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O Aborto: Tragédia ou Direito?

Por   /  27 de junho de 2022  /  Sem comentários

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Quando se fala em legalização do aborto, imediatamente é levantada a questão dos “casos difíceis”: as situações que deixam até mesmo as pessoas mais compassivas despreparadas diante dos que defendem o direito dessa prática. Uma menina de 12 anos é sexualmente abusada pelo próprio irmão. Uma adolescente de 16 anos, filha única de uma mãe solteira que tem de trabalhar fora para sustentar a casa, é brutal­mente estuprada por um estranho. Um homem domina uma jovem em seu primeiro namoro e a violenta. Esses são apenas alguns dos casos trágicos.

Os que são a favor do aborto tiram vantagem de situações assim para ganhar a simpatia da população. Quando uma mulher ou menina é vítima de abuso sexual, dizem eles, o aborto é uma solução. Eles afirmam que “forçá-la” a ter o bebê a deixará traumatizada. O que poderia ser mais cruel, perguntam eles, do que insistir em que uma jovem ou mulher gere em seu corpo uma criança concebida num ato de estupro ou abuso?

MANIPULANDO AS “EXCEÇÕES”

Esses argumentos não são novidade. Aliás, a maioria dessas estratégias foi usada pelos ativistas pró-aborto nos EUA.

Utilizando a questão do “estupro” para per­suadir os políticos, os jornalistas e a opinião pública, as feministas conseguiram, em 1973, legalizar o aborto nos EUA no famoso caso Roe x Wade, diante do Supremo Tribunal. Nes­te caso, “Jane Roe” afirmou buscar uma ope­ração de aborto quando ficou grávida depois de ser violentada por vários homens. Anos mais tarde, Norma McCorvey, a mulher que usou o nome de “Jane Roe”, reconheceu que suas advogadas feministas inventaram toda a história do estupro. Ela só não pôde mais es­conder a verdade porque se converteu ao Cris­tianismo. Hoje ela conta: “Fui uma boba que fiz tudo o que os promotores do aborto queri­am. Na minha opinião, pode-se afirmar sem sombra de dúvida que a indústria inteira do aborto está alicerçada em mentiras”.

Então, hoje se sabe que o caso judicial de estupro usado para legalizar o aborto nos EUA foi uma fraude. Aliás, os argumentos a favor dos direitos ao aborto foram uma farsa desde o começo. Os advogados pró-aborto desco­briram que poderiam ganhar o apoio popular e a simpatia judicial focalizando os horrores dos abortos clandestinos e ilegais. Eles argumen­tavam que centenas de mulheres estavam mor­rendo nas mãos de “açougueiros” que exploravam vítimas desesperadas. Eles até apresentavam estatísticas, afirmando que ha­via um grande número de mulheres com pro­blemas de saúde devido ao aborto ilegal e que essas mulheres estavam dando despesas pe­sadas para o sistema de saúde pública. Para eles, a solução era legalizar o que eles cha­mam de “interrupção da gravidez”.

Depois da legalização, o Dr. Bernard Nathanson se tornou o diretor da maior clínica de abortos do mundo ocidental e presidiu 60 mil operações de aborto. Como McCorvey, ele também teve uma experiência de conversão. Hoje ele conta o que alguns especialistas médicos, inclusive ele mesmo, afirmavam antes da legalização do aborto nos EUA: “Diante do público… quando falávamos em estatísticas [de mulheres que morriam em consequência de abortos clandestinos], sempre mencionávamos ‘de 5 a 10 mil mortes por ano’. Confesso que eu sabia que esses números eram totalmente fal­sos… Mas de acordo com a ‘ética’ da nossa revolução, era uma estatística útil e amplamen­te aceita. Então por que devíamos tentar corrigi-la com estatísticas honestas?”

Para iludir o público, as feministas garanti­ram que só queriam o aborto legalizado nos casos de estupro e incesto. Mas aí, quando a questão já estava avançando nos tribunais, elas passaram a dizer que é injusto permitir o aborto só nessas situações. Foi assim que os casos de estupro e incesto acabaram se tor­nando a porta escancarada que deu às mulhe­res americanas o direito livre e legal de fazer aborto por qualquer razão e em qualquer está­gio da gravidez, desde o momento da concep­ção até o momento do parto. Hoje são realizados por ano mais de um milhão de abor­tos nos hospitais e clínicas dos EUA.

