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O Espírito Santo: Seu Professor Particular

Por   /  26 de junho de 2020  /  Sem comentários

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Desde que me entendo por gente, conheço e amo o Senhor Jesus Cristo. Tornei-me um de seus discípulos aos onze anos de idade. Dez anos mais tarde, o Senhor decidiu que eu iria lhe servir no ministério, e chamou-me para a tarefa. Ao escrever este artigo, estou com 67 anos. Faça as contas.

Durante todos esses anos de leitura da Bíblia, oração, estudo, obediência, busca de crescimento e esforço para honrar Jesus por meio do serviço ao povo dele, aprendi algumas coisas sobre os caminhos do Senhor. Algumas dessas descobertas aconteceram de antemão, porém a maioria foi depois dos eventos, quando relembrei o passado e meditei no que o Espírito Santo havia feito, em como ele me havia guiado e ensinado.

Jesus prometeu ao seu povo que o Espírito Santo seria nosso Professor: “Esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26). “[…] ele vos guiará em toda a verdade […] porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16;13-14).

Na maior exatidão possível de minha matemática, o Espírito Santo tem 984 métodos de ensino a serem usados com qualquer um de nós. Até agora, ao avaliar todos esses anos de serviço a Deus, apresento-lhes os dez melhores que ele usou comigo.

  1. O Espírito Santo ensina por meio dos fracassos.

Quando eu estava na faculdade, lutei na tentativa de testemunhar de Cristo. Antes de falar do evangelho aos meus amigos ou a estranhos, eu suava em bicas, tamanha era a minha agonia interior. Mas depois de dois ou três anos disso — quando eu já era seminarista — peguei um livreto numa livraria evangélica que poderia muito bem ter sido dedicado a mim: “Como ganhar almas”. Um pastor do Texas havia publicado, até com ilustrações fotográficas, o método que ele usava para apresentar o evangelho. Comprei o livreto, estudei-o, aprendi o que ele tinha para ensinar, fui para o outro lado da cidade e, usando os princípios que o pastor texano e o Espírito Santo puseram no meu caminho, ganhei alguém para Cristo.

  1. O Espírito Santo ensina por meio das experiências cotidianas.

Meu amigo Fred me contou que seu pastor o deixava pregar de vez em quando na igreja, e ele estava gostando da experiência. “Mas eu tenho muita dificuldade com as ilustrações”, explicou o Fred. Eu e ele iríamos passar várias horas juntos numa viagem a um funeral e também para almoçar com um amigo. Sugeri ao Fred que ele anotasse num caderno todas as ilustrações apropriadas a mensagens que ele encontrasse pelo caminho. Quando nos despedimos naquela tarde, ele havia anotado seis lições que o Senhor lhe havia ensinado. Uma delas veio da garçonete que nos atendeu, outra veio de algo que um amigo disse na hora do almoço, duas ou três vieram da mensagem fúnebre e pelo menos duas brotaram de nossas conversas.

“Como é que nunca percebi estas coisas?”, o Fred perguntou. Respondi: “Você nunca precisou delas. Agora que você começou a pregar, o Senhor lhe dará as ilustrações. Sua tarefa é prestar atenção”.

  1. O Espírito Santo ensina por meio do sucesso.

Este método é tão óbvio que farei apenas um comentário. A lição que a maioria das pessoas aprende quando tudo vai muito bem é: “Este é o jeito de fazer as coisas”. Certamente é por isto que aprendemos mais com os nossos fracassos do que com os sucessos. Com o fracasso, labutamos e agonizamos com o que não estamos fazendo certo e com o que temos de melhorar. Com o sucesso, nossa tendência é relaxar, dar um tapinha nas próprias costas e parabenizarmos a nós mesmos porque finalmente estamos acertando. Raramente examinamos algo bem-sucedido e estudamos todas as lições que o Senhor nos deu. É a natureza humana, mas neste caso, então não é algo do qual devemos nos orgulhar.

  1. O Espírito Santo ensina por meio do sofrimento.

O dr. Paul Brand escreveu um excelente livro sobre o assunto com um título intrigante: “Sofrimento: O presente que ninguém deseja”, [não publicado no Brasil]. Seu trabalho com leprosos o ensinou como a dádiva do sofrimento é valiosa, e mostrou-lhe as tragédias que cercam as pessoas que não sofrem mais.

