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O SANGUE DO CORDEIRO

Por   /  1 de julho de 2021  /  Sem comentários

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O sangue é um líquido espesso, ordinariamente vermelho, que circula em todo o nosso corpo por meio de um sistema arterial que, do coração, esten­de-se às extremidades, e que, por outro sistema de veias superfi­ciais, o devolve ao coração. Por três vezes diz-se no capítulo 17 do terceiro livro de Moisés, cha­mado Levítico, que “a vida da carne está no sangue”. E em Deuteronômio 12.33 está escrito que “o sangue é a vida”. O san­gue exerce funções indispensá­veis à vida. O sangue representa a vida. E esta é tão preciosa pe­rante Deus, que o sangue de Abel pode ser descrito como clamando a Deus por vingança (1).

A Bíblia fala muito sobre o sangue. Tem-se dito que há como um fio de escarlate que corre através das Escrituras Sagradas, desde Gênesis ao Apocalipse, desde o “cordeiro de Abel” ao “Cordeiro de Deus” (2). Assim, através do livro inteiro, vemos em símbolo, história e doutrina, a preciosa verdade da “expiação pelo sangue de Cristo”, isto é, pela Sua morte, de que o sangue derramado foi a evidência. Desde o Éden compreendemos que Je­sus terá de sofrer por causa do pecado do homem, porque “Ele será ferido no calcanhar” (3). Abel, vitima inocente, morto in­justamente por seu irmão, tem evidente semelhança com Jesus Cristo. Isaac, que estava desti­nado a ser imolado, foi no último momento substituído por um carneiro. O símbolo do cordeiro e do carneiro encontra-se muitas vezes na Bíblia como personifi­cação de Cristo (4).

Recordemos que foi o “sangue do cordeiro pascal”, posto pelos Israelitas em ambas as umbreiras e na verga da porta das suas ca­sas, que os livrou da morte; assim o sangue de Jesus Cristo livra da servidão de Satanás e da morte eterna (5). Os espiões enviados por Josué para reconhecerem a posição de Jericó, ao retirarem-se, deram a Raab um cordão de fio vermelho, dizendo: “Tu pren­derás à tua janela este fio verme­lho”. E aquele sinal protegeu a casa de Raab quando a cidade foi tomada (6). Milhares de cordeiros foram oferecidos em sacrifício no Templo e dois cordeiros eram diariamente apresentados como holocausto perpétuo. Eles figu­ravam o poder da “eterna reden­ção”, pelo sangue precioso de Jesus Cristo (7).

A aproximação de Jesus e do cordeiro é tão usual que, desde séculos, os profetas Isaías e Je­remias anunciaram o Messias sob aquele símbolo (8). E João Batista não teve outro nome para O designar aos seus discípulos: “Eis aqui o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (9). Mas é no livro do Apocalipse que mais vezes encontramos nosso Senhor Jesus Cristo designado sob o símbolo do “Cordeiro imolado”. E, depois da Sua morte, ressur­reição e ascensão, um novo cân­tico ouve-se no Céu: “Digno és, Senhor, porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação” (10).

O pecado entrou no mundo e trouxe a morte. A perda da vida é o castigo do pecado, e o derramamento do sangue é sinal típico da sua expiação, porque “sem derramamento de sangue não há remissão” (11). Sob a lei mosaica, o sangue dos animais empregavam-se em todos os sacrifícios pelo pecado. O ofertante impu­nha as mãos sobre o animal, fa­zendo-o assim seu representante. Em seguida matava-se o animal. O sangue era espargido sobre o altar, após o que a parte especi­ficada se queimava.

Este sistema de sacrifícios era de origem divina. Foi posto por Deus no centro exato da vida nacional judaica. Quaisquer que fossem as aplicações e implica­ções imediatas que tinham para os Judeus, o incessante sacrifício de animais e o incessante lam­pejo do fogo dos altares, sem dúvida foram designados por Deus para inflamar na consciên­cia o senso da sua profunda pecaminosidade e para ser uma fi­gura multissecular do sacrifício vindouro de Cristo, para Quem esses sacrifícios apontavam, e em Quem tiveram o seu cumpri­mento. Pelo Seu próprio sangue Jesus efetuou uma eterna re­denção. Realizado esse sacrifício, todos os holocaustos do ceri­monial levítico deixaram de ter significação.

Quando o Cordeiro de Deus expirou na cruz, rasgou-se o véu do Templo, sinal que demons­trava a todos haver Deus feito cessar o “sacrifício e a oferta de manjares”. Os sacrifícios do San­tuário, por causa da sua imper­feição, deviam repetir-se, mas o sacrifício de Cristo é único, por­que é perfeito. Na verdade, é como o de um Cordeiro sem de­fesa que vemos correr o sangue do nosso Salvador na Sua dolo­rosa paixão! Naqueles dias po­demos segui-Lo pelo traço do “fio rubro”, que é o Seu sangue: sangue da agonia; sangue da flagelação; sangue da coroa de espinhos; sangue dos cravos; sangue da lança. Esse sangue derramado é uma vitória – a vitó­ria sobre Satanás, sobre o pecado e sobre a morte! E o vencedor é o Cordeiro!