Para legalizar o aborto no Brasil, alguns es­pecialistas empregam a mesma estratégia de exagerar as estatísticas. Anos atrás, a CNN mostrou um documentário de uma hora sobre o aborto no mundo. Na seção sobre o Brasil, o repórter da CNN afirmou:

“O aborto no Brasil é uma das maiores cau­sas de morte entre as mulheres. Estima-se que sejam realizados no Brasil seis milhões de abortos ilegais por ano. Esses abortos cau­sam 400 mil mortes. Metade dos abortos fei­tos anualmente, ou três milhões, são realizados em meninas de 10 a 19 anos. De cada 100 delas, 21 morrerão”.

As estratégias usadas no Brasil são tão parecidas com os argumentos usados nos EUA porque os mesmos grupos que legaliza­ram o aborto lá estão atuando em nosso país. Mas o Instituto de Pesquisa de População de Baltimore, EUA. comenta:

“Já que o número total de mulheres brasi­leiras em idade reprodutiva (15 a 44 anos) que morrem anualmente de TODAS as causas são apenas umas 40 mil (consulte o U.N. Demographic Yearbook, 1988, pp. 346-7 ou o World Health Statistics Annual da OMS, 1988, p. 120) a afirmação de 400 mil mortes de abor­tos ilegais é simplesmente impossível. O re­pórter que fez a notícia não só não se informou direito mas também demonstra não saber matemática. Ele devia ter percebido que a afirma­ção de uma taxa de morte de 21 de cada 100 entre os alegados três milhões de abortos re­alizados em adolescentes dá um total de 630 mil mortes, um número maior do que os 400 mil que supostamente ocorrem de todos os abortos brasileiros juntos! Mas os lacaios do dono da CNN engoliram esse número e o no­ticiaram no mundo inteiro”.

A VERDADE APARECE

O Dr. David Reardon, especialista em ética biomédica e pesquisador e diretor do Institu­to Elliot de Pesquisa das Ciências Sociais, diz: “As pessoas pulam para conclusões sobre estupro e incesto com base no medo…”. O Ins­tituto Elliot publicou uma pesquisa recente que mostra que o aborto impede as vítimas de estupro de se recuperar. Durante um período de nove anos, o Instituto coletou o depoimen­to de 192 mulheres que engravidaram como consequência de estupro ou incesto. Nessa pesquisa, há também o testemunho das crian­ças concebidas nessas circunstâncias.

É claro, os que defendem o aborto gosta­riam que todos acreditassem que as vítimas de violência sexual são mulheres desespera­damente necessitadas de serviços médicos de aborto. Mas a realidade não é bem assim. Apesar das circunstâncias trágicas, abusivas e muitas vezes violentas em que seus filhos foram concebidos, a maioria dessas mulhe­res na pesquisa escolheu lhes dar vida. Ge­ralmente, a mulher só cede à realização de um aborto por pressão do abusador ou de ou­tros membros da família.

O Instituto Elliot constatou que 73% das víti­mas de estupro escolheram dar à luz seus bebês. Em 1981, a Dra. Sandra Mahkorn conduziu a única e importante pesquisa anterior de vítimas de es­tupro que engravidaram. De modo semelhante, ela constatou que de 75 a 85% das vítimas de estupro escolheram dar vida a seu filhos.

A pesquisa mostra que praticamente todas as mulheres que realizaram um aborto lamentaram a decisão. Por outro lado, as mulheres que esco­lheram dar à luz seus filhos sentiram-se felizes por tê-los. “Agradeço a Deus pela força que Ele me deu para atravessar os momentos difíceis e por toda a alegria dos bons momentos”, disse Mary Murray, que teve uma filha concebida num estupro. “Jamais lamentarei o fato de que escolhi dar vida à minha filha”. Da mesma forma, os ho­mens e as mulheres concebidas em situações de estupro e incesto elogiam suas mães por lhes darem vida. “Cristo ama todos os seus filhos, até mesmo os que foram concebidos nas piores cir­cunstâncias”, diz Julie Makimaa, cuja concepção ocorreu quando sua mãe foi estuprada. “Afinal, não importa como começamos na vida. O que im­porta é o que faremos com a nossa vida”.

