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Soberania é sinônimo de determinismo?

Por   /  12 de junho de 2014  /  Sem comentários

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Uma tática muito usada por fatalistas é igualar determinismo com soberania, como se a tese determinista deles fosse à única que realmente aceitasse a soberania de Deus. Assim, a coisa mais comum do mundo é vermos fatalistas, de forma astuta e sagaz, trocando o termo determinismo por soberania, para fazer parecer seu determinismo algo mais “bíblico”. Outros, igualmente ardilosos, usam os termos determinismo soberania em paralelismo, como sinônimos.

O objetivo deste truque é um só: indicar que todos aqueles que não são deterministas não creem na soberania de Deus. E como a soberania de Deus é biblicamente indiscutível, muitos são levados a crer no determinismo, por serem ludibriados por tais pregadores sagazes que lhes convencem que determinismo e soberania é a mesma coisa, e que qualquer coisa que difira de determinismo diminui ou exclui a soberania divina. Por conseguinte, eles creem que os arminianos/wesleyanos e todos os outros grupos não-deterministas são também contra a soberania.

Contra essa tática engenhosa, é necessário dizer, antes de tudo, que grupos não-deterministas creem na soberania de Deus tão ou mais fortemente quanto fatalistas creem. Também é necessário dizer que soberania nunca, em momento nenhum, foi sinônimo de determinismo. Determinismo é uma coisa, soberania é outra.

Tanto o determinismo quanto o indeterminismo são formas plausíveis de honrar a soberania divina. O fatalista crê que Deus é soberano porque determina todas as coisas. O não-fatalista crê que Deus é soberano porque tem todas as coisas sob seu controle. Ambos creem que Deus é o único e verdadeiro soberano da criação. Nenhum crê em um Deus deísta, que cria tudo e depois senta de braços cruzados e deixa tudo para o acaso decidir.

A diferença é que, “para os arminianos/wesleyanos, as duas coisas – a glória de Deus e o amor de Deus – não podem ser divididas”. Consequentemente, uma doutrina da soberania de Deus que faz dele o autor do pecado e do mal não pode ser tolerada. Embora tanto o determinismo como o indeterminismo honrem teoricamente o sentido lógico de soberania, apenas o indeterminismo faz jus também aos outros atributos de Deus, dentre eles o amor. Uma doutrina da soberania que afoga os outros atributos é simplesmente absurda e não pode ser considerada.

Algum fatalistas poderia contestar, dizendo que no indeterminismo Deus realmente não é soberano, e que Deus só é soberano se Ele determina todas as coisas. Em resposta a isso, deve ser observado que “Deus exerce controle absoluto e total sobre toda parte da criação sem determinar tudo”. Ninguém precisa determinar cada ação para ser considerado soberano. Os monarcas soberanos não determinam cada ação humana, mas estabelecem leis gerais e mantém sob seu controle e domínio as atitudes de seus súditos. Eles não são menos soberanos por não determinarem cada ação humana!

Deus é soberano porque “nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus; tudo está descoberto e exposto diante dos olhos daquele a quem havemos de prestar contas” (Hb 4.13). Deus é onisciente e presciente, de forma que nunca é pego de “surpresa” em algo. Deus também é soberano porque é a autoridade máxima sobre todos. Ninguém está em um patamar igual ou maior que Deus. Ele exerce um senhorio absoluto, é o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap 19.16; 1Tm 6.15). Por isso, a Sua glória não pode ser dividida com nenhum outro (Is 42.8).

Deus também é soberano porque nada acontece sem a permissão dele. Embora ele não determine tudo, nada acontece sem a sua permissão. Se as coisas acontecessem sem a permissão de Deus, então o diabo já teria tomado o controle há muito tempo e destruído este planeta. Neste caso, Deus teria perdido o controle da sua criação. Mas isso não aconteceu justamente porque ele é soberano, e nada acontece sem que ele saiba ou permita. Como já foi dito, as pessoas podem rejeitar o plano individual de Deus na vida delas, mas ninguém pode tirar de Deus o controle sobre a sua criação ou o governo do mundo.

Se soberania fosse o mesmo que determinismo, então teríamos que supor que isso seria realidade na vida humana também. Mas, como diz Olson:

“Quem foi que disse que soberania necessariamente inclui controle absoluto ou governo meticuloso em exclusão da contingência real e livre-arbítrio? A soberania implica estes significados na vida humana? Os regentes soberanos ditam todos os detalhes das vidas de seus subordinados ou eles supervisionam e governam de uma maneira mais geral?”

Se soberania não inclui nenhum significado determinista em nosso cotidiano, então é óbvio que soberania não implica em determinismo nem é sinônimo dele. Roger Olson também nos conta uma história divertida de um diálogo entre ele e um pastor fatalista revoltado por achar que ele descria na soberania de Deus por não ser fatalista. Ele diz:

“Certo dia estava trabalhando em meu escritório quando o telefone tocou. Era um pastor que havia lido no jornal estudantil acerca de minha rejeição ao fatalismo. Ele exigiu saber: ‘Como você pode não acreditar na soberania de Deus?’ Eu lhe perguntei o que ele queria dizer com soberania de Deus e ele respondeu: ‘Quero dizer, ao fato de Deus controlar tudo o que acontece’. Eu lhe respondi com uma pergunta: ‘Essa soberania inclui o pecado e o mal?’ Ele pausou: ‘Não’. Então, perguntei: ‘Você realmente acredita na soberania de Deus?’ Ele pediu desculpas e desligou o telefone”

De fato, Deus poderia escolher ser soberano determinando tudo, tanto quanto poderia decidir ser soberano sem determinar tudo, mas tendo tudo sob o seu controle. Dizer que somente se Deus determina tudo é que ele pode ser considerado soberano é limitar Deus a tal ponto que ele não poderia ser capaz de criar seres livres e permanecer sendo soberano. Assim sendo, a acusação de nossos oponentes volta-se contra eles mesmos com muito mais força. Se Deus não pode criar seres livres e continuar sendo soberano, então ele não é soberano, mesmo determinando tudo. Mas ele tanto pode como fez, porque soberania não implica em determinar cada ação do homem.

O NÃO FATALISTA, ao contrário, crê na soberania de Deus, por Ele ter todas as coisas sob seu controle, e por nada acontecer a não ser sob a sua permissão.

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