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Os Mórmons e a doutrina do homem

Por   /  2 de junho de 2018  /  Sem comentários

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Comparado com Joseph Smith, Satanás foi conservador quando disse a Eva: “Sereis como deuses” (Gn. 3.5). Joseph Smith e seus teólogos omitem o “como”. Prometem a divindade a todos os fiéis. Smith assim considera o assunto:

“Tendes que aprender como ser Deuses vós mesmos — tal como todos os Deuses têm feito antes de vós” (King Follett Discourse, p.10).

A fim de elevar o homem à categoria de um deus, foi preciso que Smith rebaixasse a estatura de seu deus. Isso ele faz declarando: “Deus… já foi homem como nós” (Idem, p. 9). Dispondo dessa largueza, os teólogos mórmons ampliaram a ideia e desenvolveram seu atual conceito do homem como um deus em potencial.

Lorenzo Snow, contemporâneo de Joseph Smith, codificou o ensino de Smith no seguinte aforismo, que já se tornou padrão entre os mestres dos mórmons:

“Como o homem é, assim foi Deus. Como Deus é, assim pode tornar-se o homem” (Millennial Star, vol. 54).

Outro contemporâneo de Smith, reconhecido pelos mórmons como um de seus maiores teólogos, disse:

“Lembrai-vos de que Deus, nosso Pai celestial, já foi talvez uma criança e mortal como nós; elevou-se passo a passo na escala do progresso, na escola do aperfeiçoamento; progrediu e venceu até chegar ao ponto onde agora se encontra” (Orson Hyde, Journal of Discourse, vol. I, p. 123).

Tendo assim reduzido a estatura da Divindade à de um super-homem elevado, os ensinadores mórmons não encontraram grande dificuldade em desenvolver uma “doutrina do homem” que coloque o homem no mesmo nível de semelhante Divindade. É escusado dizer que o deus dos mórmons não é o Deus da Bíblia, nem o “homem” dos mórmons é a criatura que veio da mão do Deus Todo-poderoso e Eterno.

A fim de criar semelhante teoria do deus-homem, foi preciso que os mórmons criassem sua própria doutrina de reencarnação. Não que isso seja novidade com eles, apenas mudaram um pouco o palavreado.

Primeiro, ensinam que todos os seres e espíritos humanos, e mesmo Jesus Cristo e Satanás, existiram como espírito desde uma eternidade passada. No nascimento físico, os espíritos recebem corpo no qual possam exercer sua escolha do bem e do mal. Assim, a vida presente é um período de experiência. A maneira pela qual é utilizado Esse período experimental é que determina completamente a categoria da pessoa na próxima vida após a ressurreição.

A vida vindoura começa onde finda a vida presente. Se tiverem sido satisfatórios todos os feitos e realizações desta vida, e todos os “dotes do templo” tiverem sido cumpridos, então o indivíduo se torna um deus e é tido por competente para prosseguir a criar e povoar mundos seus, e assim ad infinitum. Nenhum bom mórmon negará que essa é uma doutrina mórmon regular. Em todo o caso, prevendo a possibilidade de alguém por em dúvida a exatidão das nossas afirmativas, faremos citações de teólogos mórmons regulares e aprovados Joseph Smith preparou o caminho para os ensinadores posteriores dos mórmons, quando escreveu de novo a História da Criação. Esse material consta do “Livro de Moisés”, que é igual ao que está no Pérola de Grande Valor, usado pelos mórmons de Salt Lake City, e na Versão Inspirada de uso da Igreja Reorganizada. Diz Smith:

“Pois Eu, o Senhor Deus, criei espiritualmente todas as coisas de que tenho falado, antes de existirem naturalmente sobre a face da terra — pois no céu Eu as criei — e o homem se tornou alma vivente, a primeira carne sobre a terra — o primeiro homem também; contudo, todas as coisas já estavam criadas anteriormente: porém espiritualmente foram criadas e feitas de acordo com minha palavra” (Livro de Moisés 3:5-7; Pérola de Grande Valor, p. 12; Versão Inspirada da Bíblia, Moisés 3:5-7).

Na mesma obra, Smith apresenta o Senhor que diz a Enoque:

“Unge teus olhos com barro, lava-os e verás. E ele assim fez. E ele contemplou os espíritos que Deus tinha criado, e contemplou também coisas que não eram visíveis ao olho natural” (Idem, Moisés 6:34-35).