O ABORTO AUMENTA O TRAUMA DA VIOLÊNCIA OU ABUSO SEXUAL

Em vez de aliviar a angústia psicológica das vítimas de violência sexual, o aborto traz mais angústia. O Dr. Reardon, especialista em questões pós-aborto, diz: “A evidência mos­tra que o aborto aumenta os traumas e o ris­co de suicídio. Mas o ato de deixar a criança nascer reduz esses riscos”. Nos casos de incesto, as vítimas que engravidam são muitas vezes meninas novas e não estão devidamente conscientes de seu estado de gravidez. O Dr. Reardon diz que tal situação as deixa vulneráveis a pro­fundos traumas psicológicos quando, anos mais tarde, elas percebem o que aconteceu.

A própria experiência do aborto, física e emocionalmente, pesa na mulher tanto quanto o trauma do estupro. O trauma maior é que, embora saiba que não teve culpa no estupro, ela sente-se responsável pelo aborto, até mes­mo quando o aceita sob pressão. Algumas consequências que um aborto deliberado traz:

Síndrome pós-aborto: Um estudo realiza­do pela Dra. Brenda Major, que é a favor do aborto, constatou que, em média, as mulhe­res relataram não ter recebido nenhum bene­fício de um aborto.

Abuso de drogas e álcool: Mulheres que realizaram um aborto têm quase três vezes mais risco de usar drogas e/ou álcool do que mu­lheres que não abortaram. Mulheres que nun­ca usaram drogas ou álcool e abortaram seu primeiro bebê têm cinco vezes mais risco de começar a usar drogas ou álcool em comparação com mulheres que tiveram seus bebês. Vinte por cento relataram ter começado a usar drogas ou álcool um ano depois do aborto, e 67% disseram ter começado num período de três anos.

Taxas de mortalidade: Um estudo feito na Finlândia revelou que as mulheres que fizeram aborto tiveram 252% mais de chance de morrer no mesmo ano em comparação com mulheres que tiveram seus bebês. Em comparação com mulhe­res que deram à luz, as chances de morrer dentro de um ano após um aborto foram 1.63% para mor­te de causas naturais, 4.24% para mortes de ferimentos relacionados a acidentes, 6.46% para mortes em consequência de suicídio e 13.97% para mortes em consequência de assassinato.

Vítimas de estupro e incesto: O Dr. Reardon re­vela que das 50 vítimas de estupro que expressaram seus sentimentos sobre o aborto que realizaram, 88% declararam que foi uma escolha errada. Quarenta e três por cento das vítimas de estupro avaliadas rela­taram que fizeram aborto por pressão dos outros. Mais de 90% disseram que desaconselhariam ou­tras vítimas de violência sexual a realizar um aborto.

O Dr. Reardon menciona um estudo que mostra que as mulheres que fazem aborto têm uma probabilida­de duas vezes maior de ter partos antes ou depois do tempo, levando assim a defeito de nascença. Ele também comenta que filhos de mulheres que já fizeram aborto tendem a ter mais problemas de comportamento.

Câncer de mama: De acordo com o livro Breast Câncer (Câncer de mama), do Dr. Chris Kahlenborn, a mulher que realiza um aborto tem duas vezes mais probabilidade de sofrer de câncer de mama.

DE QUE MODO A VIDA TRAZ CURA

Kay Zibolsky é fundadora da Liga Vida De­pois da Agressão e oferece aconselhamento por experiência. Quando tinha 16 anos. Kay foi estu­prada numa noite fria e escura por um homem estranho que ela nem mesmo conseguiu ver. Ela guardou o segredo do estupro, mesmo quando percebeu que estava grávida. “Minha mãe me aju­dou a atravessar o trauma do estupro, mesmo sem saber que era um estupro, aceitando minha gravi­dez e dando toda ajuda que ela podia”, diz Kay. “Eu poderia ter questionado se o ato violento e cruel do estupro desculpava o ato violento e cru­el de destruir um bebê inocente. Escolhi pensar na parte do bebê que era minha parte”. Ela deu à luz uma filha e lhe deu o nome de Robin.

Hoje Kay tem Jesus na sua vida, é casada e tem outros filhos. E agora usa sua experiência para aconselhar milhares de mulheres vítimas de estupro e incesto, inclusive muitas que engravidaram. Ela conta: “Digo a elas que não é pecado ser estuprada. Estuprar é que é pecado. Isso joga a culpa onde tem de ser jogada. Digo que pecado é matar a criança concebida num es­tupro ou incesto. Se fizer um aborto, você terá de mais cedo ou mais tarde lidar com esse pecado”.

