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O QUE É RESSURREIÇÃO?

Por   /  7 de novembro de 2025  /  Sem comentários

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Na língua grega existem algumas palavras para o vocábulo ressurreição, a saber: anastasis, exanastasis, egersis. De acordo com Strong, a palavra ressurreição vem do grego: “ anastasis, com o significado de: “o ato de voltar a colocar-se de pé, isto é, uma ressurreição dos mortos, levantar dentre os mortos, erguer-se novamente”. E ainda, segundo o Dicionário de Vine, o vocábulo grego para ressurreição: “Anastasis denota: “levantamento para cima ou subida” (formado de ana, “para cima”, e histemi, “fazer estar”). Os outros dois vocábulos são: “exanastasis, formado por ek, “de” ou “para fora de” e o outro égersis, “despertamento” (cognato de egeiro, “despertar, elevar”), é usado acerca da “ressurreição de Cristo, em Mt 27.53″, (Vine, W.E. Unger, Merril F. Jr, William White, Dicionário Vine O Significado Exegético e Expositivo das Palavras do Antigo e do Novo Testamento, p. 946, 2a Edição 2003, CPAD, Rio de Janeiro, Brasil).

A Bíblia apresenta dois tipos de ressurreições: a) a ressurreição com corpo mortal, sobre a qual encontramos 9 casos entre o Antigo e o Novo Testamentos (Jo 11.43,44); e b) a ressurreição com corpo imortal, glorificado, também conhecida como a ressurreição para a vida que é a mesma ressurreição de Jesus (Rm 6.9; ICo 15.20,23). Outro tipo de ressurreição, que a Bíblia nos apresenta, é a ressurreição dos ímpios após o milênio, onde eles ressuscitarão com corpos não glorificados, porém, indestrutíveis para sofrerem o castigo e tormento eterno (Ap 20.5; Dn 12.2; Mt 25.46).

Como vimos acima, no tema sobre a morte, na prática, os cristãos, verdadeiramente salvos, jamais deveriam ter medo da morte. Pois Cristo, ao ressuscitar para a vida, deu-nos a plena certeza da ressurreição. Assim diz o apóstolo Paulo sobre isso: “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11); “Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem …, mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda” (ICo 15.20,23).

E, para a igreja de Tessalônica, ele escreve: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu coin alarido, c com voz de arcanjo, c com a trombeta de Deus; c os que morreram cm Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, c assim estaremos sempre com o Senhor” (lTs 4.16,17), E para os filipenses, Paulo deixa a seguinte mensagem: “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar a si todas as coisas” (Fp 3.20,21), Cristo venceu a morte dentro do seu próprio território, Ele venceu a morte pela própria morte. Na cruz, a morte foi enganada, pois ao matar Jesus, pensando ser o fim, ela foi vencida e depois tragada pela vida por ocasião da ressurreição. A cruz, na verdade, ao mesmo tempo que foi o instrumento de humilhação, vergonha, desprezo, morte e maldição de Jesus, tomou-se o palco da sua grande vitória sobre a morte e o pedestal de onde, pela morte de Cristo, emanou a vida para todo aquele que crer. “Paulo mostra que Cristo, como Pneuma Dzoopoioun, “Espirito Vivificante” (ICo 15.45), é o Criador do novo modo de existência corporal” (Horst e Gerhard – Diccionario Exegético Del nuevo Testamento, vol J, p.269), no qual a morte, vencida pela Sua morte e humilhada por Sua ressurreição, para a vida, já não tem mais nenhum poder de interferência na vida daqueles, cuja vida está escondida com Cristo em Deus. Portanto, na cruz, aconteceu a maior de todas as mortes, a saber, a morte da morte, cujo resultado foi a vida eterna. Assim, que, os que estão em Cristo, não devem temer a morte. Jesus, ao falar com Marta, que havia acabado de sofrer uma das maiores perdas, a saber, a morte tie Lázaro, seu irmão, consolou-a com as seguintes palavras: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e rodo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Crês tu isso? ”) (]o 11.25,26). Devemos encarar a morte não como a morte em si, mas como um veículo, enquanto Cristo não vem, para nos conduzir à vida, e assim como Cristo, devemos vencê-la pela fé nele. No deserto, quando o povo de Israel pecou, Deus permitiu que as serpentes ardentes mordessem o povo causando-lhe a morte. Mas ao confessar os seus pecados, Deus orientou a Moisés para que fizesse

uma serpente de metal para que todo aquele que olhasse para ela não morresse, mas tivesse vida e assim foi. Que lição tiramos disso? Devemos, pela fé e na obediência de Cristo, encararmos a morte. Pois cia já foi vencida por Cristo na cruz e tornou-se inoperante na vida daqueles que depositam a sua fé nele. Não devemos temer a morte porque fazemos parte de um outro reino onde a morte não tem poder de nos alcançar: “dando graças ao Pai, que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz. Ele nos tirou das potestades das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” (Cl 1.12,13). O poder que a morte exerce sobre o nosso corpo é somente até a ressurreição para a vida. Depois disso, ele será glorificado e a morte nunca mais poderá corrompe- lo. Então cantaremos: “Onde está ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (ICo 15.54-56).

Outro detalhe importante que gostaríamos de registrar, ligado a ressurreição dos salvos, é que a ressurreição tem a ver apenas com o corpo que foi corrompido pela morte e não com a alma, a qual, por ser imortal (Mt 10.28), não se corrompe juntamente com o corpo como é ensinado por alguns. Querendo fazer oposição à verdade bíblica da imortalidade da alma, alguns defensores da morte da alma têm apresentado a seguinte objeção: “Se a alma já é imortal, porque há necessidade de ressurreição”? A resposta é justamente a que acabamos de apresentar. Jesus não voltará para ressuscitar a alma, uma vez que ela é imortal e será trazida com ele lá do céu (ITs 4.14), mas sim o corpo, como a Bíblia claramente nos ensina (Mt 10.28; Rm 8.11; ICo 15. 42-44,50-54; Fp 3.20,21). O corpo da ressurreição, portanto, será incorruptível, glorioso e não sujeito à corrupção e a morte (Rm 6.9; ICo 15.20,23; 50-54). Uma vez que a nossa salvação é progressiva, tem início com o novo nascimento e atinge o seu ápice com a glorificação, a nossa alma precisa do corpo ressurreto incorruptível, glorificado para que a nossa salvação possa se completar (lJo 3.2). Jesus está hoje, no céu, com o seu corpo glorificado, e assim nós, os salvos, lá no céu, também estaremos.

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Fonte: Livro – Perguntas Difíceis de Responder – sobre a imortalidade da alma entre a morte e a ressurreição, Elias Soares de Moraes, Editora Beit Shalom, 2016.

 

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