Quando perdi um emprego, aprendi a sentir a presença de Deus, a doce comunhão com os cristãos e a suficiência das promessas do Senhor. Quando a morte me levou um ente querido, conheci o poder das orações dos amigos. Quando enfrentei uma batalha contra o câncer, aprendi a entesourar as promessas da Bíblia. Quando lutei contra a depressão, aprendi a entender as dificuldades que as outras pessoas enfrentavam em suas vidas.

  1. O Espírito Santo ensina por meio das lutas.

Minha amiga Mônica havia acabado de se formar na faculdade e estava em treinamento para passar dois anos num campo missionário em outro país. Num sábado, durante o treinamento, ela e os colegas foram levados a uma cidade grande e divididos em pequenos grupos. A instrução foi para que interagissem com os estrangeiros dos locais onde estavam e tentassem levar alguém para mais perto de Jesus. A Mônica, muito introvertida, lutou com este aspecto da tarefa. Quase no fim do período estabelecido, ela começou a orar de todo o coração para que Deus confirmasse que estava mesmo direcionando-a para o campo missionário.

Ao terminar de orar, a Mônica notou no fim do corredor uma senhora atrás de uma mesa repleta de artesanato africano. Mônica se aproximou da mesa, acenou com a cabeça para a senhora, pegou um objeto e começou um bate-papo com a outra. Em dois minutos, a Mônica ficou sabendo que a mulher era da mesma cidade na África onde ela deveria trabalhar, que suas duas netas eram alunas da escola onde seria professora do pré-primário e que as meninas sempre testemunhavam de Jesus a essa avó. Uma hora depois, quando se juntou novamente a seu grupo, a Mônica havia orado com a mulher, e tinha em seu bolso duas cartas que ela havia escrito ali mesmo para as netas. Na Tanzânia, a Mônica foi lecionar para uma das netas da mulher.

Quando você estiver lutando para fazer a vontade de Deus, é sempre uma boa ideia pedir-lhe orientação e poder.

  1. O Espírito Santo ensina por meio da repetição.

Num período de dez dias, quatro seminaristas me disseram: “Não pretendo me unir a uma igreja local”. Embora haja um seminário teológico em minha cidade, não sou um de seus professores e, normalmente, passo semanas sem pôr os pés lá, mas achei esta afirmação muito estranha. Alguns dias depois, alguém da administração telefonou me convidando para falar no culto do seminário. Percebi logo qual era o assunto que o Espírito Santo queria que eu abordasse. Minha mensagem aos alunos foi: “Unam-se a uma igreja local!”

  1. O Espírito Santo ensina por meio das dúvidas.

Quando eu estava na faculdade, li um romance chamado Elmer Gantry [do escritor americano Sinclair Lewis] e acabei sendo influenciado por uma dúvida levantada por um pregador [personagem do livro] que estava deixando o pastorado por vários motivos, incluindo todas as contradições que descobriu na Bíblia. Dei risada de algumas dessas mencionadas por Lewis porque, mesmo nos meus poucos 20 anos de idade, e ainda imaturo em várias áreas da vida, eu havia me deparado com aqueles mesmos problemas superficiais e havia ignorado todos eles por achá-los triviais demais para uma discussão séria. Foi então que o pastor do romance me “pegou”. Se Jesus foi quem ele disse que era — tinha vindo céu e era Deus — em vez de realizar todos aqueles milagres, de efeitos temporários, por que não fez algo que resultasse em benefício eterno para a humanidade, como nos dar um código de vigilância sanitária.

Pensei: “Que pergunta boa. Por que será que Jesus não fez isto?” Quase dez anos mais tarde descobri a resposta. Em um livreto intitulado “Nenhuma dessas doenças” [não publicado no Brasil], o médico missionário S. I. McMillen retirou conceitos da Bíblia, especialmente do Antigo Testamento, para mostrar que o Senhor havia ensinado o povo como se manter seguro e saudável naquele ambiente primitivo. Na verdade, o autor mostra que muitos daqueles rituais enfadonhos em livros como Levítico, por exemplo, eram na verdade um código de vigilância sanitária, com o objetivo de proteger as pessoas de doenças e infecções.

O motivo de Jesus não ter dado esse código quando viveu na terra foi porque Deus já o havia estabelecido. Se temos preguiça de estudá-lo, o problema é nosso.

