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A Conversão do Jovem Spurgeon

Por   /  17 de agosto de 2020  /  Sem comentários

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“Olhe e viva, meu jovem”, foi o apelo direto do pregador leigo na pequena capela metodista. Assim, Charles H. Spurgeon foi salvo e iniciou a caminhada para ser o grande pregador que conquistou milhares de pessoas para Jesus.

Ele havia ido passar o Natal em casa, no fim de 1849, com o firme objetivo de visitar todas as igrejas da cidade para descobrir o caminho da salvação. Não se sabe quantas igrejas visitou, mas em nenhuma ele encontrou o que buscava.

Os pastores expunham as grandes verdades da fé cristã. E seus sermões eram bastante apropriados àqueles voltados às coisas espirituais. Porém o que jovem queria era saber como ser perdoado de seus pecados, e isto ninguém lhe explicava.

Finalmente chegou o dia em que a mão de Deus inegavelmente se estendeu para levar Charles Haddon Spurgeon por um caminho nunca imaginado. Charles havia planejado visitar uma capela distante de sua casa, e saiu estrada a fora. Mas caiu uma nevasca que o impediu se prosseguir na jornada.

Ele se encaminhou por uma rua afastada e acabou se deparando com um templo pequeno lá no final. Era uma capela metodista. Esta igreja até então desconhecida na cidade estava destinada a ser famosa mundialmente como resultado da primeira visita de um adolescente de não mais de quinze anos.

Charles não estava inclinado a entrar, pois tinha ouvido que o pessoal da referida igreja cantava tão alto que você ficava com dor de cabeça. Mesmo que isto fosse verdade, Spurgeon não se importou, desde que lhe mostrassem como ser salvo. Ele mesmo conta o restante da história.

O pastor não apareceu naquela manhã, por causa da neve, acho eu. Finalmente um homem magrelo, que era sapateiro ou alfaiate ou coisa parecida, foi até o púlpito para entregar a mensagem. Todo mundo sabe que os pastores devem ser instruídos, mas esse homem era um ignorante total.

Ele foi obrigado a ficar preso ao texto, pela simples razão de não ter mais nada o que falar. O texto bíblico era: “Olhai para mim e sereis salvos, vós, todos os termos da terra” (Is 45.22). O homem nem pronunciava direito as palavras, mas não importava. Havia naquele texto um rasgo de esperança, foi o que pensei.

O pregador começou:

Meus queridos amigos, este é um versículo bem simples mesmo. Ele diz: “Olhai”. Gente, olhar num dá quase trabalho nenhum. Num é como levantar o pé ou um dedo, é só olhar. Ninguém precisa diploma de faculdade pra aprende a olhar. Você pode ser o maior tonto, e mesmo assim pode olhar. Ninguém precisa viver mil anos pra consegui olhar. Todo mundo pode olhar, até uma criança.

Mas o texto diz: “Olhai para mim”. Então. Muitos de vocês estão olhando pra vocês mesmos. Mas não adianta nada. Nunca vão achar paz em vocês mesmos. Tem gente que olha para o Deus Pai. Não; olhe para ele mais tarde. Jesus Cristo diz: “Olhe para mim”.

Alguém pode dizer: “Qual é? Temos de esperar até o Espírito agir”. Não é hora disso agora. Olhe pra Jesus, O texto diz: “Olhai para mim”.

O bom homem seguiu o texto assim:

“Olhe pra mim; estou suando grandes pingos de sangue. Olhe pra mim; estou pregado na cruz. Olhe pra mim; estou subindo ao céu. Olhe pra mim; estou sentado à direita do Pai. Ai, pobre pecador, olhe pra mim! Olhe pra mim!”

Ao chegar neste ponto, depois de manejar uns dez minutos ao púlpito, chegou ao fim da corda. Então ele me viu logo abaixo da galeria, e, ousou dizer que, com tão poucos presentes, ele percebeu logo que eu era visitante. Fixando o olhar em mim, como se conhecesse meu coração, ele afirmou: “Jovem, você parece infeliz”.

Era verdade, mas eu não estava acostumado a ouvir observações vindas do púlpito sobre minha aparência. Mas o soco foi bom, acertou em cheio o meu coração.

O homem continuou:

E você continuará infeliz — infeliz na vida e infeliz na morte — se não obedecer ao meu versículo; mas se obedecer agora, você será salvo. E erguendo as mãos, exclamou: “Jovem, olhe para Jesus Cristo! Olhe! Olhe! Olhe! Você não pode fazer mais nada a não ser olhar e viver.”

Enxerguei o caminho da salvação na hora. Não me lembro do que o homem disse a seguir — não prestei atenção — pois aquele pensamento dominava minha mente. Assim como na ocasião em que a serpente de bronze foi levantada no deserto, e bastava o povo olhar pra ficar curado, o mesmo aconteceu comigo.

Eu esperava ter de fazer cinquenta coisas, Mas então ouvi a palavra “Olhai!” Que palavra fascinante ela me pareceu! Ah, olhei até quase ficar cego.

Naquele instante a nuvem desapareceu, a escuridão sumiu, e vi instantaneamente o sol. Senti vontade de me levantar e cantar com os mais fervorosos ali presentes sobre o maravilhoso sangue de Cristo e a fé simples que olha só para ele.

Nunca me esqueci daquele dia em que encontrei o Salvador e aprendi a me agarrar a seus amados pés. Eu, um adolescente desconhecido, sem importância, de quem ninguém nunca ouviu falar, escutei a Palavra de Deus. E aquele versículo precioso me levou à cruz de Cristo.

Posso atestar que a alegria daquela ocasião foi absolutamente indescritível. Eu poderia dar saltos, poderia dançar. Porém não houve nenhuma expressão, por maior fanática que fosse, que não estivesse de acordo com a alegria do meu espírito naquele momento.

Muitos dias de experiências cristãs se passaram desde então. Mas nunca houve um que trouxesse a completa alegria, a maravilha fulgurante daquele primeiro dia.

Achei que iria saltar do banco onde estava e gritar com o mais impetuoso dos irmãos metodistas ali presentes: “Fui salvo! Fui salvo! Um monumento da graça; um pecador salvo pelo sangue!”

Senti que fui emancipado, um herdeiro do Céu, um perdoado, aceito em Cristo Jesus, arrancado do barro imundo e da cova horrível. Com os meus pés na Rocha e o curso da minha vida estabelecido, achei que poderia dançar a caminho de casa. Entendi o que John Bunyan quis dizer quando afirmou que gostaria de contar aos corvos da lavoura tudo a respeito de sua conversão.

O grande acontecimento se deu na manhã do domingo de 6 de janeiro de 1850.

(Sword of the Lord)

FONTE: AMIGÃO DO PASTOR – VOL. 22 – Nº 03 MAR/2012

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  • Publicado: 4 meses atrás em 17 de agosto de 2020
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  • Última modificação: agosto 17, 2020 @ 9:53 am
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