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O Domingo é um dia Pagão?

Por   /  4 de agosto de 2021  /  Sem comentários

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É extremamente engraçado e até patético ouvir os sabatistas dizerem que o domingo é um dia pagão e espúrio. E lançam mão de fartas provas históricas para compensar os dois lados que essa questão apresenta. Será que Deus, na criação, fez um dia espúrio e outro não? O primeiro dia da semana, o domingo, não merece ser taxado de pagão simplesmente porque pecadores impenitentes o mancharam com suas superstições vis a ponto de dedicá-lo a uma divindade imaginária, pró­pria das loucuras da depravação total da qual a huma­nidade alienada de Deus está sujeita. Isso, de maneira nenhuma, mancha ou tira o valor do dia cristão.

O povo de Deus não tem culpa se o batismo fora manchado pelas superstições babilônicas. De igual modo, a doutrina da Santíssima Trindade não deixa de ser uma verdade bíblica por ter sido corrompida pelos povos que inseriram nela suas aberrações idolátricas e passaram a adorar uma tríade de deuses. A ressurrei­ção não deixa de ser um fato escriturístico simplesmen­te porque fanáticos pagãos a traziam em seu bojo de tradição. Poderíamos ainda discorrer sobre a Santa Ceia e muitas outras doutrinas autenticamente cristãs que são ordenanças e mandamentos do Novo Testamento, inclusive praticadas pelos adventistas, que tiveram suas réplicas no paganismo, mas nem por isso dizemos que são espúrias. A respeito da Santa Ceia, Justino, o mártir, explica em sua “I Apologia” que os demônios (seguidores de Mitra) também usavam em suas iniciações os elementos da Ceia, acompanhados por palavras, tal qual os cristãos faziam.

Querer tirar a marca e o caráter autenticamente cris­tão do domingo como sendo apenas o “dia do sol” é raciocínio pueril. Somente pessoas de mente obtusa lançariam mão de teorias frágeis como esta para de­fender ideias preconceituosas que, de antemão, já estão fadadas ao fracasso. Isto sim é de debilidade evidente. Valendo-me das palavras de Justino, arre­mato que os cristãos evangélicos não adoram a Deus no domingo por este ter sido usado pelos pagãos para comemorarem seus rituais, mas, sim, porque a Igreja de Cristo obedece à autoridade apostólica.

DO “VENERABILI DIES SOLIS”

Quando o assunto é explicar a origem da “imposi­ção” dominical a confusão é geral no meio adventista.Uns dizem que foi Constantino, outros já afirmam que foi o Papa, outros ainda que foi a Igreja Católica, através de um Concilio. É uma verdadeira confusão!

Os êmulos do “Dia do Senhor” – o domingo, em­pacotam seus argumentos de tal modo que acabam por distorcer fatos históricos relevantes que, se le­vados em conta, tem o poder de desmontar por com­pleto o arcabouço erigido em cima destas heresias. Um deles tem a ver com o edito de Constantino.

Tenho em mãos a “História Eclesiástica” de Eusébio que, a partir do livro X, descreve as ações de Constantino em prol da Igreja. Seus decretos im­periais mostram um imperador ecumênico (aquele que gosta de agradar a gregos e troianos) semiconvertido preocupado mais com política do que com coisas es­pirituais. E isso é mostrado às claras. Vejamos: “Que qualquer divindade e poder celestial que possa exis­tir seja propício a nós… é assim que podemos conce­der aos cristãos e a todos igualmente a livre escolha de seguir o tipo de adoração que quiserem”.

Notem que Constantino engloba em seus decretos todas as religiões, sendo a maioria pagã e a minoria, cristã. Ao favorecer os cristãos com as afirmações que veremos em seguida, ele está abrindo as portas para que os mesmos adorem a Deus da maneira que quiserem e no dia que mais lhes seja conveniente: “…concedemos aos cristãos liberdade e liberdade plena para observarem seu modo peculiar de adoração”. Quando usa a expressão pagã “Venerável dia do sol” ele não está, de modo ne­nhum, honrando este dia ou lhe impondo divindade, mas apenas usando uma expressão peculiar àquele povo. Todos a entendiam. Não seria nada conveniente escre­ver em um decreto, a ser lido em público, uma expressão menos conhecida pelo povo como “Dia do Senhor”. Trata-se de uma frase cristã e a maioria pagã não a entendia. Isto é tanto verdade que o próprio Justino, o mártir, usa em sua epístola enviada ao imperador pagão Antonino a expressão “No dia que se chama do sol…” para que esse homem pudesse entender. É mais ou menos como dizer a um americano que vou à igreja não no domingo (Dia do Senhor), mas nosunday (dia do sol). E isso não compro­mete em nada o dia cristão. Foi justamente com este objetivo que Constantino usou a expressão “Venerável dia do sol”, para que todos compreendessem. Assim, não adianta nada insistir na “imposição” dominical. Os fatos, quando analisados honestamente, não compor­tam tal ideia de o domingo ser um dia espúrio, pagão.

PAULO CRISTIANO, REVISTA DEFESA DA FÉ – ANO 7 – N° 43

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  • Publicado: 2 meses atrás em 4 de agosto de 2021
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  • Última modificação: agosto 4, 2021 @ 4:04 pm
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