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O valor da fidelidade

Por   /  3 de março de 2020  /  Sem comentários

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Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida“, Ap 2.10. A ilha chama­da Patmos é uma ilha rochosa no Mar Egeu e está situada ao longo da costa meridional da Ásia Menor, a umas trinta milhas de Samos. É uma ilha com cerca de quinze milhas de circunferência. Era completamente infestada de serpentes venenosas, e servia ao Governo romano de presídio e lugar de execução e martírio dos prisioneiros políticos e dos grandes criminosos.

Foi ali o lugar escolhido para dar fim ao apóstolo de Cristo, visto os inimigos da Verdade tudo já terem feito para dar termo à vida de João. Senão de fome e sede, impreterivelmente, morreria pelas serpentes, e as­sim ficariam satisfeitos os desejos de Satanás e seus sequazes.

João estava só, muito distante de Éfeso, onde apascentava o rebanho do Senhor. Estava cheio de grande pesar, motivado pela saudade que sentia dos amados irmãos, e com muita razão, a preocupação invadia a sua alma, em pensar no que poderia estar acontecendo aos seus amados, naquela hora tão trágica, quando tudo parecia perdido: o pastor preso e condenado à morte, e o rebanho completamente disperso e derrotado!

Era o Dia do Senhor, dia em que a Igreja costumava ter as suas reuniões solenes, tributando ao Senhor a sua adoração e louvor; dia em que o povo de Deus mais afluía aos cultos e, juntos, cantavam e oravam exaltando Aque­le que vive para todo o sempre. O que estará acontecendo agora?

Certamente esse era o pensamento de João. Naquela perturbação, sentindo o seu coração partido de dor, parece-nos que João estava com o seu rosto em terra, clamando por misericórdia.

As vezes, parece-nos que chegamos ao fim da nossa carreira: o cansa­ço, a doença, enfim o desânimo parece ter invadido todo o nosso ser, e não podemos resistir, momentaneamente, uma situação difícil se insurge, e não podemos vencê-la, parece-nos que tudo está findo, que tudo vai terminar… Mas, pela nossa fidelidade, pelo contato direto mantido com o Céu na nossa vida, o Senhor, manso e suave, misericordioso e compassivo, diz-nos com voz segura de quem verdadeiramente manda: “Não te­mas, eis-me aqui!… Agora desejo que faças isto ou aquilo”.

Assim foi com João. Quando tudo parecia completamente perdido e não havia nenhuma possibilidade por parte dos homens, o Senhor ainda precisava do seu servo, dando-lhe uma nova incumbência, entregando-lhe uma nova missão. Ele diz: “e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês escreve-o num livro, e envia-o às igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardo, e a Filadélfia, e a Laodicéia”, Ap 1.10,11.

Aquelas igrejas estavam passando pelas crises que em cada carta são citadas e precisavam de um avivamento espiritual para poder vencer. As cartas se dedicavam mesmo às igrejas locais; mas o Senhor não se referia tão somente a essas igrejas, e sim também à Igreja no sentido geral em suas fases dispensacionais.

Aqui no texto, dirigido à Esmirna, é uma exortação à Igreja e ao mes­mo tempo uma grande promessa aos fiéis. Esmirna, ou simplesmente mirra, é o tipo da Igreja do sofrimento. Foi sua época a das grandes per­seguições motivadas pelo Império Romano, que compreendeu até ao ano 3l6 dC – Esmirna era o centro do ministério e o lugar do martírio de Policarpo, que foi separado para o episcopado por João.

Essa Igreja está com as marcas das aflições, causadas pelos judeus, que tiraram de seus próprios cuidados em levar a lenha para queimarem vivo a Policarpo em praça pública. No meio dos sofrimentos, Esmirna ouve que há um Salvador eterno, e que soube sofrer, e também transmite a palavra de consolação no seu tempo: “Sê fiel até à morte…”.

No período das maiores perseguições, quando por ordem do Impera­dor os crentes eram jogados às feras, eram queimados vivos nas fogueiras, eram amarrados e alcatroados da cabeça aos pés e acesos como postes incandescentes, eram mortos ao fio da espada, estraçalhados, serrados e enfim martirizados de toda a espécie, no meio da maior angústia, o Senhor consola e anima: “Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida”.

A fidelidade, sob qualquer aspecto, tem o seu grande valor. Deve ser o lema do verdadeiro cristão. Não deve existir superficialmente, mas ser parte integrante da vida dos seguidores de Jesus. “Sê fiel até à morte…”, disse Jesus.

Fiel na bonança, como na adversidade. Fiel na vida pública, como na vida privada. Fiel com relação ao mundo, como com relação à Igreja. Fiel na moral e no caráter, como na doutrina e na fé. Fiel durante a vida e fiel até à morte.

Em tudo e em todos os tempos, o cristão deve ser fiel. Temos um exemplo em Daniel 6.4-24. Assim diz o Senhor Jesus: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Ele já recebeu uma coroa de espinhos para nos dar uma coroa de glória. Basta que conservemos a nossa fidelidade e receberemos dele o prometido. “E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra”, Ap 22.12.

“Eis que venho sem demora; guarda o que tens para que ninguém tome a tua coroa”, Ap 3.11. Queres receber das dadivosas mãos do Se­nhor a sua gloriosa bênção? Sê fiel até a morte… E saberás o valor da fidelidade.

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Fonte: Armando Chaves Cohen – Junho/1965 ( Artigos Históricos – Mensageiro da Paz – CPAD – Vol.2).

 

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  • Publicado: 7 meses atrás em 3 de março de 2020
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  • Última modificação: março 3, 2020 @ 6:24 pm
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