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O padre pode perdoar pecados?

Por   /  28 de dezembro de 2017  /  Sem comentários

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JOÃO 20.22-23 – ESTE TEXTO INDICA QUE OS SACERDOTES TÊM AUTORIDADE PARA PERDOAR PECADOS?

  • E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. «queles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.

Baseados nesse texto, os católicos mantêm que “a igreja recebeu da parte de Cristo poder para perdoar pecados cometidos após o batismo” (Ott, 1960, 417). E “com estas palavras, Jesus transferiu aos apóstolos a missão que Ele mesmo recebeu do Pai… Do mesmo modo que Ele mesmo perdoou pecados na terra (Mt. 9.2; Mc. 2.5), agora investiu também os apóstolos de poder para perdoar pecados” (Ibid., 419). Os católicos acreditam que esse poder singular de perdoar pecados foi também concedido aos sacerdotes católicos romanos da atualidade.

RESPOSTA APOLOGÉTICA: Não se discute que foi dado aos apóstolos o poder de pronunciar o perdão e/ou reter os pecados. Contudo, a reivindicação católica de que esse seja um poder especial, de posse exclusiva daqueles que são ordenados sob a verdadeira autoridade apostólica — que a igreja católica alega só ela possuir, dizendo ser os verdadeiros sucessores dos apóstolos — não encontra apoio nesse texto.

Nenhuma reivindicação é encontrada, em qualquer parte do texto, de que apenas sacerdotes devidamente ordenados de acordo com a autoridade apostólica, que seriam os católicos romanos, o clero da igreja ortodoxa oriental e de algumas comunidades anglicanas, devam sozinhos possuir esse poder.

Todos os crentes que viveram nos primórdios da igreja cristã, incluindo pessoas leigas, anunciaram o Evangelho através do qual os pecados são perdoados (Rm. 1.16; ICo. 15.1-4). Esse ministério de perdão e reconciliação não foi limitado a qualquer classe especial conhecida como “sacerdotes” ou “o clero” (IICo. 3-5). Filipe, que era um diácono (At. 6.5), e não um presbítero ou sacerdote no sentido católico romano, pregou o Evangelho aos samaritanos. Esse fato resultou na conversão de muitos deles (At. 8.1-12), o que envolveu o perdão dos seus pecados. Os apóstolos vieram mais tarde não para cooperar na conversão dessas pessoas, mas para compartilhar com elas o especial “dom do Espírito Santo” (At. 2.38 e 8.18), com a evidente manifestação do falar em línguas (At. 2.1-4), que acompanhava esse dom especial (At. 1.5; 2.38 e 10.44-46).

Esta passagem de João é paralela à da Grande Comissão, na qual Jesus instruiu todos os seus discípulos a levarem o Evangelho a todo o mundo e fazer discípulos (Mt. 28.18-20; Mc. 16.15-16; Lc. 24.46-49). Nessa ordem para evangelização, Jesus promete, como faz na passagem em questão, que a pregação do Evangelho (Mc. 16.15) resultará na “remissão dos pecados” (Lc. 24.47) daqueles que cressem, e que pelo seu Espírito estará junto deles até a consumação dos séculos (Mt. 28.20). Todos esses três aspectos têm um paralelo em João, onde encontramos Jesus dando o “Espírito Santo” aos discípulos (Jo. 20.22), mandando que proclamassem “o perdão dos pecados” (Jo. 20.23), e comissionando-os para que desempenhassem a sua missão na autoridade do Pai. “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós” (Jo. 20.21). Então, examinando com mais cautela, não existe um poder maior, dado na passagem que está em João 20.22-23, do que aquele que todos os discípulos possuíram como resultado do grande comissionamento, tarefa esta reconhecida até mesmo pelo Vaticano II como uma obrigação de todo cristão.

Em resumo, de modo contrário às reivindicações católicas, não há nada em João 20.22-23 que apoie a primazia ou a infalibilidade do papado, nem de qualquer poder sacerdotal exclusivo. Trata-se simplesmente de uma afirmação na qual Jesus dá aos seus discípulos a habilidade de ministrar o perdão de pecados a todos aqueles que creem na mensagem que os apóstolos foram comissionados a proclamar.

Devemos observar, ainda, que o poder de perdoar pecados era meramente declarativo. Os apóstolos declaravam que o pecador arrependido, crente em Jesus como seu Senhor e Salvador, reunia as condições para ser salvo e ter seus pecados perdoados, mas não que eles perdoavam pecados. Podemos observar que no AT ninguém tinha poder para perdoar pecados senão Deus (Is. 43.25) e o NT diz o mesmo (Mt. 9.2-7; Mc. 2.7).

Seguindo o mesmo raciocínio, constatamos que no AT os sacerdotes não tinham poder de curar, mas apenas de declarar a cura. Não podiam dar ou tirar a lepra, porque era algo exclusivo de Deus. O poder concedido aos sacerdotes consistia em pronunciar o que Deus fizera. Quando Davi pecou Natã disse: “Também o Senhor perdoou o teu pecado” (IISm. 12.13). O poder declarativo do profeta Natã garantiu a Davi que seu pecado estava perdoado, devido à sua manifestação de arrependimento. Esse poder declarativo, concedido na antiga aliança aos profetas, foi outorgado por Jesus aos discípulos na nova aliança. Assim, os servos de Jesus podem declarar perdoados aqueles que se encontram ligados a Deus, mas não podem dizer o mesmo aos impuros e aos imundos, por estarem desligados de Deus (Mt. 18.18; Jo. 20.23).

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Texto Base: Resposta às Seitas, Norman L. Geisler e Ron Rhodes, CPAD, 1997. Texto adaptado e compilado pelo Pr. Edison Miranda da Silva e Maria Candida Alves.

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  • Publicado: 9 meses atrás em 28 de dezembro de 2017
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  • Última modificação: dezembro 28, 2017 @ 9:44 am
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