Alguns meses depois, pelo menos até 1835, Joseph Smith tinha preparado os “capítulos” finais de suas “escrituras.” A esses deu o nome de “Livro de Abraão,” alegando tê-los traduzido de papiros encontrados sobre uma múmia que comprou de um dono de circo ambulante, Michael N. Chandler (Handbook of Reference, p. 45).

Havia quatro múmias na coleção. Uma delas, conforme se verificou, era da filha de Faraó (décima quarta dinastia); outra do Faraó Neco (vigésima sexta dinastia). Sobre a múmia da filha de Faraó havia papiros que continham a escrita de Abraão (décima primeira dinastia). Desse papiro da décima primeira dinastia, encontrado sobre uma múmia da décima quarta dinastia, a qual fora comprada junto com outra da vigésima oitava dinastia, foi que Joseph Smith traduziu seu “Livro de Abraão.” Diga-se a favor da Igreja Reorganizada, que quando o embuste foi denunciado por egiptólogos competentes, repudiaram o “Livro de Abraão.” O restante do Pérola de Grande Valor eles eram obrigados a aceitar, uma vez que é a matéria exata encontrada na Versão Inspirada. Fica-se a imaginar como eles puderam rejeitar o embuste de Smith sem rejeitar o próprio Smith. Nesse “Livro de Abraão” lemos (e aqui citamos por extenso):

“Ora, o Senhor tinha mostrado a mim, Abraão, as inteligências que foram organizadas  antes de haver mundo; e entre todas havia muitos dos nobres e dos grandes; e Deus viu essas almas que eram boas, e ficou em pé no meio delas e disse: Destas farei meus governadores; pois ele estava entre as que eram espíritos e ele viu que eram bons; e ele me disse: Abraão, tu és um deles; foste escolhido antes de nasceres.

E estava em pé no meio deles um que era semelhante a Deus [nessa altura uma nota faz referência a uma passagem no Livro de Moisés, que se refere evidentemente ao Filho de Deus, fazendo dele assim um espírito precriado] e ele disse aos que estavam com ele: desceremos, pois ali há espaço, e tomaremos destes materiais e faremos uma terra onde estes possam habitar.

E o Senhor disse: quem enviarei? E um respondeu parecido com o Filho do Homem: Eis-me aqui, envia-me. E outro respondeu e disse; Eis-me aqui envia-me. E o Senhor disse: Enviarei o primeiro. E o segundo ficou zangado e não conservou seu primitivo estado, e naquele dia muitos o seguiram” (isso, evidentemente, refere-se a Satanás, a quem os mórmons fazem um espírito desobediente e irmão de Jesus Cristo. Esse é um de seus textos de prova).

Munidos dessa base pseudo-bíblica, os teólogos mórmons puseram-se a trabalhar com afinco para desenvolver a teoria. Smith chegou a suas conclusões tecendo teorias em um campo em que a Bíblia nada diz. Comentando a respeito de semelhantes teorizadores, Lewis Sperry Chafer comenta:

“Onde Deus não tem falado, há muita largueza para os teólogos preencherem largas porções inteiramente de acordo com seu modo de pensar; mais tarde, no desenvolvimento de seu sistema, sacam de sua própria criação justamente aquilo que prepararam e necessitam” (Lewis S. Chafer, Systematic Theology, vol. II, p. 169).

É esse precisamente o uso de Smith e de todos os comentaristas mórmons. Seguem-se alguns dos desenvolvimentos da doutrina por parte de escritores mórmons posteriores:

Jesus Cristo não é o pai dos espíritos que já tomaram ou ainda tomarão corpos sobre esta terra, pois ele é um deles” (James E. Talmage, Articles of Faith, p. 473).

“Creem os Santos dos Últimos Dias que a terra foi organizada a fim de que personagens de espírito — os filhos espirituais de Deus — tivessem um lugar onde pudessem tomar a si a  mortalidade — tomar corpos mortais. Era necessário tornarem-se mortais para poderem aprender do mal o bem, da tristeza a alegria. Era necessário tornarem-se mortais a fim de ter multiplicação, filhos para aprenderem os caminhos de Deus e obedecerem suas leis” (Bardella S. Curtis, Sacred Scripture and Religious Philosophy).