De modo semelhante, em minha época de faculdade e pós-faculdade, lutei com questões relacionadas à ressurreição de Cristo. Então, no meu segundo ano de seminário, li numa revista cristã um artigo de J. N. D. Anderson, professor de direito na cidade de Londres, em que ele oferecia provas da ressurreição. Até aquele momento, nunca havia me ocorrido que tínhamos à disposição hoje evidências da volta do Senhor de entre os mortos. Eu achava que acreditar era questão de fé cega. Mais tarde, Anderson e outros escreveriam inúmeros livros — os quais eu compraria! — para nos ajudar a entender a realidade da ressurreição de Cristo.

Se eu não tivesse me debatido com a questão, nunca teria apreciado a resposta quando ela chegou.

  1. O Espírito Santo ensina por meio das pessoas mais improváveis.

Jack era a pessoa mais infeliz da minha igreja. Um ano antes de eu ir pastorear ali, ele havia sido consagrado diácono e, quando cheguei, tive de aguentar suas críticas e negativismo. Outro diácono me incentivou a não levar os comentários de Jack para o lado pessoal, e assegurou-me de que os dois haviam sido vereadores ao mesmo tempo e o Jack agia da mesma forma na Câmara. Certo dia, quando fui à casa do Jack lhe fazer uma visita, descobri algo importante. O homem vivia com constantes dores nas costas. Quando retornei ao escritório, pedi que Deus me perdoasse a impaciência com o aquele irmão e desse-me mais amor e compaixão por ele.

Penso na dona Annie Cogsdell, uma mulher miudinha que membro da minha igreja e vivia numa situação financeira das piores; sua casa ficava a uns dois quarteirões do nosso templo. Como resultado de uma enfermidade antiga, ela andava toda encurvada, gagueja em voz fraquíssima, e pesava não mais que 35 quilos. Quando não podia mais cuidar de si mesma, alguns membros da igreja conseguiram-lhe vaga numa casa de repouso. Sempre que ia aos cultos, ela nunca se retirava sem antes conversar comigo. Quando ficou incapacitada de ir à igreja, passei a visitá-la onde morava. Sempre que eu ia lá, Annie prendia as minhas mãos em suas mãos ossudas e pequeninas e dizia: “Eu… oro pelo senhor… todos… os… dias”. Quando ela morreu, contei isso aos membros da igreja, todos com lágrimas nos olhos, e completei: “Quem irá agora orar por mim todos os dias?”

Depois de ter ficado longe daquela igreja durante 20 anos, voltei para a celebração de seus 175 anos de existência. No sábado à tarde, no santuário, enquanto relembrávamos o passado, algumas pessoas se levantaram e testemunharam sobre o que a senhora Annie Cogsdell, a pessoa menos provável a influenciar as pessoas numa igreja grande, havia representado em suas vidas.

  1. O Espírito Santo ensina por meio de um versículo que nos salta aos olhos.

Nos meses de férias, no final de minha adolescência, eu arava a terra de nosso pequeno sítio no estado do Alabama; o arado era puxado por uma mula. Quem já passou por isso nunca se esquecerá do que acontece quando o arado enrosca numa raiz qualquer. Você está movendo o arado direitinho, o dia é lindo, a brisa é fresca, o animal coopera que é uma maravilha, a vida é boa. De repente, a ponta do arado pega uma raiz embaixo da terra. O arado para, a mula dá um solavanco para trás, e você bate tão forte contra a barra do arado que quase perde o fôlego. O animal se equilibra de novo, o lavrador se recobra o suficiente para agarrar os cabos, endireitar o arado e desenroscá-lo da raiz. Depois, o lavrador cava em busca da raiz impertinente e arranca-a do chão, certificando-se de que não haverá problemas quando passar o arado ali de novo.

Você está lendo a Bíblia. O texto é maravilhoso, e você já o leu antes, o que é bom. De repente, um versículo salta da página diante de seus olhos. Você nunca o havia lido; de onde ele apareceu? O Espírito Santo deu um puxão em você.

