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COMO DISCIPULAR EX-ADEPTOS DE SEITAS

Por   /  1 de abril de 2021  /  Sem comentários

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Desilusão, angústia, perda da confi­ança em si mesmo, medo de voltar ao estilo de vida anterior ao do envolvimento com a seita, tensão, incer­teza, crise de identidade, falta de rumo, etc. Essas são as companhias constan­tes de quem abandona uma seita heréti­ca. Muitos se descrevem como: “arra­sados, mutilados”; outros, dez anos após terem deixado o grupo, ainda per­manecem nesse estado. Alguns partem para novas experiências religiosas em busca da “única igreja verdadeira”, vão de igreja em igreja, decepção seguida de decepção. Ainda há aqueles que ten­tam recuperar o tempo perdido e pas­sam a dispensar maior atenção as relações familiares, ao emprego, aos estu­dos, enquanto deixam Deus de fora de suas vidas. A Dra. Margaret Thater Singer, como resultado de uma pesquisa intensa feita com 3000 mil ex-sectaristas, observou entre eles: “casos significantes de depressão, solidão, an­siedade, baixa autoestima, superdependência, confusão, inabilidade para se concentrar, psicoses”.

Isso tudo é consequência de se ter estado associado a uma seita destrutiva que abusa emocional e espiritualmente do indivíduo. Steve Hassan, autor de “Combatendo o Controle Mental das Seitas”, faz uma lista de quatro mar­cas básicas do controle mental exercido pelas seitas:

– CONTROLE EMOCIONAL

A chave desse controle está no te­mor e na culpa, também chamado de “inculcação” de fobias. O membro da seita desenvolve a paranoia de que Sa­tanás está a espreita para caçar-lhe, se em qualquer momento questionar a or­ganização religiosa ou por alguma ra­zão, a abandone, …Ele e sua família morreriam de forma horrível.

– CONTROLE DE CONDUTA

É reforçado aos membros, toda classe de regras peculiares, normas so­bre vestimentas e outras coisas não especificadas na Palavra de Deus. No­vos modelos de comportamento são apresentados como: as visitas de porta a porta, a assistência a várias reuniões semanais, novas atitudes para com os dissidentes e, na sequência, o ensinam que ele é perseguido por suas crenças.

– CONTROLE DE PENSAMENTO

Emprega-se uma linguagem carre­gada de termos peculiares do grupo, tais como: novo sistema teocrático, or­ganização de Deus, a verdade, apóstatas. Tudo é branco ou negro; a entidade é boa e todas as demais são do diabo. Existem respostas para todas as suas perguntas, pois assim o membro não necessita pensar por sua própria conta.

– CONTROLE DE INFORMAÇÃO

Aos membros é proibido qualquer acesso à informação, ou crítica sobre o movimento. O membro sempre está ocupado lendo suas próprias literaturas e assistindo as reuniões. Dentro da es­trutura piramidal do movimento exis­tem diversos níveis de conhecimento. Também são escondidas informações dos que estão fora, de maneira que eles tenham publicamente uma imagem benigna.

Muitos, por desconhecerem estes aspectos das seitas, acham que os ex-sectaristas sofrem inteiramente de pro­blemas espirituais e nada mais.

Pessoas que fizeram parte de uma seita têm problemas e necessidades es­peciais. Umas das dificuldades é que encontram má compreensão e invaria­velmente estigma, na comunidade evangélica.

Os apologistas Ronald M. Enroth e J. Gordon Mellon lançaram um grande desafio em um de seus excelentes li­vros: “Nós desafiamos os cristãos para estenderem companheirismo e amizade para esta nova minoria, os ex-sectaristas”.

A grande maioria, daqueles que saem de uma seita, sofrem enormes pri­vações. Isso implica no fato que temos o dever moral de ajudá-los, não somente levando-os a Jesus Cristo, mas dan­do-lhes assistência no que for necessá­rio, para que reestruturem suas vidas.

Nos últimos anos houve um cres­cente aumento da apologética em nosso país. Vários livros foram lançados, ex­pondo o erro religioso e defendendo magistralmente a verdade, porém a igreja cristã permanece apática na sua compreensão dos efeitos danosos que o envolvimento com grupos pseudocrístões trazem ao indivíduo e à sociedade como um todo, sem contar naqueles que chegam feridos em nossas igrejas e permanecem com várias sequelas por causa de seu anterior envolvimento sectário.

Eles carecem de um envolvimento intenso e relacionai com cristãos ma­duros, que os oriente, não somente a abandonar falsos ensinos e aprender as verdades bíblicas, mas essencial­mente receber o amor incondicional do Salvador.

Em junho de 1980 cristãos de vári­os países se reuniram em Pattaya, Tailândia, sob o patrocínio da Comissão de Lausanne para a Evangelização Mundial, a fim de tratar de sobre ques­tões pertinentes à obra de evangeliza­ção mundial. Um dos temas pulsantes desse congresso foi a “Mini Consulta para a Evangelização de Místicos e Sectaristas”.

Na ocasião foram dadas preciosas instruções sobre o aconselhamento de pessoas que fizeram parte de uma sei­ta. Seguem abaixo algumas sugestões (com adaptações) apresentadas na­quele encontro, que são vitais àqueles que desejam ajudar um ex-sectarista:

ACOMPANHAMENTO

Frequentemente, os que abandonam uma seita religiosa são muito desconfi­ados e assustados, precisando de muita segurança e compreensão. O grupo anterior e seus líderes não devem ser escarnecidos ou atacados, isso provo­caria uma atitude defensiva.

É essencial descobrir porque ele (ou ela) se uniram ao grupo, podendo haver muitas razões; estimule-o a falar sobre isso. O calor e a aceitação pessoal, e o espírito de oração, no intuito de triunfar no conflito espiritual, são os fatores cha­ves e mais importantes que a lógica e a argumentação5. Entretanto, é necessá­rio ter um bom conhecimento dos ensi­namentos do grupo, e ser capaz de questioná-los polidamente, porém com firmeza, com base na Palavra de Deus.

Pode ser importante insistir várias vezes sobre alguns pontos simples, quando o ex-sectarista se mostrar con­fuso. Cuidado para não manipular ou fazer ameaças. Precisamos tomar cui­dado para não tirarmos vantagens de seu estado de confusão mental.

Nossa primeira responsabilidade é encorajá-lo e ajudá-lo a entender tudo o que passou, e a libertar-se dos traumas oriundos de sua anterior experiência re­ligiosa. Do contrário, estaremos sendo culpados de violar sua personalidade, exatamente como fez o grupo aliciante.

A tarefa de assumir a “paternidade espiritual” (o cuidado) pode ser extre­mamente exigente. Requer tempo, pa­ciência, recursos emocionais e energia espiritual. E preciso lutar em oração! Incentive-o na leitura da Bíblia (Hebreus 4.12). Ponha-o em contato com outros que tiveram a mesma expe­riência, e que depois experimentaram a Graça irresistível de Deus em suas vidas.

Pode-se levar meses ou até anos para a recuperação total de um ex-sectarista. Porém, é extremamente gratificante ver a cada dia o seu progresso na fé e a cada momento conhecendo mais da amabilidade, misericórdia e fi­delidade de Deus em sua vida (Êxodo 34.6), entendendo assim que a Graça de Deus é suficiente para a cura de fe­ridas e traumas passados.

WAGNER S. CUNHA

REVISTA DEFESA DA FÉ – ANO 3 N°17

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