Kathleen DeZeeuw. que foi estuprada na adolescência, dá o seguinte depoimento: “Vivi uma experiência de estupro e criei um filho ‘concebido no estupro’. Por isso, sinto-me pessoal mente agredida e insultada toda vez que ouço dizerem que o aborto deve ser legal por causa do estupro e incesto. Sinto que estamos sendo usadas para promover a ques­tão do aborto… Hoje trabalho como conselheira e muitas vezes uma jovem me diz: ‘Mas você não entende! Como você poderia realmente compreender?’ Dou meu testemu­nho, de como Deus usou até mesmo uma si­tuação de estupro e a transformou para a sua glória”. Hoje o filho de Kathleen é casado e se dedica ao chamado missionário. Ele diz: “Como alguém concebido num estupro, te­nho um modo especial de ver a questão do aborto. Se o aborto fosse legal na época em que fui concebido, eu não estaria vivo. Ja­mais teria tido a chance de amar e de me dar aos outros. Tenho tido oportunidades mara­vilhosas de dar meu testemunho também. Toda vez que alguém diz: ‘Mas, e nos casos de estupro?” Tenho a resposta perfeita!”

Um dos testemunhos mais tocantes é o de Myra Wattinger. Ela e o marido haviam se di­vorciado há pouco tempo e, como seus pais tinham falecido quando ela era adolescente, ela estava sem recursos e não tinha a quem recor­rer. Então arranjou um emprego para cuidar de um homem idoso. Certo dia, enquanto estava só na casa, um dos filhos alcoólatra do homem a estuprou. Nessa situação, ela se sentiu abandonada e chegou a pensar que Deus não a amava. Mas, para piorar tudo, ela descobriu que engravidara. Ela não tinha condições de sustentar uma criança e não estava disposta a cuidar de um bebê concebido num ato de tanta humilhação e violência. Ela procurou um médi­co disposto a fazer seu aborto, mas não encontrou. A solução parecia ser uma só: suicídio.

No exato momento em que essa ideia apa­receu, surgiu em seu espírito a necessidade de orar. Ela olhou para o céu e clamou: “Se­nhor, estou carregando essa criança e não sei o que fazer’’. Ela nunca teve certeza se a voz era audível ou não, porém sentiu Deus lhe dizendo: “Tenha o bebê. Ele trará alegria ao mundo”. Essas duas frases dissiparam todos os pensamentos de suicídio e de aborto. Hoje, seu filho, James Robison, é um evangelista com um ministério que tem alcançado e aben­çoado milhões de pessoas. Sem dúvida, o que Deus disse a Jeremias também se aplica ao evangelista Robison: “Antes que eu te for­masse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta” (Jr 1.5, versão RC)

A VERDADEIRA COMPAIXÃO

Mulheres nessas situações precisam do apoio e compaixão das igrejas, amigos e família para ajudá-las em seu processo de cura dos traumas. O aborto não é uma alternativa  compassiva, pois uma criança concebida num estupro também é vítima e tem o mesmo valor humano que um bebê concebido num casamento. Além disso, será que um filho deve sofrer a pena de morte por crimes que o pai cometeu? Não foi a criança quem cometeu o estupro.

Embora a maioria dos ativistas que defendem a legalização do aborto alegue ser contra a pena de morte para assassinos e estupradores, eles não conseguem, porém, poupar dessa mesma pena crianças inocentes concebidas num ato de injus­tiça. Alegam que a pena de morte é um castigo cruel para os criminosos. Mas, estranhamente, nos casos de mulheres grávidas num estupro, escolhem a morte para a criança inocente. Nem mesmo levam em consideração pelo menos a op­ção compassiva de deixar a criança nascer para depois entregá-la para a adoção. E de admirar então que os crimes de estupro estejam crescendo tan­to? Enquanto o culpado escapa, duas vítimas ino­centes ficam para trás para sofrer abuso, humilhação, preconceito e abandono.

Talvez a pior pressão para a vítima seja o “con­selho” de médicos e psicólogos que, já endureci­dos com o procedimento de eliminar uma criança através do aborto, procuram amortecer os senti­mentos da mulher com relação à criança que ela está gerando em seu corpo e levá-la a uma deci­são que, a nível emocional e espiritual, só lhe cau­sará perdas e traumas.

