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Desafiando o medo

Por   /  16 de junho de 2021  /  Sem comentários

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Desde a criação do homem, o medo é um sentimento que se faz presente. Depois de ter desobedecido a Deus, Adão sentiu medo: “E chamou o Senhor Deus a Adão e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me” (Gênesis 3.9-10).

As primeiras manifestações de medo aparecem logo após o nascimento. Inicialmente, ele se constitui numa defesa da própria natureza, para a preservação da pessoa, mas pode chegar a ser uma terrível barreira ao desenvolvimento saudável da personalidade. É fundamental considerarmos os nossos medos e identificá-los, para termos condições de vencê-los, lembrando que devemos contar com a ajuda imprescindível de Jesus nesta difícil tarefa.

Vamos direcionar esta reflexão para os medos femininos, aqueles que a partir das nossas preocupações ganham forma, e interferem diretamente na nossa maneira de ser e agir. Para compreendermos melhor os fenômenos que podem nos atingir, veremos, de maneira simples, alguns termos.

Medo: É o temor específico, concreto e objetivo perante algo que, de alguma forma, aproxima-se de nós, trazendo inquietude e alarme. É a percepção de um perigo real que nos ameaça, como é o caso de uma esposa que está com muito medo porque seu marido perdeu o emprego. “O que acontecerá agora?”, pensa, em sinal de preocupação.

Ansiedade: É o estado subjetivo de temor ante algo abstrato, vago, indefinido. Caracteriza-se por uma sensação de alerta, um sentimento forte com expectativa de que o pior vai acontecer. É o que acontece, por exemplo, com aquela mãe que procura fazer o melhor para os seus filhos e ainda assim fica muito ansiosa por doenças ou acidentes que poderão ocorrer a eles. Esses pensamentos são, às vezes, tão intensos que levam a mãe à angústia extrema.

Angústia: É o temor vago, abstrato, que se percebe pelo padecimento intenso, desconsolo e agonia. Trata-se de situações de iminente desgraça ou perigo.

Assim, numa interpretação quantitativa dos fenômenos, encontramos níveis de desassossego e de crescente comprometimento com esses sentimentos.

A ansiedade antecipatória corresponde ao medo do medo. Ocorre, muitas vezes, com as mulheres mais preocupadas. Para elas, o medo propriamente dito não está em enfrentar as situações tão “temidas”, mas em enfrentar sintomas físicos e psicológicos desagradáveis que foram vividos intensamente. O medo é de que eles voltem a se manifestar. Situações adversas, causadoras de crises de pânico, acabam criando condicionamento, que por sua vez podem levar ao estado fóbico. Para exemplificar este tipo de ansiedade, podemos citar o caso de uma mulher que foi ameaçada de assalto ao parar o seu carro num semáforo de um cruzamento. Na ocasião, ela teve muito medo e sentiu um mal-estar com forte diarreia. Agora, sempre que precisa passar pelo cruzamento, ela sente medo do mal-estar e da diarreia.

Algumas mulheres, certas de que estão acometidas da chamada ‘síndrome do pânico’, buscam tratamento psicológico. Porém, nem sempre o que estão de fato vivenciando é caracterizado como tal. O autodiagnóstico é perigoso. A síndrome do pânico, bem como a ansiedade e angústia exageradas, merecem a atenção de um médico especialista (e cristão) para uma avaliação correta e tratamento adequado.

Em nosso dia-a-dia nos deparamos com situações novas. E muitas vezes não sentimos segurança para agir acertadamente. Esta insegurança pode ter origem na infância. Nós, no papel de mãe, preparamos a criança para encarar as situações novas como desafios. Nossos filhos precisam desenvolver bases sólidas espirituais, mentais, físicas e emocionais através de palavras, mas sobretudo através do que é vivenciado em casa. Dependendo de como criamos nossos filhos, estaremos formando futuros adultos sobressaltados, inquietos e inseguros, já que a personalidade foi marcada por experiências emocionais intensas de medo, ansiedade e angústia. Para conseguirmos algo das crianças, por exemplo, utilizamos argumentos que produzem medo: “Se você não comer toda a comida, o ‘bicho papão’ vem te pegar”. No entanto, devemos ensiná-las a crer em Jesus, contando a elas histórias dos heróis bíblicos, que venceram porque confiaram no poder de Deus.

Reconhecermos a nossa limitação, aceitando o cuidado do Senhor para a nossa vida, é a receita ideal para vencermos o medo. A Bíblia é rica em exemplos de circunstâncias difíceis e embaraçosas, em que os homens perceberam o alto valor de depositar toda a confiança somente em Deus. Todos contemplaram a vitória sobre o medo.

“Mas, sentindo o vento forte, teve medo; e, começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me” (Mateus 14.30). O apóstolo Pedro, nesta passagem, sentiu grande medo, pois estava afundando no mar. Soube, no entanto, recorrer à pessoa certa: Jesus! Bastou fixar os olhos no Mestre para que tivesse vitória. O medo, a ansiedade e a angústia persistem sempre que os nossos olhos estão fixados nos problemas e situações que nos apavoram.

Vamos experimentar fixar nossos olhos em Jesus, ou seja, confiar no seu poder ilimitado e abrangente para atuar em qualquer circunstância assustadora. “Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5-7). É preciso crer, entregar tudo ao Senhor, esperar e descansar na certeza de que Ele nos ouve (Salmo 37.5). A Palavra, em Filipenses 4.6, nos adverte a não estarmos inquietas por coisa alguma, mas, através da oração, fazer conhecidas de Deus todas as nossas necessidades.

Sônia Pires Ramos, Psicóloga – Membro da Assembleia de Deus, Belenzinho, S. Paulo/SP

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  • Publicado: 2 meses atrás em 16 de junho de 2021
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  • Última modificação: junho 16, 2021 @ 4:39 pm
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