Antes da queda de Adão havia perfeita harmonia entre ele e Deus, a qual foi destruída pelo pecado. Cristo, porém, veio a este mundo para que os pecadores pudessem reconciliar-se com Deus. Falamos em pecados per­doados, mas nunca um pecado foi perdoado que não tivesse sido punido primeiro – punido na pessoa de Cristo. O Senhor fez expiação “levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (12). Pensemos no que custou a Cristo fazer ex­piação. E pensemos no quanto custou a Deus entregar o Seu Fi­lho unigénito para morrer. Cristo pagou o preço da redenção. O Seu sangue tem poder. Pelo Seu sangue temos a redenção (13). Fomos resgatados com o pre­cioso sangue de Cristo (14). Jus­tificados pelo Seu sangue (1s). Purificados de todo o pecado pelo sangue de Jesus Cristo (16). Foi pelo sangue da Sua Cruz que o homem alcançou a paz com Deus (17). E foi pelo sangue de Cristo que nós, que estávamos longe de Deus, agora chegámos perto (18).

Quem pensa que pode alcançar a salvação pelos seus próprios esforços, desprezando o sangue de Cristo, está a enganar a sua alma. É somente o sangue de Cristo que faz expiação pelos pecados do pecador, reconciliando-o com Deus. Nenhum homem ou mulher pode fazer qualquer coisa para agradar a Deus antes de haver crido no Seu Filho e confiado no sangue do Cordeiro. Uma pessoa pode ser muito ignorante e pobre nos bens deste mundo, mas se estiver pro­tegida pelo sangue de Cristo será muito sábia e rica e estará bem segura.

Quando os nossos primitivos pais sucumbiram às sugestões do Demônio, o pecado entrou no mundo. E o pecado trouxe a morte. Ouçamos o que diz a Pa­lavra de Deus: “Não há homem que não peque” (19). “Não há um justo, nem um sequer” (20). “To­dos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (21). “O salário do pecado é a morte” — morte física e morte espiritual. O ho­mem pecou e tem de morrer. Ele perdeu o direito à vida. Mas suponhamos que Alguém tenha morrido por ele? Suponhamos que Alguém lhe resgatasse a vida, o remisse? Suponhamos que esse Alguém se apresentasse e desse a sua vida em resgate de muitos, Um que não tivesse pecados próprios para ser condenado à morte? Glória a Deus nas alturas! Há esperança, há solução para o pecador! Deus, usando de mise­ricórdia, enviou o Seu Filho Jesus para tomar a nossa natureza e morrerem nosso lugar, provando a morte por todos os homens! Na verdade, “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (22).

Eu não posso salvar-me a mim próprio. Pequei por atos, pala­vras e pensamentos. Tenho pe­cados e necessito da compaixão de Deus. Devo morrer pelos meus pecados, ou achar um substituto que morra por mim. Não posso conseguir que um familiar, um amigo, ou algum homem bom morra por mim, porque eles também têm pecado e têm de morrer pelos seus próprios pe­cados. Cristo, porém, não tem pecado. Portanto, Ele e só Ele pode ser o meu Substituto. Cristo morreu pelos nossos pecados, pelos meus pecados. E porque Ele morreu por mim, eu O amo! Porque Ele derramou o Seu san­gue e morreu por mim, servi-Lo-ei!

Ainda que eu fosse a pessoa mais sábia, mais rica e mais po­derosa deste mundo, e não ti­vesse os meus pecados cobertos pelo sangue de Jesus, estaria perdido. Ainda que eu açoitasse e golpeasse o meu corpo, e não confiasse no poder do sangue de Jesus, morreria nos meus peca­dos. Ainda que eu distribuísse pelos pobres toda a minha for­tuna, e não estivesse purificado pelo sangue de Jesus, de nada me serviria tal ato de caridade.

Incapaz de salvar-me a mim próprio, só posso confiar na­quele que me ama e que em Seu sangue me lavou dos meus pe­cados. E se Ele me salvou a mim, também pode salvá-lo a si, esti­mado leitor! Confesse a Deus o seu pecado e suplique o perdão. Diga como o Salmista: “Contra Ti, contra Ti somente pequei, e fiz o que a Teus olhos parece mal. Purifica-me (…), e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve” (23). E Deus “nunca mais se lembrará dos seus peca­dos” (24). Então, jubilosamente, poderá cantar: “O sangue de Je­sus me lavou, me lavou!/O san­gue de Jesus me lavou, me lavou!/Alegre cantarei louvores ao meu Rei,/A meu Senhor Jesus, que me salvou”.

  • Gn 4:10. (2) Jo 3:36; Ap 13:8. (3) Gn 3:15. (4) Gn 22. (5) Ex 12. (6) Capítulo 2 o 6 de Josué. (7) Hb 9:12. (8) li 53:7; Jr 11:19. (9) Jo 1:29. (10) Ap 5:9. (11) Hb 9:22. (12) 1 Pe 2:24. (13) El 1:7; Cl 1:14. (14) 1 Pe 1:18, 19. (15) Rm 5:9. (16) 1 Jo 1:7. (17) Cl 1:20. (18) El 2:13. (19) 1 Rl 8:46. (20) Rm 3:10; SI 14:3. (21) Rm 3:23. (22) Rm 6:23. (23) SI 51:4, 7. (24) Jr 31:34.

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FRANCISCO M. FERREIRA, FONTE: REVISTA “ NOVAS DE ALEGRIA” – 1995

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