgo, Darwin se dedicou mesmo a colecionar espécimes de invertebrados, encontrou ideias materialistas radicais e negligenciou seus estudos médicos (GUNDLACH, 2018). Depois que Erasmus, irmão de Darwin, concluiu seus estudos médicos externos, ele veio morar com Charles e estudar em Edimburgo. Havia duas características distintas em Edimburgo. A primeira era a Igreja. Edimburgo era a capital religiosa da Escócia. Seus severos pregadores eram indicados por patronos nobres e pela Coroa. Assim era a igreja da Escócia, chamada “The Kirk”, a Assembléia Geral, reunia-se em Edimburgo em meio a muita pompa. Toda a cidade aparecia, incluindo Charles e Erasmus, para ver os delegados em becas negras convergindo a fim de discutir a saúde moral da nação. A segunda era a própria cidade. Era uma cidade de paisagens maravilhosas e ciências apavorantes; de socialistas fazendo experiências com a vida cooperativa e comerciantes frenólogos examinando as cabeças de seus fregueses; de professores debatendo a origem da Terra e anatomistas decifrando a criação da vida (DESMOND & MOORE, 2001, p. 43).

A posição política de Darwin, e da família, era Whig, ou seja, liberal (defendia competição aberta, emancipação religiosa, que permitia não-conformistas, Judeus e Católicos prestar culto e eram veementemente contra a escravidão), contrastando com o partido Tory, conservador, que já governava o país há 50 anos e defendiam abertamente a escravidão (DESMOND & MOORE, 2001, p. 44).

No primeiro trimestre na universidade eles se transformaram em ratos vorazes de biblioteca, pois retiraram mais livros do que qualquer outra pessoa na universidade. Além de participar de aulas particulares proferidas pelo professor Robert Knox, um exuberante, usando monóculo, vestido em ouro, atacando cruelmente o clero. Suas sátiras cortantes sobre religião fizeram dele o flagelo da liderança da igreja da Escócia. Ele deu aulas a mais estudantes do que todos os outrosprofessores particulares reunidos. Neste mesmo príodo, Charles Darwin já estava desiludido com a medicina, notadamente a anatomia. Seria o começo da jornada para abandonar o curso de medicina. Além disso, Charles compartilhava com seu pai o horror pelo sangue e nunca se esforçou para para superar isso. (DESMOND & MOORE, 2001, p. 45-47).

Ao escrever às suas irmãs, escreveu: “vou aprender a empalhar pássaros com um negro”. O “negro” em questão era um escravo liberto, John Edmonstone que o excêntrico “lorde” e viajante católico Charles Waterton trouxera da Guiana. O ex-escravo havia aprendido taxidermia com Lorde e ofereceu um curso muito barato. Charles se matriculou  e não só aprendeu a empalhar animais, mas também ouviu em primeira nas conversas as histórias de um escravo sobre a exuberância das florestas tropicais. Apesar da pressão da família, Darwin não conseguia ver sabedoria na medicina. Sua falta de interesse na medicina era notória à família. Charles, nesses dias, reviveu o encanto de suas caminhadas de infância pela costa galesa. Por esse tempo, Erasmus encerrou seus estudos em Edimburgo e se matriculou na escola de anatomia de Londres, deixando Charles à própria sorte (DESMOND & MOORE, 2001, p. 48-49).

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Fontes citadas:

DESMOND, Adrian; MOORE, James. Darwin: A Vida de um Evolucionista Atormentado (Tradução Cyntia Azevedo). 4ª edição revisada e ampliada. São Paulo: Geração Editorial, 2001

GUNDLACH, Bradley J. Charles Darwin. In COPAN, Paul [et all] (organizadores). Dicionário de cristianismo e ciência: obra de referência definitiva para a interseção entre fé cristã e ciência contemporânea. (tradução Paulo Sartor Jr). 1. ed. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2018.

Por Walson Sales

 

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