Joseph Fielding Smith, um dos mais constantes dos teólogos brighamitas, afirma:

“A Bíblia ensina-nos que o homem existia na criação dos espíritos antes de aparecer nesta terra com seu corpo físico, porém essa doutrina só se discerne na Bíblia através de uma névoa ou neblina. Essa névoa é criada, conforme registrado por Nephi porque muitas coisas claras e preciosas têm sido tiradas da Bíblia… A doutrina da preexistência do homem na criação dos espíritos é ensinada com clareza e energia” (aqui Joseph Fielding Smith se refere à Biblia conforme foi reescrita por Joseph Smith, citação específica Moisés 3:5-7. Os leitores da literatura dos mórmons devem sempre conferir a exatidão das referências bíblicas).

“Os Santos dos Últimos Dias creem que o homem é um espírito revestido de um tabernáculo, cuja parte inteligente nunca foi criada ou feita, mas existe eternamente. Essa crença se baseia em uma revelação concedida à Igreja em 6 de maio de 1833 em Kirtland, Estado de Ohio”.

A revelação em apreço reza como segue:

“O homem também estava no princípio com Deus. A inteligência, ou a luz da verdade, não foi criada nem feita, nem mesmo o pode ser… Pois o homem é espírito. Os elementos são eternos, e espírito e elemento, inseparavelmente ligados, receberam uma plenitude de alegria” (D&C 92:29,33-34).

Joseph Fielding Smith, em carta dirigida ao Ancião Whitney, escreve:

“Nosso conhecimento de pessoas e coisas, antes de virmos para cá, aliado à divindade despertada em nossas almas pela obediência ao evangelho… orienta nossas preferências no decurso desta vida… Será que podemos saber aqui alguma coisa que não sabíamos antes de vir?… Eu creio que nosso salvador possuía presciência de todas as vicissitudes que teria de atravessar neste tabernáculo mortal. Se Cristo sabia antes, nós também sabíamos. Mas, ao virmos para cá, esquecemos tudo para que nossa agência seja realmente livre para escolher o bem ou o mal” (Era 23:101; Gospel Doctrine, p. 15-16).

James E. Talmage, ao explicar a transição do estado anterior do homem, declara:

“Foi demonstrado que a mortalidade é divinamente fornecida como meio de disciplina e de prova, pelo qual a geração espiritual de Deus possa desenvolver seus podêres e demonstrar seu caráter. Cada um de nós foi adiantado do estado sem corpo ou preexistente para nossa condição atual, em que o espírito individual se acha provisoriamente unido a um corpo de carne e ossos” (James E. Tamalge, The Vitaly of Mormonism, p. 48-49).

Mais adiante no mesmo capítulo, Talmage refere-se a Jesus Cristo como sendo “o primogênito entre todos os filhos espirituais de Deus” que “havia de vir ao mundo… para ensinar aos homens os princípios salvadores do evangelho eterno” (Idem, p. 49-50).

Para os mórmons, a Queda foi um episódio fortuito — lamentável sem dúvida na ocasião para os participantes — mas inteiramente necessário para o progresso final dos homens.

Sobre a Queda, escreve Talmage:

“Por participarem de alimento impróprio para sua condição e contra o qual já tinham sido avisados especificamente, o homem e sua mulher ficaram sujeitos à degenerescência física” (Talmage, The Vitality of Mormonism, p. 52).

Provavelmente uma das declarações mais concisas, e ao mesmo tempo compreensivas a respeito do homem, sua imagem e seu destino, segundo a doutrina dos mórmons, é esta de John A. Widtsoe:

“Ele (o homem) existia antes de vir para a terra; estava com Deus no princípio; aceitou a oportunidade que lhe foi oferecida por seu pai de vir à terra para ser provado, refinado e educado; vive sobre a terra sob leis, regulamentos e a autoridade do Senhor: morrerá, porém com tempo reaverá seu corpo e, em virtude de seus esforços de justiça, prosseguirá eternamente para a exaltação eterna, ativa e progressiva. O destino do homem é divino. A vida sobre a terra é apenas um capítulo de uma jornada eterna. O homem é um ser eterno. Ele também é “de eternidade em eternidade”.

Nesta maneira de pensar, a salvação adquire sentido definido. Quem quer que esteja em processo de desenvolvimento ou de progressão está em processo de salvação. Conhecimento em aumento, usado de conformidade com o plano do Senhor, torna-se em poder para remover todos os obstáculos do processo. Nas palavras de Joseph Smith, ser salvo é ser colocado “além do poder do mal.”

