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Os cristãos e o civismo

Por   /  26 de março de 2021  /  Sem comentários

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Será que algo poderia ser dito a respeito do uso de bandeiras nas igrejas? Teríamos o que acrescentar ao assunto? Já não há consenso sobre isso?

Alguém disse que o antigo é o novo que foi engessado (um dia). Tempos atrás, estabelecemos as bandeiras como prática nas nossas cerimônias e liturgias. Teria sido aquela novidade (na época da implantação) estabelecida como padrão sem questionamentos? Não estaria cheirando a naftalina? Caberá ao leitor julgar. Quanto a mim, apenas levantarei alguns aspectos objetivamente, e depois emitirei também o meu parecer.

O uso de símbolos na Bíblia

Quando lemos o Antigo Testamento, observamos a imensidão de figuras e símbolos usados para explicar, esclarecer, demonstrar etc. Das peles de animais para cobrir Adão (Gn 3.21), passando pela figura do cordeiro, a nuvem e a coluna de fogo, o Tabernáculo, as festas de Israel, as bandeiras das tribos, o exército de bandeiras de Cantares… Bem, parece que Deus, no Antigo Testamento, usou e “abusou” das figuras como ferramentas didáticas.

Na vida de Jesus, observamos seu batismo relacionado a símbolos: “Eis o Cordeiro de Deus…” (Jo 1.36), e “desceu sobre Ele o Espírito Santo em forma corpórea de uma pomba” (Jo 1.32). Nas suas pregações Jesus usava parábolas, que segundo seus discípulos, não eram claras (Mt 13.10-11); na Ceia, o seu corpo e sangue. Enfim, menos simbologia que no Antigo Testamento, mas ainda abundante. Contudo, daí para frente, nas epístolas paulinas, vemos bem menos o uso de simbologias e figuras.

Alguma conclusão? Sim, deduzo: A vida espiritual vai se definindo muito mais no interior das pessoas do que nos aspectos exteriores (IICo 4.16-18; Ef 3.16; ICo 15.47 e IICo 3.7-18). Parece- nos que a simbologia perde lugar para a realidade interior. Ou seja, na realidade da vida interior, a comunhão com Deus é tão palpável que em si mesma basta – dispensa símbolos.

As bandeiras e o civismo

Imaginando não coibir, antes até incentivar o sentimento cívico dos cristãos, normalmente associamos o uso do Pavilhão Nacional ao respeito e submissão às autoridades, de que fala a Palavra (Rm 13.1-4). Se o que se deseja (o respeito e a submissão) é reafirmado com o uso do símbolo nacional, ótimo.

Sob o prisma de ser a Igreja uma organização, e pensando também no aspecto denominacional, as bandeiras estariam dentro das formalidades litúrgicas. Aliás, olhando-se pelo ponto de vista antropológico e sociológico, a formalidade tem, sem dúvida alguma, o seu lugar, pois muitos não consideram “inaugurado” um evento ou um local sem uma formalidade. Isto, por exemplo, é bastante forte no Brasil.

Contudo, pensando na Igreja como organismo espiritual, o uso de bandeiras de países parece cair, no mínimo, no vazio. Será que um povo que não tem sua pátria na Terra deve ou pode empunhar outra bandeira que não Jeová-Nissi?

A bandeira de um grupo definido

Não há como negar o grande uso de bandeiras por grupos no Antigo Testamento (Nm 2 e 10.14-25). Certamente que a ideia de grupo definido, sendo o homem um ser gregário, é um elemento importante de referência e agregação. Neste aspecto, sem dúvida que o uso de bandeiras faria sentido.

Contudo, observando ainda a natureza espiritual da Igreja do Senhor, seria cabível enfatizar o lado terreno em detrimento do celestial? Pense ainda nos partidos e grupos na igreja, salientados mais fortemente com o uso de símbolos. Aumenta a divisão? Aprofunda o fosso?

Equilíbrio

O uso de símbolos é bíblico, sem dúvida, conforme demonstramos, porém cabem aqui algumas ressalvas. Se a Bíblia fala que somos peregrinos, e a nossa pátria está nos céus (Hb 11.13-16 e Fp 3.20), precisamos tomar cuidado com “as colas”, ou seja, ficar grudados na Terra, com sentimentos não-bíblicos, para não dizer antibíblicos. Lembre-se de um texto que compara o espiritual e o palpável (Hb 12.18-24): “Pois não tendes chegado ao monte palpável… mas tendes chegado ao Monte Sião, à cidade do Deus vivo…”.

Certo pregador, que dispunha de somente um minuto para trazer alguma reflexão, começou perguntando: “Quantos aqui estão orando pelos reféns da embaixada norte-americana (invadida no Irã)”? Muitas mãos levantadas. E a segunda pergunta: “Quantos estão orando pelos muçulmanos iranianos presos nas trevas espirituais?” Três mãos levantadas. Então, concluiu o pregador: “Vejo que vocês são mais norte-americanos que cristãos”.

