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“PAI DE GRANDES MULTIDÕES” e o G12

Por   /  17 de janeiro de 2023  /  Sem comentários

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No movimento dos 12 até as músicas são voltadas para o tema multidões.

A pastora Ludmila Ferber, por exemplo, em seu cântico “Multidões”, contido no álbum Nunca pare de lutar, repete o título da canção por várias vezes. Veja um trecho abaixo:

Alarga o espaço da tua habitação

Alarga tua tenda, não impeça o mover de Deus

Porque vem chegando:

Multidões (7 x)

Não para por aí, o Apóstolo Gilmar Britto, ministro de louvor do MIR também segue o mesmo exemplo, conforme podemos ver a seguir no trecho da canção “Grande multidão” do álbum Gerando Pérolas:

Te chamei pelo teu nome, te ungi pra conquistar

Te escolhi nesta geração, te plantei pra frutificar

Grande multidão (6 x)

Eu serei pai de grande multidão

Quero deixar claro que não tenho nada contra esses dois ministros de louvor, mas apenas analisar como o movimento G-12 inverte os valores bíblicos, levando os líderes a se esquecerem do que é mais importante do que números.

Não adianta se preocupar excessivamente em encher a igreja de membros e deixar de lado a estrutura.

É o mesmo que tentar construir um edifício de trinta andares, com um acabamento de primeira, com as janelas bonitas, elevadores de última tecnologia, um projeto cheio de beleza para os olhos humanos, sem, no entanto, preparar uma base que suportará todo o prédio.

Castellanos não se preocupa com esse fator, antes declara:

Muitos dizem: ‘não me importa a quantidade, senão a qualidade’. Importou a Moisés se o povo contra o qual tinha que ir era pouco ou numeroso, uma vez que tinha sido chamado a conquistar grandes povos.[3]

Ele diz mais ainda:

Só aqueles que se movem guiados por um espírito de conformismo argumentarão que é mais importante a qualidade do crente do que a quantidade em uma igreja.[4]

A visão celular, segundo seu fundador, precisa ser aplicada na íntegra para funcionar, seu sucesso depende dessa implicação.[5]

Este tipo de declaração demonstra como o modelo celular é perigoso, pois exige obediência cega às doutrinas. Uma frase que ouvi por várias vezes no movimento é “não negócio a visão”.

No começo achava essa frase bonita, demonstrava como éramos fiéis à denominação, aos líderes e à própria visão. Mas ela está completamente errada. O que não podemos negociar não é a visão e sim a Palavra de Deus. Infelizmente essa é a posição assumida pela maior parte dos líderes.

Castellanos valoriza tanto a quantidade que até critica os pastores que “lamentavelmente têm poucos seguidores”.[6] É nessa inversão de valores e na adaptação do Evangelho, através do âmago de querer ser grande que, as multidões realmente vêm.

As religiões orientais são bastante atrativas por causa da maneira pela qual tratam as pessoas, usando de técnicas psicológicas de autoajuda. “Você é grande. Você é importante. Você é… Você é… Você.. Você.”.Temos até pregadores “evangélicos” sugerindo que somos deuses. Desta forma, multidões têm vindo, mas não necessariamente se convertendo dos seus maus caminhos.

A primeira vez em que foi sugerido ao homem ser um deus, está relatado em Gn 3.5: “Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”, disse a serpente.

O Bispo Earl Paulk, falecido em 2009, foi um dos fortes representantes do movimento neopentecostal e pastoreou uma das primeiras mega igrejas independentes dos EUA.

Dentre suas várias controvérsias, ele chegou a afirmar em uma de suas obras que “Até que compreendamos que somos pequenos deuses e comecemos a agir como pequenos deuses, não podemos manifestar o reino de Deus”.[7]

Como alguns líderes não se preocupam com a qualidade dos frutos e ainda interpretam que estes estão ligados a quantidade, Paulk chegou a tornar-se referência internacional, em função do sucesso numérico.

O movimento de adaptação do Evangelho visa tão somente encher seus templos, pois além do resultado numérico há o retorno financeiro.

Paulk também defendeu a teologia da inclusão gay e embora isso tenha trazido sérias críticas a seu ministério, continuou a ser referência para muitos.

No G-12, a cobrança pelo cumprimento das metas, tem levado as pessoas ao antinomianismo. Várias pessoas vêm para a denominação, tornam-se 12 de alguém, são batizados independentemente da maneira como estão vivendo (fumantes, casais amaziados, etc) e entram para o hall de membros.

Entenda, caro leitor. Todas as pessoas são chamadas para o Evangelho e devem vir a Cristo com estão, mas “se alguém está em Cristo, Nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”.

Isso significa que nossas igrejas estão abertas para o homossexual, para o idólatra, para o ladrão, para a prostituta, enfim, para quem quer que seja, mas que devemos pregar a Palavra viva do nosso Deus, a qual gera homens e mulheres mudados, ex-homossexuais, ex-idólatras, ex-ladrões, ex-prostitutas, ex-mundanos, homens e mulheres regenerados, isto é, nascidos de novo.

O bom cristão não se conforma com o mundo, mas possui uma nova mente, transformada e renovada, a mente de Cristo (Rm 12.2; 1 Co 2.16).

Ante essa fome pelos números, pela multidão, vemos o próprio Jesus ensinando acerca do verdadeiro caminho que conduz à salvação. Ele mostra que existe um largo, através do qual muitos são os que passam por ele.

Todavia, o verdadeiro caminho, é estreito, apertado, mas conduz à vida e poucos são os que seguem esse trajeto (Mt 7.13,14). Não invertamos os valores; negociemos visões humanas e não abramos mão de seguirmos a Palavra que é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos.

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[1] HENDRIKSEN, Willian. Comentário do Novo Testamento – Lucas, Volume I. Cultura Cristã. São Paulo, 2003, p. 321.

[2] PETERS, George. A theology of Church Growth. Grand Rapids, Michigan. Zodervan, 1981, p. 23-24.

[3] CASTELLANOS, César. Liderança de Sucesso Através dos 12. Palavra da Fé Produções. São Paulo, 2000, p. 156.

[4] CASTELLANOS, César. Sonha e ganharás o mundo. Palavra da Fé Produções. São Paulo, 1999, p.68.

[5] CASTELLANOS, César. Liderança de Sucesso Através dos 12. Palavra da Fé Produções. São Paulo, 2000, p. 225.

[6] Ibid. p. 197.

[7] PAULK, Earl. Satan Unmasked, 1984, p. 97.

Extraído do livro “A Verdade Sobre o G12″, Couto

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