Evidentemente, pois, nossa salvação, iniciada no passado remoto, está sendo desenvolvida por nós na terra e dela nos aproximaremos em sua maior perfeição através dos séculos infinitos da vida futura. Assim todos os homens podem ser salvos, porém em graus proporcionais a suas obras de justiça.

Salva então o homem a si mesmo? De certo ponto de vista, sim. Contudo, é somente através do plano divino que a salvação pode ser alcançada; portanto, o homem é apenas um sócio no processo salvador. A salvação é um empreendimento cooperativo entre Deus e o homem” (John A. Widtsoe, Seção Mórmon, Varieties of American Religion, p. 132-133).

Veja-se agora o contraste entre as complicadas teorias do homem-Deus e a declaração simples das Escrituras:

“Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gn. 2.7).

O QUE O MORMONISMO ENSINA SOBRE A QUEDA DO HOMEM HOJE

https://mormonsud.net/para-refletir/regra-de-fe-pecado-original/ – 30/05/2018

Como sabemos, Adão e Eva sucumbiram às tentações de Satanás para comer do fruto e desobedecer a Deus, Que havia ordenado a eles que não comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Como consequência, foram afastados da presença física e espiritual de Deus — damos a esse acontecimento o nome de Queda. Eles se tornaram mortais, assim como nós, sujeitos ao pecado, às doenças, a todo tipo de sofrimento, e por fim, à morte. Mas isso não era tão ruim, pois eles poderiam também sentir grande alegria. “Adão caiu para que os homens existissem; e os homens existem para que tenham alegria” (2 Néfi 2:25). Enquanto fossem obedientes ao evangelho de Jesus Cristo, Adão e Eva poderiam receber inspiração de Deus, revelação e até mesmo visitas de mensageiros celestiais. Uma vez fora do jardim, eles poderiam progredir e aprender a tornar-se mais semelhantes a nosso Pai Celestial. Além disso, eles poderiam ter filhos, ou seja, o restante dos filhos espirituais de Deus (todos nós) poderia vir à Terra, ter um corpo físico e ser provado em suas escolhas diárias. Assim como aconteceu com Adão e Eva, há consequências para todas as nossas escolhas, sejam boas ou más. A felicidade e o progresso contínuos resultam da decisão de fazer aquilo que Deus deseja que façamos. A palavra-chave é “escolher”. Geralmente Deus não Se adianta e evita que façamos as más escolhas que Satanás nos tenta a fazer. Antes, Ele oferece Seu amor, Sua orientação divina e nos aconselha quando abrimos o coração para Ele.

Fonte: https://www.mormon.org/por/plano-de-felicidade – visitado em 29/05/2018.

https://mormonismo.wordpress.com/2010/01/16/a-queda-de-adao-e-eva/ – 30/05/2018

OS MÓRMONS E A SALVAÇÃO

Para o teólogo mórmon, a Salvação é uma proposição puramente hipotética. Uma vez que Deus nada mais é do que um homem exaltado, que passou pelas experiências de uma existência terrena, tal como acontece com todos os homens, não existe a necessidade de brindar-lhe com os atributos de absoluta justiça e santidade.

Uma vez que Jesus Cristo é simplesmente mais um dos filhos de Deus, tal como nós somos, Ele perde seu caráter de Deus Filho. Nada permanece de singular ou ímpar em sua Pessoa e obra.

Uma vez que o homem não é pecador por natureza, e que seus pecados podem ser anulados pelo batismo com água, com a idade de oito anos, não há grande motivo para o homem incomodar-se com o pecado que não traz consigo qualquer penalidade especial. Infelizmente, porém, para os mórmons, a questão do pecado não pode ser liquidada com tamanha facilidade. A atitude de Joseph Smith para com o pecado e a salvação é bem expressa por Morris Robert Werner, que diz:

“Em sua juventude, Joseph Smith sentia-se dividido entre o medo de não ser salvo eternamente e o desejo de gozar a vida dia-a-dia. Para sorte de seu sossego de espirito, ele pode conciliar os dois sentimentos, conseguindo sua própria nomeação por Deus para gozar a vida” (Morris Robert Werner, Brigham Young Uma Biografia, p.63).

Na filosofia mórmon, a Salvação nada mais é do que a preparação, por meio do progresso pessoal na vida presente, para uma vida física expandida na vida futura e que não leva consigo os distúrbios da presente.