Como todo cristão deve ser equilibrado, é preciso equilíbrio no uso de bandeiras na igreja para evitar tomar muito tempo do culto, substituir a espiritualidade pela formalidade e enfatizar demasiadamente a organização em detrimento do organismo espiritual, o Corpo de Cristo.

O ATO CÍVICO NA IGREJA

Um costume que se tornou tradicional em ocasiões especiais, tais como encontros de jovens, aniversário de círculo de oração, culto de missões etc., é o desfile de bandeiras e cantar o hino nacional para a abertura de eventos.

O cristão tem duas cidadanias: a terrestre e a celestial. É por esta razão que somos ensinados a “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Todos sabemos do nosso dever de orar em favor das autoridades constituídas, sendo-lhes sujeitas e visando o bem comum. Um bom cidadão da pátria celestial haverá de ser também um bom cidadão aqui na Terra, excetuando-se, logicamente, os casos em que o Estado impõe normas contrárias aos princípios expostos na santa Palavra de Deus.

Quando a Igreja se reúne, nosso principal objetivo é prestar culto a Deus, o que deve ser feito com reverência. No culto, oramos, louvamos, adoramos, contribuímos e meditamos nos ensinamentos sagrados.

Se em alguma ocasião especial for realizado um ato cívico, há de se levar em consideração que a forma e a apresentação dos símbolos nacionais (bandeira nacional, hino nacional, armas nacionais e selo nacional), estão sujeitas a lei específica (Lei 5.700 de 01/09/1971), o que, lamentavelmente, nem sempre tem sido observado. À noite, a bandeira deve estar devidamente iluminada. A bandeira deve ser hasteada ao centro, se estiver entre outras bandeiras, deve ser colocada à direita (em relação à pessoa que estiver por trás dela) de tribunas, púlpitos, mesas de reuniões ou de trabalho.

Nos desfiles

Nos desfiles religiosos será conduzida sempre erguida e ao centro, se estiver isolada; à direita, se houver outra bandeira, e dois metros à frente e isolada ao centro, se houver outras bandeiras.

A bandeira deve ainda ser hasteada na mesma altura que bandeiras de outra nação, ou pavilhão de autoridade federal, acima de pavilhões militares, de bandeiras estaduais ou de instituições, corporações ou associações, e a meio pau em casos de funeral, indo ao tope no momento de hasteamento e de arreamento. Quando aparecer em sala de reunião, pode ser estendida ao longo da parede, por detrás da cadeira ou do local da tribuna, acima da cabeça do respectivo ocupante, com a base do retângulo paralela à base da parede. Assim, impõe-se que o ato cívico seja cuidadosamente planejado, levando-se em conta o aspecto legal, o tempo disponível e a qualidade da apresentação.

Na maioria das vezes, o dia de abertura de uma festividade fica grandemente prejudicado, pois um grupo fica do lado de fora da Igreja, para entrar somente no ato da abertura cívica, e às vezes até depois. E nem sempre o ato de abertura cívica é realizado no início da reunião. O período de louvores congregacionais, com os grupos locais e convidados especiais, se alonga e no final, alguém declara que chegou o momento mais importante, quando a Palavra de Deus será ministrada, só que o horário de encerramento já foi ultrapassado. Em tempo: todas as atividades no culto são importantes e precisa haver um equilíbrio na distribuição do tempo para cada uma delas. Se alguma atividade não tiver importância, simplesmente deveria ser eliminada.

Sou de opinião que a sessão cívica é dispensável na maioria de nossas festividades, como trabalhos de jovens, senhoras etc., que são departamentos internos da Igreja, ensejando tempo maior para o culto a Deus. Isto não anula o nosso dever de orar pelo país e pelas autoridades, e digo mais, nestes tempos tão conturbados em que vivemos, nossas orações neste sentido devem ser intensificadas.

O ato cívico caberia perfeitamente em certas ocasiões, como nos dias de comemoração de nossa independência (7 de Setembro); em cultos de ação de graças pela eleição de alguma autoridade que o solicite; no dia do soldado, em solenidade de formatura, na concessão do título de cidadania honorária, e outros eventos que por sua natureza os justifique. Claro que nessas ocasiões o cerimonial deveria ser cuidadosamente planejado, e o maior número possível de pessoas e autoridades convidadas. A mensagem a ser proferida nessas ocasiões deve levar em conta a natureza do evento, e precisa ser entregue com autenticidade, porém dentro de critérios éticos e na unção do Espírito Santo, pois muitas pessoas talvez estejam no templo pela primeira vez, e se sentirem algo especial de Deus em suas vidas, certamente terão o desejo de voltar.

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Pr. Nils Bergsten

Pr. Samuel Rodrigues Moreira

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  • Publicado: 3 semanas atrás em 26 de março de 2021
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  • Última modificação: março 26, 2021 @ 9:47 am
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