Certo dia Lucas 14.14 saltou da Bíblia e agarrou-me. “[…] recompensado serás na ressurreição dos justos”, Jesus prometeu. É possível que eu tivesse lido o versículo centenas de vezes na vida. Mas é como se, agora, eu o estivesse lendo pela primeira vez. Entendi que o Espírito Santo estava me enviando uma mensagem. Este ensino, esta promessa, iria se tornar parte de meu arsenal, um tesouro em meu coração, algo de elevação espiritual que eu partilharia com os que sofrem, um incentivo aos que servem. Desde então, já escrevi sobre o versículo, preguei sobre ele em várias igrejas, e até mesmo em funerais, inclusive o de meu pai.

Cuide de quem não pode retribuir, é o que Jesus estava dizendo. Mas seremos retribuídos, podem ter certeza. No entanto, quem pagará a dívida é o próprio Senhor, na ressurreição dos justos. Ao refletir na promessa, fico imaginando os ouvintes de Cristo. Será que isso os motivou a fazer o que ele disse? Esperariam tanto tempo pela recompensa? Creriam tão absolutamente? É um pensamento intrigante.

No meio da década de 70, minha igreja no estado de Mississippi vivenciou uma pequenina crise racial. Pela primeira vez, uma pessoa negra iria se unir à igreja. Eu já tinha visto o diabo usar a cor da pele para destruir congregações, e determinei-me a não deixar que isto acontecesse conosco. Enquanto orava e estudava a Bíblia, o

Senhor chamou minha atenção para um versículo do salmo 119. O inusitado foi como Deus fez isto. O versículo me deixou exasperado. Acontece que não há nada neste salmo que pudesse me deixar exasperado, mas fiquei. “Os que temem ao Senhor se alegrarão quando te virem, porque tu esperaste no Senhor”. Li e pensei: “Mas o que será que isto quer dizer?”

Logo depois, enquanto eu orava, o Espírito Santo ensinou-me o conteúdo do versículo. “Os que temem ao Senhor”, as pessoas fieis a Deus. “Se alegrarão quando te virem” refere-se a como irão aceitar o que você recomenda quando se coloca diante da congregação. “Porque tu esperaste no Senhor” é uma referência ao fato de você ter orado sobre o assunto, e buscado realizar a tarefa do jeito que Deus quer.

O domingo seguinte seria um dos dias mais memoráveis daquela igreja; o dia em que recebemos na comunhão da igreja uma nova irmã, e fizemos isto de braços abertos, e quase com unanimidade.

  1. O Espírito Santo ensina por meio da natureza.

Joe Joslin e eu estávamos atravessando a ponte por cima de um lago no estado da Carolina do Norte. Era uma linda manhã de agosto e as nuvens brancas refletiam tão perfeitamente na superfície das águas que você chegava a pensar que o mundo estava invertido. Enquanto admirávamos o lago, eu disse ao Joe: “Não é espetacular?” Ele respondeu: “É sim, e eu aposto que aqueles peixes, depois de limpos, pesarão um quilo, mais ou menos”. Reagi: “Como é?”

Joe é pescador. Ele estava olhando além da superfície da água e admirando os peixes grandes logo abaixo.

Mais tarde, ocorreu-me que Joe e eu vivenciamos duas maneiras de as pessoas abordarem a Bíblia. Algumas abrem suas páginas e veem um reflexo do mundo ao redor. Escolhem indicadores de como viver, como guiar a família, como servir a Deus, e assim por diante. Outras mergulham profundamente no mundo bíblico para entender como as pessoas viveram naquela época e culturas. Estudam os idiomas e aprendem os costumes por trás dos ensinamentos.

Os dois métodos estão corretos; um não exclui o outro. Sou eternamente grato ao Espírito Santo por seu jeito memorável de se fazer entender.

Existem ainda outros 974 método que o Espírito Santo usa para nos ensinar, e ainda não descobriu a maioria deles. No momento, minha lista chega até aqui.

Moro perto de uma empresa que se especializa em ajudar estudantes com dificuldades de aprendizado ou que estão atrasados em alguma matéria. Sua propaganda é: “Você terá um professor particular”. Certamente a empresa descobriu o valor da instrução individual.

Mais cedo ou mais tarde, todos os cristãos aprendem e passam a apreciar que em Cristo temos este tipo de Ajudante. O Espírito Santo é o Professor Particular, o Tutor Pessoal do cristão.

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Joe McKeever,  (Pulpit Helps)

FONTE: O AMIGÃO DO PASTOR — VOL. 21 – Nº 11 NOV/11

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