Praticamente não há diferença entre as filosofias mórmon e muçulmana, exceto que o projeto dos mórmons é mais desenvolvido de acordo com as experiências julgadas desejáveis pelos ocidentais, ao passo que o “paraíso” muçulmano se baseia nos valores orientais.

Em Los Angeles, em 1956, foi completado um fabuloso novo templo mórmon. É provável que seja o mais espetacular edifício religioso contemporâneo que existe. Esse templo foi franqueado para inspeção por gentios durante algumas semanas. Agora fica disponível para mórmons de boa posição para fins ritualistas, como a confirmação de casamentos para a eternidade e batismo pelos mortos.

Uma das feições desse templo é uma série de cinco salas, cuja decoração e quadros murais apresentam as várias etapas da história terrena do homem, desde a Criação até seu estado final em um paraíso terrestre restaurado.

Essa sala “celestial” final pretende dar uma ideia dos deleites a serem gozados por aqueles que alcançarem o reino celestial. A revista Time descreve-a nestes termos: “uma luxuosa sala de estar com poltronas e sofás bem acolchoados, quadros murais delicados e candelabros complexos” (Time, 16/01/1956). Sugere tudo que agradaria a americanos amantes do conforto que gostariam de viver perpetuamente no corpo físico sem os males ou cuidados físicos.

O índio americano tinha quase a mesma filosofia, com a diferença de que a ideia do índio era de um céu que era um campo feliz, onde havia sempre caça disponível, e onde o lobo não atrapalhava nem soprava o vento norte. O paraíso mórmon nada sugere da esfera espiritual, nem conhece a alegria da paz indizível dos pecados perdoados e da vida compatível com a presença de Deus, a ser gozada eternamente na comunhão do Pai, do Filho, do Espírito Santo e com a multidão dos remidos.

A fim de estabelecer o confronto da Salvação na concepção mórmon e a Salvação conforme o Cristianismo ortodoxo, delinearemos o conceito cristão da salvação, para depois citar os escritores aceitos pelos mórmons. A Salvação, segundo a Bíblia, abrange uma tripla libertação:

  1. Libertação das penalidades do pecado, de modo que o pecador se apresenta justificado diante de Deus e purificado da culpa do pecado. Fica-lhe assim garantida a vida eterna e isenção do juízo.
  2. Libertação do poder do pecado em sua vida diária, e através de toda a sua experiência terrestre como crente. Isso lhe é assegurado pela presença do Espírito de Deus que nele habita.
  3. Libertação, finalmente, da própria presença do pecado, quando os remidos forem introduzidos na presença de Deus.

Existem algumas pequenas variações no modo de expressar esses três benefícios básicos da Salvação, porém todos os cristãos concordam que todos esses benefícios são resultados exclusivos da obra redentora de Cristo sobre o Calvário. Os cristãos são unânimes em afirmar que a obra do Calvário foi substitutiva. Creem que Jesus Cristo, como Substituto do homem, satisfez todas as exigências de Deus contra os homens caídos, no que se refere ao pecado. A validade dessa obra redentora é comprovada pela ressurreição física de Jesus Cristo dentre os mortos, o que demonstrou sua vitória sobre a morte.

A Salvação, segundo a Bíblia, está à disposição de todos, sejam quais forem as profundezas a que o pecador se tenha rebaixado, na quantidade ou qualidade de seus pecados, uma vez que a obra redentora do Calvário é completa. A Salvação é alcançada pela aceitação do livre dom de Deus conforme Efésios 2.8-9: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

A Salvação não é alcançada pelo esforço próprio nem pelas boas obras. O que faz, porém, é dar ao crente a capacidade de produzir boas obras, não com a finalidade de perpetuar ou incrementar sua salvação, mas porque se encontra no crente o empenho para produzir fruto para Deus, por um sentimento de amor para com o Salvador.