A verdadeira atitude de compaixão seria amparar a mulher em sua situação de crise. Lembro-me de que anos atrás uma deputada propôs um projeto para que o governo des­se total amparo material e médico às vítimas de estupro que haviam engravidado. Um belo exemplo de uma mulher ajudando outras mu­lheres. Ela queria que o governo se responsabilizasse pelo cuidado e proteção da vítima-mulher e da vítima-criança. Isso é justiça genuína. Mas então as feministas, que também alegam estar do lado das mulheres, se opuseram totalmente a esse projeto. Por quê? Porque ajudar mulhe­res em tal situação pre­judicaria as intenções de as feministas usarem esses casos para esta­belecer e ampliar mecanismos le­gais, sociais e médicos para o abortamento de crianças concebidas em qualquer situação, justa ou injusta, como ocorre hoje nos EUA e na Europa. Assim, a única opção que elas dão à vítima é abortar ou ficar abandonada. Felizmente, a solução de Jesus Cristo para a vítima não inclui morte nem abando­no. Através de muitas igrejas e famílias cristãs compassivas, Jesus está de braços abertos para oferecer a ela acolhimento, amor e assistência.

CONCEITO BÍBLICO

Provocar intencionalmente um aborto por meios artificiais, por intervenção médica ou pelo uso de drogas, com o objetivo único de evitar o nascimento de um filho não desejado, é um grave pecado diante de Deus. E um as­sassínio (Êx 20.13). A lei dada a Moisés não apenas protegia a vida de um bebê que esti­vesse para nascer como também o protegia de um aborto criminoso, pois, se numa briga en­tre homens, uma mulher grávida viesse a so­frer um acidente fatal para ela ou o filho, então a pena de morte seria aplicado ao causador desse mal. “ Se alguns homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, porém não havendo outro dano, certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e julgarem os juízes. Mas, se houver morte, então da­rás vida por vida. Olho por olho, dente, por dente, mão por mão, pé por pé, Queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe” (Êx 21.22-25).

Como sabemos, a vida é uma dádiva de Deus. Jó se pronunciou nesse sentido quando decla­rou: “o Senhor o deu, e o Senhor o tomou” (Jó 1.21). Não podemos dispor da vida ao nosso bel- prazer, mas devemos respeitá-la, reconhecendo que só Deus pode tirá-la. “Porque em ti está o manancial da vida…” (SI 36.9). “Porque nele vive­mos, e nos movemos e existimos” (At 17.28).

A vida de uma criança ainda no útero mater­no é tão preciosa aos olhos de Deus quanto à vida de uma criança com mais idade: “Cobriste- me no ventre de minha mãe. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia” (SI 139.13-16).

Se alguém viesse a matar intencionalmen­te um ser humano, mesmo no ventre materno, certamente estaria praticando um pecado grave aos olhos de Deus. “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu san­gue será derramado; porque Deus fez o ho­mem conforme a sua imagem” (Gn 9.6).

“E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (1 Jo 3.15). Por fim, a Bíblia declara que os filhos são bênçãos de Deus: “Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão” (SI 127.3).

A ciência médica mostra claramente que a vida começa na concepção. Considere os seguintes fatos:

Fertilização: O espermatozoide do pai penetra o óvulo da mãe. As instruções genéticas dos dois combinam para formar uma nova vida individu­al, única, dificilmente visível ao olho humano. Com 20 dias de gestação os olhos do bebê começam se formar e o cérebro, a coluna ver­tebral e o sistema nervoso estão completos. Com 24 dias O CORAÇÃO COMEÇA A BATER. Com 43 dias AS ONDAS CEREBRAIS DO BEBÊ PODEM SER REGISTRADAS.

Com dois meses o bebê tem aproximadamen­te sete centímetros de comprimento e pesa sete gramas. Todos os órgãos estão presen­tes, completos e funcionando (exceto os pulmões). As batidas cardíacas são fortes. O estômago produz sucos digestivos. O fígado produz células sanguíneas. Os rins estão fun­cionando. As impressões digitais estão grava­das. As pálpebras e as palmas das mãos são sensíveis ao toque. O estímulo com batidas leves no saco amniótico faz mexer os braços do bebê. “Procure salvar quem está sendo arrastado para a morte. Você pode dizer que o problema não é seu, mas Deus conhece o seu coração  e sabe os seus motivos. Ele pagará de acordo | com o que cada um fizer” (Pv 24.11-12, BLH).

JULIO SEVERO, REVISTA DEFESA DA FÉ – ANO 7 – N° 43

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