Agora contrastemos com o conceito cristão e bíblico da Salvação o conceito mórmon. Note-se que os escritores mórmons tomam por empréstimo textos da Bíblia para apoiar sua opinião, porém sem discriminação quanto ao assunto em discussão no contexto da Escritura citada. Eis uma declaração de John A. Widtsoe, tido pelos mórmons como um de seus apologistas mais competentes:

“Que é salvação? É o estado que resulta quando a pessoa está em harmonia com a verdade. O homem pode estar sempre no caminho para a salvação, porém, na sua plenitude, a salvação é o eterno alvo. A lei da salvação, como de toda a vida, é a eterna progressão. Havemos de crescer, diária e eternamente, na justiça e nas boas obras. Aqueles que se acham em estado de salvação, estão em estado constante de progressão. Aqueles que forem estáticos, ou que regredirem, são “os perdidos.” Mesmo para estes, a terna misericórdia de Deus fornece um lugar apropriado em seu reino e a oportunidade para o contínuo arrependimento. Quem quer que se tenha colocado, pela obediência à lei divina, além do poder do mal, até esse ponto está salvo.

Como é que se pode alcançar a salvação? Pela aceitação dos princípios e das práticas da verdade vinda de Deus e constituindo o plano da salvação pelo uso resoluto da vontade para obedecer a qualquer custo as exigências do evangelho, e o apelo constante na oração a Deus pela assistência.

Será que Cristo opera pelo homem alguma coisa que o homem não pode fazer para si? Sim. Ele é nosso Redentor; ele nos conduz através da obscura vereda; seu sacrifício nos habilitará a reavermos os corpos que depositamos na sepultura; ele é nosso advogado com o Pai. Ele é o nosso Comandante” (John A. Widtsoe, Varieties of American Religion, p. 137-138 – grifo nosso).

Quanto à antipatia manifestada pelos mórmons para com o conceito cristão da salvação, citamos um editorial da página eclesiástica do Deseret News, que é o jornal diário oficial dos mórmons do Lago Salgado:

“ESPADA DE DOIS GUMES

Satanás é arquienganador. Sua doutrina aparece sob muitas formas. Sempre ele tenta desviar as pessoas pondo diante delas noções falsas que, à primeira vista, parecem muito desejáveis. Um de seus métodos mais atraentes para alcançar a humanidade é o de levá-la a crer que pode obter alguma coisa de graça. Quase todo o mundo tem egoísmo suficiente para procurar obter o mais possível pelo preço mais baixo. Satanás aproveita-se dessa qualidade, tanto em nossa vida econômica como na religião: conseguir alguma coisa de graça — ou em troca do menor preço possível.

Essa filosofia exata encontra-se em certos tipos de religião. De novo é obter alguma coisa de graça. Há alguns que ensinam que a pessoa pode alcançar plena salvação sussurrando umas poucas palavras mágicas. Confesse só uma crença no Salvador — é só isso. Se você confessar assim, ganha a salvação plena, e nada poderá impedir. Não precisa de obras: você é salvo só pela graça. Assim reza esse ensino.

Ganhe alguma coisa — ganhe a salvação — em troca apenas de uma frase. É só dizer: “Eu creio”. Não precisa de mais nada do que isso, afirmam. E citam João 3.16 em apoio de seus argumentos.

Essa fantasia infundada se tornou tão popular com alguns, que certos entusiastas vão ao ponto de pintar “João 3.16” nas cercas, nas placas de sinalização, nos cruzamentos de nível, nas estradas — em qualquer lugar. Na opinião deles é magia, um meio mágico para ser salvo. Mas é magia negra. E eles se enganam a si mesmos, pois a salvação não vem dessa maneira.

Mas não é notável que Satanás apresente essa mesma filosofia, tanto no campo da economia, ou seja, da vida da luta diária, e também na religião? E não é notável que ambas as formas da mesma filosofia falsa sejam tão populares?

O Senhor tem bastante a dizer a respeito desse assunto, e a sua doutrina é exatamente o contrário da de Lúcifer. Longe de nós ensinar a obter as coisas de graça, o Senhor valoriza a produção. Sua doutrina é que o ocioso não comerá o pão nem vestirá os trajos do trabalhador.

Na religião é a mesma coisa. Somos ensinados que havemos de desenvolver nossa própria salvação. Devemos dar muito fruto. Os ramos da videira que não produzirem bastante fruto bom serão cortados e lançados ao fogo. Ele salientou a produção na sua parábola do servo inútil. A fé sem as obras é morta. No Dia do Juízo seremos julgados de acordo com as obras praticadas no corpo.

O Senhor determina que nos tornemos perfeitos, assim como Ele o é. Dando-nos o mandamento e ensinando-nos que havemos de desenvolver nossa salvação com oração, jejuns, com fé e testemunho crescentes. Ele nos ensina que havemos de exercer real esforço visando nosso próprio melhoramento.

De que modo desenvolvemos a nossa salvação? Participando das atividades da Igreja que desenvolvem em nossas almas aquelas características de Cristo que nos ajudam a tornar-nos como ele. Isso exige esforço consistente e bem planejado, com devoção até o fim. Assim o desenvolvimento da nossa salvação significa o desenvolvimento de personalidades à semelhança de Cristo, o que nos tornará aptos para entrar na presença do Senhor.

Os Santos dos Últimos Dias não devem deixar-se enganar pelas filosofias de Satanás, de se conseguirem de graça as coisas. Essa doutrina falsa é como uma espada de dois gumes que destrói quando é brandida para um ou para outro lado, quer na esfera econômica ou na religião” (Deseret News, Salt Lake City, Estado de Utah, 16 de janeiro de 1952 – grifo nosso).

Evidentemente, os benefícios da salvação, de acordo com a filosofia mórmon, estariam à disposição de apenas umas poucas pessoas muito dotadas. Aí não há nada para os desamparados, para os medíocres ou para a multidão de habitantes da terra que não teriam os meios ou a oportunidade para produzir o tipo de esforço receitado pelos ensinadores mórmons.

Por contraste, a mensagem cristã dirige-se a “todo o que quiser”. O pecador arrependido busca a Cristo com palavras como estas:

Nada trago nestas mãos:

Só confio em tua cruz.

O mórmon, porém, chega dizendo:

Algo trago nestas mãos:

Só confio em minhas obras.

 

O QUE O MORMONISMO ENSINA SOBRE SALVAÇÃO HOJE

O extrato abaixo, do site oficial mórmon, nos informa seu atual ensino sobre a salvação:

“Salvação

Na doutrina da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os termos “salvo” e “salvação” têm vários significados. Conforme usados em Romanos 10:9–10, os termos “salvo” e “salvação” significam uma relação de convênio com Jesus Cristo. Por meio dessa relação de convênio, os seguidores de Cristo recebem a certeza da salvação das consequências do pecado, se forem obedientes. “Salvação” e “salvo” também são usados nas escrituras em outros contextos com significados diferentes.

Informações Adicionais

Se alguém perguntar a uma pessoa se ela foi salva, a resposta depende do sentido em que a palavra estiver sendo usada. A resposta será “sim” ou talvez “sim, mas sob certas condições”. As seguintes explicações descrevem seis significados diferentes da palavra salvação.

Salvação da Morte Física. Todas as pessoas vão um dia morrer. Mas por meio da Expiação e da Ressurreição de Jesus Cristo, todos serão ressuscitados — salvos da morte física. Paulo testificou: “Assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (I Coríntios 15:22). Nesse sentido, todos são salvos, sejam quais forem as escolhas feitas durante esta vida. Essa é uma dádiva gratuita do Salvador a toda a humanidade.

Salvação do Pecado. Para ser purificado do pecado por meio da Expiação do Salvador, é preciso ter fé em Jesus Cristo, arrepender-se, ser batizado e receber o dom do Espírito Santo (ver Atos 2:37–38). Aqueles que já foram batizados e receberam o dom do Espírito Santo por meio da devida autoridade do sacerdócio já foram condicionalmente salvos do pecado. Nesse sentido, a salvação é condicional, dependendo da fidelidade contínua da pessoa, ou seja, da perseverança até o fim no cumprimento dos mandamentos de Deus (ver II Pedro 2:20–22).

As pessoas não podem ser salvas em seus pecados; não podem receber a salvação incondicional simplesmente por declararem sua crença em Cristo com a compreensão de que inevitavelmente cometerão pecados ao longo de sua vida (ver Alma 11:36–37). Contudo, pela graça de Deus, todos podem ser salvos dos pecados (ver 2 Néfi 25:23; Helamã 5:10–11) caso se arrependam e sigam Jesus Cristo. Referências das Escrituras: Mateus 10:22; Marcos 16:16; Efésios 2:8-10; Tiago 2:14-18; 2 Néfi 25:23, 26(grifo nosso).

Fonte: https://www.lds.org/topics/salvation?lang=por&old=true – visitado em 29/05/2018

Bibliografia:

Seria Cristão o Mormonismo?, Gordon H. Fraser, Imprensa Batista Regular, 1ª edição, 1965.

 

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